Guerra Celestial
2 01. Que a guerra comece!
Notas iniciais
01. Que a guerra comece!
— Aaron! Aaron! Aaron! Aaron! — escuto gritos vindos de todos os cantos do salão. Levanto as mãos empunhando meus dois machados e pedir por mais gritos. Coloco um grande sorriso em meu rosto e meticulosamente, tento girar os machados em meus dois braços com um movimento tão uniforme que chega a ser sinfônico. Quando vejo, as pessoas já estão ficando cada vez mais eufóricas. Prendo minhas mãos nos círculos do cabo dos machados e paro de girá-los, fincando-os no chão imediatamente. Os gritos aumentam, e me sinto tão vivo. Sim… este sou eu, Aaron Kinght, o guerreiro de Haliphron.
Sempre busquei me distinguir dos outros campeões, não importa como. Eu não gostava de ser apenas um soldado no campo de batalha, eu sempre gostei de me divertir, se eu pudesse, nunca sairia da cidade, gosto muito daqui, eles adoram meu malabarismo com armas e eu me sinto a vontade fazendo isso.
Já faz mais ou menos um milênio que uma guerra terrível por território varreu todo o mundo transformando a Terra em puro caos. Tudo isso por causa de um estudo científico apontando que o ser humano necessita de mana, a fonte mágica da terra. E o único local onde é possível coletar é na Ilha de Gelo. Sua forte radiação impediu qualquer um de explorá-la, mas com o material certo, é possível retirar um pouco da radiação e transformá-la em Mana.
Assim, a guerra se tornou cada vez mais sangrenta, e como sempre, os homens buscaram soluções aos deuses. Em troca de sacrifícios mensais, os deuses enviaram seus filhos para guerra, cada um servindo uma das duas nações dominantes. Oito foram defender Haliphron, a terra do mar, e outros oito foram para Aragool. a nação das ruinas. E assim, todo mês há sacrifícios de ladrões, prostitutas e outros tipos de hereges para sustentar os campeões no mundo, com armas sagradas e coisas do tipo.
Em toda minha experiência na batalha, só vi outros dois campeões de Aragool, um era a invocadora Holly Summon, que deu bastante trabalho com seu poder de invocar criaturas em qualquer proximidade, cada uma mais bizarra que a outra, a sorte é que ela precisava de muita mana para executar tal magia, assim, cansando muito cedo. O outro era o Declan Coins, carregava uma pá em mãos e arremessava em todos os humanos, sua fraqueza era dinheiro. Era só ver moedas nos bolsos dos soldados que parava para morder e ver se eram verdadeiras, uma comédia.
Já na minha nação, Haliphron. Todos nos conhecemos é claro, embora tenho intimidade somente com o Owen Shoot, o arqueiro sério, a Lauren Shield, nossa escudeira, e o Joe Drink, nosso especialista em cerveja, só vive bebendo em quanto faço shows. Gostamos de nos reunir em uma mesa e contar piadas e coisas do tipo, pena que esses dias felizes estavam contados.
— Aaron!... Aaron!?!! — meus ouvidos voltavam a funcionar aos poucos, e percebi que os gritos felizes de antes, agora se tornaram gritos de desespero, que tentavam me acordar de um sono profundo. — ei, Aaron, acorde!
Abro meus olhos aos poucos tentando descobrir o que ou quem me retirou de um descanso, tudo que vejo são cabelos azuis sacudindo ao vento e um céu um tanto cinza com respingos de chuvas caindo sob um grande buraco em minha superfície.
— Lauren? O que houve?— tento perguntar apesar de uma dor insuportável em meu braço esquerdo. Ergo minha mão esquerda e vejo que ela está latejando com um forte vermelho, tudo que vejo é sangue. — Por que minha mão está sangrando?
— Invadiram o acampamento, estão com artilharia pesada e nosso recanto foi destruído, um pedaço do teto caiu em sua lateral, os escombros o machucaram, mas não se preocupe, irei te levar até a Lucy, ela está aqui perto numa outra cabana para cura de ferimentos dos soldados.
— Ok, consegue me levantar? — falei com ela tentando parecer o mais saudável possível, sem muito efeito.
Esticando sua mão para mim, seus olhos atrás do seu óculos mostram receio, provavelmente por ter me deixado sozinho aqui. Apanho sua mão e me levanto.
— Anda bem forte em? Haha. — passo minhas mãos em seu cabelo e caminho até fora da cabana.
Quando chego, vejo um enorme estrago e o que antes era uma pequeno círculo de cabanas, agora é um grande buraco de bombas, provavelmente, obras do Leon, campeão das bombas de Aragool.
— Ele não deve estar muito longe… — fito o chão, e olho de relance para a minha companheira de exercito. — Digo… O Leon. Onde estão nossas tropas?
— Uma boa parte está não muito longe daqui em zona de guerra, e os outros que se encontram feridos estão no compartimento de cura. Vamos até lá.
Andando um pouco em silêncio, penso que esta é a chance de eu finalmente mostrar que não sirvo só para diversão, apesar de desejar viver só disso, também sei que devo cumprir meus objetivos, quanto mais rápido terminarmos isto aqui, mais rápido estarei em Haliphron, fazendo malabarismo com meus machados. Pensar nisso me concede um sentimento de
ânimo.
— Ooh, Aaron, que grande estrago em? Digo … no seu braço, o acampamento já não era grande coisa antes. — com um sorriso inocente, Lucy balançava seu braço direito em sinal que eu poderia ir até ela. — Vamos dar um jeito nisso, o general ordenou que você tem que ir para o campo de batalha. Estamos sem campeões lá. Só nós três viemos.
— Então trate de se apressar, estou no ritmo da guerra. — falo balançando o quadril causando uma orda de risos em toda sala, então lembro que há humanos presentes também. — Ei… gente, não há nada a temer ok? Iremos voltar para casa vitoriosos. “Fiel como um leão, na imensidão do mar encontrarei minha gloriosa salvação.” — falo o lema de nossa nação, tentando encorajá-los, apesar de no fundo eu saber que nem todos voltarão.
– “FIEL AO CORAÇÃO DE UM LEÃO, NA IMENSIDÃO DO MAR ENCONTRAREI MINHA GLORIOSA SALVAÇÃO” — todos os soldados repetiram minha frase elevando o braço até a boca e beijando o punho.
A curandeira anda até meu braço, e com um pote esverdeado com uma cruz vermelha desenhada em um papel colado nele, despeja sobre meu ferimento e o único sentimento que me domina agora é alívio, seguido de felicidade. Não sei o motivo de eu estar feliz, mas devo seguir esta minha vontade assassina, quem sabe ela me leve em algo neste dia.
— Obrigado, agora irei indo. — ando até a porta e vejo que Lauren me segue. Agora, sinto um medo tremendo, não sei o porque, mas acho que é medo de perdê-la tão cedo. — Não, Lauren. Você fica. Precisamos de alguem aqui para proteger o acampamento. Acho que a Lucy não da conta.
Após um momento em que ela mostrou descordância, acabou entrando em consenso e sem muita firmeza, balançou a cabeça em afirmação e voltou para ver os outros feridos. Aceno para as duas e corro para fora do acampamento. Escuto barulhos de bombas explodindo a aproximadamente quinhentos metros.
Fecho os olhos e penso em meus machados, de repente dois machados aparecem em minhas mãos, coloco-os na bainha em minhas costas e continuo correndo o mais rápido possível até a cruzilhada onde está havendo as explosões. Quanto mais perto do barulho eu me aproximo, mais crateras eu avisto. Até que vejo em cima de uma árvore uma figura vestida de preta e uma máscara na cara com olhos totalmente sem pupilas. Leon Bomb com seu sorriso assassino, uma característica comum nos campeões de Aragool.
— FORMAÇÃO ENCRUZILHADA DO MAR! — grito para os soldados que consigo avistar, treinamos muito esse tipo de formação para quebrar os campeões inimigos. Enviamos alguns humanos fortes na frente para que consigam combater os soldados adversários enquanto eu corro por trás e elimino o campeão. Que geralmente está na retaguarda ou escondido em algum escombro.
Seguindo a formação, vejo dois homens de aparência rudes correndo por cima dos outros com enormes martelos batendo em todos pela frente fazendo uma enorme confusão, atraindo com certeza a atenção do Leon. Logo então eu vejo uma pedra onde posso me esconder e tentar um arremesso de machado.
Desviando de algumas armadilhas com minha habilidade de enxergar objetos ocultos, chego nela e tento focalizar a distância. Provavelmente havia uns quinze metros entre eu e o campeão, Já atirei meu machado de distâncias maiores. Minha mana estava alta então se eu errasse poderia reinvocá-lo sem problemas.
Fecho meus olhos, começo a girar meu machado esquerdo na mão então eu dou um salto para fora da pedra… Mas o campeão não está mais lá. Isso é estranho, alguns segundos ela estava lá e agora sumiu. Como se houvesse se teletransportado.
— Gostou? — uma voz rouca nas minhas costas me chama a atenção. Quando me viro, lá está Leon. — Uma incrível habilidade que aprendi chamada ilusão. Onde será que estarei? Onde será que estive, onde será que estou, onde será que estarei?
— Ora, vejo que sabe alguns truques também, quem sabe brincar mais? — falo para ele com minha voz o mais desafiante possível.
— Já iremos descobrir. — Falou Leon apertando o botão em um pequeno dispositivo em sua mão.
Um barulho embaixo de mim chega a ser ensurdecedor e me paralisa no chão. Então percebo que havia uma armadilha, ele havia previsto tudo isso e eu segui de acordo com seu plano. Isso parece tão patético, mas fui infantil. Coloquei minha arma na frente da razão.
Quando o efeito da bomba passou, vejo bombas avermelhadas sendo lançadas em minha direção, com certeza essas irão ser para matar, então recuo o mais rápido possível e lanço meu machado ao encontro delas causando uma explosão concentrada em minha frente que por sorte não me atingiram.
— Creio que você não sairá vivo daqui jovem dos machados. — uma voz atrás de uma pedra a uns dez metros estava berrando por atenção.
Em meu antigo eu, seguiria este barulho, mas decidi não cair duas vezes no mesmo truque. Tento raciocinar, e lembro que aquele Leon que falou comigo agora apertou um botão antes de eu ser paralisado, uma ilusão não pode ser capaz de fazer tal façanha. Então ele deve estar atrás de mim. Já sei!
Corro em direção ao Leon que ouvi atrás da pedra agora, e olho de canto de olho para trás, logo avisto outro Leon portando três bombinhas esverdeadas e outras duas vermelhas em suas mãos, não muito grandes. Achei você.
— O jogo acabou Leon! — gritei olhando para a pedra.
— Pode apostar que sim Aaron. — a voz de Leon agora afirmava que minha teoria estava correta.
Quando chego na pedra, coloco meu pé nela e me encontro dando um giro no ar ficando de frente para o verdadeiro Leon, ainda de cabeça para baixo. Arremesso um de meus machados de encontro a ele que acabara de lançar as bombas. Uma explosão muito maior acontece e uma enorme fumaça se forma no local. Peguei? Procuro por qualquer sinal de vida e não encontro. Caminho até o local da explosão e nele, há apenas um corpo jogado com sangue escorrendo.
— Menos um em campo, primeiro campeão morto. — falo olhando aquele corpo.
— Talvez em outro lugar, mas não aqui, não agora. — o corpo fala e então com seu sorriso agora intelectual ele pressiona o botão e pedras em sua volta desabam fazendo-o cair em um túnel que se encontrava debaixo dele.
Pulo imediatamente no buraco e não vejo nada, além da escuridão. Soco a parede em frustração e decido voltar para o acampamento e ver os feridos. Enquanto caminho, não consigo parar pensar, como ele sabia daquele túnel? Eles teriam que estudar o local, mas esta zona está sob nosso domínio, será que há um traidor?
Ao chegar no acampamento, percebo que o número já era o dobro, de um lado os feridos em pequenas barracas sendo tratados e do outro lado estavam soldados se preparando para o avanço.
— Aaron, tem um tempo? — um homem com uma barba já grisalha com uma postura séria e seus braços cruzados fala entrando em uma barraca meio luxuosa, seu nome? General Hulyus, meu comandante. — Por favor, entre na barraca.
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