Guerra Celeste

4 Capítulo 3 - O Senhor dos Cemitérios


Notas iniciais

Deixem reviews, agradeceria bastante. Eu tenho mais capítulos prontos, logo os posto.

Espero que a surpresa do final agrade. =)

CAPÍTULO 3 – SENHOR DOS CEMITÉRIOS

Desde que Lúcifer foi banido dos céus, Ele não mais falou conosco. Então os chamados “Filhos de Deus” se dividiram em dois grupos: aqueles que acham que Ele se resumiu a conversar somente com os arcanjos, esses só não querem perder a fé; e os que pensam que Ele apenas esteja testando nossa lealdade, mas lutar por Ele na Grande Guerra não seria uma prova de lealdade suficiente? Eu, particularmente, não me encaixo em nenhum desses.

- Vrum, vruuuum. – Se pronuncia a moto, roncando alto em frente à igreja.

- Essa coisa faz muito barulho, deveria jogá-la no ferro-velho que é o lugar dela. – Diz o padre com seu jeito ranzinza de ser.

- Ela só está expressando a emoção de deixar o lar. – Expliquei.

- O sol está se pondo, é melhor ir antes que anoiteça.

- Tem razão. É perigoso...

- Seu sarcasmo me irrita. Prefiro você sóbrio, mas isso é tão raro quanto eu tiro a batina.

- É... A batina é como a primeira camada da sua pele e o álcool é para mim como o sangue: sem ele, não há sentido viver... Mas que bobagem, já bebi demais. Hehe.

O cigarro acabou, era o último da carteira. O pior é que eu não veria outro até chegar a Los Angeles. O joguei no chão e após pisoteá-lo, retomei a conversa.

- Se Mirrael veio até aqui, significa que o intermédio entre o Inferno e a Terra está crescendo, ou melhor dizendo... O Portão está surgindo com mais freqüência.

- Seja mais específico. – Disse o padre.

- O Portão é sagrado. Os únicos que podem atravessar o Portão são os demônios de um chifre (criminosos que foram ao inferno e se aliaram à causa), a classe inferior, mas como eles temem os guardiões, não se atrevem. Porém, como o guardião desse Portão foi derrotado, eles têm passe-livre para ir e vir quando quiserem.

- Mas eu pensei que pudessem dar conta desses demônios, afinal, você cuidou de vários deles sozinho até agora.

- Eles não são propriamente o problema. Logo o Portão não será o único caminho pra cá... Os demônios vão realizar rituais satânicos para trazerem seus mestres.

- Hum... E quanto aos anjos caídos, eles também precisam ser invocados?

- Não. Eles foram anjos no passado e isso lhes permite atravessar o Portão junto com demônios de um chifre... Chegou a hora de ir, padre.

- Certo. – O velho naturalmente estava de batina, provavelmente a missa aconteceria em breve. Ele pôs a mão em meu ombro, não sei se me aconselharia ou se isso já é um costume entre os padres. – Boa sorte, Menadel. Que o Senhor esteja convosco.

Ele fez o sinal da cruz, me benzendo, e então parti pela única ligação entre Los Angeles e o pequeno povoado, que é quase inutilizada. Solitário no centro da pista, senti o vento lamber-me os cabelos e o cantil deslizar à boca. É verdade, não sou o melhor exemplo de pessoa, ou será que deveria dizer anjo? Bom, tanto faz, já estou embriagado o suficiente para não ter que pensar nisso...

- Quê?! Que merda!! – Gritei ao avistar um moribundo que me fez derrapar e cair da moto.

Enquanto via meu transporte rodando descontrolado na pista, me ergui. A jaqueta e a calça grossa me evitaram arranhões mais graves. Ao menos o cantil saiu são e salvo. Fitei o sujeito e ele nem moveu um dedo para me ajudar, é certo: é um maldito demônio!

- Uuuugh... Aaaum... – Seguidas dos gemidos, as asas brotaram das costas dele e não tardou para que se tornasse igual a um daqueles que eliminei no bar um dia atrás.

Enfiei a mão no bolso da jaqueta, quando algo segurou meu braço. Outro moribundo, sua aparência é mais terrível do que a minha cara no espelho num fim de noite depois de um dia de Whisky ininterrupto. Era um cadáver, um morto-vivo que logo transformou-se em mais um demônio. Olhei em volta, não havia menos que dez nas mesmas condições. Com certeza, um daqueles cemitérios clandestinos.

- Mortos?! – Com uma cotovelada o afastei e pude então sacar meu... Cantil com Whisky?! É verdade, a Desert Eagle estava mesmo é na cintura.

Dei um gole no cantil e com a arma empunhada à mão direita, atirei no pescoço do infernal, sua cabeça despencou e seu corpo foi se corroendo até virar cinza. Não demoraria para que os outros me alcançassem e foi então que o vi, sentado numa grande rocha à beira da pista, mascarado como um humano.

- Pff... Bifrons, o Senhor dos Cemitérios! Vejo que seu passa-tempo ainda é necrofilia. –Um sorriso bêbado me ocupou o canto da boca.

- Esses são apenas minhas marionetes. A parte a que você se refere, eu prefiro praticar com as “Filhas dos Homens”. Hehehehehe.

- Nem mesmo o dilúvio o fez se arrepender pela criação dos Nefilins?

- Você fala como se tivesse sido apenas eu, Menadel. O dilúvio nos varreu para o inferno, agora nós daremos o troco!

A estrutura óssea dele mudou drasticamente, o tornou maior que os demais, surgiram-lhe as asas, garras afiadas, dois chifres à cabeça e ainda que tivesse obtido uma arcada dentária digna de um tubarão assassino, foi possível notar seu sorriso sádico... demoníaco. Efetuei vários disparos enquanto ele alçou vôo em minha direção. A cada batida de suas asas, seus lacaios eram lançados a metros e metros.

- Roaar!! – Errei todos. Ele me pisou e cravou as garras pútridas dos pés no meu peito, assim me arrastando até atravessar a estrada, onde a aura rubra emergiu de meus olhos e consegui forças para atingi-lo o ombro esquerdo de raspão com a derradeira bala. Levantei-me, sangrando.

- Ugh! Parabéns! Pra um demônio de quarta categoria, até que você foi bem. Hehe.

- Me dê sua cabeça, FILHO DE DEUS! – Seu grito soou macabro e “quase” o temi.

Enquanto ele me arrastou pela pista, recuperei a segunda Desert Eagle que perdi na queda com a moto, com o pente topado. Ele escancarou a boca a fim de abocanhar-me a cabeça, pena que apanhou a mão. Esvaziei o revólver dentro dele e o vi se deteriorar pouco a pouco, junto com seus escravos, desencadeando um efeito em cadeia.

- Já começaram a dar trabalho.

Subi a moto e fui. O ferimento no peito foi mais profundo do que pensei, mas se não enxergava nitidamente o Whisky descendo pelo esôfago, então ainda tinha esperanças. Infelizmente, hospital não é um ponto turístico da minha lista de viagem. Cheguei em Los Angeles, segui até uma casa solitária de um dos bairros. Desci da moto, que desabou no jardim, o sangue já minava pelo corpo e ela não era o que mais me preocupava no momento. Toquei a campainha. Uma mulher abriu a porta e ao botar os olhos em mim, deixou cair uma xícara de chá no chão, o que assustou um velho que lia o jornal bem acomodado em sua poltrona. Espantada até a espinha, a senhora me dirigiu a trêmula palavra.

- Ytan... meu filho.