Guardiões: O Retorno Das Trevas
33 A Sala do Globo Terrestre
Notas iniciais
Quero agradecer a cada um de vocês que tem lido, comentado e amado a fic como os enrolados e valentes leitores que vocês são. Quero, que continuem lendo a cada dia e aproveitando desse mundo que apenas pessoas como nós conseguem enxergar.
Eu amo todos vocês - sinceramente - e mando meu último beijinho aos leitores dessa fic.
Beijinho! :*
Norte acordou mais cedo que o próprio sol no dia seguinte.
Caminhou... Ou melhor!... Se arrastou até seu escritório com grandes olheiras e minúsculas vontades de responder cartas daquele 25 de Dezembro.
Com a caneca de café forte na mão, ele destranca o escritório e, como num dia comum, se espanta com os bolos e bolos de cartas das crianças que receberam seu presente de Natal.
Era a mesma coisa todo o ano, é claro! Poucas cartas agradecendo os presentes que receberam e várias reclamando dos presentes que pediram. Sempre assim!
Mas, milagrosamente talvez, não houveram reclamações aquele ano.
Norte sorri ao ler as dez primeiras — e belíssimas cartas — e puxa mais uma para deleitar-se.
Mas para sua incrível surpresa, a carta que puxou não era de uma criança. Tampouco — deduziu ele — uma criança viva.
Ele avaliou mais uma vez o nome de quem enviara a carta: Lúcia Frost.
Norte não sabia se sorria, chorava, ou corria para mostrar a carta a Jack. Então, resolveu simplesmente lê-la. Este era seu conteúdo:
Caro, Norte
Não sabe a dificuldade (e os anos) que passei e demorei para te enviar esta carta. E apenas desejo te agradecer por tudo. E quero que diga duas coisas para meu irmão, Jack Frost:
Diga a ele que eu entendo.
Diga a ele que eu o amo.
Com amor, Lúcia.
Só isso, apenas isso dizia a carta. Nenhuma letra a mais ou a menos. E, com sinceridade, foi o suficiente para fazer Norte cair em lágrimas. Deveria mostrar aquilo a Jack, mas não tinha coragem de fazê-lo sofrer mais.
Ele ainda teria de separar os Quatro Grandes de si, mandando-os para suas casas em suas épocas. E presenteando-os com apenas um Globo de Neve para que viajem no tempo, e se reecontrem novamente.
A sorte, é que ele já sabia para quem deixar o Globo...
- Fala aí, Norte! — o grito o fez deixar seus raciocínios tão rápido, que Norte pulou de sua cadeira — mais cartas?
Norte se depara com uma familiar figura sorridente, com as duas mãos no bolso do casaco e os cabelos brancos bagunçados como sempre ficavam.
- Oi, Jack! — ele diz tentando parecer normal.
- Não está muito cedo não?
- Pergunto o mesmo! Pensei que você era do tipo que acordava tarde.
Jack sorri.
- Não no inverno, meu amigo.
Norte também sorri, porém a carta ainda pesava em suas mãos.
Jack olhou para a carta e depois para Norte, e franziu o cenho, confuso.
- Que carta é essa aí? — pergunta.
Norte não lhe responde. Apenas estende a carta e Jack a pega. Porém o peso ainda permanecia em Norte.
Jack lê a carta, primeiramente confuso e depois melancólico. Seus olhos marejam, como os de Norte alguns momentos atrás, e ele olha para o chão, quem sabe envergonhado.
- Pode ficar com ela — Norte oferece.
Jack agradece baixinho e guarda a carta de sua irmã no bolso de sua calça.
Norte sentiu que era hora de tirar aquele peso dos dois.
- Vamos lá, Jack! Vai ficar tudo bem!
Jack levanta os olhos.
- Como você sabe que vai ficar tudo bem?
Norte dá uma batidinha na enorme pança, sorrindo.
- Sinto isso na pança — ele diz — e ela nunca mente.
Os dois caem na gargalhada. Não eradas coisas mais engraçadas, mas o peso da melancolia foi abandonando os dois a cada risada. E, por fim, já estavam sorridentes novamente.
- Que barulhada é essa?
Jack e Norte viram os rostos e encaram uma Merida com olheiras gigantes, bocejando e reclamando na porta. Isso os faz rir mais ainda.
- Eu quero dormir! E você ficam rindo como duas hienas.
O sotaque de Merida fez a frase ficar mais engraçada do que já parecia, e os dois não conteram as gargalhadas.
Só se forçaram a parar quando ela apontou uma flecha na direção dos dois, mas mesmo assim a visão era engraçada!
- Parem... de... rir. — ela diz.
- Tá. — diz Jack, forçando-se para não cair na risada. E Norte a mesma coisa.
Os ombros de Merida relaxaram.
- Obrigada.
- Merida, pode acordar os outros e reuni-los na Sala do Globo?
- Claro, Norte.
- Obrigado.
Merida se retira. Jack e Norte se entreolham, e depois que os passos de Merida se tornam inaudíveis, voltam a gargalhar juntos.
- Você não tem jeito mesmo, Frost.
- Digo o mesmo, Noel.
Quando finalmente param de rir, Jack explica para Norte suas intensões de ir falar com ele. Ele explica que queria voltar no passado e ajudar Rapunzel a descobrir quem são seus pais. Garantiu a ele que logo depois, voltaria com ela e os dois morariam juntos.
Norte ficou muito feliz com a notícia. De verdade. Sempre quis que Jack tomasse rumo na vida embora saiba que ele não vai fazê-lo, mesmo tendo Rapunzel. A verdade é que ele vai fazê-la outra travessa, que nem ele.
Norte ri do pensamento.
Enquanto os dois jogam conversa fora, um duende bateu na porta aberta do escritório.
- Senhor — ele diz — os Guardiões estão na Sala.
- Ok. Já vamos.
Jack e Norte seguiram para a grande porta de madeira à frente. Norte hesitou antes de abri-la. Temia encontrar pura escuridão e sombras ameaçando acabar com o Mundo novamente. Não. Ele não ia deixar uma semana ruim acabar com seus dias de trabalho!
Ele empurrou a porta com convicção e viu mais do que esperava.
Lá dentro, Coelhão, Merida, Sandman, Soluço e Rapunzel conversavam e riam uns com os outros. Os dois dragões — Banguela e Pascal — caçavam o rabo um do outro, o Globo Terrestre brilhava com intensidade e a sala estava aconchegante. Com uma aura dourada e cálida.
Era muito mais que estar em casa.
Norte tirou o Globo de Neve do casaco, triste.
- Ei, pessoal! — ele chama.
Vários "oi", olá" e "e aí" são escutados em vozes diferentes. Norte sorri, e ergue o Globo.
- Prontos para ir para casa?
Merida e Soluço (que já estavam abraçados) olham nos olhos do outro, como se conversassem mentalmente. Eles sorriam um pro outro de tempos em tempos. E no final da conversa amorosa telepática, eles se beijaram.
Soluço, então, se vira:
- Sim, estamos prontos.
Jack faz uma ânsia de vomito e Norte lança para ele um olhar censurador.
- Bom... — começa Norte — apenas um de vocês terá o controle do Globo.
Merida:
- O que?
Jack:
- Você não me disse isso!
Rapunzel:
- Isso é injusto!
Soluço:
- Não pode ficar assim...
Coelhão:
- Preciso de cenouras!
- EI! — grita Norte — esperem! Um de vocês terá o controle de apenas UM globo para que não temos mais problemas temporais. Escolhi bem quem ficará com ele, e vocês podem se ver em suas devidas épocas no intervalo de uma semana.
- E caso precisemos de sua ajuda — continua Coelhão — vou busca-los!
- Ajuda? — pergunta Rapunzel.
- O mundo vai precisar de vocês — garante Norte — em todas as épocas. Vamos reuni-los. Sempre que precisarem... e sempre que a saudade dominar o fraco coração do Coelhão...
- Rá rá, muito engraçado — o coelho reclama.
Norte o ignora.
- O que me dizem? Vão estar aqui quando precisarmos?
- SIM!
- Ótimo. O Globo de Neve, que vai reuni-los a cada semana como presente de seus serviços prestados, é de Soluço.
Merida puxa o rosto de Soluço e o beija com força.
- Eu sabia! — grita.
Soluço franze o cenho.
- Por que eu, Norte?
- Ora, meu jovem. Como Guardião da Amizade, deve saber resguarda-la.
Norte pisca para o jovem viking, que sorri agradecido. E se aproxima mancando em sua perna artificial para abraçar Norte fortemente.
- Obrigado, Norte — diz Soluço abraçando-o.
Depois ele sente os braços de Merida o envolverem. Depois os de Rapunzel e por fim, os de Jack. Todos num abraço em grupo de despedida. Ou melhor: de "até logo".
- A gente se vê em breve — garante Rapunzel.
E Norte sabia que era verdade.
Eles se afastam. Merida sobe em seu cavalo glorioso, Soluço e Rapunzel montam em seus dragões e Jack segura firmemente seu cajado.
- Sand levará vocês — diz Norte enxugando as lágrimas — logo estarão em casa, com sua família.
Sand faz um cavalo para ele, feito da areia dourada do sonho, e após montá-lo ergue o dedo polegar. Estavam prontos.
Norte pega o próprio Globo de Neve e dá uma batidinha nele. O Portal de Luz se abre na frente dos Guardiões, mostrando alguma floresta silvestre de alguma lugar na Escócia do século XVI.
Ouvem-se vários "tchau", "até logo" e "te vejo em breve". Coelhão sorria para os Guardiões, mas quando falou se dirigia a Norte:
- Acha que vão voltar? Que vamos vê-los de novo? Que eles conseguiram se ver?
- Tenho certeza — Norte olhou para o Coelho e bateu na enorme barriga — posso sentir isso na minha pança.
Então a luz branca ilumina todo o recinto por alguns segundos.
E os Quatro Guardiões somem de vista.
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