Notas iniciais
Desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa, desculpa mesmo pela demora. Eu sei que passei um mês sem postar, mas eu estava MUITO ocupada. Provas, lição, preparativos pro fim do ano... Enfim... se ainda tiver alguém lendo isso, aproveite o capítulo!

POV Hannah

Enquanto Jacob trabalhava, foi decidido que voltaríamos às nossas atividades normais. Era mais do que importante nos prepararmos para a guerra que surgia, para não sermos pegos de surpresa e para usarmos o nosso tempo do melhor jeito possível. Comecei o dia como qualquer outro. Acordei cedo, me vesti, acordei a Maia e saímos para o café.

O refeitório era enorme, com várias mesas e cadeiras espalhadas. Nas laterais e no meio, tinham bufês de comida para nos servirmos. Mesmo cedo, o lugar já estava lotado. Pegamos nossa comida e olhamos em volta. Vimos Jacob sentado tomando café com o computador na frente. Ele não tinha parado de trabalhar nem por um segundo desde a nossa reunião no dia anterior.

— Oi Jacob.- disse Maia

— Bom dia meninas.- respondeu enquanto nos sentávamos, sem tirar os olhos da tela. Pouco depois, Giulia, Thaís, Carlos e Erik se juntaram a nós. As garotas e Carlos eram nossos companheiros de bloco, já Erik era o irmão mais novo da Giulia, e devia ter uns sete anos, ainda um pouco novo pra treinar, mas ele não desgrudava da irmã por nada. O irmão mais velho de Carlos, Mateo, que já tinha 21 anos e era monitor, tinha outras coisas pra fazer.

Conversamos animadamente com nossos amigos. Depois, foi a hora de nos dividirmos para as tarefas diárias. Jacob ia discutir com os protegidos de Hefesto pelo resto da manhã, depois ia treinar arco e flecha. Maia foi pra aula de magia com Giulia. Ela e o irmão eram filhos de Hécate com a benção de Apolo e tinham cabelos castanhos e olhos azuis. Carlos, filho de Hermes com benção de Dionísio (cabelo e olhos castanhos escuro), ia estudar. Enquanto eu fui com a Thaís treinar.

Nos despedimos de todos e saímos do refeitório. No meio da sede tinha um grande pátio. As salas de reunião ficavam no prédio de entrada, o prédio alfa, ao sul. Do lado direito ficavam os dormitórios e o refeitório, no prédio beta. No esquerdo,o gamma, tinham as forjas, a enfermaria e a academia. No último prédio, delta, ao norte, ficava a arena de luta e a biblioteca no andar de cima. No subsolo, com túneis secretos que conectam todas as áreas da base, eram dadas as aulas de magia, na chamada área epsilon. No pátio ficavam a corrida de obstáculos e a área de arco e flecha. Atrás do prédio delta, ficava o portal que levava a το σπίτι των ανθρώπων, a casa do povo. A aldeia era formada por diversas casas, rodeadas por um bosque. Era o lugar mais pacífico da sede, as ruas de pedra estavam cobertas de famílias aproveitando o dia. Várias lojas estavam espalhadas nas ruas. A escola e a Universidade ocupavam o centro da villa. Todos os guardiões estudavam na escola e depois, se quisessem, podiam entrar para a universidade de lá. A maior parte dos guardiões do Brooklyn estudavam durante o ano, já que o Acampamento Meio Sangue ficava mais movimentado no verão. Já os de São Francisco estavam em constante mudança.

Os guardiões eram divididos em vários grupos. Tinham aqueles que eram responsáveis pelas bases, os generais, que eram fixos. Tinham os que faziam um rodízio entre as bases. Alguns focavam exclusivamente na segurança da villa, enquanto outros como eu, trabalhavam mais na sede, saindo em missões e cuidando da administração. Éramos, na maior parte, gregos, provavelmente porque os deuses romanos eram responsáveis demais para criar um guardião sem querer. Era por isso também que o acampamento Júpiter tinha mais campistas que o Meio Sangue. Os poucos romanos entre nós eram em sua grande maioria filhos de semideuses.

Continuando, fui com a Thaís até a arena. Atrás das grandes portas de carvalho, a arena era uma área ampla, com chão de areia e terra batida. As arquibancadas circundam o local, podendo acolher mais de duzentos guardiões. Ela se preparou para lutar. A garota era filha de Nêmesis com a benção de Ares, uma combinação potencialmente perigosa. Ela sacou seu machado e partiu para o ataque. Num piscar de olhos, já tinha minhas espadas empunhadas, revidando. Ela era muito boa. Ágil, rápida e precisa com seus movimentos, sem dar brecha para o ataque. Mal tive tempo para sequer pensar em atacar. Mas ela só tinha um machado. Com lâminas duplas e muito afiado eu sei, mas ainda só um machado. Minha maior vantagem naquela luta eram minhas espadas. Vantagem de se ter duas espadas: eu podia atacar pelos dois lados ao mesmo tempo. Só precisava de uma brecha.

E ela veio. Vi uma pequena falha na posição de seus pés e aproveitei. Chutei seus joelhos, a desequilibrando e, enquanto ela voltava a se estabilizar, ataquei. Pelos dois lados. Ela conseguiu se defender e me empurrou. Pude ouvir ela se aproximando de mim pelas costas. Num movimento rápido, girei com as espadas apontadas pra fora, cortando seu braço com uma e a desarmando com outra. Uma rasteira, e tinha ganhado.

Sorri. Guardei minhas espadas no cinto e estendi a mão para ajudá-la a se levantar. Seus negros cabelos lisos estavam bagunçados, mas seus olhos escuros ainda brilhavam por causa da luta. Analisei o corte em seu braço. Não era muito fundo, mas sangrava.

— Dói?- perguntei.

— Um pouco.- confessou com uma careta. Fui até minha mochila e peguei uma caixa que estava guardada no bolso externo. Voltei até a garota e abri a caixa.- Onde você conseguiu isso? Achei que só tinha na enfermaria.

— Bem, eu passo a maior parte do tempo lá, e como me machuco bastante me deram um pouco para emergências.- dei de ombros. Dentro da caixa tinha um alimento medicinal muito utilizado pelos guardiões. Se você disse ambrosia, errou. Eram um punhado de amoras vermelhas, cultivadas com magia, que tinham um poder de cura impressionante. Podiamos sim comer ambrosia, mas com as amoras nos curavamos mais rápido.- Pega uma e seu braço vai melhorar rapidinho

Vi seu rosto ficar com uma expressão de alívio. Sabia bem o que ela sentia. As amoras tinham um gosto ácido e doce, simplesmente delicioso. Em instantes elas aliviam a dor e curam seus machucados. Por melhores que fossem, não podíamos comer muito, porque se não, viravam uma espécie de droga. Não fazia mal comê-las quando nos ferimos, mas comer as amoras demais e sem motivo podia ser perigoso.

Como ainda estava cedo, decidi ir para academia. Troquei de roupa, pondo um top preto com três listras,em branco, verde e amarelo cruzando o peito. Vesti uma calça de ginástica com a mesma estampa do top e prendi meu cabelo em um rabo de cavalo.

Eu amava a academia. Nela podia focar no preparo físico e eu adorava. Além do que, poucas pessoas iam pra lá, então podia pensar um pouco na vida. Fiz principalmente exercícios de força no começo, usando pesos. Depois foquei mais na resistência. Fiz pedal e várias repetições, ficando ofegante. Por último, fiz fortalecimento dos músculos. Quando terminei, estava cansada, mas orgulhosa. Peguei uma garrafa d’água que tinha trazido e joguei parte dela no rosto.

— Você não cansa não?- perguntou uma voz. Me virei e vi Bryan me olhando da porta.

— Fazer o quê? Treinar nunca é demais.- respondi.

— Bem, só vim te chamar pra almoçar, se não se apressar é capaz da comida acabar.

Recolhi minhas coisas e voei para o refeitório. Nem me importei em trocar de roupa. Na hora do almoço, todos os guardiões estavam no meio de suas atividades, então lá tinham pessoas de todos os jeitos. Olhei ao redor. Tinham guardiões de armadura, molhados, machucados, queimados, com roupas de frio, com roupas de esporte, cansados ou elétricos. A ampla possibilidade de atividades fazia com que as diferenças de vestimentas fossem gigantes. Acho que esqueci de falar sobre o simulador. Um dos melhores meios de treinamento que tínhamos. Talvez devesse dar uma passada lá mais tarde. Me servi e fui até os meus amigos. A mesa do almoço estava ainda mais cheia que no café, com mais o Mateo, a Vitória, o Bryan, o Daniel e a Ayla. Mesmo que Jacob e Ayla já estivessem terminando para voltar a trabalhar.

— Deixe-me adivinhar. Treinando?- perguntou Jacob.

— O que mais eu estaria fazendo?- falei. — Depois ainda vou pra corrida de obstáculos. E, se der tempo, vou dar uma passadinha no simulador.

Ele só riu e voltou a comer. Eu só treino, mas fazer o quê? Eu gostava. E além do que, por eu ter tantos patronos e por eles serem tão poderosos eu corria mais perigo que a maioria. Comi rápido, mas foi um almoço agradável. Conversamos bastante, mas todos estavam com pressa para voltarem a suas atividades. Assim que terminei fui pra corrida de obstáculos.

Talvez quando eu disse corrida de obstáculos você tenha pensado em uma linha reta com aquele negócio pra pular e continuar correndo depois. Acredite, isso estava longe da realidade. A corrida de obstáculos era uma faixa com aproximadamente uns cinco metros de largura e Zeus sabe quanto de comprimento. Era um teste de velocidade e testava seus movimentos em todo tipo de ambiente. Ela era dividida em várias partes e o objetivo era chegar ao fim o mais rápido possível. Simples. Só que não. Tinham trechos de deserto, areia movediça, asfalto, grama, mata alta, floresta, pântano, gelo, lagos, rios, deslizamento de pedras, no escuro ou com muita claridade. Só passar da metade exigia um preparo físico excelente.

Como sempre, tinham poucas pessoas lá, então não demorou pra minha vez chegar. Me alonguei um pouco antes de começar. Quando viram que eu ia tentar, algumas pessoas se aproximaram para observar. Eu era conhecida como a “rainha da corrida” por ter conseguido ganhar de um guardião experiente na minha primeira tentativa.

— Pronta?- perguntou Mateo. Assenti e ela começou o cronômetro. — Vai!

Disparei. Já tinha decorado as etapas, mas ainda não tinha conseguido bater o recorde. Primeira parte: grama. Era a parte mais tranquila, então a maior parte das pessoas disparava lá. Grande erro. Usava esse trecho mais calmo para entrar no ritmo. Logo mudou. Deserto. Estava quente e a areia não era um solo fácil para correr. A areia movediça marcava a transição para a floresta. Respirei fundo com calma e me movi o mais lentamente possível, movendo as mãos procurando a corda que havia ali para usarmos. Achei. Me issei rápido pra fora do buraco e disparei pela floresta, tomando cuidado para não tropeçar em nenhuma raiz. Depois atravessei as fortes correntes do rio. A mata alta podia parecer segura, mas era cheia de pedras e buracos. No pântano afundei até os joelhos na lama, mas continuei firme. Já estava quase no fim. Passei pelo lago tomando cuidado para não escorregar no chão lodoso e cheguei na parte final. Tinha primeiro que atravessar um lago congelado, com agilidade, para depois escalar uma montanha cheia de pedras soltas, atravessar uma caverna escura e finalmente sair no trecho de dez metros de asfalto quente, que desmotivava a maioria. Suspirei e fui no automático, isolando todo barulho à minha volta, sem pensar muito, senão ia acabar caindo e não conseguiria levantar. Quando percebi, já tinha chegado ao final e todos me aplaudiam.

— Quanto foi?- perguntei ofegante, apoiando as mãos nos joelhos para respirar.

— 13,5 minutos. Muito bom!- respondeu Mateo. Sim, foi muito bom. A média normal era de 25 a 30 minutos, mas ainda assim não era o suficiente. O recorde atual era de 11,9 segundos, mas eu estava chegando perto. Bryan se aproximou.

— Tá chegando lá.- comentou.- Quer vir pegar alguma coisa gelada na villa?

— Claro.- passamos pelo portal e entramos na villa. Fomos a um pequeno café ao lado da avenida principal, o Time for Tea, e nos sentamos em uma mesa com vista pra rua. Ele pediu um café enquanto eu peguei um suco de frutas vermelhas. Conversamos e jogamos conversa fora, foi bem agradável. Depois saímos e fomos andar em um parque. A tarde foi passando e eu nem percebi. Só paramos de passear quando Jacob chegou correndo, esbaforido, e disse:

— Finalmente achei vocês! Eu descobri uma coisa.

Notas finais
Desculpa mesmo pela demora pessoal. Prometo que posto mais cedo o outro. Bjs e até! PS: Tem capa nova.