Guardiões do Olimpo

10 Cap 10- Bem vindos de volta


Notas iniciais
Oie Gente eu não sei porque, mas eu sempre esqueço de postar os capítulos segunda, então fica terça mesmo. Não estranhem tá? Aproveitem.

POV Hannah

Saquei minhas espadas e acho que Bryan fez o mesmo. Ficamos de costas um para o outro.

— Algum plano?- perguntei enquanto girávamos lentamente.

— Que tal você ficar com os cem da direita e eu fico com os cem da esquerda? — ele respondeu sarcástico. O que bem, seria nosso plano. Não tínhamos vantagem nenhuma ali. Estávamos feridos, cansados e sem comer uma refeição decente a dias. E acho que nós dois sabíamos que não íamos sobreviver. Mas a gente ia resistir até cair. Fazer o que tinha que ser feito.

Os mais próximos de nós atacaram. Comecei a me defender. Entrei no meu modo de batalha pessoal. Cortei a cabeça de um enquanto perfurava o outro, cortando o último ao meio depois disso.

— Bem, agora só faltam 194.- disse. Se eles continuassem, atacando individualmente ou em pequenos grupos, a gente poderia até ter uma chance. Mas obviamente as Parcas me ouviram, então claro que todos atacaram ao mesmo tempo.

Eu nem sabia mais o que estava fazendo. Só balançava as espadas rezando pra não acertar o Bryan e tentava manter os parasitas longe de mim. Fui ganhando cada vez mais cortes e machucados. Atacava em cada brecha que tinha. Os ataques começaram a ficar mais espaçados entre si, o que me deu um segundo para olhar em volta.

Preferi que não tivesse olhado.

Bryan estava preso na garra de uma ave mutante, que o levava cada vez mais pra cima. Ele conseguiu acertar o bicho, mas já estava a mais de cinco metros de altura. Ele caiu no chão e não se mexeu mais. Tentei ir na direção dele, mas os monstros ficaram no meu caminho. Então eu explodi.

Eu literalmente explodi. Toda a emoção acumulada naquela semana, junto com a raiva e o desespero foi suficiente para invocar meus poderes, não sei da onde. Uma esfera de energia, água e plantas surgiu à minha volta, e quando abri os braços, ela aumentou de tamanho e pulverizou todos os monstros da base abandonada. Estava exausta, mas ainda assim, corri na direção de Bryan.

— Bryan! Pelos deuses Bryan acorda por favor! Bryan!- eu gritava desesperadamente enquanto chacoalhava seu corpo. Nunca tinha ficado tão preocupada assim com alguém antes. Na verdade tinha, mas tinha sido há muito tempo. Da última vez que me senti assim, sem conseguir pensar direito, como se fosse capaz de fazer qualquer coisa pra ajudar mesmo que morresse depois foi com… ele. A não. Eu já conheço essa história. Não vou deixar que aconteça de novo dessa vez. Não posso me importar demais. Nunca deu certo. E de jeito nenhum eu vou perder alguém de novo. Decidi deixar minha crise de lado e foquei em tentar ajudar o garoto à minha frente.

Derramei um pouco de néctar no seu ferimento na cabeça e tentei dar mais um pouco de ambrosia pra ele comer. Depois enfaixei sua cabeça e rezei para todos os deuses que conhecia. Após fazer tudo que podia, o cansaço me dominou, e só tive tempo de deitar de lado antes do sono me envolver e me levar pra longe.

Acordei com o sol batendo no meu rosto. Pera aí… o sol? Abri os olhos e olhei ao redor. Ainda estava na base e o teto de vidro deixava a luz do sol entrar. Era uma sensação muito boa. Ouvi alguém se mexendo do meu lado.

— Bryan!- exclamei o abraçando, e quase chorei de alívio.- Você tá bem!

Logo que percebi o que estava fazendo me afastei. “Preciso manter distância", relembrei. Ele parecia confuso, e tinha se sentado.

— Eu estou vivo, se é isso que quer dizer. Mas com uma dor de cabeça insuportável.- respondeu com uma voz meio de sono. Seu cabelo castanho estava amassado em um lado da cabeça. Ele olhou pra mim e seus olhos se arregalaram.- Hannah você tá toda machucada! E cheia de sangue!

Olhei para a minha aparência. Roupas rasgadas, hematomas e cortes em todo pedaço de pele exposta e sangue seco em alguns pontos. Estava ruim, mas não é como se Bryan estivesse muito melhor.

— Já se olhou no espelho ultimamente?- perguntei. Ele me ignorou e veio perto de mim com o kit de primeiros socorros na mão. Revirei os olhos e deixei que cuidasse dos meus piores machucados, tentando ignorar meu coração acelerado com a nossa proximidade.- Eu tô bem, sério.

Quando ele ficou satisfeito, se afastou de novo, e meu primeiro pensamento foi em como eu sentia falta de ter ele perto de mim. Meu segundo pensamento mandou o primeiro calar a boca, e achei melhor sair da minha cabeça antes que uma guerra começasse. Ele levantou e juntou as coisas.

— Vamos. Eu vi um mapa dos túneis ontem mais cedo. Sei qual vai nos levar pra Ohio. Voltamos pra casa hoje.- ele sorriu, estendendo a mão para me ajudar a ficar de pé. A peguei e levantei, mas não soltei sua mão. Isso de alguma forma me fez ficar triste, o que eu não entendia. Íamos pra casa! Finalmente dava pra sair desses túneis infernais! Então me toquei de que estava triste de ter que me separar do Bryan. Já tinha decidido que quando voltássemos a central ia voltar a ficar distante. Para me proteger. E evitar que meus muros fossem derrubados. Forcei um sorriso. Mas já fazia isso tanto que pareceu natural.

— Vai ser ótimo.

Agora estávamos na entrada do túnel que nos levaria de volta. Bryan passou o braço pela minha cintura e eu segurei seus ombros, nós dois prontos para nos ajudarmos a fazer a reta final. Estávamos exaustos, feridos e famintos. Mas a gente ia conseguir. Estávamos juntos.

— Vamos pra casa.

O caminho de volta foi muito mais tranquilo do que eu esperava. Não sei quantos parasitas estavam na central quando eu explodi, mas foi um número grande o bastante para não encontrarmos nenhum nos túneis. Ter um mapa facilitou muito também. Logo já tínhamos chegado a Ohio. Cinquenta metros depois, achamos a entrada para a central.

Suspirei e entramos. Saímos na área epsilon, outro complexo de corredores e cavernas que eu conhecia bem. Me afastei de Bryan e corri, procurando Maia. Ele me seguiu, já que eu duvidava que ele soubesse como se orientar. Já eu conhecia a construção escura como a palma da minha mão.

— Hannah?!- exclamou Maia quando eu quase a derrubei fazendo a curva.- Bryan?!O que vocês estão fazendo aqui? Onde estavam? Tá todo mundo procurando a dias vocês, o que aconteceu?!

Abri a boca para responder quando a adrenalina baixou, o cansaço acumulado daquela semana bateu e só conseguir dizer:

— A- acho que vou desmaiar.- antes do mundo ficar preto.

POV Bryan

Consegui segurar a Hannah antes que ela caísse no chão. Eu também estava a ponto de desmaiar, mas um dos dois tinha que ficar consciente.

— Eu vou chamar ajuda. Ayla, Vitoria, Daniel, esse povo.- Maia disse começou a andar. Ela parou e virou pra mim com um sorriso.- Bem vindos de volta.

Assenti e respondi com outro sorriso enquanto ela voltava ao seu caminho. Como eu não tinha ideia de onde eu estava e pra onde eu tinha que ir, sentei no chão para esperar que os outros chegassem. Aninhei a cabeça de Hannah no meu colo e dei um suspiro de alívio. “Conseguimos. Estamos vivos. Estamos em casa.”

Olhei para Hannah dormindo no meu colo. Tínhamos passado por muita coisa juntos nos últimos dias, e querendo ou não situações de vida ou morte sempre criavam um vínculo entre os sobreviventes. Não sabia o que pensar disso. “Estamos em segurança.” Essa ideia foi sendo absorvida por mim, e quando percebi, já tinha deitado do lado de Hannah e perdia a consciência.

Notas finais
O que acham? Até.