Guardians
1 O começo do começo
Notas iniciais
Washigton, quatro de abril de 6542.
Não imaginei que para liberar minha angústia e dor iria recorrer a escrever um tipo de diário, apesar de achar muito brega e infantil, acabei escrevendo. Vou começar.
Minha vida na última semana deparou-se com o que ia mudar o rumo e o modo que eu pensava sobre tudo e todos. Eu era uma dos Guardiões do Oeste, só para esclarecer somos “seres” com poderes especiais e encarregados de proteger as pessoas que estão sob nossos cuidados, meio tosco mais é isso que devíamos fazer. Tornei-me guardiã com 15 anos no começo era difícil meio complicado, mas não estava nem aí.
Mais voltando ao que interessa, recebemos a ordem de que todos os Guardiões do Oeste tinham que ir para uma cidade na Florida, os moradores estavam infectados, Hans, rápida explicação Hans são seres que foram infectados pelo vírus de mesmo nome, só é contagioso se o sangue do infectado tocar alguém não infectado, se fosse só isso não seria grande problema, só que os infectados tornam-se verdadeiras bestas para melhor dizer canibais, alimentam-se de humanos e vampiros e até agora não tem cura.
Quando chegamos tudo estava mais para cenário de filme de terror do que pra qualquer outra coisa, caminhávamos tentando ficar atentos, só que o cansaço já dava seus sinais.
Vimos uma espécie de bar onde ouvíamos várias vozes, gritos. Resolvemos entrar, mas o que víamos deixava a maioria perplexa. Near e Vanessa calmos e racionais como sempre faziam com que voltássemos a si. Deve está se perguntando afinal de contas o que viram?
Nada de mais, apenas pessoas cobertas de sangue, algumas estavam a carne viva, vimos também vários pedaços de corpos. Elas agonizavam pedindo ajuda, mas não era a mesma ajuda que queríamos dar e sim queriam nos devorar!
Avançaram em meros segundos, restaram apenas suas cinzas.
Pámela recuperava-se de tudo aquilo, também pudera mesmo que eles fossem bestas não tinham culpa. Winly pelo contrário, achava que eles tinham toda a culpa e não mereciam piedade. Quase um Hans a arranha se não tivesse atravessado ele com uma lança que brotou de sua mão, me olhou e disse: Viu só.
Diogo tomando a dianteira, falou pra gente procurar um lugar seguro para tentarmos dormir. Após procurarmos por um longo tempo, encontramos uma torre pertencente a uma igreja, Cassius nos lembrou que apesar de serem bestas não ousam profanar o sagrado.
Entramos, fizemos nossas camas improvisadas. Como já estava tarde, dormimos. Eu mal conseguia dormir, suava, tinha pesadelos. Senti alguém me abraçando e que sussurrava: fique calma, durma.
Era um abraço caloroso como também meio gélido, foi então que adormeci.
Quando acordei, Cassius e Olga ainda dormiam. Desci, encontrei os outros comendo, Pámela segurava um copo de café, me disse sorrindo: sirva-se quando ainda pode.
Coloquei um sorriso na cara, comecei a comer. Ouvimos passos de pessoas, nos escondemos. Aparecem um bando de Hans, Pâmela quase grita se eu não tivesse colocado minha mão na sua boca.
Pela expressão que tinham estavam esfomeados, cheiravam a comida, foi quando um deles disse: comida. Não teve outro jeito acabamos rapidamente com eles. Winly ri, olhei para ela meio atravessada, mas talvez para minha felicidade ela não reparou.
Cassius e Olga chegam e Vanessa disse na verdade, ele ordenou, que eliminássemos quem visse pela frente, Winly pegando sua arma disse: Isso não vai ser problema.
Talvez tenha me esquecido de dizer que a Winly era a pessoa menos simpática do mundo e a que eu menos queria irritar. Começamos a caminhar aos poucos fomos eliminando todos os Hans, quer dizer, eles. Eu sequer conseguia mirar nas pessoas. Tudo era horrível.
Quando caminhava sozinha cruzei com um grupo de quatro Hans, fiquei imóvel talvez sentisse medo, receio, eu não sei. Só sei que se o Vanessa e o Diogo não tivessem aparecido, eu me tornaria comida deles.
Vi aquele mar de sangue e queria pará-los, mas se eu o fizesse seria pior. Mesmo que eu quisesse meu corpo estava petrificado não queria se mover. Olhava tudo chocada, sabia que não tinha jeito, mas me fazia sentir um sentimento de culpa e talvez de inutilidade.
Vanessa me olhou meio triste, passou por mim só que não falou nada.
Washigton, cinco de abril de 6542.
Passaram-se três dias, já tínhamos eliminado mais da metade, mesmo diante do perigo eminente eles não recuavam, famintos como estavam não poderiam deixar a comida escapar.
Cada dia que se passava percebia cada vez mais que eu não tinha coragem para fazer aquilo. Quando conversei com Near, me disse que quando acabasse ele abdicaria, isso tinha me deixado surpresa, mas também me colocou para pensar se deveria fazer o mesmo.
Comecei a pensar seriamente, passou-se mais dois dias, foi quando Pâmela confirmou que não restava mais nenhum infectado. Aquilo me deixou aliviada. Diogo sorridente falou: Vamos voltar.
Começamos a andar, parei e disse: Tenho um comunicado a fazer. Todos param, Vaness sério me olhou e perguntou: Do que se trata?
Tirei meu colar, símbolo de um Guardião, entregando a Vaness disse: Eu abdico. Todos ficam surpresos, calados, só se escutava o vento. Foi quando vários Hans apareceram, estávamos perdidos.
Num piscar de olhos vi apenas cinzas e uma mulher que abaixando o braço nos olhou e perguntou se todos estavam bem. Apesar do susto, estamos bem; disse Olga. Quando ela ia indo embora, Diogo perguntou seu nome, ela o olhou e pro Vaness também. Olhou pro Diogo de novo, foi então que respondeu: Lioness.
Desapareceu do mesmo jeito que havia aparecido. Winly olhou furiosa pra Pâmela e gritou: Sua idiota! Pensei que fosse estourar meus ouvidos. Vaness me olhou e disse: Tem certeza que vai fazer isso?
Eu estava com um mar de certeza que me espantava, me mostrando séria fiz com a cabeça que sim. Near caminhou até mim, entregou seu colar pro Vaness e disse: Eu também abdico.
Pâmela alterada começou a fazer um berreiro: Vocês não podem fazer isso. Por que querem jogar tudo assim depois de tanto trabalho?
Eu olhava-a e via que estava inconformada, mas não poderia suportar mais, começava a me sufocar aquela vida.
Pâmela berrava, berrava e berrava. Near tentava explicar suas razões mais não adiantava. Eu por outro lado esperava apenas pela decisão do Vaness que não demorou muito. Ele apenas disse: Se vocês querem assim que assim seja.
Olga chorava, me abraçou dizendo que nunca ia me esquecer e que iríamos sempre ser melhores amigas. Quase que chorava também, mas me mostrei forte. Diogo e Cassius não falaram apenas fizeram que sim com a cabeça que entendi perfeitamente, acharam melhor assim.
A Winly é a Winly. Foi então que nos separamos. Quando olhei pro Near, ele parecia mais em paz. Olhou-me com um sorriso e disse: Vamos agora?
Coloquei um sorriso no rosto e disse: Vamos indo.
Veio-me agora outra preocupação, o que vai acontecer agora em diante? Como minhas irmãs vão reagir quando souberem?
Washigton, seis de abril de 6542.
Chegamos a uma praça, Near sentou-se demonstrando que estava cansado, me sentei meio tímida perguntei: “O que você pretende fazer agora?” Ele me olhou, depois olhou pra cima e me respondeu: “Vou tentar levar uma vida humana normal”. Ri, ele perguntou: “E você?”
Eu? Não sei. Near me beijou na testa e disse: “Se cuida”.Desapareceu. Fiz o mesmo.
Quando caminhava em direção a porta da minha casa pensava o que a Al e a Estelle iriam dizer ou fazer.
Ah é! Al é minha irmã mais velha, a mais calma e ajuizada de nós três. Cuida de nós desde que nossos pais morreram num acidente aéreo. Agora a Estelle, a do meio, é virada ao avesso, está sempre metida em “encrenca”, ela é um máximo apesar de tudo.
Cheguei à porta, demorei a bater, mas bati. Foi Al quem abriu a porta, para minha surpresa ela não estava surpresa ao me ver como eu esperava e sim alegre com um sorriso disse: “Seja bem-vida de volta”.
Não agüentei a abracei, só não chorei porque não queria. Disse: “Estava com saudades”. Al me fazendo entrar, fechando a porta disse: “Nós também”.
Sorrimos, mas depois fiquei meio séria e disse: “Tenho algo pra contar”. Ela sentou-se e disse: “Se refere ao fato de você não ser mais Guardiã?”
Fiquei surpresa, como ela sabia? Ela levantou-se, pegando um copo de café e disse: “Vaness nos avisou”.
“O que ele ganharia com isso?”
“Sua felicidade”
Depois caminhou pra cozinha eu a acompanhei, me disse: “Definitivamente aquilo era cruel, mas quem foi que te disse que você não iria passar por isso? Quem te disse que não teria que matar alguém? Que não teria que fazer coisas inimagináveis? Quem...”
Estava surpresa, ninguém me disse aquilo tudo, se arrependimento matasse... Não devo me arrepender da escolha que fiz, também não poderia!
Depois desse dia, ela não tocou mais no assunto. Soube que a Estelle tinha viajado para Laicos a trabalho.
Certo dia quando estava treinando no jardim, Al chega e me entrega um papel com uma notificação que eu estava matriculada no colégio Pearls West, voltaria a cursar o 2º ano.
Aquilo me deixou alegre, Al se mostrando modesta apenas disse: “Não me agradeça ainda”.
Ri e a abracei. Continuei meu treino, só que depois me lembrei do pessoal. Não via Near já ia fazer três dias. Pensei que ele tivesse bastante ocupado.
Começaria a estudar na próxima semana. Estou no meu 3º dia de aula, falar do colégio não é tão complicado, muito verde, várias salas e atividades. E os garotos? Um mais lindo e educado que o outro. Pra ser franca tem uns feios mais legais, agora tem uns gatões que são puras arrogância.
Quando entrei na sala, vi um grupo de garotas rodeadas em torno de uma garota que estava sentada que faltava pouco pra chorar. Não agüentei coloquei minhas coisas numa carteira e fui até elas e disse pra garota que estava sentada: “Está tudo bem com você?”
Todas me olharam, uma loira que estava azucrinando a garota disse: “E você com isso?”
A olhei séria e disse: “Eu perguntei pra ela e não pra você”. Quase que ela voa pra cima de mim se as amiguinhas dela não a segurassem e fossem embora.
Voltei a olhar a garota que disse: “Obrigada”. Disse pra ela que deveria ser mais forte com relação a isso.
“Detesto brigas e discussões” me disse. Ela levantou-se e sorrindo disse: “Sou Lucy prazer”.
“Lisa”.
Tudo isso aconteceu só no 1º dia. No 2º para minha surpresa e felicidade estudavam no colégio também Camille, irmão do Near, e a Judy, a namorada dele. Soube também que ele também viria estudar aqui. As apresentei a Lucy. Andávamos juntas, Camille e Judy, nos mostrava o colégio e falava de todos.
Talvez me acostume com isso, pensava.
Agora me sinto melhor, mais viva e alegre. Não vejo mais necessidade de escrever pelo menos por enquanto.
Quando me der vontade de escrever, começo de novo, até lá vou continuar viver minha nova vida intensamente.
Notas finais
Deixem reviews não irá cair a mão por conta disso.
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