Notas iniciais
Oie! Gente, desculpa mesmo por ter atrasado o capítulo e eu nem tenho desculpa. Não tava com bloqueio criativo, não foi a escola que me atrasou nem nada. O capítulo tava pronto, eu que esqueci de postar, só lembrei ontem, mas quarta feira é o dia mais cheio que eu tenho e não deu. Desculpa de novo e espero que gostem!

POV Hannah

Corri pelo campo o mais rápido que conseguia, tentando chegar até o prédio alfa e contar nossas descobertas pra Ayla; Daniel e Maia não estavam muito atrás de mim. Entramos no prédio rapidamente, quase derrubando as pessoas que passavam perto. Encontramos Ayla com Bryan, e os dois desciam as escadas na nossa direção, parecendo estar com tanta pressa quanto nós.

— Ayla! Que bom que achei você, precisamos conversar.

— Hannah, o que quer que seja pode esperar, nós temos que ir agora.- ela disse com urgência.

— Por quê?

— Eu explico no caminho, vamos.

A segui junto com o Bryan enquanto andávamos na direção dos portões. Não tinha ideia do pra onde estávamos indo, mas ela parecia com pressa e nervosa, então devia ser importante. Entramos em um dos carros da sede, Ayla no volante, Bryan no passageiro e eu no banco de trás. Ayla dirigia que nem louca, mas mesmo assim, me debrucei no buraco que ficava no meio dos bancos para ouvir as explicações que ela tinha me prometido.

— Bom, como você talvez saiba, estávamos mandando drones para a Pensilvânia pra procurar pela base dos oniah.- começou Bryan. Assenti, já sabendo de tudo isso.- Acontece que, todos os drones perdiam o sinal quando chegavam em uma área que acreditamos ser a da base. Conseguimos uma localização, mas como é impossível mandar qualquer tipo de máquina investigar, o único jeito de termos uma noção de como ela é por dentro é mandando uma equipe.

— E eu estou supondo que essa equipe seja a gente, certo?- perguntei. Era um plano maluco, entrarmos em uma base inimiga, sem informação nenhuma e sem um plano concreto. Nada do tipo deles.- Mas por que a gente tem que ir agora?

Ayla respondeu essa pergunta.

— Bem, você sabe que entrar pela porta da frente seria suícidio.

— Sim, mas não é como se eles fossem ter uma entrada dos fundos completamente à disposição pra gente entrar. Se é bem equipado o suficiente pra tirar nossos drones do ar assim que chegam perto, eu duvido até que tenha uma porta dos fundos.

— Todo lugar tem uma segunda entrada. Até mesmo o Mundo Inferior.- Disse Bryan, olhando pra mim como se esperasse que eu entendesse sobre o que ele estava falando. As peças lentamente se encaixaram e tudo começou a fazer sentido.

— A Porta de Orfeu.- deduzi.

— Isso.- concordou Ayla.- Se até mesmo o Mundo Inferior, o lugar mais impossível de escapar do mundo tem uma porta dos fundos, mesmo que indesejada, então é de se esperar que todos os outros lugares tenham também. E tem mesmo. Não à vista, é claro. E certamente não desprotegida. Mas as Portas de Orfeu geralmente são pequenas e têm o acesso mais difícil. E como eu disse, todo o lugar tem uma. O Acampamento Meio-Sangue tem a entrada pela floresta. O Acampamento Júpiter tem um ou dois túneis. Até a central tem uma, mesmo que pouquíssima gente saiba onde fica.

— Certo, então eu já sei pra onde estamos indo e porque só a gente, mas pra que a pressa?

— Os oniah não são burros. Eles sabem que tem um ponto fraco e o protegeram muito bem. Eles encantaram sua Porta de Orfeu para que ela sempre saísse em um lugar diferente. A entrada muda de lugar. Acho que dentro da base ela fica fixa, mas não tem como prever onde vai estar quando abrir a porta.- Bryan falou.- A boa notícia é que conseguimos descobrir onde a porta está agora. A má notícia é que ela vai sumir em menos de dez minutos.

Bem quando ele disse isso, Ayla virou o carro em uma curva fechada. Agora estávamos fora da rodovia e entrando numa estrada de terra. Um tempo depois ela ignorou completamente o caminho e levou o carro pro meio de um campo. Uns minutos depois vi onde ela queria chegar. Uma porta talhada em madeira branca estava no meio da mata alta, aparentemente levando a lugar nenhum. Saímos do carro e corremos em direção da porta. Ela começou a tremular e tive medo que desaparecesse. Quando achei que nosso tempo tinha acabado, já tínhamos passado pela porta.

Nos escondemos atrás de uma coluna o mais rápido possível. Pelo que podia ver, o lugar era uma fortaleza. Seus muros eram tão altos quanto os da central, quem sabe até mais. Tudo dentro dos muros era um labirinto de portas e corredores. E o lugar estava lotado. Tinham mais oniah lá dentro do que eu já tinha visto em toda minha vida. Dezenas. Todo tipo de monstro andava pelos corredores também.

— Certo, aqui.- começou Bryan, que como sempre tinha um plano.- Acabei de escanear o lugar do melhor jeito possível e separei três lugares onde vale a pena a gente dar uma olhada. Ayla, você vai para onde eu acho que é a sala de máquinas, por ali descendo as escadas, terceira porta a direita. Eu vou atrás da sala de controle por ali e Hannah, você vai ir naquela direção. Não sei o que tem ali, mas parece ser importante. Siga reto até o fim nesse corredor, a porta deve estar na sua frente. Nos encontramos aqui em vinte minutos. Sem atraso.

Assentimos e cada um foi em uma direção diferente. Coloquei um alarme no meu comunicador pra me lembrar de voltar a tempo e segui na direção do corredor que Bryan tinha pedido. Ele era muito comprido. Subi um lance de escadas e vi a porta na qual deveria entrar. Era de madeira com bronze celestial. Bryan estava certo. Parecia mesmo ser importante. Testei a maçaneta. Destrancada. Respirei fundo e entrei.

POV Bryan

Fui até o corredor depois de completar minha missão. Jacob ia gostar das informações que tinha conseguido. Esperei. Não muito tempo depois, Ayla apareceu atrás da coluna, e assentiu pra mostrar que tinha conseguido. Juntos, ficamos quietos atrás da pilastra esperando a Hannah aparecer. Esperamos. E esperamos. Onde ela tava? Esperamos mais um pouco. Vinte cinco minutos já tinham se passado desde que nos separamos. Trinta. Chega. Hannah podia não ser super pontual, mas nunca se atrasava quando a coisa era séria. Olhei pra Ayla e vi que pensamos na mesma coisa. Sem trocar uma palavra corremos pelo corredor que Hannah tinha seguido mais cedo.

No fim dele tinha uma porta, bem como eu imaginava, e ela estava aberta. Entramos. A sala era um tipo de escritório pessoal, com um computador, uma mesa, cadeiras, papéis e livros por toda parte. Não tive muito tempo pra olhar em volta, pois quando meu olhar encontrou o da pessoa no centro da sala, tudo o que restou na minha mente foi raiva.

Hannah estava sendo presa por uma garota. Ela era loira, com cabelos anormalmente dourados e lábios vermelhos como sangue. O braço dela estava enrolado no pescoço da guardiã e Hannah mal lutava mais. A bagunça ao redor delas, além dos diversos machucados no corpo de minha amiga mostravam que Hannah tentou lutar. Resistir. Mas no fim foi tudo em vão. Hannah não conhecia ela como eu.

— Inea.- disse. Quase me surpreendi com meu próprio tom de voz. Nunca tinha sido tão duro e seco com ninguém antes. Mas acho que era esperado. Se oniah tivessem sido feitos para se opor a guardiões específicos assim como os gigantes foram para os deuses, Inea seria minha inimiga. Já tínhamos nos encontrado antes, e ela fazia tudo possível para me provocar. Ela era a oniah das brechas, em regras, acordos, etc. e amava quebrar as regras sem quebrá-las de verdade. Seu passatempo preferido era me encher a paciência criando caos por aí. Ela conseguia achar falhas em qualquer coisa muito fácil, então fazia sentido tê-la por perto para ajudar com a estratégia.

— Bryan! Quanto tempo.- seu tom não chegava a ser sarcástico, mas estava bem perto disso. Ela parecia muito com empousai.

— Podia ter sido mais. O que você quer?- não estava com humor pra suas brincadeiras.

— Bem, da última vez que conferi essa ainda era a minha base não é?- retrucou em um tom que podia se passar por inocente.

— Você sabe o que quis dizer. Se achou a Hannah, provavelmente sabia que eu estava aqui também. Por que não me procurou?

— Ah, você sabe que eu gosto de brincar. Usar a garota como isca se provou muito eficiente. Além disso, Sybilla vai gostar do presente quando voltar.

— Solta ela.- grunhi. Meus instintos me diziam inteiramente para salvar Hannah primeiro e acabar com Inea depois.

— E porque faria isso? Achado não é roubado. Além do mais, você fica muito mais comportado com ela de refém.

— Inea, sei que não se importa com a Hannah. Usou ela pra me atrair. Tudo bem. Estou aqui. Agora que ela não tem mais utilidade pra você deixe ela e Ayla irem embora. A menos que queira obedecer a Sybilla como um cachorrinho adestrado.- vi que peguei em seu ponto fraco. Se tinha uma coisa que a oniah odiava era ficar em segundo lugar e seguir ordens de outra pessoa. Ela até podia me conhecer, mas eu a conhecia igualmente bem.

— Tudo bem, fica com ela. Essa aí não vai a lugar nenhum tão cedo.- ela jogou Hannah na minha direção, e ela mal conseguia ficar de pé. A ajudei a se levantar e deixei que se segurasse em mim.- Agora sobre aquela luta…

Ayla olhou pra mim, e soube o que queria que fizesse. Mas não podia, não ia deixá-la pra trás. Ela estendeu a mão pra mim e passou algo pra mão que não sustentava Hannah. Um rolo de papel. Suas informações. Vai. Ela moveu os lábios. Queria que eu fugisse, tirasse Hannah dali. E realmente, a filha de Poseidon não estava em condições de ficar no meio de uma luta. Não podia nem ficar de pé. Mas a luta não era de Ayla. Era minha. Não podia acreditar que ela iria lutar contra um inimigo que não conhecia, provavelmente sabendo que teria o mesmo destino que Hannah.

Olhei pra Inea. Foi então que percebi exatamente o que minha inimiga esperava que eu fizesse. Queria que eu protestasse, desse Hannah a Ayla e entrasse na luta como eu queria fazer. Como eu tinha que fazer. Sabia que teria que enfrentá-la um dia. Também sabia que apenas um de nós sairia vivo dessa luta. Todos os guardiões com opostos teriam que fazer isso. Não tínhamos escolha. As Parcas já tinham decidido. E quando esse dia chegar eu vou lutar. Mas esse dia não era hoje.

— Como quiser chefe.- disse antes de passar um braço pela cintura de Hannah e a ajudar a sair o mais rápido possível do escritório. Pude ver a surpresa no rosto de minha inimiga e isso me fez sorrir. Pouco depois, pude ouvir a luta que se desenrolava lá dentro. Tentei levar Hannah até a Entrada de Orfeu o mais discretamente possível, o que não era fácil, sendo que ela estava quase desmaiando. Mesmo assim, ela tentava me ajudar o melhor que podia. Já estávamos na metade do caminho quando o primeiro monstro nos viu.

Depois disso foi só caos. Apertei o passo, e a adrenalina me ajudou a me mover mais rápido. Logo todos os monstros disponíveis estavam atrás da gente. Corri desesperadamente na direção da porta. Estávamos perto, mas tão longe. Quinze metros. Dez metros. Cinco. Dois. Quando vi, já tinha atravessado a porta que desapareceu atrás de mim.

Notas finais
Desculpa mesmo pessoas kkkkkk. Agora vai ficar interessante. Até.