Guardiões do Olimpo
12 Cap 12- Os planos
Notas iniciais
POV Hannah
Acordei com a luz da manhã entrando pela janela do quarto. Olhei pro lado. Maia quase caía pra fora da cama, e o Jacob estava calmo no chão. Ele tinha dormido com a gente ontem. Sorri. Minha relação com eles estava melhor do que nunca. E eu tinha que admitir, contar minha história pra eles tinha sido libertador. Eles me conheciam, e o mais importante, me apoiavam.
A preguiça me fez querer voltar a dormir, e eu quase sucumbi à tentação de voltar para baixo dos cobertores. Olhei pro relógio digital na minha mesa de cabeceira. Já passavam das nove. Foi bom dormir um pouco mais, mas eu tinha trabalho a fazer. A guerra não ia se vencer sozinha.
Separei minhas roupas e fui até o banheiro. Decidi mudar um pouco o estilo hoje. Calça preta, regata cinza e um casaco estampado de exército. Olhei meu reflexo no espelho. Fiquei surpresa com o que encontrei. Fazia muito tempo que o olhar que encontrava o meu no espelho era opaco, escuro e fechado. Hoje, no entanto, meus olhos verdes estavam quase brilhando, ainda que não tanto quanto antes. Eu parecia cada vez mais com a garota que eu era. Mesmo que a ingenuidade e a inocência não estivessem mais lá, o brilho, a alegria e a esperança continuavam os mesmos. Só não sabia se era uma coisa boa.
Ouvi um barulho alto vindo do quarto. Depois, alguns gemidos. Corri pra fora do banheiro e não pude deixar de rir com a cena que achei. Maia tinha finalmente caído da cama. Não era incomum, ela se mexia muito enquanto dormia, então era normal eu encontrar ela dormindo no chão de manhã. Mas agora ela tinha caído em cima do Jacob.
— Bom dia.- cumprimentei eles, ainda rindo. Jacob tentou me repreender com o olhar por estar rindo, mas ambos ainda estavam muito sonolentos pra fazer qualquer coisa. — Eu já vou indo, se precisarem de mim é só me chamar pelos comunicadores.
Eles assentiram e eu saí do quarto. Fui tomar café no refeitório, e como já era mais tarde não tinha muita gente lá. Saí andando pelos corredores da central, sem um destino em mente, só indo aonde minhas pernas me levavam e tentando organizar meus pensamentos. Ok, eu podia ir no simulador agora de manhã e depois do almoço…
Esbarrei em alguém, interrompendo minha linha de pensamento.
— Ah, desculpa.- olhei pra cima e vi a Ayla.- Ayla! Eu queria falar com você. O que vamos fazer agora? Tem alguma coisa que eu possa fazer pra ajudar a descobrir mais sobre a arma ou o céu de fogo?
— Tudo está indo conforme o planejado, e tenho algumas missões para organizar.
— Sério? Que ótimo! Aonde você quer que eu vá?
— Hannah você não vai.
— O- o que?- perguntei, sem acreditar. Eu ia em todas as missões, era uma das guardiãs mais habilidosas da central! Ela não podia me fechar agora. Estávamos em guerra!- Ayla, como assim? Nós precisamos agir rápido, e nós duas sabemos que eu sou uma das melhores agentes de campo. Eu preciso ir.
Ela suspirou.
— Hannah eu não quero saber. Você precisa descansar. Qual foi a última vez em que você dormiu sem ser de exaustão? Você foi até a base dos oniah, foi envenenada, acordou e passou por dias de estresse emocional treinando, fazendo planos e pesquisas, foi ferida na perna, correu para mais uma missão e ficou quatro dias presa em túneis tentando sobreviver.
— O Bryan também foi pros túneis!- protestei
— Sim, mas o Bryan estava bem; você estava quase morta por causa da Inea. Você precisa descansar. Deixe seu corpo dormir tudo o que precisa, deixe seus machucados se curarem. As amoras ajudam um pouco na cura e com a dor, mas você ainda precisa deixar os seus ferimentos se curarem sozinhos. Eu sei que você gosta de seguir sempre em frente, sem parar, e isso é ótimo. Mas você precisa se cuidar. Quando foi a última vez em que você relaxou de verdade? Quando foi que você viu a central sem estar ocupada ou em guerra com sigo mesma?
— Sinceramente Ayla? Nunca. Ou se vi, não lembro. Eu tinha nove anos quando a guerra dos titãs começou, catorze quando a grande profecia foi realizada, quinze na guerra dos gigantes e agora que tenho dezesseis estamos em guerra com os oniah. Nunca tive tempo de relaxar, por que eu não posso. — eu tentava desesperadamente mostrar pra ela que eu já tinha passado por tudo aquilo antes. Eu não precisava de descanso. Precisava de ação. Precisava ajudar. Nunca tinha sido uma guardiã normal, e nunca seria. Não precisava ser.
— Agora você pode. Você precisa. Vai ficar aqui e descansar, para participar de atividades normais com os guardiões normais. Não precisa se preocupar com a guerra. Quando a hora chegar, você vai lutar como todo mundo. Mas não se preocupe com isso agora. Se cuida. É uma ordem.
Ela disse isso de um jeito que eu não pude protestar. Não queria seguir ordens, pelo menos não dela. Mas o broche que ela usava me era muito familiar, e sabia que não tinha escolha.
— Sim chefe.
Sua expressão endureceu ainda mais depois que usei seu título. A palavra que era usada pelos outros com respeito e admiração foi dita por mim com desgosto e sarcasmo. Ela saiu e voltou aos seus afazeres. Odiei chamá-la assim. Não era o título dela, não era o lugar dela. Tudo isso pertencia a outra pessoa. Pertencia. Não mais. Outros tempos Hannah. Novos tempos, novas regras. Não fui atrás de Ayla discutir porque se fosse ia nos por em uma situação, em uma conversa, que nenhuma de nós queria ter, que nos lembraria de diferentes coisas. Do passado. Eu lembraria de uma fogueira confortável, uma espada escura e um sorriso acolhedor. Ela lembraria de uma pessoa presente, uma liderança natural e confiável, de quando sempre tínhamos um plano. E nós duas lembraríamos dos mesmos olhos cinzas e cabelos vermelhos que estavam sempre presentes pelos corredores, antes de sumirem para sempre.
POV Jacob
Me encontrei com Maia e Vitória em uma das salas menores do prédio alfa para discutirmos planos. Não tinha mais tempo a perder. Só tinha que esperar os outros chegarem… Ayla abriu a porta da sala, visivelmente irritada mas tentando esconder.
— Agora que você chegou, Ayla, nós só precisamos esperar o Bryan e a Hannah…
— Não. Vamos começar agora. O Bryan precisa descansar e a Hannah está proibida de sair da central até se recuperar. Somos só nós.
Eu e os outros nos entreolhamos. Era estranho e eu sabia que a Hannah não ia ficar feliz por ser deixada de fora, mas eram ordens diretas da chefe, não tinha muito o que a gente pudesse fazer sobre isso. Assenti e abri minha pesquisa.
— Bom, fiz algumas descobertas importantes nesses últimos dias. Eu sei que a arma é mágica, e essa esfera consegue aguentar grandes quantidades de energia. Já tenho uma vaga ideia a respeito do que ela faz, mas não tenho certeza.- Mentira. Eu sabia muito bem o que a arma fazia, só não sabia como ou como impedir ou reverter os efeitos. E sua função era assustadora o suficiente pra me fazer mentir só pra ganhar tempo. Mas era uma guerra, não podíamos errar.- Então eu e meus irmãos pensamos que um bom jeito de ter certeza é fazendo um protótipo. Nós temos as plantas da arma, então podemos tentar recriá-la para descobrir exatamente o que ela faz.
— Um bom plano, mas eu estou assumindo que tem algum porém.- comentou Ayla. Assenti e continuei.
— Nesse exato momento, os protegidos de Hefesto já estão no processo de construir o cilindro central, que é a parte mais complexa. Porém tem duas coisas que estão nos atrasando. 1- Não temos o material da esfera e 2- Precisamos de algumas plantas e livros de magia do Acampamento Meio-Sangue. O material da esfera sabemos onde tem, no centro da cidade aqui perto, é só mandar alguém pra pegar. Agora as plantas, podemos enviar alguém do Brooklyn.
As garotas assentiram, concordando, mas Ayla ainda pensava de cabeça baixa.
— Concordo com seu plano, Jacob, mas não tem ninguém no Brooklyn nessa época do ano. Além disso, tudo que discutimos agora é extremamente confidencial.
— O que você quer dizer?
— Quero dizer que você e a Vitória vão ganhar a missão até o Acampamento.
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