Guardian

6 Capítulo 6


Preparamos-nos por algumas horas até que tudo estivesse pronto para atacar os soldados do rei, acampados no outro lado da mata. Ficamos em nossas posições apenas aguardando o melhor momento para atacar. O ataque foi de repente, sem que eles estivessem prontos para reagir. Foi minha flecha que deu o primeiro aviso de que os homens deveriam invadir o acampamento e assim eles entraram em uma luta sangrenta contra os homens do rei.

Porém como não esperávamos, os poucos homens do rei tinham uma carta na manga. Um deles soou uma corneta avisando aos outros que estavam precisando de reforços. Logo percebemos que havia mais soldados do que esperávamos ao redor do acampamento. Arthuro se dirigiu a mim dizendo aos berros quase do lado oposto da mata:

-Aldora, precisamos recuar...

Lancei uma de minhas flechas em um soldado que se aproximava de Leonard para atacá-lo pelas costas. Então respondi:

-Vou avisar os outros...

-Vá pegar a menina, e saia daqui... –ele lançou uma de suas facas no peito de um soldado que se aproximava a cavalo- Faça a volta e abra caminho para os outros...

Concordei apenas sacudindo o rosto positivamente então corri na direção que me levaria de volta a nosso ponto de partida anterior enquanto passava por alguns soldados, e alguns de nossos homens que lutavam com suas espadas um contra o outro. Usei minhas flechas mais algumas vezes para me proteger, ate poder passar o recado aos outros. Depois minha maior preocupação foi procurar por Iana que havia deixado com Tristan pouco distante dali.

Cheguei onde eles estavam escondidos, e os chamei até vê-los aparecer para mim. Iana correu e me abraçou. Então eu disse:

-Precisamos ir... –encarei Tristan-

Afastei-me um pouco de Iana, e fui desatar minha égua de uma das arvores. Os outros homens haviam apanhado seus cavalos para ajudar na batalha. Eu coloquei Iana sobre a égua, e então disse enquanto segurava as rédeas da mesma, olhando para Tristan:

-Não temos outro cavalo... Daqui em diante, é melhor que siga sozinho... –tomei impulso e montei em Alice- Boa sorte Tristan...

Disse adeus a ele enquanto segurava as rédeas de Alice, fazendo-a se virar na outra direção e então a induzi a galopar rapidamente ignorando os olhares de Iana para mim. Tristan ficou para trás apenas nos vendo afastarmo-nos dali.

Galopamos o mais rápido possível para longe dali. No caminho Iana começou a reclamar:

-Não pode deixar ele pra trás... –ela choramingava-

-Já deixei, e não quero ouvir reclamações... –disse rispidamente-

-Volte... –ela começou a puxar as rédeas de Alice-

-Não Iana... –eu gritei- Ele não é problema nosso. E não temos lugar para carregá-lo... Não seja infantil...

-Eu sou uma menina, posso ser infantil. –ela começou a bater as pernas- Volte Aldora... Por favor...

-Não vou voltar Iana, não insista...

-Se alguma coisa ruim acontecer a ele, voce será culpada...

-Por que diabos eu deveria me importar? –tive que diminuir a velocidade do galope, pois Iana estava quase caindo enquanto se debatia-

-Por que ele é o príncipe de Asgard... –ela disse aos berros- Se os homens descobrirem vão matá-lo... –ela disse quase chorando-

-O que? –puxei as rédeas de Alice fazendo-a relinchar-

Nós paramos no meio das arvores enquanto Iana se pôs a me explicar:

-Ele é o príncipe Tristan Rousseau filho do rei de Asgard... Ele se perdeu no meio da floresta por que nunca esteve lá. Ele viveu em outro lugar desde pequeno. Não vai conseguir voltar sozinho pra casa. Precisa voltar Aldora...

Fiquei chocada com a confissão de Iana sobre Tristan, nunca passou pela minha cabeça que aquele sujeitinho intrometido fosse filho do rei. Além do mais, era a primeira vez que estive tão próxima de um príncipe na vida. Como toda menina, quando pequena ouvia historias de belas princesas que se casaram com príncipes gentis, essas coisas tolas e românticas que as mães contam as filhas para iludir a sua infância com belas historias com finais felizes. Não sei por que, mas isso balançou minha decisão e acabei levando em consideração as coisas que ela dizia.

-Como pôde esconder isso de mim?

-Desculpa, mas eu não podia contar...

-Não posso voltar Iana... –olhei em seus olhos tristes- Não há nada que eu possa fazer.

-Pode sim... Eu sei que pode, voce só não quer...

-Exato, ele é filho do rei, grande coisa. Mais um motivo para deixá-lo... –franzi a testa-

-Voce não é tão cruel como tenta parecer... Não quer deixá-lo lá... Sabe disso...

-Voce é uma garotinha muito irritante... Não deveria ter me metido com voce. –disse eu descendo da égua- Deveria ter deixado-a com aqueles homens... Vamos desça... –segurei-a pela cintura ajudei-a a descer-

-O que vamos fazer? –ela perguntou-

Fiquei em silencio alguns segundos andando de um lado para o outro enquanto Alice pastava na grama verde. Iana ficou ao lado da égua esperando minha resposta com aqueles olhinhos esperançosos, que já estavam me tirando do sério. Andei até ela e disse:

-Voce vai ficar aqui... Escondida. Eu vou buscar o seu príncipe... –nem eu mesma estava acreditando que estava fazendo o que ela queria outra vez-

Levei Iana pela mão ate uns arbustos bem altos, onde ordenei que ela se escondesse entre os galhos e ficasse ali até que eu voltasse. Depois montei em Alice outra vez, e disse resmungando comigo mesma:

-Não acredito que vai fazer isso Aldora... Tenha dó...

Puxei as rédeas de Alice com firmeza e me coloquei a cavalgar sobre ela novamente o mais depressa que pude voltando todo o caminho que tinha feito até ali. Logo me aproximei do ponto em que deixei Tristan, mas não o vi. Andei um pouco mais a frente procurando pelo príncipe até que o vi caído perto de uma arvore. Desci do lombo de Alice e fui até ele olhando ao redor, procurando ver se encontrava mais alguém. Abaixei-me e tentei acordá-lo. Ele estava com o rosto ferido, com um corte que atravessava desde a sobrancelha direita ate a bochecha. Não deve ter ficado cego por pouco, pois o corte passou rente aos olhos. E seus lábios tambem estavam cortados.

-Hey... –dei algumas batidas no seu rosto- Tristan...

Ele não acordou, apenas soltou alguns grunhidos então deixei minha mão pesar um pouco mais sobre sua face o estapeando com vontade até que ele acordasse no susto e logo me olhasse com os olhos esbugalhados.

-Voce? –ele me encarou parecendo meio zonzo- Está mesmo aqui?

-Não, eu sou uma alucinação... –torci a boca- Vamos levante...

Coloquei-me de pé diante dele esperando que ele ficasse em pé. Ele se sentou depois se levantou escorando-se ao tronco da arvore e me interrogando.

-Por que voltou?

-Boa pergunta... –me virei e andei até Alice-

Tristan franziu a testa logo sentindo dor perto dos olhos, então levou as mãos ao local machucado e viu que havia um corte aberto bem ali. Ele andou alguns passos atrás de mim, enquanto eu segurava Alice pelas rédeas e olhava ao redor.

-Onde estão os outros? –perguntei-

-Eu não sei... Afastei-me um pouco, e alguém me acertou forte na cabeça... –ele disse mais próximo de mim- Talvez um dos soldados do rei.

-Há! –eu ri ironicamente- Soldado do rei! Por que não disse a ele quem voce era? Príncipe? –o encarei séria-

-Ele não pareceu muito disposto a conversar! –ele sorriu sabe lá por que-

-Eu tambem não estou... –montei no lombo de Alice então o encarei- Se quiser sair daqui venha logo antes que eu me arrependa...

Tristan olhou sério pra mim, então andou até a égua, e me encarou nos olhos. Virei o rosto para frente, e estendi a mão para que ele segurasse e pegasse impulso para montar. Ele olhou para a palma de minha mão estendida na sua direção então a tocou.

-Obrigado por voltar!

Ergui minha sobrancelha esquerda olhando para baixo, e de canto para ele sem demonstrar preocupação alguma com suas palavras. E sem olhar diretamente pra ele. Tristan então segurou com a mão direita no estribo preso ao lombo de Alice, e subiu sobre a égua com minha ajuda. Ele ficou exatamente sobre o lombo de Alice já que o estribo era pequeno para nós dois. Ele deslizou sua mão pelo meu braço que o segurava ate minha cintura, e foi quando eu disse:

-Pode se segurar no couro, não precisa por as mãos em mim... –ergui novamente a sobrancelha-

-Desculpa... –percebi quando ele sorriu nas minhas costas-

Assim que ele estava segurando firme o couro do estribo eu puxei as rédeas de Alice e novamente voltamos a galopar ate estarmos de volta onde deixei Iana.