Guardians
3 Fúria, magoa e ressentimento
Notas iniciais
Agora, o remédio é partir discretamente,
Sem palavras, sem lágrimas, sem gestos.
De que servem lamentos e protestos, contra o destino?
(Miguel Torga)
Murilo estava cansado, as olheiras sobe seus olhos não o deixavam negar isso. A noite havia sido mais longa do que ele esperava, mas enfim ele conheceria as instalações do RAD da cidade de São Paulo. Ele passou a mão enluvada em seus cabelos castanhos cacheados e suspirou deixando uma pequena nuvem de vapor escapar.
Nova Iorque era muito fria essa época do ano. Os primeiros flocos de neve já haviam caído, mas as ruas ainda não estavam cobertas por aquela imensidão branca. Ainda sim tudo tinha um ar mais serio, as pessoas vestiam felpudos casados de frio e andavam encolhidas e frenéticas pelas calçadas. Não naquele momento, quando ele e seu irmão estavam por perto às pessoas tinham a inteligente mania de correr. – Ótimo – pensou ele consigo mesmo, olhando para Vinicius que estava de pé a sua frente.
– Esse não foi tão difícil – comentou o garotinho. Os dados do Digimon ainda se desfaziam no ar.
Angemon estava planando pouca à cima do carro estacionado no final da rua, o anjo bufava alto, enquanto seu peito subia e descia com rapidez – claro – comentou ele divertido – você nunca faz nenhum esforço – Murilo franziu o cenho em desaprovação. Ele ainda mal podia acreditar que estava realmente passando por aquela situação com tamanha naturalidade. Um anjo digital apenas acabara de falar com ele pela mente.
Dois anos antes ele nem poderia imaginar que digimons existiam. Quando em uma noite houve o primeiro apagão. O garoto estava no seu apartamento com seu irmão, seus pais haviam saído para um jantar e pela milésima vez ele teria que tomar conta de Vinicius.
Não que fosse uma grande penação, mas o garoto mal conseguia abrir o congelador para pegar agua gelada, sozinho. Vinicius estava doente, Murilo sabia disso. Seus pais não tinham mais como esconder a gravidade da doença do garoto depois da primeira quimioterapia.
Câncer no pulmão, em pouco tempo o garoto deveria estar usando cânulas e cilindros de oxigênio. Às vezes Murilo ficava olhando pra ele, não podia acreditar que seu irmão tinha aquela doença. Vinicius era baixinho e até mesmo meio rechonchudo. Enquanto Murilo era alto e esguio, quase magro de mais, pensava ele às vezes. Seu irmão tinha os mesmos cabelos, e olhos castanhos, mas Murilo podia jurar que o nariz do garoto parecia uma batata. Sua pele era branca, mas não como a de seu irmão. A de Vinicius chegava a ter um tom meio azulado pela desoxigenação.
Quando as luzes se apagaram eles estavam na sala vendo o show de talentos que passava em um canal qualquer. Vinicius deu um grito que fez Murilo saltar e jogar a almofada que estava em seu colo longe. Ele esbravejou e depois perguntou ao irmão se estava tudo bem, não se importando realmente com a resposta que viria.
A escuridão era densa de mais para a lâmpada ter queimado, e tão pouco a televisão e o celular dele iriam desligar por coincidência. Murilo caminhou atrapalhadamente apalpando até as paredes, enquanto seu irmão o chamava. Depois de quase derrubar um abajur e bater o joelho na porta do quarto ele finalmente chegou à janela.
Ele se assustou quando percebeu que todos os enormes prédios ao redor e inclusive o seu estavam sem luz. Apenas o brilho dos faróis dos carros vinte e dois andares abaixo dele iluminava a noite da cidade que nunca dormia. Ele sorriu por um segundo depois da imagem do homem aranha passar pela sua cabeça. Quem sabe algum super herói podia estar ali próximo batalhando contra um super vilão.
Mas ele acordou de seu devaneio rapidamente quando ouviu o grito de seu irmão. Ele se virou rapidamente em direção ao corredor e se deparou com o brilho. De onde vinha aquela luz? Ele se perguntou. Então ouviu novamente seu irmão gritar.
Ele saiu correndo, gritando o nome de Vinicius, até que o viu na varanda. De pés descalços e de pijama listrado em frente ao parapeito, simplesmente de pé olhando para cima. Uma enorme luz vinda da mesma direção ofuscava sua visão. Seria um helicóptero? Mas onde estaria o barulho das hélices? Murilo pôs a mão sobre o rosto, tentando ver em meio à luz enquanto caminhava devagar até a varanda.
Assim que atravessou a porta ele percebeu o anjo de armadura azul, inerte no ar, de assas abertas. O ar saiu de seus pulmões, suas pernas tremeram. Ele agarrou o braço de Vinicius e correu.
Mas agora tudo era normal, tudo fazia sentido. Parecia fazer. E de certa forma, depois que eles finalmente se juntaram ao RAD, logo depois de serem encontrados por Will tudo tinha ficado mais fácil. Estar perto de outras pessoas que passaram pela mesma situação, alguém que realmente esta dizendo a verdade quando diz “eu sei pelo que você esta passando” parecia ótimo.
– Ótimo – repetiu ele com um sorriso no rosto – amanha finalmente conheceremos o país do carnaval. Vinicius apenas o encarou apertando os olhos com estranheza.
***
– Saudade, você já pensou nisso? – respondeu Luiz divertido. Ele estava com aquele sorriso bobo no rosto outra vez. Não o mesmo de um ano atrás, antes ele conseguia mover seu rosto por completo pensou May.
Ela o encarou durante um tempo, tentando não transparecer a raiva que se remoeu dentro dela após a resposta do garoto. Saudade, que tipo de saudade era esse? Ela passou o ultimo ano inteiro, sozinha, nenhum deles ligou, mandou e-mail, nem mesmo uma “mensagenzinha” se quer. Ela estava furiosa e nem se quer tinha certeza do por que – é, deu pra perceber – ela esbravejou se levantando em um estalo.
Luiz suspirou longa e lentamente enquanto se levantava devagar do chão. May o encarou curiosa, vê-lo daquela forma era deprimente de certa forma, ainda que ela pensasse que era melhor estar meio quebrado do que morto. As lembranças de sua ultima batalha correram em sua mente, ela não entendia bem como tudo havia terminado, sabia apenas que seus amigos tinham dado o máximo, mas que mesmo assim Jonas tinha ficado no meio do caminho.
– Você não esta ajudando – murmurou Luiz a encarando, May podia sentir a dor que ele estava tentando esconder. Desde um cenho franzido, a uma quase imperceptível pausa no meio da frase, May conseguia reconhecer qualquer reação das pessoas com quem ela se importava. Não sabia quando isso tinha começado, mas sabia que conseguia.
– Acho melhor você ir embora, não quero mais me envolver nisso – afirmou a garota se virando de costas para Luiz que se sentia perdido na situação.
Luiz deu um passo para frente e tocou o braço de May, ela sentiu os pelos de sua nuca se arrepiarem, sua respiração falhou por alguns segundos. Isso tudo era por causa de um toque? Ela temeu – May, o mundo esta acabando lá fora, precisamos ficar juntos.
– Juntos Luiz? – ela explodiu em ira, fazendo com que Luiz se afastasse um pouco – onde você esteve no ultimo ano? Vocês sabiam onde eu estava, sabiam como me achar, mas me deixaram isolada aqui. Não me venha com sermões você não tem esse direito – gritou a garota gesticulando enquanto a saliva voava de sua boca.
O garoto balançou a cabeça em um movimento negativo, indignado pelas afirmações de Mayara. Ele lembrava-se muito bem do ultimo dia em que os guardiões passaram juntos, sem Jonas claro, lembrava-se bem de tudo apesar de estar dopado – não seja hipócrita – disse ele perdendo a paciência depois de um sorriso irônico – você quis isso, você nos afastou – afirmou ele começando a gritar – foi escolha sua.
– Escolha minha? – Mayara contestou erguendo os braços – eu estava surtando seu idiota, Jonas esta morto – acrescentou ela aos berros.
Luiz começou a caminha devagar e mancando em direção ao elevador, dando as costas a Mayara que arfou incrédula. O garoto realmente nunca mais seria o mesmo, pensou ela por um tris de segundos. E correu em direção ao elevador parando de braços abertos na frente de dele – você não vai me dar às costas – ela afirmou.
– Sua louca – gritou Luiz desistindo de evitar uma confusão, sua paciência havia se tornado curta, seu humor não era estável. Nem ele mesmo conseguia se entender às vezes – sua imbecil. Chega, chega Mayara, Jonas esta morto, mas você não é a única que sofreu com a morte dele. Eu perdi metade dos movimentos do meu maldito corpo, passei oito meses em Buenos Aires fazendo fisioterapia e estou aqui pronto pra mais uma – esbravejou ele enquanto Mayara o encarava com olhos molhados, era sempre a mesma coisa pensou ele – cresce garota. Vai chegar uma hora onde ninguém vai ter pra onde correr e dessa vez não vai ter Jonas pra te salvar.
Mayra suspirou tentando digerir o choque de realidade, o orgulho dela era grande de mais pra admitir pensou Luiz, mas ele sabia que uma hora ela iria. Então a mãe da garota apareceu colocando a cabeça para fora do apartamento – ta tudo bem ai? – ela quis saber.
– Glorioso – respondeu Luiz ainda de costas. May o encarava num misto de raiva e perplexidade. O tempo pareceu parar de correr por alguns momentos quando os olhos furiosos e os molhados se encontraram.
– Ta mãe – respondeu ela. Luiz então deu volta desviando da garota que impedia sua passagem e caminhou com dificuldade agora comum até o elevador. May continuou ali observando, enquanto o elevador chegava e até que por fim os olhos deles se encontram uma ultima vez antes das portas, de metal prateado, se fecharem – esta tudo bem – disse ela mais uma vez.
***
Os dois andavam a passos largos dentro dos enormes, mas bem cheios, corredores do RAD. Dezenas de representantes caminhavam até o salão de reuniões da instalação, recentemente construído, especificamente para o evento. Will estava com dor de cabeça e odiava toda aquela barganha politica, mas sabia muito bem o quão necessário aquilo era.
Aquele tipo de cúpula urgente estava sendo convocado com mais frequência do que o garoto gostava de imaginar – não há um movimento se quer a duas semanas, nada saiu de lá – Will ouviu enquanto chegava ao local com Ludmila.
Os dois se sentaram em cadeiras ao fundo da sala tentando não chamar muito atenção enquanto mais um homem se levantava para dizer algo – mas e quanto aquele ataque ao jatinho com os agentes... – começou a dizer o representante, mas logo fora interrompido pelo Coronel Brenner Mustang.
– Apenas boatos – explicou ele tentando acalmar o turbilhão de vozes que preenchia o ambiente – Senhores, senhores – ele repetiu duas vezes e como um passe de magica todos encontraram seus lugares e se sentaram em um silencio quase absoluto – o rastreador bio-digital desenvolvido pela agente Ludmila Madeira se mostrou extremamente eficiente – o homem começou a dizer.
Lud desde o fim da batalha em Belo Horizonte, havia deixado o trabalho de campo e começado a trabalhar em projetos de atualização de softwares e desenvolvimento para o governo. Ela havia atualizado quase todos os sistemas do RAD no ultimo ano, e havia feito avanços incríveis com o apoio e o financiamento do governo.
Um dos melhores, na opinião de Will, era o que eliminava a necessidade do Guardião sair em campo com um notebook na mão. Agora os digimons poderiam ser transportados e invocados por aparelhos muito menores, parecidos com celulares antigos. Grandes e com antenas, baseados no Designer dos digivice da serie de televisão. Eles eram chamados de G1, fazendo menção obvia a sua geração.
O problema com as quedas de energia ainda era constante, nem tudo é perfeito.
– Nos sabemos dos avanços Brenner, prossiga logo – disse uma voz inquieta vinda da porta de entrada da sala. Todos se viraram para ver de quem seria, mas nem Will, muito menos Lud tinham duvida. A mulher estava lá, de pé, vestindo um longo e liso vestido preto, com o cabelo amarrado em um coque.
– General Lacerda – cumprimentou Mustang.
– Por favor, Maristela – disse ela caminhando pelo correr aberto entre as cadeiras até chegar ao baixo palco montado. O sangue de Will pareceu ferver, seu olhar se tornou subitamente atento e furioso, sua respiração pareceu ficar mais difícil e suas mãos aumentaram gradativamente o aperto na cadeira – o que Brenner quer dizer é que estamos os acompanhando via satélite. Nada sai daquela ilha sem que rastreemos.
Nos meses que se seguiram esse tipo de encontro se tornara comum. Will, Lud e os agentes Monteiro e Sofia haviam tentado de tudo para prendê-la, mas não haviam provas. Não havia como ligar Maristela aos acontecimentos de Belo Horizonte. Eles foram interrogados tantas vezes que Will sentia que ia acabar contando até seus segredos de infância, mais cedo ou mais tarde.
Acusar uma oficial superior do governo de traição não era fácil, muito menos sem provas. Então com a ajuda, quase impossível, de Mustang eles convenceram um regimento do serviço secreto a coloca-los de frente a Maristela com um detector de mentiras.
Quando finalmente a seção foi marcada, dois meses depois do incidente em Belo Horizonte, vários agentes do serviço de inteligência, do Rad e mesmo alguns poucos governantas compareceram ao desterro. Os quatro Jovens, Will, Ludmila, Sofia e Pedro foram perguntados sobre o que haviam visto de Maristela. E como era de se esperar eles contaram tudo.
Sobre as teorias de conspiração desde o inicio. Sobre ela ter sido a única a escapar viva do desabamento do quartel RAD com ajuda de um Digimon. Sobre a conversa dela com Lilithmon e as revelações feitas por ela mesma no final da batalha.
Quando o aparelho revelou que as declarações dos quatro eram verdadeiras, Maristela foi convidada no mesmo instante a dar-lhes sua versão. E quando por fim o agente responsável perguntou a ela se negaria a acusação de estar ajudando a Lucemon e nesse meio tempo ter agido como uma agente dupla enviada por ele, ela simplesmente negou e ainda acrescentou: “O detector de mentiras capta variações nos batimentos cardíacos, obtidas quando o individuo diz algo que não cré ser verdade” explicou “Depois de tudo que esses garotos passaram a ideia de criar um culpado para tudo que os aconteceu parece totalmente plausível.” E ainda completou “espero que consigam tratamento psiquiátrico o quando antes para esses pobres jovens.”.
E por mais absurdo que pareça o detector simplesmente não vibrou, não emitiu nenhum ruído, não mostrou nenhuma luz. O maldito aparelho só podia estar quebrado pensou Will incrédulo.
Maristela foi liberada e eles foram encaminhados para psiquiatras do governo. Questionaram a sanidade mental dos Agentes Monteiro e Albuquerque e depois de um mês e meio de acompanhamento rigoroso finalmente foram liberados para começar trabalho dentro da agencia. Mas apenas depois de começarem a negar o envolvimento de Maristela com os acontecimentos em Belo Horizonte.
Agora Will estava ali mais uma vez encarando a Mulher com olhos em chamas e às duas horas seguintes discutindo sem chegar a lugar algum o deixou completamente irado. Criaram dezenas de hipóteses ridículas, discutiram medidas inúteis, brigaram entre si por nada. Ninguém ali sabia melhor do que Will a verdade por trás das batalhas ou sobre como os digimons agiam.
E em momento algum ele foi consultado. Ele sentia que estava ali simplesmente porque era uma peça de marketing necessária, não por ser qualificado realmente. Quando no final da reunião questionaram sobre a bomba nuclear Lud e Will foram finalmente convidados a falar. Will permaneceu em silencio enquanto Lud se encarregava de acalmar os representantes do RAD.
– Quem mais comparecera a cúpula amanha? – um dos representantes quis saber – precisamos de algum adulto lá com esses garotos.
Will também estava acostumado com esse tipo de comentário também. Depois das afirmações sobre a sanidade mental do grupo várias pessoas criticavam a permanência deles na instituição – eu me disponho – ofereceu-se Maristela.
Os olhos de Will se arregalaram – você – exclamou ele tão baixo que ninguém pode ouvi-lo. O estomago do garoto pareceu girar e ele ansiou vomito, o garoto odiava aquilo tudo. Odiava ter que fingir não se importar, odiava ter que ficar longe de Shoutmon, odiava a falta que sentia da sua família e de Jonas e Luiz, mas principalmente odiava o quanto ele estava sendo hipócrita.
Às vezes ele duvidava que estivesse agindo da melhor forma, mas cada vez se via mais e mais embolado na teia do governo. Ele precisava de permissão pra tudo, a todo o momento informações eram escondidas dele e ainda pior, ele começava a duvidar de seus amigos Guardiões. Will temia ficar paranoico.
Mais meia hora de reunião e eles finalmente foram dispensados. As pessoas deixavam o recinto calmamente. Ludmila se levantou e deu um tapinha no ombro de Will que olhava fixo para frente sem expressão – vamos – ela chamou.
– Tenho que resolver algumas coisas, que tal jantarmos juntos mais tarde? Te encontro por volta das oito no restaurante do hotel – ele sugeriu. Lud suspirou e confirmou com a cabeça. Ela já podia imaginar pela expressão do garoto que essas coisas a resolver não seriam nada saldáveis, mas ela decidiu pelo menos desta vez não interferir.
Maristela ficou um pouco mais na frente da sala cumprimentando varias pessoas e ela por fim acabou sendo a única pessoa a ficar na sala com Will. Depois que ela se despediu de Mustang que demorou a sair da sala os dois se encararam.
Will sentado em sua cadeira no fundo da sala com as pernas cruzadas e Maristela um passo a frente do pequeno palco, de pé em frente ao corredor em meio as cadeiras. Por alguns segundos os dois apenas se encarraram, tão sérios quanto alguém pode se manter e por fim, quando o incomodo fez Will perder o ar ele finalmente disse algo – por que ainda manter a encenação? – ele quis saber. Depois de um ano essa havia sido a primeira oportunidade que ele tivera para fazer tal questionamento.
– Desculpe querido – exclamou ela franzindo o cenho – eu não entendi sua pergunta.
Will se levantou da cadeira a arrastando barulhentamente e se encaminhou para o corredor entre as cadeiras, ficando de pé de frente para a mulher – a vamos lá Maristela, eu tenho mais o que fazer – Will exigiu – sem hipocrisia, aqui não tem câmeras e eu não estou com nenhum gravador.
Maristela sorriu e começou a caminhar com passos preguiçosos na direção do garoto parando a menos de um metro dele – pequeno Will, tão corajoso você foi, mas ainda acho que a pressão o esta deixando louco – disse ela calmamente, com uma voz que poderia até mesmo ser definida como doce – não deveriam tê-lo deixado fazer parte disto tudo – terminou ela balançando a cabeça negativamente e mudando sua expressão para uma que transparecia pena, antes de começar a caminhar novamente passando pelo garoto.
Era tanta raiva, tanto rancor. Will agarrou o braço da mulher assim que ela passou por ele com tanta força que a pele de Maristela criou leves rugas onde o garoto segurava – eu vou te matar se for preciso – disse ele baixinho chegando perto do ouvido dela. As pernas dele tremiam, seu peito parecia estar congelado, ele sentia as lagrimas queimando atrás dos olhos.
Maristela soltou uma leve risada e depois olhou dentro dos olhos de Will, a expressão da mulher mudou complemente. De angelical a face de Maristela pareceu se transformar em algo demoníaco. Quando ela começou a falar Will quase pode sentiu a vontade dela de mata-lo em cada palavra dita, cada uma colocada para fora como se veneno fosse cuspido – antes eu transformo a terra em cinzas e levo cada um que você ama para queimar no inferno comigo.
Will sentiu seu coração parar, os pelos de sua nuca se arrepiaram. Com um movimento brusco a mulher se livrou do aperto de Will bem a tempo de Mustang reaparecer com um sorriso no rosto na porta da sala – vamos General? – ele convidou.
Ela não o respondeu, apenas saiu da sala andando com passadas largas.
“Antes eu transformo a terra em cinzas e levo cada um que você ama para queimar no inferno comigo.” – as palavras se repetiam na cabeça de Will.
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