Guardians
2 O dia seguinte ao amanha.
Notas iniciais
Livremente servimos, porque livremente amamos.
Conforme nosso arbítrio de amar ou não amar;
Nós ascendemos ou caímos.
(Cassandra Clare)
Os fleches os cegavam, dezenas de vozes diferentes faziam perguntas sobre quais seriam suas próximas ações. Will e Lud saíram do apartamento do garoto cercados por seguranças. Lud protegia os olhos com as mãos enquanto Will andava de cabeça erguida. Uma brisa fria tocou o rosto da garota a fazendo arrepiar. Ela detestava repórteres e isso não ia mudar.
Os jornalistas e fotógrafos empurravam o circulo de seguranças fazendo com que eles pressionassem os Guardiões com suas largas costas. O caminho até o carro parecia gigantesco. Era estranhamente irritante ver aquele tanto de gente reunida para colher mentiras e inventar acusações sem cabimento contra eles. Os dois sabiam. Um sorriso torto, um cenho franzido, qualquer coisa. A mídia nunca perdia uma oportunidade de abusar do sensacionalismo. Em meio ao turbilhão de vozes Lud conseguiu reconhecer uma em meio à multidão e por um instante tudo em volta pareceu ficar em câmera lenta.
Em meio ao alvoroço de cabeças ela viu Weverton de pé, apenas a olhando de longe, apenas parado com as mãos no bolso a olhando. O coração da garota pareceu parar de bater, vê-lo ali de alguma forma parecia errado, mas ela não conseguia entender por que. Então ela de súbito sentiu uma dor no rosto, sua cabeça foi para trás bruscamente e a gosma escorreu pelo seu rosto, fazendo sua percepção do tempo voltar ao normal.
Assim que ela pós a mão percebeu que se tratava de um ovo, a multidão que antes era de fotógrafos se transformou em uma multidão enfurecida. Há meses eles haviam sido atacados por facções que discordavam das tentativas publicas de mostrar a sociedade que nem todos os digimons eram destrutivos. Mas a humanidade, grande parte dela, depois de tantos ataques estava se afastando cada vez mais dessa ideia.
***
E então ela acordou. Sua respiração estava ofegante e suas roupas suadas. Ela estava assustada e nervosa, sua cabeça pareceu rodopiar assim que abriu os olhos – ta tudo bem? – perguntou Will olhando para ela serio. Lud demorou um pouco para se orientar, lembrar exatamente onde estava, então balançou a cabeça positivamente se ajeitando na poltrona do avião.
– Onde estamos? – a garota perguntou ainda muito confusa. A ultima coisa que se lembrava era do caminho até o aeroporto.
Will inclinou seu corpo para a esquerda para facilitar sua espiada pela janela redonda da aeronave – sobrevoando São Paulo. Devemos pousar em instantes – contou-lhe – aquele sonho de novo? – o garoto quis saber.
– Não, esse foi diferente, Weverton estava lá e tinha um monte de jornalistas e aquele pessoal anti-digimon – ela disse se esforçando para lembrar, mas o sonho recente já estava se perdendo em meio a outros pensamentos – e me tacaram ovos de novo.
Assim que Will abriu a boca para tentar acalma-la os autofalantes do avião começaram a emitir a voz do piloto. Ele informava que eles pousariam em alguns instantes e pedia que por gentileza colocassem os cintos de segurança, em inglês e português.
Assim que eles desembarcaram deram de cara com Mustang. O enorme homem negro segurava uma placa dizendo “Sr Ribeiro e Lady Madeira”. Ludmila gargalhou quando viu a cena, mas Will continuou serio – como foi o voou? – perguntou Mustang dando a mão a Will começando um cumprimento.
– Bem – disse Will respondendo secamente – mas estamos cansados, poderíamos ir direto para o Hotel? – Mustang fez um longo movimento com a cabeça confirmando e cumprimentou Ludmila.
– Achei que aqui estaria cheio de repórteres – questionou Ludmila curiosa e aliviada.
Mustang a olhou serio como sempre – e há, mas não na área de desembarque.
Lud suspirou e foi atrás de suas malas. Assim que eles chegaram ao saguão dezenas de repórteres correram em sua direção. Will e Lud mal conseguiam andar devido à tamanha multidão de pessoas.
– Will, Ludmila queremos saber qual é sua posição em relação ao possível ataque com armas nucleares à Austrália – perguntou uma repórter fazendo todos os outros ficarem em silencio.
Will parou de súbito, olhou para trás de repente e encarou Mustang que não esboçou emoção. Lud fez força tentando empurrar o mar de jornalistas e então os fleches e as perguntas começaram a chover novamente. Ela por um momento pode ver a expressão de Will se encher de fúria e a de Mustang nem por um segundo demostrar qualquer emoção. Isso às vezes a assustava, ela gostava de Mustang, mas lidar com alguém que nunca se sabe o que esta pensando era preocupante.
Eles levaram três vezes o tempo que levaria para conseguir percorrer a distancia da ala de desembarque até a limusine que os esperava, o empurra empurra infernal já estava se tornando comum. Will foi o ultimo a entrar no carro. Assim que ele se sentou no banco e fechou à porta se livrando dos jornalistas ele gritou – Bomba Nuclear? O que mais diabos vocês andam me escondendo? – tamanha foi sua explosão de nervosismo que Lud pulou no banco, batendo com força o braço na porta surpresa.
– Vocês pretendem mesmo fazer isso? – perguntou Lud incrédula e dolorida. A cicatriz que ganhara quando capturou Mailbirdramon ainda permanecia em sua testa. Uma linha branca e fina sobre seu olho esquerdo que a lembrava de tudo que havia vivido sempre que se olhava no espelho.
O celular de Mustang vibrou, ele estendeu um enorme dedo a frente e pediu um minuto atendendo o aparelho – eu não vou aceitar isso Ludmila – continuou Will.
– Ainda nenhuma noticia? – dizia Mustang.
– O pessoal que conseguimos trazer pro nosso lado vai pirar – disse Lud a Will – a opinião publica vai se voltar contra nos. Bom, mais ainda.
– Continuem as buscas – Disse Mustang terminando a ligação, guardando o celular no bolso e voltando a encara-los.
Mustang suspirou e ouviu por mais dois minutos os xingamentos de Will e Ludmila – não há como evitar isso – disse o homem os interrompendo – a organização das nações unidas decidiu essa manha em uma cúpula que esta havendo aqui em São Paulo – contou-lhes.
– E como não nos informaram de tal coisa? – perguntou Ludmila colocando a mão sobre a boca.
Mustang a olhou incerto – o que acham que estão fazendo aqui?
– Ué, Pedro nos disse que talvez tivéssemos oportunidade de vir ao Brasil, quando ele me disse eu... – Will não terminou de dizer. A ficha estava caindo, mais uma vez Pedro estava escondendo informações importantes dele. O que tinha acontecido com o grupo? Ou será que talvez ele não tivesse chegado a conhecer o agente de verdade?
– Vocês falarão frente aos representantes de dezenas de países amanha. Nos esperamos que consigam reverter a opinião deles – continuou Mustang, ele parecia finalmente preocupado com a situação.
Lud começou a balançar a cabeça negativamente – eu não sei o que dizer, não preparei nada.
Mustang pareceu se enfurecer por alguns instantes – talvez o que tem repetido para o mundo nesses últimos meses senhorita Madeira. Vocês desobedeceram minhas ordens e se dispuseram a mídia vezes de mais para não terem experiência.
[quatro meses antes]
– Ludmila So, I think the most important question right now is, now that the gates are closed and the appearances of Digimon finally ceased, what you want to do with your life?– perguntou a entrevistadora. A frente das duas haviam oito câmeras e mais a frente uma arquibancada com dezenas de pessoas. A plateia do jornal da manha.
Pelo ponto eletrônico uma tradutora informou a Ludmila que a entrevistadora queria saber o que ela pretendia da vida agora que não haviam mais digimons. Ela pensou um pouco e disse – acho que nada mais relacionado a computadores – Lud sorriu e alguns segundos depois, quando a tradutora repetiu em inglês, a plateia inteira riu junto – bom, eu pretendo continuar com o desenvolvimento, acho que os digimons nos deram a chave para algo grandioso.
[momentos atuais]
– Seu carinho me toca – respondeu Will arrogante. Lud o olhou por algum tempo tentando imaginar o quanto a morte de Jonas deve ter doido para o garoto, ele não era mais o mesmo.
Mustang respirou fundo e continuou – você tem a chance de salvar a imagem publica de vocês e ainda evitar um possível acidente nuclear – o homem deu de ombros – façam como quiser.
Will abaixou um pouco o vidro deixando o ar correr dentro do carro, fazendo seus cabelos balançarem – desculpa, de vez em quando a pressão é de mais. Obrigado – disse ele estendendo a mão para o homem em um pedido de desculpas.
Lud suspirou de alivia. Às vezes esperar era a única solução.
***
Alguns minutos depois ele os deixou no hotel, depois das formais despedidas ele seguiu seu caminho em direção as instalações do SIB. O homem discou um numero apenas uma vez e Melanie atendeu no segundo toque – como foi à reação deles? – perguntou a mulher.
– Não houve. Não os comuniquei sobre a queda. Aquele garoto não tem estomago para ver uma barata morrer – respondeu Mustang com raiva na voz. Ele não estava acostumado a demostrar emoção, mas para ela era um caso totalmente diferente. A amizade dos dois era antiga.
Houve um breve silencio na linha antes da mulher voltar a falar – abafarei o caso, então não iremos querer que isso vá a publico.
– Não, especialmente agora – respondeu Mustang desligando.
***
– A única coisa que eu preciso entender é como depois de dois meses, com duas dezenas de pessoas trabalhando em tempo integral nesse código, os únicos avanços que conseguiram foram esse? – questionou Luan furioso sentado na cadeira do escritório que um dia fora do seu pai.
O homem vestido com uma roupa chique casual a sua frente tremeu. Ele era um dos poucos que havia conseguido se mantar no emprego extremamente bem remunerado que a empresa Genesis estava oferecendo. O homem suspirou e tentou analisar o que deveria dizer. Ele sabia que qualquer pedido de desculpas o levaria a sarjeta naquele mesmo instante, qualquer “eu acho”, ou “nos imaginamos que” resultariam na demissão imediata dele e talvez de metade da equipe – terminamos pela manha o desmembramento do código de Ancientgreymon e o resultado prognóstico do doutor Rodrigues sai à tarde. Os primeiro experimentos biológicos terão inicio amanha pela manha – o homem respondeu por fim.
– Certo suma daqui – gritou Luan voltando a olhar para a tela do seu computador. Havia uma pagina de jornal aberta. “Digimons, o fim do mundo ou inicio de uma nova era?”. Ele inclinou seu corpo na cadeira e jogou os braços para trás da cabeça – descobriremos — murmurou para si próprio — descobriremos.
Enquanto o homem saia da sala de Luan ele pensava que tinha mais sorte do que um macaco no meio de Nova Iorque, que caiu em um tonel de bananas depois de fugir de um circo em São Petersburgo. Caso descobríssemos porque ele pensou logo nisso entenderíamos mais sobre a vida, os digimons e o universo do que sabemos atualmente.
***
Ela acordou aos poucos, tomando consciência do que estava ao seu redor. O vento frio que entrava pela janela do ônibus estava fazendo com que seu nariz ficasse gelado. A garota fechou a janela com dificuldade e encarou o céu azul sobre ela.
Veronica pegou o celular e viu as dezenas de chamadas perdidas de sua mãe. Ela queria ligar de volta, mas sabia que não devia. Sua mãe a obrigaria a voltar e ela sabia que deveria ir enfrente. Seu irmão a ajudaria e ela só precisaria encontra-lo.
Chegou à rodoviária do Rio por volta de dez da manha. Seu estomago roncava e sua mochila, única bagagem que levara, pesava suas costas.
– Pra onde agora – ela se questionou. Estava furiosa consigo mesma por não ter pensado em um plano melhor e também assustada. Ela nunca havia viajado sozinha, tão pouco pra tão longe.
Veronica nunca achara realmente que conseguiria fugir de casa e pegar o ônibus. Depois que ela havia visto as imagens do domador do rio voltando a aparecer nos telejornais ela apenas teve o impulso. Veronica imaginou que todos os domadores deveriam se conhecer. E se ela estivesse certa encontraria seu irmão antes mesmo do fim do dia.
Comeu em uma das lanchonetes da rodoviária mesmo e assim que saiu do lugar fitou o céu encontrando com satisfação o que ela esperava. Agora era hora de dar a cara a tapa, planos? Ela contava apenas com a sorte.
***
[Quatro meses antes]
– What about RAD? Knew who battled against agents of the organization months before joining them. What everyone wants to know is: Do you agree with the attitudes of the organization? – a entrevistadora quis saber — Hundreds, maybe even thousands of Digimon were destroyed this past year, you do not think the situation could be handled differently? – Perguntou ela gesticulando engraçado, fazendo Lud ter que segurar o riso.
Era uma situação engraçada não ter ideia sobre o que esta sendo questionada. A mulher do ponto eletrônico contou-lhe que a entrevistado queria saber sua opinião sobre o RAD. Ludmila quase começou a criticar a organização no mesmo instante, mas ela notou a jogada da entrevistadora. Além do mais, tudo o que ela havia vivido já era passado, agora ela querendo ou não, era um agente também.
– O RAD foi a primeira e maior linha de defesa já armada contra Digimons, à organização tem um valor inestimável na segurança de todos. Quanto à morte de digimons – ai estava à pegadinha, se ela dissesse que a matança foi desnecessária ela iria contra a organização que fazia parte. Caso ela resolvesse dizer que tudo aquilo foi parte de um processo de pacificação, como ela havia planejado, ela iria contra o que havia pregado nos últimos meses. Sobre uma coexistência pacifica com os digimons.
Tudo estava calmo após o fechamento dos portais, ela simplesmente não podia ariscar – acho que toda a morte é sim uma grande lastima, Digimon ou humana. Eu tenho a esperança que haverá um momento em que a vida dos humanos e dos digimons serão vistas como igualmente preciosas.
– So you think the RAD sees Digimon as monsters? – Perguntou a entrevistadora. Lud não sabia muito de inglês, mas essa pergunta ela entendeu.
– Os digimons passaram uma imagem negativa, a maioria que veio ao nosso mundo foi muito hostil realmente, mas...
–They destroyed three towns, killed thousands of people. Drawing on what you said that we can live with them in peace? – a mulher a interrompeu questionado a base das suas afirmações sobre a agressividade dos digimons, como Lud podia afirmar que poderíamos viver pacificamente.
Lud sentiu que estava perdendo o controle da situação, ela não sabia ao certo o que dizer – Leões são agressivos, hipopótamos são agressivos, o ser humano é agressivo. Eles são um fato, ou destruímos todos ou aprendemos a viver junto a eles.
A garota se levantou da cadeira e pediu licença a entrevistadora deixando o palco apressadamente. Ela estava tremendo, tinha medo de ter estragado tudo. Desde que deixara o Brasil parecia que estava sempre pisando em ovos.
[momentos atuais]
– Quero que os encontre – disse Will ao telefone desligando o aparelho. Ludmila estava deitada na cama do garoto de barriga pra cima olhando o teto. Estava cansada e ansiosa, Pedro e Sofia já deveriam tê-los encontrado no hotel, o que estava havendo?
– De acordo com o pessoal do aeroporto o jatinho não pousou, liguei pra Mustang na mesma hora, quero saber onde eles estão – xingou Will caminhando até a janela.
Lud pegou o controle remoto e ligou a TV. Ela suspirou e voltou a desliga-la quando viu que o noticiário mostrava mais um ataque de Digimon, aparentemente dessa vez em Nova Iorque – acabamos de sair de lá – exclamou ela frustrada.
– Essa é a nossa realidade Lud – disse Will parecendo cansado.
Lud se levantou da cama e caminhou até o garoto – uma hora teremos que batalhar novamente – disse ela colocando a mão sobre o ombro do garoto.
– Me preocupo com Shoutmon – confidenciou Will – eu não queria que ele lutasse mais.
Ludmila hesitou – eu sei o quanto você se importa com ele – disse Lud – ele ainda esta com os irmãos Pitombo? – Lud perguntou mesmo já sabendo a resposta.
– Sim, eles chegam amanha de manha – respondeu Will com clara preocupação na voz. Ele não aguentava mais tantos exames, ele mal passava tempo com seu digimon agora. Parecia não haver escolha.
***
May estava com o cabelo molhado, tinha acabado de sair do mar. A mulher no elevador a encarava curiosa, a garota estava enrolada em uma tanga com estampa multicolorida e seu cabelo estava preso em com coque alto.
A menina ficou sem graça, se virou para o espelho e ficou procurando imperfeições em sua pele tentando não prestar atenção na mulher. Ela desceu um andar antes de May a deixando mais aliviada.
Assim que ela abriu a porta de seu apartamento deu de cara com Luiz, sentado na poltrona de frente pra porta. Sua mãe conversava com ele sorridente. Ela ficou sem reação por alguns segundos, era quase como ver um fantasma. Seu coração parecia uma escoa de samba, suas mãos agora tremiam. O que estava acontecendo? Ela se questionou em pensamento.
Os dois olharam para ela ao mesmo tempo – veja filha – começou a dizer a mãe dela – seu amigo de faculdade.
Luiz se levantou apoiando-se a uma bengala de madeira escura, ele ainda tinha o mesmo sorriso, mas os lábios dele agora pareciam um pouco tortos – queria dizer “olha como você cresceu”, mas você continua esse pedaço de gente – ele brincou. Os olhos de May se encheram d’agua, suas mãos tremiam. Ela não achou graça no trocadilho, e nem tão pouco conseguia entender o que estava acontecendo.
Há meses ela só via os Guardiões pelo jornal, ninguém nunca a havia contatado, isso só podia ser um mal pressagio
– Ta tudo bem filha? – perguntou a mãe dela perdida na situação.
May deu dois passos rápidos para trás e fechou a porta fazendo um enorme barulho. Ela tateou a parede e se sentou de costas apoiando-se nela. Ela não queria acreditar, temia que fosse chamada de volta aquilo tudo.
Depois de alguns minutos Luiz saiu do apartamento e se sentou, devagar e doidamente, ao lado dela – realmente entendo por que veio pra cá, aquela rachadura na parede – disse ele apontando para frente – é realmente atraente.
– Desculpa – respondeu May sem olha-lo.
– Não precisa – disse ele – tive medo de voltar também.
Um silencio constrangedor tomou conta do corredor, nenhum dos dois disse nada durante um tempo, até que Mayara não suportou mais — e por que voltou? – perguntou a garota agora o olhando atentamente.
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