Guerra Fria
6 Capítulo 6 - Fim da guerra, começo de um problema
Notas iniciais
bom, curtam o cap!
A guerra continuou feroz, e todos pareciam estar se divertindo muito. Neve voava para todos os lados, e agora a situação se invertera: no time de Edward é que faltava uma pessoa. Apesar da desvantagem, ninguém do time de Edward reclamava. Pra falar a verdade, ninguém queria nem ao menos saber se estava perdendo ou ganhando. Todos estavam se divertindo, e era isso que importava. Até algumas pessoas do próprio time se acertavam de vez em quanto, e riam juntos, afinal, estavam todos entre amigos.
Ed, depois de se desviar de várias bolas de neve e ser acertado por várias outras, teve uma idéia. \"E se eu construísse um forte? Seria mais fácil pra nos proteger e também daria pra guardar muito mais bolas de neve!\" Decidido, ele bateu as mãos e transmutou a neve em seus pés, formando um enorme castelo de gelo. Foi necessária muita neve para a transmutação, por isso ficaram alguns vácuos no cão, mostrando a terra que ficava embaixo.
- Rápido, entrem no forte! – Ed chamou Al, Hughes e Riza para dentro, abrindo a porta.
O forte tinha o tamanho de um Al em pé e meio, por isso ele também transmutou uma escada e algumas janelas para que tivessem por onde jogar as bolas de neve.
- Ei, não é justo! – Berrou Winry, colocando as mãos na cintura. – Assim vai ser mais difícil acertar vocês!
- Jogou sujo, Ed! – Disse Breda, preparando uma bola de neve.
- Vocês estão reclamando de quê? Tem um a mais no time de vocês! – Gritou Ed, com um grande sorriso no rosto, ficando no topo do forte.
- É justo termos algo a mais também! – Acrescentou Al, aparecendo ao lado do irmão.
- Então tá! Isso não vai nos impedir! – Berrou Winry de novo, atirando outra bola de neve que raspou no ombro de Edward.
- Mas que mira desgraçada que ela tem! – Sussurrou Edward para Al, surpreso.
- Quem mandou baixar a guarda só porquê tem um forte? – Respondeu Al, Jogando uma bola de neve que conseguiu acertar Fallman.
- Melhor não subestimar a Winry! – Sussurrou Ed para Al de novo, se recuperando do susto e pegando outra bola de neve.
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Alex estava indo levar alguns papéis que precisavam de aprovação para a mesa do coronel, mas assim que entrou não o encontrou.
- Coronel? Onde você está? – Perguntou o Major, procurando pela sala inteira, mas sem encontrá-lo em lugar nenhum.
Ele olhou para a janela, que estava aberta, e viu a cena de uma guerra ali a alguns quarteirões. Sorriu, mas se surpreende ao ver até mesmo Hawkeye no meio daquela confusão. Justo ela, que era tão séria.
- Acho que essa guerra precisa ter um término, senão o coronel não voltará ao trabalho hoje e acabará tirando todos do serviço. – Disse o Major a si mesmo, dando um leve sorriso. – Quem sabe eu não possa ajudar com isso?
O major caminhou até chegar ao campo de batalha. Viu todos cobertos de neve, rindo e se divertindo. Começam a sair brilhinhos dele.
- Irmãos Elric! – Suspirou o Major. – E todos vocês, o que estão fazendo aqui?
-Bem... – Roy sorriu, fechando os olhos e coçando a cabeça. Que desculpa poderia arrumar para estar matando o trabalho mais uma vez, de maneira tão descarada assim?
- Será que tem espaço para mais uma pessoa? — Ele disse, tirando sua camisa e mostrando seus músculos. Todos o olharam, estupefatos. Até mesmo naquele frio, o Major não conseguia deixar de exibir sua musculatura. A guerra parou novamente por um momento e todos começam a olhar para o Major, alguns com um pouco de medo.
Alex se abaixou, juntou um punhado de neve e então o atirou em direção ao forte com um soco, transmutando-o em uma lança de gelo. Ao atingir o forte, a lança fez com que o gelo caísse. Aos poucos, o forte começou a desmoronar. O major continuou atacando, e o forte não demorou a ceder. Todos conseguiram correr, mas Edward, que estava no topo, ficou soterrado pela neve.
-Major...? – Roy e seus subordinados o olharam, assustados, com os olhos arregalados.
Edward cavou sua saída rapidamente, e logo já estava de pé, limpando a neve em sua roupa.
-Ora, o forte dava a eles uma vantagem injusta! – Suspirou o major, com os brilhos a sua volta mais uma vez. – Eu não mirei para acertar em ninguém, mas me esqueci que a baixa estatura de Edward Elric! – O major então se aproximou de Edward, abraçando-o com força. – Me desculpe, Edward Elric! – Lagrimas corriam pelos seus olhos.
Edward tinha vontade de gritar “QUEM VOCÊ ESTÁ CHAMANDO DE MICRO-ÁCARO TÃO PEQUENO QUE PRECISA DE UM MICROSCÓPIO PRA SER VISTO?!?!?!?!”, mas não conseguia dizer nada, sufocado no abraço do major.
Assim que o major o soltou, Edward caiu sentado na neve, sem mais forças para ficar de pé. Olhou à sua volta e percebeu que, além da bagunça, havia restos de neve e sinais da guerra por todos os lados. Se ele não soubesse, poderia dizer que um combate de verdade havia acontecido ali. Agora que o sangue havia esfriado (olhe que ironia: guerra de neve com sangue quente) o cansaço tinha ficado visível, e ele mal se agüentava sobre suas pernas. Estava cansado e soltou um espirro forte. Winry e Al correram até ele.
- Nii-san, você está bem? – Perguntou Al, preocupado. Winry colocou a mão na testa dele.
- Ele está ardendo em febre! – Winry disse, surpresa e assustada.
- Não se preocupem comigo, eu vou ficar bem e... – Ele gemeu e começou a massagear as têmporas. – Que dor de cabeça...
- Nii-san, você não está bem. Qualquer um pode ver isso. Deixa de ser teimoso e vamos voltar para o hotel. – Disse Al, com a voz firme, ajudando-o a se levantar.
- Vem, eu te ajudo a chegar até o quarto! – Disse Winry, passando o braço esquerdo de Edward por seus ombros, ajudando-o a caminhar. Ela sentiu a pele quente dele tocar-lhe os ombros.
- Meu Deus, Ed, você está muito quente! Vem, Al, assim que chegarmos procure um termômetro o mais rápido possível!
- Certo! – Disse Al, indo na frente pra procurar um termômetro.
Ed estava com o nariz escorrendo e gemendo por causa da dor de cabeça. Winry deitou-o na cama, enquanto Al trazia o termômetro. Ela colocou o termômetro sob o braço de Ed e esperou alguns minutos. Quando deu o tempo, ela o olhou: 38.3 de febre.
- Ed, você tá sentindo o quê? — Perguntou Winry, tirando o cabelo do rosto dele.
- Huumm... Dor de cabeça, dor no corpo, cansaço... Não pareço eu mesmo. – Ele disse, dando um longo suspiro e uma tosse depois. – E agora tosse. – Adicionou, com um suspiro de desânimo.
- Nii-san, eu vou até a farmácia buscar algum remédio. Winry, você pode cuidar dele até eu voltar? A farmácia fica meio longe daqui e pode levar uns 30 minutos a pé ou mais.
- Certo – Disse Winry, sorrindo. – Pode deixar que eu cuido do doentinho.
Edward olhou para a mecânica e ficou vermelho. Mas, dessa vez, não era por causa da febre. Sua temperatura aumentou um pouco, lhe parecia, e foi uma pena não ter começado a suar.
Al saiu do quarto e deixou os dois a sós. Winry sorriu para Ed.
- Você vai melhorar logo, não se preocupe! – Ela disse, ainda sorrindo serenamente. – Vou fazer uma sopinha que vai fazer você se sentir melhor! – Exclamou, entusiasmada. Não estava feliz com o fato de Ed ter adoecido, obviamente, mas não queria que o alquimista desanimasse ou se sentisse mal. Ela sabia melhor do que ninguém que ele não costuma ficar quieto por muito tempo e, naquele momento, o que Ed mais precisaria era de descanso.
Edward sorriu cansado, e ela foi até a cozinha preparar a sopa. Seria rápido, não demoraria muito. Ele começou a pensar. \"Porcaria, num dia lindo de neve desses e eu aqui doente! ¬¬ Sorte que a Winry tá aqui, pelo menos eu não fico sozinho. Ela poderia muito bem estar lá fora brincando com o Al, mas os dois estão se preocupando em cuidar de mim... Me sinto até meio culpado. Parece até que estraguei o dia de todo mundo! ¬¬ Muito bem, Edward, meus parabéns!\"
Suspirou desanimado, e logo voltou a seus pensamentos. \"Por que será que ela se preocupa tanto? Eu não pedi pra ela fazer nenhuma sopa. Não estou reclamando, mas ela poderia só me vigiar e pronto, não precisa ter esse trabalho por minha causa. Não quero dar trabalho, odeio dar trabalho! ¬¬ Mas, mesmo assim... Acho que gosto que ela cuide de mim. Se preocupar comigo é... Estranhamente feminino vindo dela. Não imaginava que ela tivesse um lado tão feminino. Ei, porque não paro de pensar nela? E você coração, quer fazer-me o favor de se aquietar? Não acredito nisso... Ele sempre fica assim quando eu tô perto dela, por quê? É tão constrangedor...\"
Ed permaneceu sozinho com os seus pensamentos, enquanto Winry preparava a sopa. Depois de um tempo ela foi até ele e sorriu.
- Ed, a sopa fica pronta daqui a uns quinze minutos. Trate de ficar vivo até lá, tá bom? – Ela brincou e riu um pouco. Ed riu também.
Ela sentou ao lado dele e colocou a mão em sua testa, novamente preocupada com sua temperatura. Ao ver que não havia mudado nada, teve uma idéia.
- Já sei! Acabei de pensar em uma coisa que sei que vai ajudar você! Espera só um minuto, Ed! – Ela exclamou animada e andou até a cozinha, enquanto Ed a acompanhou com os olhos, curioso.
Winry molhou um pano na pia e o dobrou, espremendo a água e deixando-o apenas levemente úmido. Voltou para o quanto e colocou o pano sobre a testa de Ed.
- Pronto, com isso acho que sua temperatura vai baixar! – Ela disse, sorrindo. Ele sorriu também, um pouco corado.
- Winry... – Ed começou a se sentir nervoso mais uma vez.
-Sim, Ed?
-É que... Bem... Sinto muito por acabar com a brincadeira de vocês... E...
Ele nem ao menos sabia por que estava falando aquilo, mas sentia-se realmente mal, por algum motivo. Cada vez mais parecia ter se tornado outra pessoa. Talvez fosse pelo fato de estar doente, mas, além disso, Ed sentia que havia outro motivo, o qual ainda não conseguia compreender. Talvez não quisesse compreender. Não estava pronto para aceitar, mas também não conseguia negar.
-Shh, Ed, não diga isso nem brincando! Passamos o dia todo na neve, e você ainda foi soterrado pelo ataque-surpresa do Major, não é surpresa que esteja doente! A previsão diz que vai nevar a semana toda, então ainda temos tempo, ok? – Winry piscou e sorriu levemente, fazendo Ed ficar sem palavras enquanto a observava. – Agora me dê licença, a sopa já deve estar quase pronta!
-Tu... tudo bem!
Acompanhou-a com os olhos mais uma vez. Por que dizer “obrigado por cuidar de mim” era tão difícil, principalmente para ela? Podia chamá-la, podia acabar com aquilo de uma vez, mas a voz simplesmente não saía da sua boca. Quando percebeu, Winry já estava voltando para o quarto com um prato quentíssimo de sopa em uma bandeja.
-Aqui está, coma tudo para ficar bom logo!
Os dois sorriram. Winry ajudou Ed a arrumar a bandeja em seu colo sem derramar, e observou enquanto ele comia, sem dizer mais nada. Estava feliz por poder estar ali naquele momento, cuidando de Ed quando ele precisava. Se sentia mais necessária agora, percebendo que ele precisaria dela naquele momento. Ele se sentou e começou a degustar a sopa feliz. Esperava ficar melhor com ela, só pra agradá-la depois da gentileza que tinha feito a ele. Não disseram mais nada até que Ed terminasse de tomar a sopa.
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