Guardian

1 Capítulo 1


Meu nome é Aldora Legrand, e estes homens sentados ao redor da fogueira, são ex-soldados condenados pelo rei de Asgard, François Rousseau. Eu vivo rodeada por assassinos, ladrões e fugitivos desde que era apenas uma menina. Estes homens me ensinaram como lutar, e me proteger. Não conheci meus pais... Fui criada por um tio até completar onze anos, quando fugi devido aos seus maus tratos.

Fui encontrada por um ladrão de jóias na rua, suja e faminta procurando algo para comer. Ele me alimentou, e me levou para um lugar seguro. Desde então cresci entre esses homens, conhecidos como a escória de Asgard. Homens traídos, injustiçados, e amaldiçoados pelo destino.

Distraí-me revirando as cinzas da fogueira com um galho seco de arvore. Enquanto aqueles bastardos enchiam a cara de rum, e tropeçavam em seus próprios pés. Leonard se aproximou de mim cantarolando uma canção que ele dizia ter aprendido com um pirata.

-Vamos lá! –dizia ele- Cante comigo!

Eu sorri, e sacudi a cabeça.

-Não seja ridículo homem! –disse Arthuro- Isto sequer é uma canção de verdade!

-Vocês estão bêbados! –disse Joseph entornando uma caneca-

-Todos vocês estão! –me levantei e os olhei- Se continuarem assim acordarão sem seus pertences e sem seu orgulho! –sorri-

-Já não possuímos muitas riquezas, e orgulho não paga nosso rum! –disse Arthuro-

-Então fiquem com seu rum! –me levantei e passei por cima de um dos bêbados já caídos no chão- Eu irei me deitar...

-Tenha uma boa noite pequena Aldora! –disse Leonard mais bêbado que um gambá-

-Boa noite a vocês tambem cavalheiros!

Virei-me sorrindo, olhei a todos e então me dirigi até uma tenda feita com velas de um navio ancorado na beira da praia. Cobri a entrada e me deitei sobre uma cama improvisada de galhos e folhas coberta por pele de ovelha. Apesar dos modos rústicos de meus companheiros, eles eram a única família que eu conhecia. E eu era feliz com eles.

...

Na manhã seguinte acordei logo cedo, assim que ouvi o canto dos pássaros e o vento balançando os galhos das arvores. A maioria dos homens ainda dormia, por conta da ressaca da noite anterior. Aproximei-me de uma das arvores onde havia atado meu cavalo, a quem eu chamava carinhosamente de Alice, uma bela égua de crina longa e negra como a noite. Era quase indomável, para qualquer um que ousasse montá-la, mas a mim, era a criatura mais doce e gentil.

-Como está esta manhã hein menina? –acariciei seu pelo sedoso e lustroso-

Ela sacudiu a cabeça como se quisesse me dar alguma resposta positiva. Sorri e procurei algo para alimentá-la, depois montei em suas costas e galopei por entre as arvores a procura de alguma arvore frutífera com frutos frescos para colher.

...

A alguns km/s dali, na cidade de Asgard, o conde Desmond e sua esposa voltavam para sua casa levando a pequena menina Iana em seu colo, na cabine da carruagem. Um pequeno grupo de ladrões se aproximou a cavalo. Enquanto um dos homens saltava de seu cavalo e tomava o lugar do cocheiro, um seguinte apontou uma arma dentro da janela da cabine, e disse com o rosto coberto por um lenço preto:

-Quero que salte da cabine conde! E deixe a bolsa com o dinheiro e a menina...

-Não. –disse o conde- Leve todo o dinheiro que quiser, mas deixe minha filha.

Sua esposa agarrou-se a Iana, que começava a chorar apavorada.

-Darei duas opções. Um: o conde faz o que eu ordenei, e deixo o senhor e sua esposa sobreviverem. Dois: atiro em seu peito, e de sua senhora na frente da menina, e a levamos com o dinheiro e a carruagem. O que vai ser?

A mãe da menina se agarrou a ela e olhou com olhos de piedade para o bandido do lado de fora da carruagem.

-Por favor, deixe-nos em paz. –disse ela-

-Não deixarei que levem nossa menina. –disse o conde apanhando de baixo de seu acento uma arma de porte pequeno-

Quando se deu conta de que o conde estava armado, o homem mascarado lhe acertou dois tiros no peito, matando o conde antes de ele puxar o gatilho. A esposa gritou, enquanto a carruagem seguia rapidamente pela rua.

-Agora entregue a menina, ou será a próxima madame...

-Não mãe... –a menina chorava agarrada a mulher-

A mãe não teve coragem de entregar a menina para salvar sua vida, então o mascarado abriu a porta da carruagem, e roubou a menina das mãos da mulher, colocando-a sobre o cavalo e se afastando da carruagem. Mais a frente enquanto a Iana gritava desesperada, o homem ordenou a um de seus capangas:

-Volte e pegue as jóias... Depois mate a mulher...

-Não! –gritou Iana-

O homem fechou a boca da menina usando as mãos, e apressou seu galope, em direção a rua baixa, então sumiu.