Notas iniciais
Boa leitura

Já fazia uma semana que nada acontecia em thurman, nossa nova rotina era a simples ronda pela cidade.
Brenno não estava muito satisfeito com isso, ele assim como eu, gostava da aventura, de caçar anjos negros, de combater o mal.

Era entediante ficar andando pela cidade, mas era nosso trabalho.

No fim da tarde resolvemos ir a um bar beber.
Conhecemos algumas pessoas e por fim tive que carregar Brenno para casa por que ele estava caindo de tão bêbado, até voltou para casa cantando.

No dia seguinte levantei bem cedo como de costume, tomei um banho longo pois ainda faltava muito tempo para ir ate a angels. Me arrumei, coloquei meu sobretudo preto para esconder as asas, um jeans simples preto também, e nos pés resolvi usar os tênis all star que ganhei de Brenno de presente, ele diz que são os tênis da moda.

Esperei ele acordar enquanto lia um livro qualquer. Quando Brenno acordou com seu ótimo humor matinal, já estávamos atrasados. Ele se arrumou rápido, saímos e tive que parar com ele no Starbucks pois ele não conseguiu tomar seu "sagrado" café, logo depois seguimos para a angels.
Chegando lá Uriel já estava uma fera conosco pelo atraso.

Tentei explicar que nao era tanto, mas Uriel nao quis nem ouvir.

— Já disse para vocês dois serem pontuais — disse Uriel fechando a porta do escritório. — preciso de vocês em uma investigação muito importante, estou achando que Caleb está armando para nós.
Eu já estava muito animado com a novidade, uma investigação, prestei muita atenção no que Uriel dizia.

Brenno estava louco para sair das ruas também, e logo se animou.

Mas nossa empolgação acabou assim que descobrimos a missão.

— Recebemos informações de que Caleb está aqui na cidade preparando um exército para nos atacar, preciso que vocês vigiem thurman em busca do seu esconderijo.

— Mas senhor, temos outros soldados que poderiam servir de vigias!-respondi

— Não importa os outros, preciso que seja vocês.- disse Uriel já sem paciência.

— Sim senhor — Brenno concordou.

Olhei para ele surpreso, por que ele não questionou Uriel? Brenno não aceitava as coisas assim tão fácil e ele também odiava rondas.
Por fim resolvi que era melhor aceitar, pois não teríamos outra saída.

Eu e Brenno iríamos revezar a vigia de dia e de noite. Decidi que era melhor vigiar durante a noite pois posso voar pela cidade sem perigo de ser visto.
Brenno iniciou a missão, enquanto fui para casa descansar um pouco, trocaríamos mais tarde, achei melhor comer alguma coisa, nao poderia ficar na rua com fome.

Quando o relógio marcou 19:00 horas Brenno já estava na porta para trocarmos. A noite nada acontece na cidade, eu só precisava ficar em cima de algum prédio bem alto para poder ter uma melhor visão da cidade. A 00:00 a cidade toda já estava dormindo, e eu poderia voar livremente sem me preocupar.

E foi assim por varias noites, e nada de Caleb dar sinal.

Em uma de minhas viligias eu estava sobrevoando thurman em busca de alguma pista do esconderijo de Caleb, quando ouvi uns gritos vindos de algum ponto da cidade, chegando próximo ao local pude ver que havia dois assaltantes tentando roubar a bolsa de uma jovem, peguei meu arco e tentei chegar mais perto, lancei uma flecha no braço de um dos assaltantes que caiu no chão se contorcendo de dor e voei com toda velocidade no outro que também caiu no chão, quando ele levantou correu para cima de mim, mas o surpreendi com um soco que o fez cair novamente, já desacordado. Olhei para garota ela estava em choque me olhando apavorada.

— Olha não tenha medo estou aqui somente para ajudar — disse tentando inutilmente acalma-la.
— v-v-você é o-o-o que?! — perguntou a moça com medo.

Como eu ia explicar que eu era um anjo? Não tinha a mínima ideia do que falar, mas não podia mentir.

— É difícil explicar, mas vou tentar. Sou um protetor, um anjo para ser mais exato, espero que não tenha medo, só estou tentando ajudar.

A moça pareceu ficar surpresa e não correu. Ficou me olhando, com algo diferente no olhar, não consegui descobrir o que era.

Quando tentei chegar mais perto ela recuou, é claro que recuaria eu não sou deste mundo, ela nunca entenderia o motivo de um anjo estar aqui.
Me esforcei para passar confiança pois precisava acalma-la.

— Eu só quero ajudar, eles te machucaram?
Ela balançou a cabeça negando, e continuou me encarando, agora não parecia estar com medo e sim curiosa. Eu precisava sumir dali, deixa-la ir embora, e claro apagar sua memória. Ela não podia saber de nossa existência, mas não consegui, não podia fazer, eu estava sendo fraco.

— Qual o seu nome? -Perguntei
Ela me olhou surpresa com a pergunta, mas mesmo assim respondeu.

— Mariana, e o seu?

— Miguel, posso te levar pra casa?
Eu precisava apagar sua memória sim, mas antes precisava deixa-la segura.

— Eu posso me cuidar sozinha.

— Não foi o que pareceu agora pouco, eu so irei te acompanhar.

Mariana tinha um olhar desconfiado, e uma moça muito bonita para ser sincero. Era alta com os cabelos negros, lisos, e bem longos e os olhos castanhos.
Ela aceitou minha companhia, seguimos para sua casa, no caminho ela ficou quieta sempre com um pé atrás.

Ela estava com medo de mim, eu parecia um monstro, mesmo com a aparência parecida com a dos humanos, eu ainda era considerado o inimigo. Quando chegamos na frente de sua casa eu resolvi ir embora, desapareci sem ter coragem de apagar sua memória, mas o que é que eu estava fazendo? Eu não era tão fraco, pelo menos eu achava que não.
Ela ficou lá olhando ao seu redor tentando entender o que aconteceu, em duvida se o que tinha acontecido foi real, ou não.

Fiquei de longe observando até que ela entrasse em sua casa, eu iria apagar sua memória.

Fiquei alguns dias tentando criar coragem, e também observando Mariana, eu preciso fazer alguma coisa.
Fomos chamados novamente pelo Uriel urgente, eu e Brenno chegamos a angels logo cedo, e ele já estava furioso com todos, já tinha gritado com alguns soldados, e socado varias paredes. Quando aparecemos em sua sala, ele nos mandou sentar e foi direto.

— Preciso que vocês saiam da cidade, a informação que recebemos foi falsa.

Ah! Que ótimo eu nem notei, perdi minhas preciosas noites vigiando a cidade como se o Caleb fosse nos atacar a qualquer momento.

— Para onde senhor? — perguntou Brenno meio sem interesse no assunto.

— Então, vocês irão viajar para uma cidade próxima, lá vocês vão encontrar um amigo meu, ele lhes entregará uma encomenda muito importante, preciso que tragam urgente ate mim.

— Sim senhor — respondi.

— Vocês saem amanhã de manhã, será uma viagem de 3 dias.

Isso que ele disse que seria uma cidade próxima, eu tinha uma noite para fazer o que tinha que fazer antes de viajar, mas será que eu teria coragem?

Naquela noite eu já estava no mesmo lugar de sempre, no topo de uma árvore de frente para a janela do quarto de Mariana. Mas essa noite quando olhei pela sua janela ela parecia estar triste, estava sentada na cama, abraçando o travesseiro.

Que droga eu preciso apagar sua memória, mas vendo ela dessa forma, tão frágil, algo dentro de mim mudou, era estranho vê-la triste, eu sentia como se tivesse que protegê-la. Precisava saber o que tinha acontecido, descobrir quem te fez mal.

Aonde eu estava com a cabeça? Por que eu estou me preocupando tanto com uma "humana"?
Decidi que era melhor sair dali o mais rápido possível, mas desastrado como sou, acabei prendendo uma asa em um galho, me desequilibrei e cai no chão, Mariana ouviu o grito e saiu na sacada para ver o que tinha acontecido.

— Miguel! O que faz aqui?-Ela ainda lembra meu nome.

Ela correu escada abaixo para me ajudar.

— Desculpa é que eu queria saber se você esta bem?

Seu rosto fico um pouco corado.

—Ha quanto tempo esta me espiando? — ela perguntou um pouco envergonhada.

— Já faz alguns dias- respondi mais envergonhado ainda- olha, desculpa eu não quis te assustar e nem ficar espiando mas é que eu te vi chorando, alguém te fez algum mal?

— Não- ela respondeu parecendo triste — É só saudade. Você se machucou? — ela perguntou me levantando do chão.

— Não — disse limpando minha roupa- Então, saudade de quem? — perguntei curioso.

— Da minha mãe, ela morreu quando eu era criança e sinto muita falta dela, e não me dou muito bem com meu pai.

— E por que não se da bem com seu pai?

— É complicado explicar. Preciso entrar, está tarde e não tenho autorização para sair.

— Ta. Eu já estava indo embora.

—Ate mais — ela disse e entrou em sua casa.

Voltei para casa e me deitei para descansar um pouco, eu não tive muito tempo para descansar, pois iríamos acordar cedo para iniciar nossa missão.

No dia seguinte acordamos antes do sol nascer, e antes das 6:00 da manhã já estávamos prontos para a viagem.

Após 3 dias, chegamos a cidade de manforth, porém fomos recebidos por seres estranhos, que nos atacaram, enquanto estávamos lutando apareceram os soldados do exército negro, fomos pegos desprevenidos, eles me apagaram, quando acordei estava em uma cela com outros soldados da angels.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Ate a próxima