Há muitos e muitos anos atrás, existia um lugar onde tudo era bondade, mansidão e paz. Ali não existia tristeza, nem dor, nada de ruim habitava nesse maravilhoso e perfeito lugar. Nele morava o grande e poderoso Deus. O criador dos anjos e criaturas do paraíso. Junto Dele, ficavam os quatro arcanjos mais poderosos, Miguel, Gabriel, Rafael e Lúcifer. As ruas eram feitas de ouro, dignos de um grande e poderoso rei. Seu trono era recheado de pedras valiosas, inúmeras cores davam vida a ele.

Existiam também vários outros tipos de anjos, Querubins e Serafins. Eles cantavam e adoravam seu criador com felicidade. Seu cântico ecoava pelo infinito lugar. Todos sabiam que seguindo as ordens de Deus seriam eternamente felizes.

Lúcifer era o líder de toda a multidão celestial. (Lúcifer significa portador da luz.) Ele estava diretamente sobre a autoridade do todo poderoso. A tarefa dele era contar aos anjos o conhecimento de Deus e sua bondade, ele foi o ser mais esplêndido que o Senhor já criou. Os anjos o admiravam e respeitavam, pois tinha muito poder de liderança e organização.

Quando Lúcifer notou sua beleza e poder, seu coração aos poucos começou a mudar. Permitiu que os pensamentos impuros o dominassem. Começou a cobiçar os poderes de Deus, mas não sua maneira de ser. Ele já estava cheio de inveja e amargura em seu coração, pois achava que poderia ter os poderes de Deus e ser adorado também.

Um dia Deus revelou aos anjos a criação de Jesus, Deus encarnado e ordenou que o adorassem e prestassem homenagem a Maria, primeiro sacrário de Deus na terra. Conforme explicou, Lúcifer ficou mais irado ainda, pois ele queria ser como Deus e se negava a servir esse tipo de criação.

Começou a pensar que ele com os poderes que tinha e a grandiosidade que era, não ia servir a criaturas inferiores a natureza angélica, pois achava humilhação para ele e os anjos. Foi nesse instante que pela primeira vez, o orgulho, a raiva e a inveja entraram no reino celeste. Muitos devem se perguntar, como no céu podem existir esses sentimentos ruins. Como Lúcifer sentiu isso se lá todos eram puros?

Deus não quer seus filhos obrigados ao seu lado, Ele dá o livre arbítrio para quem quiser lhe servir, isso vale para os anjos também.

Quando percebeu que Lúcifer ia fazer uma rebelião em seu reino, Deus escondeu seus reais planos dele.

Deus criou a terra e todas as suas criaturas em seis dias, no sétimo descansou. Sua ultima criação foi o homem. Ele modelou seu corpo com o barro e deu o sopro da vida. Depois, vendo que Adão ficaria só, lhe colocou em um sono profundo e tirou uma de suas costelas e dela, Ele fez Eva. Pra que os dois ficassem juntos no jardim do Éden.

Seu plano era deixar os dois nesse jardim e visitá-los sempre. Mas Ele deu uma regra aos dois, não comer do fruto da arvore proibida. Eles iriam governar o jardim vivendo na paz e na presença constante de Deus. Tão forte era sua ligação com os homens que o Senhor deu aos dois o poder de dar nome para cada animal.

Mas antes da criação do homem, Lúcifer bolou um plano para desafiar a Deus. Começou aos poucos, plantando entre os outros anjos sementes de duvida e descontentamento a respeito da liderança de Deus, ao mesmo tempo em que sutilmente revelava suas próprias virtudes. Ele insinuou que o Senhor abusava de seu poder divino e suas leis restringiam a verdadeira liberdade e felicidade de suas criaturas.

“Deus está cometendo uma injustiça, elevando a natureza humana acima da natureza dos anjos. Eu sou o mais excelente e formoso anjo. É a mim que se deve essa honra. Hei de colocar meu trono acima das estrelas e serei semelhante ao Altíssimo. Não me sujeitarei a ninguém de natureza inferior à minha. Não consentirei que alguém esteja antes de mim e seja maior do que eu.”

Muitos anjos aplaudiram as palavras de Lúcifer e colocaram-se ao seu lado. São Miguel então intervém e questiona o anjo rebelde:

“Quem é que pode comparar-se e igualar-se ao Senhor? Acaba com essas blasfêmias. Separa-te de nós, e vai com essa cega ignorância e maldade para as trevas e para o caos do inferno. E nós, anjos bons, espíritos do Senhor, vamos prestar reverência a esta ditosa Mulher que irá oferecer a sua carne humana ao Verbo Eterno. Vamos reconhecê-la como nossa Rainha e Senhora. Com seu grande poder de influencia.”

Lúcifer ignorou Miguel e conseguiu persuadir um grande número de anjos a seu favor.

Como nunca se ouviu mentira no reino dos céus, os anjos acreditaram no que Lúcifer dizia e começaram a questionar sobre as regras de Deus. Eles não perceberam a obsessão de Lúcifer em assumir a posição do Senhor. Não sabiam que finalmente ele planejaria a tortura e o assassinato do filho de Deus, com a intenção de tomar o seu trono.

Lúcifer pensou que poderia ocultar seus verdadeiros propósitos do Senhor. Deus sabe de todas as coisas e sabe o que suas criaturas pensam. Ele entendia perfeitamente o que estava se passando na mente de Lúcifer. E com sua bondade e piedade advertiu o anjo do perigo. Mas o orgulho e a vaidade não permitiram que Lúcifer se arrependesse. Então começou a rebelião contra Deus em vez da humilde obediência.

Tudo que estava pra acontecer, foi permissão de Deus. Pois Lúcifer tinha o livre arbítrio, o Senhor não criou ninguém para ser manipulado e forçado a lhe amar, Ele deu ás criaturas o poder de decidir ficar com Ele ou não. Claro que o livre arbítrio tem seu lado bom e ruim, pois suas criaturas poderiam lhe rejeitar como aconteceu com os milhares de anjos que seguiram Lúcifer nessa rebelião.

Um Deus de amor, só quer amor verdadeiro de suas criaturas e para que isso aconteça, elas precisam ter o livre arbítrio. A maior prova disso, foi a rebelião que Lúcifer causou, mostrando que ele tinha essa liberdade. Deus poderia muito bem ter destruído Lúcifer na hora em que descobriu seus planos, certo? Errado! Se Ele fizesse isso, só iria intensificar as duvidas e suspeitas que Lúcifer havia plantando na mente dos anjos. E ele sabia como ninguém das regras do Senhor e se Deus lhe destruísse, ia fazer com que os anjos o respeitassem por medo da represália e não por amor.

O Senhor sabia que a melhor forma de enfrentar a crise era permitindo que tudo seguisse seu curso.

Após as palavras, os anjos seguiram em direção ao trono de Deus. Ao chegarem lá, todos falavam ao mesmo tempo, inquietos e nervosos com o Senhor. E quando eles falaram abertamente sobre seus pensamentos, Deus soube que não haveria paz se permitisse que eles ficassem no céu. Deveria impor um limite, entrar em ação e enfrentar os rebeldes.

Mas Lúcifer e seus seguidores nunca iriam aceitar sair por vontade própria e amigavelmente. Então a guerra começou.

Apareceu um grande sinal no céu, a Rainha dos anjos. Este sinal aniquilou a força de Satanás. E ao mesmo tempo surgiu outro sinal, o sinal do Dragão vermelho. Satanás foi despojado de seus títulos de honra, tomando uma forma horrorosa, para espanto e terror de seus sequazes, e admiração dos anjos bons.

São Miguel então, à frente dos seus anjos, inicia a grande batalha com o grito de guerra:

“Quem como Deus?”

Os anjos travaram uma dura batalha contra os rebeldes. Com suas espadas duelavam com seus rivais, defendendo seu mestre e Senhor.

Lutavam com fervor. Sabiam que Deus ia dar um jeito nos desobedientes. E o amor que tinham pelo seu Senhor era muito maior que qualquer outra criatura que tentasse intervir em seus planos, mesmo sendo do meio deles.

Deus não fica contente com essas coisas, os anjos são suas criaturas e ele os ama muito, mas ele é sagrado e perfeito, não pode deixar que sentimentos ruins o rodeiem, nem a seus anjos.

São Miguel por fim jogou a besta nas profundezas do inferno, que Deus criou para ele, junto com seus seguidores. Só assim teria paz no reino dos céus outra vez.

Enfim a justiça de Deus prevaleceu, provando que o bem sempre vence o mal e que as leis de Deus são justas e eternas.

Fim.

Notas finais
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