Guardiões: O Retorno Das Trevas
16 Prisão Sombria
Notas iniciais
O que será que aconteceu com Soluço e Merida? VEJAM!
O corredor sombrio e as gotas de água caindo das paredes pareciam não ter fim.
Soluço começou a ter uma desconfiança de estar num esgoto. Num esgoto bem semelhante ao de sua época ou quem sabe a de Merida, onde não haviam canos nem metais. Apenas corredores com um grande problema de goteira.
Corriam muito. E o cansaço já chegara fazia um bom tempo. Soluço começou a desconfiar que Flyn Rider já estaria fora do Hotel a uma hora dessas.
A goteira e a escuridão não eram a única coisa que incomodava Soluço. Haviam ruídos. Ruídos estranhos e fantasmagóricos. Ele não conseguia associar aquilo a um Hotel com monstros tão legais e simpáticos.
Seu raciocínio é interrompido por um grito. Um grito de Merida.
Soluço para de correr imediatamente. A amiga (sei lá o que era agora) tinha parado de correr. Estava parada. Presa em alguma coisa no chão.
Banguela tentava puxá-la. Soluço se juntou aos dois.
- O que aconteceu? — pergunta.
- Eu... não.. sei — responde Merida.
Seus pés estavam em cima de uma estranha areia negra. Poderia ser uma espécie diferente de cola. Soluço não sabia. Mas teria de tirá-la dali ou perderiam totalmente Flyn Rider de vista... ou pior.
Ele tenta puxá-la pelos braços. A areia começa a correr pelo tornozelo dela. Prendendo-se como uma corda ou algo mais resistente.
Soluço começou a ficar desesperado.
- O que é isso?
- Eu não sei — Merida estava a ponto de chorar — você tem que ir! Não pode ficar parado.
- Eu não vou pra lugar nenhum, Merida!
Quanto mais esforço faziam, mas a areia caminhava pela perna dela.
- Merida, preciso que fique quieta. Banguela pare de puxa-la.
Banguela soltou o braço da menina.
Quando ficaram parados a areia parou de mover-se. Mas continuava prendendo Merida no chão. Isso não cheirava bem. Não parecia coisa do hotel... Só podia ser uma coisa.
- Isso deve ser obra do Breu — ele diz.
- Você tem que encontrar o Rider, Soluço. É mais importante.
- Fique quieta, Merida. Não vou considerar essa hipótese!
- Soluço! Se Rider está aqui você DEVE pegá-lo! Acabe com isso de uma vez por todas antes que Breu pegue a adaga!
Soluço respirou fundo. Deixá-la era a última coisa que queria. É algo que jamais deveria nem pensar em fazer! Mas ela estava certo. Aquilo ali não era um treinamento para matar dragões. Era algo muito mais problemático.
- Tudo bem. Banguela, fique aqui com Merida. Eu já volto.
Banguela faz uma cara interrogativa e preocupada.
- Eu vou voltar, amigão. Prometo!
Soluço vira e sai correndo. Sentindo os passos mais pesados com a culpa.
.
Ele correu por mais uma eternidade. O corredor era reto. Sem curvas ou seguimentos adicionais. Isso era bom para quando ele voltasse para Merida e Banguela.
Ele enxerga algo na escuridão mais a frente. Soluço levanta a tocha e estreita os olhos. Parecia ter uma pessoa encostada na parede mais adiante. Sentada e arfando. Era ele! Soluço tinha certeza que sim. A correria deve tê-lo cansado. Soluço conseguira!
Soluço continuou se aproximando, fazendo de tudo para que seus passos sejam silenciosos. Mas é difícil com uma perna de ferro, que já dificultava um pouquinho na corrida.
Soluço foi chegando mais perto. O sujeito estava imóvel. Não se movia nem para levantar o rosto e saber se havia alguém chegando. Soluço finalmente ficou frente a frente a ele, sem que ele olhasse. Estaria dormindo?
- Escute, Flyn Rider — diz Soluço ofegante — precisamos da adaga. Podemos te pagar uma boa quantia de coins... digo dólares. Essa adaga pode te matar então POR FAVOR, entregue-a.
O homem não se moveu.
Soluço se abaixou e virou seu rosto. Afastou-se rapidamente com o susto! O homem estava aparentemente morto. Seu rosto estava sem vida e os olhos vidrados. Soluço verificou a pulsação. Nadinha.
Ele começou a ficar assustado de verdade. Morto. Havia um sujeito morto ali. Breu estava solto. E ele deixou Banguela e Merida sozinhos mais atrás no corredor. Aquilo não podia estar acontecendo.
Ele se virou. Já ia começar a correr desesperadamente na direção dos dois. Mas havia uma pessoa bloqueando seu caminho. Um homem de manto negro envolto por sombras. Breu.
- Péssima escolha deixar seus amigos sozinhos, jovem Soluço — ele diz.
Soluço não podia acreditar. O que ele teria feito a Banguela? E a Merida? Será que ainda estavam vivos, ao menos?
- O que você fez? — Soluço perguntou, embora a voz tenha saído inaudível.
- Ah... Nada de especial... Por enquanto!
- Deixe-os viver. Deixe Banguela viver.
Breu ri.
- Pensasse duas vezes antes de lutarem contra mim! Agora, jovem Soluço, espero que me acompanhe... Se quer que seus amigos sobrevivam.
Soluço quase implorou de joelhos ao maldito. Ele o mataria, certamente. Mas era a melhor oferta que ele possuía agora. Isso, ou saber que havia falhado com os amigos. Falhado mais ainda.
- Vamos Soluço não tenho o dia todo.
- Prometa que vai deixa-los viver.
Breu põe a mão sobre o peito.
- Eu prometo.
- Merida e Banguela ficaram bem.
- Certamente que sim.
- Ótimo.
Soluço respira fundo. O que seu pai diria agora? Certamente seria: vá e encare os problemas como um viking!
Ele daria tudo para não ser um viking.
- Aonde você vai me levar? — Soluço pergunta ao homem assustador e sarcástico à sua frente.
Breu exibe um meio sorriso sombrio.
- Você vai ver. Será divertido.
Antes que Soluço notasse, estava coberto por sombras e escuridão.
.
Ele acordou num lugar escuro. Não podia distinguir o que era. Se era uma caverna, ou jaula ou se estava apenas sonhando. A única coisa que poderia enxergar era uma pequena vela ao seu lado. Ela iluminava parte do local, mostrando as paredes de concreto.
Soluço estava fraco. Se arrastou até a vela e ficou perto dela para se aquecer. Ao lado dela tinha um bilhete escrito com tinta preta. Dizia: Aproveite a estadia.
Soluço xingou Breu em pensamento. E, sem esperanças, encostou-se na parede. Rezando para que Banguela e Merida estivessem bem.
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