Guardians II - Ethereal Spirits
13 XIII - Disasters
— Eles pararam. — Avisou Logan que não tirava seus olhos da janela de trás do trailer, observando os Guerreiros Jaguares nos seguirem.
Até então só estive deitado em uma das camas dispostas ali enquanto a dor em meu braço se tornava algo extremamente incômodo. Porém Cleo havia se encarregado de cuidar daquilo, tentando tirar todo o veneno que estava em meu corpo.
— Vai ser um pouco difícil, porque eu não sei qual tipo de veneno é. — Murmurou ela, extraindo um pouco de sangue de meu braço, que por sinal estava espesso e quase preto.
Naquele momento ouvimos um barulho sobre o teto do trailer, fazendo com que todos sacassem suas armas mesmo que não soubessem o que fosse.
Assim que o capô de ventilação abriu, Logan se aproximou na tentativa de ver o que era, mas apenas levou um susto quando Brenda surgiu de repente, pulando e caindo perfeitamente dentro do trailer.
— Veneno de Mayahuel. — Informou ela à Cleo e em seguida olhando para Logan. — Não precisa se assustar, não vou bater em você.
Ao dizer isso ela lançou um olhar sério para Carl, o que o fez sorrir.
— Se você não gosta de mim é só falar, não precisa mandar indiretas, minha querida. — Resmungou o garoto, sentando próximo a Luna que não parava de encarar meu braço com uma cara de nojo.
— Eu não gosto de você. — Respondeu sem rodeios a garota. — E a próxima vez que me chamar de querida eu darei um chute no meio do seu saco e esfregarei a sua cara no asfalto.
Carl não respondeu nada à Brenda, apenas sorriu e sussurrou algo para Kendall, fazendo ambos rirem, o que deixou ela bastante irritada aparentemente.
— Espera um pouco. — Murmurou Luna, com um olhar confuso. — Se você está aqui, quem está dirigindo?
— Piloto automático. — Brenda respondeu aquilo como se fosse algo comum, o que para todos ali não era, já que expressaram uma cara de surpresa. — Mas como eu ia dizendo... — Tornou a falar, se dirigindo até onde eu estava. — Os Guerreiros Jaguares usam este tipo de veneno em suas garras para matar suas vítimas em um ataque só, o que geralmente acontece em questão de segundos.
— Já ouvi falar sobre isso, mas não sei muito a respeito. — Cleo parecia curiosa e não parava de examinar meu sangue, o que me deixou com muita vontade de vomitar. — Mayahuel era uma deusa, certo?
Brenda assentiu, abrindo um armário ao seu lado onde se encontrava dezenas e mais dezenas de livros de variados títulos e tipos, entregando um deles a sua amiga.
— A deusa da embriaguez e dos venenos. — Disse Katie ao abrir o livro de mitologia asteca numa página qualquer.
— É. Mas isso não vem ao caso.
Em seguida, Brenda pegou meu braço, puxando-o com força e fazendo com que a dor, que estava diminuindo, voltasse com tudo.
— Alguém pode me emprestar a espada? — Ao ouvir ela dizer isso a única coisa que pensei em fazer foi fugir.
— Você é louca? — Gritei, afastando-me de Brenda. — Ninguém vai cortar meu braço!
Notei que ela revirou os olhos impaciente ao ouvir o que disse.
— Você acha mesmo que eu vou cortar seu braço?
— Não sei! Eu não te conheço!
Mais uma vez ela revirou os olhos, o que me fez lembrar Luna de certa forma.
— Katie, por favor. — Pediu Brenda à amiga.
No mesmo instante ela se aproximou de mim, pondo a mão em seu bolso e tirando dele uma Pedra Divina. Por um instante pensei em recuar, mas assim que ela se aproximava cada vez mais, a minha vontade de fugir desaparecia aos poucos, tranquilizando-me e fazendo esquecer de tudo, até ela tocar em mim e fazer com que eu perdesse a consciência mais uma vez.
♦
Pela primeira vez em um bom tempo eu não tive nenhum sonho ao perder a consciência, o que era uma das melhores sensações do mundo naquele momento.
— Kevin. — E só acordei com a voz de Logan, o que talvez tenha sido o responsável de não permitir que eu tivesse tempo de sonhar.
Abri meus olhos e notei que além de meu amigo, Luna e Cleo estavam me observando, o que me deixou sem jeito, pois ainda odiava ser o centro das atenções.
— Como está se sentindo? — Perguntaram assim que levantei com um pouco de dificuldades.
Olhei para meu braço no mesmo instante e no mesmo lugar onde estava a enorme ferida e podridão agora só restava uma marca feia, mas nada grave. Além disso, a dor havia desaparecido por completo, assim como todos os sintomas causados pelo veneno.
— Ótimo. — Respondi com um sorriso, conseguindo-me por em pé. — O que aconteceu? Por quanto tempo dormi?
— Não muito, acho que por uns dez minutos. — Logan então me entregou uma barra de chocolate. — Coma isso. Brenda disse que você poderia se sentir fraco.
Mesmo que estivesse ótimo eu não recusei a barra, principalmente pelo fato de ser chocolate.
— Ela tirou todo o veneno de seu corpo, mas você perdeu uma grande quantidade de sangue e se não fosse pela sua herança Transmorfa você provavelmente teria morrido.
As palavras de meu amigo poderiam ter me assustado há algum tempo, mas eu já estava acostumado com o constante risco de morte que eu corria todos os dias.
— E onde está Brenda? — Só percebi a ausência dela quando pensei em agradecê-la.
— Lá na frente, ajustando a rota do piloto automático. — Explicou Logan, sentando em uma das poltronas, ao lado de Luna e Patrick, que não parava de olhar para sua recente Pedra de Odin. — A convencemos a nos levar à Utah, no Vale do Monumento, como Silver havia pedido.
A barra de chocolate que havia comido reagiu rápido no meu corpo e logo já estava com forças o suficiente para me locomover sozinho pelo trailer, que por sinal era realmente grande por dentro.
— Nenhum perigo? — Perguntou Kendall de repente.
— Não. — Katie surgiu por trás de uma cortina que dava uma clara imagem da janela e do lado de fora, que estava completamente branco pela neve. — Como se sente?
— Muito bem, obrigado. — Respondi assim que ela se aproximou. — Só estou meio perdido no que está acontecendo.
— Não se preocupe, assim que Brenda voltar... — No mesmo instante em que ela começou a falar, um barulho a interrompeu, vindo do teto do trailer.
Não levou muito para que a passagem de ar se abrisse e dela surgisse a garota novamente, com seus traços élficos extremamente charmosos, embora seu olhar violento fizesse desaparecer.
— Pronto... — Murmurou ela, sentando em uma cadeira para relaxar. — Mais 9 horas de viagem até Utah, mas meu feitiço não vai durar mais que 1 hora, então vou ter que assumir o controle depois disso.
— Feitiço?
Brenda ignorou a pergunta de Carl assim que ouviu, o que o deixou um pouco irritado, principalmente quando decidiu responder Luna.
— Que feitiço?
— Um encanto que aprendi com meu pai que pode controlar qualquer veículo, basta dar o destino final. — Explicou sem rodeios e sem olhar para Carl, que realmente estava se controlando para não falar nada. — Infelizmente não tenho muita prática já que não tive muito tempo para aprender, por isso meu feitiço é um pouco fraco.
— Interessante. — Murmurou de repente Cleo.
Até então todos estavam reunidos, o que fez passar várias coisas pela minha cabeça, principalmente pelo fato de que aquela viagem havia começado somente com Luna, Logan e eu.
— Ok. — Retomou Brenda, ajeitando seu cabelo loiro por trás de suas orelhas élficas. — Agora se realmente querem que façamos parte dessa missão, vocês terão que contar detalhe por detalhe.
Rapidamente nos entreolhamos, mal sabendo por onde começar, até que Luna suspirou impaciente.
— É uma longa história...
♦
— Será que Brenda precisa de alguma ajuda? — Perguntei à Katie que estava ao meu lado.
Toda nossa explicação durou aproximadamente uma hora, tempo suficiente para que o feitiço da garota funcionasse até então.
— Não. — Respondeu com um sorriso engraçado. — Ela raramente precisa de ajuda... Ou pelo menos é o que ela acredita.
— Me lembra alguém que eu conheço. — Resmungou Kendall de repente, sem que eu notasse que estava ao meu lado.
Olhei para ele e o vi encarando Patrick de forma intrigada.
— Ele não para de olhar aquela pedra.
Cleo havia me dito que antes de saírem do Plano Etéreo, Patrick pedira pela Pedra de Odin, sabendo que não conseguiria batalhar nas condições que estava. E agora ali estava o garoto, provavelmente pensando no que ele havia feito aceitando uma pedra que pertencera a alguém que matou Teseu e seus pais.
— É muita coisa para ele.
Porém não era somente Patrick que parecia abalado, mas Logan e Luna estavam mais distantes que o normal e eu podia sentir a mente de meu amigo estranhamente em silêncio. Todos ali estavam afastados e se recusavam a conversar, com exceção de nós três.
— Há quanto tempo vocês estão fugindo? — Perguntou de repente Kendall, o que me fez lembrar que até então não conhecíamos as garotas a não ser pelos nomes.
Katie estava segurando algo em sua mão, mas que não pude ver muito bem. E ao ouvir a pergunta, ela se moveu inquieta, apertando com firmeza seus dedos ao redor do objeto.
— Cerca de seis meses. — Disse ela com um tom distante e recluso.
A garota evitava olhar para nós, o que me levou a crer que algo por trás da história poderia deixa-la triste.
— Meu pai e eu encontramos Brenda fugindo dos Guerreiros Jaguares em Washington e decidimos ajuda-la. — Sua voz parecia pesada e carregada por tristeza. — Tudo deu certo e estávamos indo em direção a Carson, onde ficava a vila dos pais de Brenda, mas ao chegarmos lá fomos atacados por uma criatura sombria e assustadora.
— Zargron. — Citei o nome do Anjo Negro ao lembrar da imagem dele nos atacando.
Katie apenas balançou a cabeça, me deixando intrigado.
— Não. — Tornou a falar, apertando ainda mais as mãos em torno de algo que agora eu podia ver claramente: uma Pedra Divina. — Zargron atacou a outra reserva de Elfos, não a principal.
— Então quem era?
— Eu não sei, a única coisa que ele disse antes de matar todos os Elfos e fugir com meu pai foi algo sobre ser um dos servos dos Sete Príncipes de alguma coisa.
Naquele momento todas as imagens de todos os sonhos que tivera após o encontro com os Strigoi invadiram minha mente. Os Sete Príncipes só podiam ser os mesmos seres que me assustavam todos os dias e o perigo agora era mais real do que imaginava.
Por um instante pensei em conta-la sobre aquilo, mas presumi que ela não merecia se assustar, não por enquanto.
— Mas por que ele levou seu pai? — Perguntou Kendall.
Algumas lágrimas saíram do rosto de Katie, mas ela logo as limpou, nos deixando sem saber o que fazer.
— Eu não sei...
Naquele instante Logan nos interrompeu, chamando a todos.
— Pessoal. — Falou um pouco assustado enquanto olhava para a televisão a sua frente. — Venham ver isso.
Tive um choque ao ver as imagens de destruição começando a se tornar em escala global, com enchentes atingindo várias cidades, vulcões entrando em erupção e incendiando florestas do mundo inteiro.
“Até agora não se sabe muito das causas de tantos desastres simultâneos ao redor do mundo, mas os cientistas alegam que essa onda de destruição pode não acabar tão cedo, gerando um caos maior ainda como está acontecendo em algumas cidades...” Dizia a repórter enquanto mostrava as imagens na tela. “Até então grandes cidades como São Paulo, Londres, Tóquio e Veneza foram atingidas por catástrofes parecidas, obrigando os governos a declarar estado de emergência para as mesmas, evacuando moradores da região para lugares mais seguros.”
Assim que a reportagem acabou, um breve silêncio surgiu no trailer, deixando-me angustiado ao saber que os Espíritos Etéreos precisavam urgentemente ser encontrados.
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