Guerra Celeste

5 Capítulo 4 - Assumindo o Controle


Notas iniciais
Deixem review(s), eles estimulam bastante. Desde já, agradeço. :}

CAPÍTULO 4 – ASSUMINDO O CONTROLE

O que acontece quando um anjo junta-se a um humano?

Sinceramente, isso é complicado até para mim. É como se fosse uma espécie de fusão mal sucedida, ou quem sabe o Whisky seja o causador de toda essa confusão. A questão é que quando um “Filho de Deus” une sua alma a de um “Filho dos Homens”, eles não se tornam um, mas dois dividindo um. E, por mais que o Celestial se sobressaia, um dia ele poderá perder o controle.

- Droga! Dormi demais.

Para quem não queria um hospital, abrir os olhos e ver lençóis brancos, paredes brancas e até a porcaria de um teto branco, foi um tanto quando desanimador. Entretanto, devo dizer que é muito diferente, afinal, com todos esses olhares me sufocando, estou mais pra bandido que pra paciente.

- Ytan, meu filho. Por onde você esteve? – Me perguntou a senhora, nem passa pela cabeça dela que não será Ytan a responder.

- Por aí... – Mas creio que ele diria algo assim.

- Por aí?! Você some por meses e é só isso que tem a nos dizer? – Me pergunta com sua voz “imponente” o pai dele, ao tempo em que sua mãe e seu irmão menor se mantêm quietos, como cães perante o dono.

- Não importa. Só preciso de um dia aqui e por sinal já se passou metade desse tempo.

- Que idiotice é essa?! Por acaso andou se drogando? Você tem um buraco no meio do peito! – É, eu não fui muito com a cara do velho, mas admito que ele me lembra um pouco o padre ranzinza, é bem “espirituoso”... Saca o trocadilho? Hehe. — E você! Não vai falar nada, pirralho? – O irmão de Ytan tem quinze anos e se comportou como um zumbi durante toda a cena, só não esperava eu que zumbis também fossem capazes de um abraço.

- Bem vindo de volta, irmão.

- Argh! — O modo como os humanos demonstram afeto é pateticamente dolorido.

- Ahh, Desculpe! Acabei me esquecendo do seu ferimento. Hehe. – Conheço essa risadinha... Ele me soltou. — Até mais!

E caminhou lento, abriu a porta do quarto e foi. Meus olhos o seguiram com tamanha análise, que acho que poderia até descrevê-lo com cálculos matemáticos alienígenas... Mas eles jamais seriam exatos. Por acaso avistei minha jaqueta pendurada na cabeceira da cama e só então o pirralho deixou de ser interessante. Peguei o cantil de dentro dela, seria meu primeiro gole do dia se não fosse por...

- O que?! O que fizeram com meu Whisky?

- Joguei fora. Você está em recuperação, Ytan. Não pode beber. – A velha me respondeu isso com toda a naturalidade do mundo, a vontade que tive foi de socá-la como a um demônio.

- Acho que deixei umas garrafas no sótão antes de ir embora da última vez. – Apanhei a jaqueta, levantei-me e fui rumo à saída do quarto. Os velhos até que tentaram me conter, mas nem uma horda inteira de demônios sanguinários me impediria de pegar meu Whisky.

Ao sair, tranquei a porta por fora, prendendo-os. Eles me aporrinham os ouvidos como os grasnidos dos corvos de Satanás, é de se entender o porquê de Ytan ter se mandado. Logo me deparei com a cozinha. Toda a decoração da casa é alva, por um momento, realmente me senti em “casa”. Fui até a mesa e despejei o açúcar do pequeno açucareiro numa caneca a qual completei com café. “Regeneração espontânea de tecidos” causa esse “doce na boca”. A ferida já deve estar fechando.

- Uuuh! Café frio é tão terrível que poderia ser um dos castigos do inferno.

Me dirigi às escadas. Cada passo, três degraus, o Whisky não pode esperar, não é? Rapidamente alcancei o andar superior e foi imediato notar aquele mau cheiro... Sangue. Além do insuportável cheiro impregnando tudo, tem uma energia muito maligna pairando por aqui.

- Onde aquele imbecil se meteu?

Só neste andar existem um banheiro e três quartos, não entendo pra que tantos malditos quartos numa casa com tão pouca gente. O fato é que já olhei em todos e não há sinal nem dos demônios... nem do moleque. E só resta um lugar a ser vasculhado:

- O sótão!

Minhas pernas entraram em desespero e se moveram involuntariamente, se puseram a correr como nunca “Ytan” havia corrido antes. Não demorou para que “eu” chegasse. Puxei uma pequena escada sobre minha cabeça e por ela subi até o sótão. Avistei o garoto, um selo demoníaco desenhado com sangue sob seus pés e cerca de seis demônios ao seu redor, pronunciando palavras profanas sem cessar: uma invocação, sem dúvidas. Sei que preciso parar isso antes que seja tarde demais, mas... não posso.

- Mas que porra! Não consigo me mexer!

Assim como as pernas, as mãos se fizeram independentes e se enfiaram descontroladas a mergulhar no mais profundo dos bolsos da jaqueta, contudo a pescaria foi péssima.

- Porcaria! Onde estão as merdas das armas?!

As batidas ininterruptas na porta do quarto em que tranquei os velhos lá embaixo me fez perceber duas coisas: a primeira foi que os idiotas certamente esconderam as Deserts Eagle; a segunda foi que as emoções dominam os Filhos dos Homens e que metade de mim ainda é humana. Finalmente, eu perdi o controle.

- Scott!! Eu vou te ajudar, irmão!!

Ytan correu como um louco, mas há essa hora já era tarde demais. Os demônios se calaram e começaram a se afastar do pirralho; do selo emergiu uma sombra materializada em inúmeros insetos pardos que lhe invadiram pela boca... Por fim, um sorriso sádico se formou à face.

- Moscas?

- Essa fetidez me incomoda... – Cabisbaixo, a voz soou tenebrosa e macabra e mesmo não sendo apta a qualquer tipo de poder demoníaco que influísse diretamente sobre Ytan, fez com que o idiota se paralisasse de medo.

- Irmão...?! Demônio!! O que fez a ele? – A calmaria tornou-se tempestade, o medo converteu-se em raiva.

-... Fede a “Filho de Deus”! – O maldito nos fitou com tanto ódio que, por um momento, recordei-me daquele que fora o causador da revolta nos céus.

Uma aura passou a ser expelida dos olhos de Ytan, porém não uma rubra, como de costume. Dessa vez a aura tingiu-se de um azul-marinho intenso, quase negro. Ele fechou os punhos e apertou os dedos com tanta força que, caso não se desse conta há tempo, os teria quebrado no ato.

- Demônio... Pode vir!!

E agora eu me encontro na maior de todas as ironias a qual um anjo, um ser superior, jamais esteve...

...O que devo fazer? Assumir ou não o controle? Sinceramente, isso é complicado até para mim, pois temo que essa batalha já não seja minha.

Notas finais
Dedico o capítulo à Débora. rsrs {:
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.