Guardiões: O Retorno Das Trevas
6 Chamas Negras
Notas iniciais
Deixar a torre foi definitivamente uma péssima ideia! Rapunzel já estava no ápice do arrependimento. Trair a mãe daquele jeito foi a coisa mais fria e estúpida a ser feita.
Mas ela não podia fazer mais nada a respeito. Isso era um fato.
Quando ela e o tal Jack Frost passaram pelo Portal, foram parar num castelo enorme no meio da neve. Ele era lindo (o castelo!). Mas muito diferente da decoração antiga e rústica na qual Rapunzel estava acostumada.
A jovem sente uma agitação em seu ombro. O camaleão verde não havia ficado para trás. O que era muito bom! Ter alguém conhecido ali...
Se bem que as pessoas lá foram legais. Quando ela chegou. Havia uma moça com pele colorida e asas de borboleta. Ela disse que ser nome era Fada do Dente. Fazia sentido. Pois a primeira coisa que ela fez quando viu Rapunzel foi abrir a boca da menina para dizer como ela tinha dentes brancos.
Também tinha um cara amarelo. Ele não falava. Mas parecia ser uma ótima pessoa!
Rapunzel estava sentada no chão e acostada a uma pilastra enquanto fazia carinho em Pascal.
Era seu aniversário de 18 anos. Uma data meio que insignificante. Exceto pelas luzes! As luzes douradas e laranjas que brilham no céu toda a noite daquela data. Como queria poder vê-las agora... Rapunzel solta um triste e longo suspiro.
A Fada do Dente se juntou a ela.
— Algo errado, Rapunzel? – pergunta.
— Não... Nada.
— Saudade de casa?
Rapunzel balança a cabeça.
- Se quiser falar... Você pode! Todo mundo aqui é bem legal na maior parte do tempo. Principalmente o Jack! Ele é Guardião da Travessura. Bom... Mas agora que o Breu está voltando até ele está abalado.
- Quem é esse Breu?
- Ele é o Senhor do Medo e dos Pesadelos. Quase nos venceu ano passado... Ele conseguiu uma aliada muito forte agora. Por isso estamos recrutando novos Guardiões. Precisamos de ajuda.
- Fada, se eu te contar um segredo... Você guarda?
- Claro!
- Bom... Meu cabelo...
Rapunzel é interrompida por uma estranha carruagem vermelha seguida por renas que entra pela janela. Ela era guiada por um homem velho, mas nem um pouco fora de forma. Tinha uma longa barba branca e duas tatuagens em cada braço.
- Aquele é o Norte – diz a Fada.
Atrás dele, vinha um dragão negro. Rapunzel já havia lido sobre dragões em um de seus livros. Se não se enganava era um Fúria da Noite. Havia um garoto franzino, de cabelos castanhos, montado nele.
O garoto e o dragão aterrissam ao lado da carruagem.
Norte e o menino chegam. Fada dá um abraço no velho de vermelho.
- ... é Rapunzel – a jovem a ouve dizer.
- Quanto cabelo! – responde Norte.
- E esse aí?
- Se chama Soluço.
Fada, Norte e Soluço se juntam à Rapunzel e Sand. Bom, Sand estava bem distraído criando lindos cavalos de areia dourada com as mãos.
Jack Frost era o único que não se juntou ao grupo. Estava pensativo, encostado na parede e apoiado no cajado.
- Vamos esperar o Coelhão agora – comenta Norte.
Nas mãos de Rapunzel, Pascal fica da cor vermelha. Ele ficava mudando e cor aleatoriamente quando percebia que a jovem estava aflita.
Rapunzel ri baixinho quando ele começa a ficar cor de vômito.
- Quietinho, Pascal – ela diz.
As portas da Sala se abrem. Um coelho e uma garota ruiva entram cobertos de neve. Aquele deveria ser o tal “Coelhão”. Ele era de fato grande (do tamanho de um humano, ou mais alto), com o pelo cinza e branco.
A menina tinha o cabelo longo e cacheado. Tinha um arco em mãos e uma aljava cheia de flechas nas costas.
- Eu odeio seus malditos Globos de Neve, Norte! – o Coelho reclama.
Isso faz Rapunzel ouvir a gargalhada de Jack Frost pela primeira vez.
- Não vai me dizer que você “estacionou” no lugar errado. Isso é impossível! – diz Jack.
- Cala essa boca, Frost!
A Fada se aproxima da garota ruiva e abre a boca dela até o pescoço, observando os dentes da jovem.
- Ah, grandes pérolas brancas!
- Deixa a garota, Fada – diz Norte se aproximando – muito prazer, sou Norte.
- Merida – diz a garota ajeitando o maxilar.
- AQUILO É UM DRAGÃO? – grita o Coelho. Rapunzel ri baixinho.
- É o Banguela – diz o garoto chamado Soluço.
- Banguela?
Soluço dá de ombros.
- Longa história.
- É incrível! – diz Merida, encantada.
O dragão “Banguela” ainda rodava alegremente no meio das fadinhas.
- Então vocês aceitaram o desafio... – diz Norte – precisam saber mais sobre nosso inimigo! O nome dele é Breu. O Medo e o Pesadelo são seus domínios. É o ser mais perverso, malvado e traiçoeiro que...
- Muito obrigado, Norte. Você nunca me elogiou tanto assim – diz uma voz afiada e sombria.
Todos olham para cima, onde um homem vestindo um manto negro se recostava à janela. Possuía perversos olhos dourados e era envolvido por sombras escuras.
— Breu – diz o Coelho, cuspindo o nome.
- Oi pra você também, Coelhão!
- O que você quer aqui? – Jack pergunta, rispidamente.
- Ora, pessoal. Só quero negociar. Eu juro que vou retirar tirar toda a Escuridão do céu!
- E o que vai querer em troca?
Breu dirige seu olhar para Norte, e alarga seu sorriso.
- A adaga.
Norte arregala os olhos.
- Como sabe dela?
- Estou detectando medo, Norte? Acho que estou! Você acha que ia esconder Pandora de mim por tanto tempo?
- Pandora? Adaga? Norte, o que tá rolando? – Fada pergunta.
- Ele não contou? – Breu prossegue – deveria. É a coisa mais preciosa e poderosa que vocês possuem. Pertence ao Homem da Lua, para que ele consiga se comunicar com vocês. Mas ela foi feita para fazer muito mais que isso...
- Não! – Norte interrompe – ela foi feita justamente para isso. Mas, ao Homem da Lua colocar seus poderes nela...
- Ela ficou disponibilizada para fazer muito mais – Breu completa – eu sei de tudo isso, Noel! Eu a quero!
- Ela é poderosa demais. Acha que Pandora é apelido carinhoso? Ela liberaria o caos só de você pôr o dedo nela!
- Eu a terei, Norte.
Breu levanta a palma da mão. Esta começa a pegar fogo. Mas não fogo comum. Fogo negro. Rapunzel começa a recolher o cabelo e amarra-lo. Se um pouquinho daquilo caísse nele...
Breu lança o fogo na direção de Norte, que desvia-se dele com facilidade. Depois, como um pássaro, Breu voa até uma caixa ornamentada em cima de uma mesinha. Coelhão joga o Portal que, ao colidir-se com a caixa, desaparece com ela.
- Para onde você a mandou? – pergunta Breu com ódio.
- Nem mesmo eu sei!
Breu lança mais chamas. Que começam a se espalhar pela Sala. E por mais que tentassem, era impossível apaga-las.
- Divirtam-se com o fogo – diz Breu antes de desaparecer.
O fogo começou a crescer mais. Soluço monta no dragão e consegue pegar Merida. Mas a visão de Rapunzel começou a embaçar por conta da fumaça, ela não sabia o que fazer.
Viu de relance o trenó sair pela janela, com a Fada voando logo atrás dele. Ela estava sozinha. Morreria da pior forma possível. Se afogando em chamas negras e no próprio desespero.
Então ele sente alguém pegá-la pelo braço. E depois sente seus pés deixando o chão. Ela olha para cima.
- Jack! – exclama.
- Se segura aí – ele diz.
Ela o abraça muito forte, e puxa o cabelo mais para cima. E os dois saem pela janela, seguindo o dragão negro que carregava Soluço e Merida.
Definitivamente: sair da torre foi a pior decisão feita.
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