Guerra Fria
7 Capítulo 7 - Ida ao médico/ O intruso
Notas iniciais
Assim que Ed terminou de comer, Winry levou o prato no qual ele havia comido até a pia, e depois para o quarto e sentou-se ao seu lado. Ele ainda estava com o pano úmido em sua testa, e Winry o retirou para ver como estava a temperatura de Ed. Ela colocou a mão na testa dele, porém viu que nada havia mudado.Discretamente mordeu o lábio inferior, apreensiva, e decidiu não dizer nada para não preocupá-lo. Nesse momento, Alphonse entrou na sala, eufórico.
- Winry, a farmácia está fechada por causa do frio! Não tem ninguém lá!
Winry ficou surpresa com a notícia.
- E agora? – Perguntou Winry, visivelmente aflita.
- Calma, gente. Isso é só um resfriadozinho à toa e... – Ed disse, tentando se levantar, mas logo percebeu que ainda estava fraco demais para isso. – Droga de corpo... Me deixa na mão em um dia lindo de inverno desses. – Ele comentou, e então soltou um suspiro profundo, deitando-se novamente na cama e sentindo o corpo pesar.
- Ed, você não está bem. Precisamos levar você no médico! — Winry disse, ainda preocupada.
- NÃO! TUDO MENOS MÉDICO! – Ed gritou, mas logo depois tossiu. Sua voz estava horrível.
- Nii-san, você precisa se cuidar. Se você não for ao médico, o médico vem até você. Escolha.
Ed tentou argumentar, mas os dois estavam decididos a levarem ele ao bendito médico. \"Ah, que droga... Eu odeio médico.\", Ed pensou, e deu mais um longo suspiro.
- Tudo bem... Eu vou na porcaria do médico. – Ed disse, irritado. Odiava mesmo ir ao médico e tinha um medo terrível de injeções. Só o cheiro de hospital o enjoava, tomar remédio era horrível e o médico sempre tinha mãos frias. Ed realmente DETESTAVA ir ao médico, mas sabia que não havia saída.
Alphonse ajudou ele a se levantar e Winry foi buscar um casaco bem fofo pra ele usar. Ele mais parecia um boneco de neve ambulante. Seu nariz escorria, por isso Winry também pegou uma caixa de lenços, e assim foram todos levar Ed ao médico.
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Roy voltou andando até sua casa e abriu a porta, exausto. Depois inventaria uma desculpa pro pessoal que pegou um resfriado e não pôde mais ir trabalhar, mas hoje ele estava exausto e sem nenhuma disposição para voltar ao quartel.
Ele tirou o casaco molhado com neve derretida e tirou as botas, se sentando em sua poltrona preferida e colocando os pés pra cima, quando um som incomum vindo da cozinha lhe chamou a atenção.
Ele levantou uma sobrancelha, surpreso. \"Será que é um ladrão?\", pensou, pegando suas luvas em silêncio e as vestindo. Foi caminhando sem fazer barulho até se encostar na parede da cozinha, e quando se virou para atacar o gatuno... Bem, foi uma espécie diferente de gatuno que Roy encontrou.
Ele se viu cara a cara com um gatinho, que parecia ter não mais que alguns meses e estava com medo e com fome. Roy guardou novamente as suas luvas no bolso da farda, e olhou para o gatinho, que tinha sem querer derrubado uma panela.
- Bonito isso, não é? Invadindo a minha casa e ainda querendo comer de graça? Pois saiba que não aceito isso.
Ele pegou o gatinho no colo e o levou até a porta. Mas, assim que abriu a porta, uma rajada de vento forte bateu em seu rosto, e o gatinho miou. Ele era tão pequeno que cabia na palma de suas duas mãos. Roy olhou para o pequenino, e o gatinho começou a olhar pra ele com olhinhos cheios de dó, como quem dissesse \"Não me faça ficar aí fora nesse frio, por favor!\"
Roy ficou sem saber o que fazer. Tinha quase certeza que ele morreria naquele frio, ou passaria fome, e não queria carregar nas costas a culpa de ter deixado um pobre gatinho indefeso com frio e fome no meio da neve.
Ele suspirou e olhou para o bichano, que estava em suas mãos.
- Acredite pequeno, você tem muita sorte. Muuuuita sorte mesmo, porque se fosse qualquer outra pessoa, deixaria você morrer de fome e frio. Mas quero que saiba que essa casa é minha e se acha que vai dar uma de \"independente\" aqui está muito enganado. Eu faço as regras aqui, e você obedece, entendeu, soldado?
O gatinho olhou pra ele e miou, ainda com olhinhos de dó.
- E pare de me olhar assim!
Roy fechou a porta, colocou o gatinho no chão e se jogou novamente na sua poltrona, com um suspiro. \"Eu e meu coração de manteiga...\" Pensou Roy, em um suspiro. “Espero que ninguém fique sabendo disso.”
O gatinho miou mais uma vez, andando em direção a seu “salvador”. Começou então a roçar em suas pernas e ronronar, com uma expressão feliz. Roy olhou pra ele e deu um sorriso.
- Seu bajulador... – Disse, e o gatinho miou de novo, ainda com expressão feliz.
Mas dessa vez o gatinho começou a miar e dar tapinhas em Roy com a patinha. Roy olhou para ele, confuso.
- O que foi? Quer o quê?
O gatinho se virou e olhou pra Roy, miou e foi andando até a cozinha. Roy virou a cabeça, ainda confuso.
- Você quer... Que eu te siga? – Perguntou Roy, incrédulo. O gatinho sentou-se em frente à porta da cozinha e olhou pra ele, e miou.
Roy se levantou e foi andando até a cozinha, e o gatinho começou a roçar nas pernas dele. Quando ele chegou, ronronando, subiu na pia, dando tapinhas com a pata na geladeira.
- Ahh, você está com fome, não é? – Roy perguntou, e o gatinho miou com uma expressão feliz.
- Espera, acho que tenho um pouco de leite aqui na geladeira. – Ele disse, abrindo a geladeira, enquanto o gatinho descia da pia para esperar o leite. Roy pegou um pires, colocou o leite, e o gatinho começou a tomar, feliz. Roy sorriu, observando a cena.
- Até que você é bonitinho. Uma gracinha. – Ele disse, colocando o leite em cima da pia e acariciando o bichinho levemente na cabeça. – Se quiser mais me chama que eu venho e coloco, tá?
Ele miou e olhou pra Roy, ainda se sentindo visivelmente feliz e confortável, e voltou a tomar o leite. Roy sorriu e voltou para a sua poltrona, dessa vez tirando a camisa. \"Que dia...” pensou, dando um suspiro.
Depois que o gatinho terminou de tomar o seu leite, ele foi andando até Roy e subiu em seu colo, dando várias voltinhas sobre a sua barriga, para se deitar. Roy riu um pouco.
- Ei, pequeno, isso faz cócegas. — Ele disse, e o gatinho se aninhou em seu colo para tirar uma soneca. Roy sorriu ao vê-lo todo encolhido em seu colo, tentando se aquecer, e pegou sua farda que estava ao lado para cobri-lo.
- Você precisa de um nome... – Continuou, pensativo. – Ahh, Roy, não dá nome! Se der nome, vai se afeiçoar! Mas tenho que chamar você de alguma coisa...Bom... Você é rajado de cinza e preto e tem pelo curto, olhos azuis um pouco esverdeados... Acho que vou chamar você de Jack, o que acha?
O gatinho ronronou no colo de Roy, fazendo Roy sorrir levemente.
- Vou aceitar isso como um \"eu gostei, obrigado\".
Roy deu um longo bocejo e coçou a nuca. Olhou o relógio. Eram três da tarde, o horário perfeito pra um cochilo.
- É, pequeno Jack, você teve uma ideia ótima – Disse, se espreguiçando e deitando em sua poltrona reclinável, com Jack em seu colo. Os dois adormeceram.
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Ed, Al e Winry, assim que chegaram à recepção do médico, se sentaram no banco de espera e lá ficaram, esperando o médico chamar. Ed sentiu um calafrio lhe percorrer a espinha, mesmo com o ar condicionado estando desligado por causa do frio.
\"Tomara que não tenha injeção... Tomara que não tenha injeção...\" Ed repetia a si mesmo em sua mente, e ficava cada vez mais apreensivo. Tinha uma experiência pessoal ruim com injeções, por causa de um exame de sangue. A enfermeira que aplicou o exame foi tão agreste que parecia que ia atravessar o braço do menino.
Ele estava super nervoso com isso tudo, e toda hora pegava um lenço com Winry para assoar o nariz, que escorria constantemente. Também estava tossindo e sentindo o corpo com o dobro do peso, como se tivesse engordado uns dez quilos e continuado com o mesmo corpinho.
- Edward Elric, sala no final do corredor à direita.
Depois que ouviu a voz da recepcionista dizendo no alto falante o seu nome, o sangue de Ed congelou. Ele respirou fundo e fez um olhar decidido. \"Não vou me deixar abater por causa de um médico!\" pensou, caminhando com convicção até a sala, porém desacelerou o passo devido a um acesso de tosse.
Alphonse era grande demais para passar pela porta, por isso ficou aguardando na sala de espera enquanto Winry foi com Ed. Assim que Ed entrou e viu a maca coberta com um papel branco e uma cortina, sua convicção foi pras cucuias. O médico olhou pra ele e sorriu.
- Ora, o que traz um rapaz com aparência tão saudável a esse lugar cheirando a remédio e formol?
- Ele está gripado, doutor. – Disse Winry, meio preocupada.
- E porque ele está gripado? Aconteceu alguma coisa, caiu em água gelada, tomou banho de piscina no frio?
- Bem... — Winry disse, sem graça. — É que nós... Fizemos uma guerra de bolas de neve.
O médico olhou para Winry, meio corada, e Ed, meio desconfortável, e caiu na risada. Winry riu sem graça, ainda corada. \"Esse médico tá tirando uma com a minha cara?\" Pensou Ed, confuso, emburrado.
- Ai ai, essas crianças — Disse o médico, ajeitando os óculos e ainda rindo um pouco. – Eu me lembro da minha primeira guerra de bolas de neve. Ahhh, bons tempos. Foi muito divertido. Mas parece que você exagerou, não é mocinho?
Ed virou o rosto, meio corado, fazendo uma cara emburrada. \"Hunf, só pra tentar me conquistar pra eu vir aqui mais vezes.\" Ele pensou, e o médico anotou algumas informações em um papel.
- Que sintomas ele tem? – O médico perguntou, com o bloco na mão.
- Bem, ele está com febre, dor de cabeça, dor no corpo, cansaço, entupimento nasal e... Ed, você sente os seus olhos arderem quando vê luz?
- Eu não. Só um pouco de dor de cabeça. – Respondeu Ed, surpreso por Winry saber tanto de medicina. Pudera, os pais dela eram médicos.
- E acho que é isso, doutor. Acho que é só uma gripe. — Winry disse, suspirando.
- Tudo bem, eu vou fazer um diagnóstico aqui e já volto. Talvez seja preciso aplicar uma injeção...
Assim que o médico falou a palavra injeção Ed ficou duro feito pedra e congelou. \"Não! Não aquela maldita injeção!\"
O médico olhou para ele e, assim que viu a cara de condenado de Ed, deu uma gargalhada.
- Calma, garoto! Eu estou brincando! Só vão ser necessários alguns comprimidos! – O médico disse, rindo. Ed bufou e virou o rosto. \"Era só o que me faltava... Um médico vir tirar uma com a minha cara.\"
O médico mediu a temperatura de Ed e depois pediu para ele tirar a camisa para que pudesse fazer uma massagem no seu peito enquanto Ed dizia onde doía. \"Brrrrr, que mãos frias!\" Ed pensou, e assim que o médico começou a fazer a massagem, ele sentiu uma vontade enorme de rir, mas segurou ao máximo. \"Seu maldito, está fazendo cócegas!\"
Depois de entregar o diagnóstico a Winry, o médico deu apenas algumas recomendações finais e disse que se os remédios não resolvessem era para trazê-lo de volta ao consultório. Ed agradeceu e foi embora o mais rápido que pôde.
Winry apertou a mão do médico e sorriu.
- Qual é o seu nome? — Ela perguntou, sorrindo.
- É Billy, mas pode me chamar de doutor Bill. — Ele disse, também sorrindo tranquilamente.
Depois eles se encontraram com Al na recepção e finalmente podiam ir embora, para a felicidade de Edward.
Notas finais
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