Guardians

7 Percebendo detalhes


Notas iniciais
Então, com essa confusão toda de revisão capítulos, ter revisor e não ter por fim demorei a postar esse capitulo pronto apenas pra poder verificar a ortografia mais vezes. Um capitulo importante e como os outros levanta duvidas e muda caminhos, espero que gostem.

“Tudo, aliás, é a ponta de um mistério, inclusive os fatos. Ou a ausência deles. Duvida? Quando nada acontece há um milagre que não estamos vendo.”

(Guimarães Rosa)

– Se você ainda não percebeu o mundo esta a um passo de acabar – gritou Murilo com os olhos em chamas. O grupo havia se reunido nas instalações do RAD de São Paulo depois dos acontecimentos catastróficos. O líder de brigada, um homem baixinho e careca apenas os olhava discutir quieto, do seu canto.

Will socou a mesa e encarou o companheiro com tanta fúria que Vinicius, que os observava ao lado de Ludmila, mesmo que por um segundo, sentiu medo do líder dos Guardiões – Murilo, você acha que isso pra mim é novidade? Eu sei muito bem o qu...

Mas Murilo não o deixou terminar a frase, começando a falar por cima de Will – aquele maldito inferno que se tornou a reunião era um acidente obvio. Será que ninguém se toca? Esses malditos digimons estão há três meses na Austrália sem atacar, sem fazer nenhum movimento. Ha um portal gigantesco aberto lá e ninguém se pergunta o que tem do outro lado dele. E o mais importante de tudo, se foram os criadores de criaturas que criaram os digimons, por que até agora não vi ninguém indo atrás deles?

Shoutmon grunhiu no canto onde estava, sentindo a hostilidade que emanava dos dois. Ludmila reparou nos olhos de Will que tremiam, sinal da intensa mistura de emoções que estava envolvendo o garoto. Pediu em pensamento que aquela discussão não continuasse, porque ela não tinha paciência, nem força de vontade suficiente para intervir.

– Murilo – Vinicius o chamou tentando repreende-lo. O garoto não gostava daquilo tanto quando Lud, mas conhecia o irmão o suficiente para saber que ele bateria em Will se esse continuasse a discutir.

– Você acha que eu sou estupido? – perguntou Will dando as costas para o garoto, indo em direção à porta junto ao líder da brigada de São Paulo que acabava de sair da sala – o que você acha que eu passei o ano inteiro tentando fazer? Shoutmon mal consegue dizer uma palavra, o RAD limita e observa cada movimento nosso – disse ele encarando rápido Lud – se quer informações procure por si próprio. Se conseguir algo que eu não consegui me dou por vencido – Will retrucou. O garoto fechou a porta e olhou de volta para eles – eu sei que tem muita coisa que estão escondendo de nós.

Ludmila se levantou da cadeira encostada à parede onde estava e se sentou sobre uma das mesas. Eles estavam na sala de computação. Um cômodo antes da ala prisional e ao lado da sala comum. As instalações RAD tinham o mesmo padrão. Coisa que incomodava Will de uma forma que ele mal podia descrever, lembranças da sua prisão corriam em sua mente – a questão sempre foi como conseguir essas informações – comentou a garota curiosa.

– A reação daqueles lordes demônios hoje esta me deixando louco – murmurou Murilo colando a mão no queixo – por que um deles impediria o outro de nos matar? Porque eu não sei vocês, mas tive certeza que não sairia vivo de lá. Precisamos de mais poder pra enfrenta-los, são Kyuukyokutais afinal.

Will caminhou devagar com a mesma expressão confusa até chegar à cadeira que estava antes – quem eram aqueles caras com armas RAD? O uniforme deles era totalmente diferente do nosso. Outra coisa que esta me deixando louco é Sofia não ter dado noticias ainda. O maldito do Mustang não me diz nada.

Vinicius foi até um bebedouro que ficava no canto direito da sala, depois de dar uma longa golada no copo de agua gelada que havia pegado ele suspirou. Não conseguia entender como, mas sabia que o clima da sala havia mudado completamente. Eles não pareciam estar mais brigando, estavam juntos outra vez em suas indagações conspiratórias.

O garoto passou a mão por seus cabelos e caminhou até Angemon que estava mais uma vez perdido em seus pensamentos, no outro extremo da sala – queria saber no que você fica pensando – murmurou o garotinho para o Digimon que o respondeu tão baixo que mais ninguém poderia ter ouvido.

– Meditando – disse o anjo com sua voz poderosa.

As vozes dos três agentes mais velhos explodiam na sala, levantando mais questionamentos sem respostas – você sabe o que tem do outro lado já que veio de lá certo? Por que não conta a eles?

Angemon virou a cabeça lentamente, como se o simples movimento lhe fosse custoso – eu sei a resposta para perguntas que vocês nem se quer tem a capacidade de elaborar ainda, mas é como já disse a seu irmão, se eu intervier é possível que o destino dele e o seu tome um rumo terrível.

– Como assim? – perguntou o garoto, tendo dessa vez que erguer um pouco a altura da voz, pois Will e Murilo voltavam a gritar um com o outro.

Vinicius tentou prestar atenção aos lábios pálidos do Digimon-humanoide enquanto ele falava – apenas o escolhido pode trilhar a jornada designada a ele, Jonas morreu por escolher um caminho que não era dele.

O nome Jonas causou uma estranha sensação no garoto. Conhecia Jonas de certa forma, o havia visto na televisão na batalha contra Diaboromon quando o segredo havia sido revelado. Sabia que ele antes liderava a equipe de Will e também sabia que ele havia se sacrificado para manter Ludmila, Will e outros a salvo. Era de certa forma um herói e Vinicius gostaria muito de tê-lo conhecido.

Vinicius se sentiu meio confuso, mas decidiu por fim não questionar mais o que o anjo dizia. Estranhamente se sentia muito cansado sempre que ficava muito tempo perto de Angemon e por isso, atualmente, ele acabava fugindo do Digimon anjo quando podia.

Então uma nova parte da conversa chamou novamente a atenção do menino, o fazendo se esquecer de Angemon e o fazendo se concentrar nos agentes mais velhos – teve uma voz no meu ponto – comentou Will – era estranha, até cheguei a pensar que pudesse ser um Digimon pelo ruído.

Lud soltou um pequeno murmúrio e comentou – você sabia que eles iam atacar, faz sentido, mas por que um Digimon ia te ajudar? Não temos muitos digimons não executados do nosso lado.

– Fosse quem fosse, me avisou que o ataque ia acontecer. Alguém que sabia que havia um Digimon vindo antes mesmo do RAD. Eu fiquei tão sem reação quando entendi o que a voz queria que nem se quer tentei descobrir de quem era – Will comentou.

– Mustang disse que dois dos satélites que faziam a vigilância da Austrália pararam de funcionar, sabemos que eles têm aqueles navios a certa distancia, mas os Lordes demônios são rápidos o suficiente para passarem despercebidos pelos radares – contou Murilo. Vinicius tinha ouvido essa parte da conversa pessoalmente. Assim que chegaram ao RAD Mustang havia ido falar com eles, mas o seu telefone tocou, muito provavelmente lideres ou representantes ligando revoltados com a falha na segurança e ele havia se retirado.

– Muito conveniente – comentou Will antes da porta se abrir e Mustang entrar com os olhos vermelhos. Aparentemente a cabeça dele deveria estar explodindo de dor. Aquele era um dos maiores desastre da historia e o incidente cairia obviamente no colo do líder atual da organização, Melanie.

Os três agentes o encararam com olhos em brasa e ao perceber a tensão Mustang apenas suspirou. – A noite vai ser longa, espero que estejam prontos para mais uma entrevista coletiva.

***

Thiago olhava para a pequena criatura com os braços cruzados. Kokuwamon não era se quer um Seijukuki. Parecia inofensivo, mas o ataque de um milhão de volts era sua marca registrada, um ataque mortal para um ser humano.

Dentro da cela de Digizoide, metal conseguido a partir dos dados de digimons destruídos pela RAD, o pequeno Digimon estava imóvel, apenas olhando para o mesmo ponto fixo na parede.

– Nunca vi nenhum Seichouki atravessar para o nosso mundo – comentou Glauro sentado na cadeira do lado direito de Thiago. Os três olhavam para as imagens da câmera, confusos.

Mayara estava com a mão no pescoço tentando fazer algo parecido com uma massagem, sentada ao lado esquerdo do líder de brigada. Tinha saído de casa com planos de encontrar Luiz, no entanto havia se metido em uma confusão maior. Aquele Digimon não havia a largado desde que ela o salvou da destruição no beco, agora ela não conseguia deixar de se preocupar com ele.

– Se informamos a Melanie ela vai querer estuda-lo – comentou Thiago – ele vai passar o resto da vida em um laboratório.

Mayara sentiu uma pontada de pena – eu não gostaria que ele tivesse esse fim – confessou ela tentando esquecer, nem que fosse por um minuto, o desprezo que sentia por digimons.

Thiago pegou a xicara de café que estava sobre a mesa, junto ao teclado e se levantou da cadeira. Ele estava exausto mentalmente, queria ao menos uma semana de férias dessa loucura. O líder de brigada estava envolvido nisso fazia um ano. Tinha visto muita gente morrer, estado em batalhas importantes até quebrar a perna sendo arremessado por Lilithmon e em seguida ganhar a promoção nada desejada – eles acham mesmo que só eu e Glauro daremos conta de cuidar da cidade inteira – comentou ele meio rabugento.

Então May teve um lampejo de memoria e perguntou – e aquele outro agente da língua solta? Tinha um nome parecido com Will. Ele desistiu?

Thiago balançou a cabeça negativamente – esta em uma missão de campo por tempo indeterminado. Queria muito saber como aquele idiota insubordinado esta e o que anda fazendo – Thiago suspirou e tomou um longo gole de café que queimou seu peito enquanto descia – você acha que pode cuidar desse Digimon Mayara?

May quase engasgou quando a pergunta lhe foi feita. Claro que a ideia havia passado por sua cabeça, mas nunca imaginou que o pessoal do RAD o liberaria, quanto mais tão facilmente – eu não sei se posso cuidar dele – admitiu meio receosa, mas uma lembrança de Jonas passou por sua cabeça e logo em seguida da sua ultima conversa com Luiz. “Vai chegar uma hora onde ninguém vai ter pra onde correr e dessa vez não vai ter Jonas pra te salvar” ele disse – sem uma arma, quero dizer.

– Acho que posso dar um jeito nisso – comentou Glauro se levantando da cadeira e tirando uma pequena arma da cintura, do tamanho de uma trinta e dois clássica, mas ao invés do tambor onde as balas ficavam armazenadas havia uma bateria. O garoto estendeu a mão entregando a arma a May.

A garota sorriu – cara, é a segunda vez que você me da uma arma – disse ela se lembrando da batalha onde Jonas havia ficado desacordado por causa de um Boogueymon.

– Se vocês namorarem o relacionamento de vocês vai ser bem interessante – comentou Thiago dando de ombros e indo em direção à porta que levava as celas. May sentiu seu rosto corar e preferiu não olhar para Glauro para saber como o rosto dele estava – vocês vêm ou não? – perguntou o líder de brigada segurando a porta.

– Senhor – disse Glauro caminhando na frente da garota.

– Indo – brincou Mayara colocando a mão nos bolsos do short e caminhando atrás dos agentes.

O corredor era grande e branco, como ela havia imaginado que era quando Will contou a historia de quando foi preso, o zumbido de uma lâmpada presa ao teto dava uma impressão sombria ao lugar – você se lembra de que salvou minha vida, certo? – comentou Glauro do nada.

– Ele já repetiu essa historia duas vezes – caçoou Thiago andando na frente.

– Quando? – Mayara perguntou, mas a memoria voltou quase que no mesmo instante.

– Eu estava com Maristela na sala do pânico com aquele Digimon, então o prédio desabou e eu só me lembro de levar uma pancada e acordar com você me puxando para fora dos escombros – ele começou a dizer, mas o nome Maristela por um segundo causou um arrepio na garota e ao mesmo tempo uma pontada de duvida surgiu.

– Urielmon? Com Maristela na sala do pânico? Sobre o que eles falaram? – a Garota quis saber curiosa. Thiago tinha parado, sinal de que finalmente haviam chegado a frente da cela do Digimon.

Glauro fez uma careta enquanto Thiago digitava o código de abertura da porta – algo sobre ele tê-los contado somente o que eles deveriam saber. Não me lembro de muito bem. Sei que no fim das contas ela o eliminou.

May semicerrou os olhos intrigada, isso queria dizer que eles afinal de contas não sabiam de toda a verdade. A duvida sobre o que havia acontecido com Urielmon tinha a corroído, mas a única pessoa que poderia contar-lhe tudo seria a própria Maristela, mas como encontra-la e o mais importante, como faze-la falar? – ele era um Kyuukyokutai, como ela o destruiu? – a garota quis saber.

– Ela usou na verdade uma bomba dimensional. A sala do pânico é feita de Digizoide, ela o trancou lá dentro e acionou a bomba – comentou Glauro, quase que casualmente, como se estivesse falando sobre futebol.

Mayara franziu o cenho e uma pontada de dor e de duvida cortou seu coração. Urielmon tivera o mesmo que fim Jonas e Lucemon. Mas por que cargas d’agua se perguntou Mayara, Lucemon continuava vivo e Jonas e Urielmon não?

– Venha aqui – disse Thiago fazendo um movimento com a mão. E o pequeno Digimon saiu de cabeça baixa da cela. Assim que viu Mayara correu de encontro a ela, o barulho de metal ecoou pelo corredor enquanto os pequenos pés do Digimon se chocavam contra o chão. Então a pequena criatura agarrou-se a perna dela como um bebe macaco faz nas costas de sua mãe.

Glauro sorriu e May disse baixinho – vamos pra casa.

***

Sofia e Pedro haviam acabado de chegar ao Japão quando finalmente ficaram sabendo das noticias relacionadas à ONU. Todos os noticiários, todos os canais, por todos os meios de comunicação. O assunto no mundo era um só.

Não se falava de outra coisa. O alvoroço que havia se formado no Japão era nítido. Mesmo não falando Japonês os dois agentes tinham consciência da histeria coletiva que estava se formando. O mesmo caos causado pelos ataques de seis meses atrás.

Pela janela do taxi eles viam as pessoas andando depressa pelas calçadas da Avenida Omotesando-dori. Logo mais a frente eles encontrariam os agentes Hiraga e Kenji.

– Você acredita nisso? – perguntou Monteiro com a cabeça encostada no vidro da janela, Sofia o olhou sem muito interesse – alguém usando Digimons para matar pessoas, quero dizer.

O taxi finalmente parou e Pedro entregou o valor pela corrida – não me surpreende na verdade – Sofia comentou abrindo a porta do carro antes de Pedro – Digimons sozinhos matam pessoas, por que não os domados?

Assim que Pedro saiu do carro viu dois jovens de pé, um ao lado do outro. Um deles, o menor, tinha cabelos pretos que batiam em seu ombro. De mão dada a ele havia uma pequena criatura de escamas amarelas e olhos grandes e verdes.

– O Digimon dele não é executado? – perguntou Pedro pasmo olhando para Kenji e Agumon.

Sofia não respondeu, apenas caminhou até eles fazendo o cumprimento tradicional Japonês. Digimons executados eram aqueles cujos códigos estavam armazenados em algum tipo de aparelho, normalmente capturados a força ou simplesmente por pura sorte.

O Digimon de Kenji não ser executado significava que o Digimon era parceiro dele por livre e espontânea vontade. Haviam apenas mais dois caso do conhecimento RAD, o de Will e o de Murilo. Mas Veronica e Manu também faziam parte da exceção.

Logo em seguida Pedro acompanhou Sofia no mesmo movimento – eu estou estudando sua língua – disse Hiraga com dificuldade, surpreendendo Pedro e Sofia – Melanie disse que nos levar para Brasil no próximo ano – o garoto comentou com um sorriso no rosto.

– Se eles sobreviverem – comentou Pedro no ouvido de Sofia com um sorriso sarcástico no rosto.

Sofia franziu o cenho e bufou sem paciência – viemos protegê-los, precisamos saber o possível sobre a tentativa de assassinato.

Hiraga comentou algo em Japonês, que depois os agentes vieram, a saber, que se tratava da tradução do que eles haviam dito, para o garotinho. Hiraga tinha dezessete anos e Kenji doze. Os dois coincidentemente eram primos.

– Vamos para casa, lá falamos com calma – pediu o garoto mais velho. Pedro sorriu e juntos seguiram até a casa onde eles ficariam.

Notas finais
Metabots ciber lutaaaaa. Certo, espero que tenham gostado. Aproveitando que a Fic esta no começo estou terminando de inserir os últimos personagens, mostrar a personalidade dele e mudar um pouco das impressões deixadas por Decode. Espero que esteja fluindo bem.