Notas iniciais
Espero que gostem do capítulo.

Merida e Espirro demoravam muito. Jack chegou a pensar que eles haviam se perdido ou que os animais da floresta desapareceram sem motivo.

A desconfortável quietude que pairava entre ele e Rapunzel crescia. A jovem mexia nas chamas da fogueira recém acesa com um longo graveto. Fitando o fogo que aumentava de tamanho, fazendo Jack começar a teme-lo.

O medo é mais ou menos semelhantes aos sonhos. Quando você perde um, outro toma seu lugar com rapidez.

Jack já tinha certeza que jamais deixariam de acreditar na sua existência. Um dos motivos disso é Jamie. O garoto de apenas 10 anos já lhe dera sua completa confiança e amizade. Jack teme que ele pare de acreditar nele, mas sabe que é pouco provável que aconteça.

Agora, seu instinto de sobrevivência temia pelas chamas. O incêndio no castelo de Norte o havia enfraquecido. Sua área não era com o fogo, era com o gelo. Se tivesse mais algum contato físico com fogo ou brasa, certamente morreria.

Rapunzel tirou os olhos das chamas para encará-lo.

- O que foi? — ele pergunta.

Ela balança a cabeça.

- Nada demais.

- Você mora com sua mãe?

Ela assente.

Jack não sabia se revelava ou não que a mãe dela era a mulher que se aliara a Breu. Bom, tecnicamente ele não tinha provas nem certeza absoluta. Mas estava bem convencido! Talvez não fosse o suficiente para assustar Rapunzel.

Jack notou que a jovem estava cochichando.

- O que está dizendo? — pergunta.

- Cantando parabéns... pra mim!

Jack sorri.

- Seu aniversário?

Ela consegue abrir um animado e ansioso sorriso.

- Aham! Se eu estivesse na torre, daqui a dois minutos várias luzes douradas iriam iluminar o céu. A visão mais maravilhosa que tenho durante 18 anos! — ela respira fundo — e a única que tenho do lado de fora.

- Não está feliz por ter saído da torre?

- Não foi bem como eu imaginei...

- Quando isso acabar, vou te mostrar como é aqui do lado de fora! Tem várias luzes, também. Você vai gostar.

Rapunzel exibe um tímido sorriso.

- A Fada tinha razão.

- Em quê?

- Você é um cara legal.

- Puxa — Jack fica sem graça — brigado.

A voz de Rapunzel volta ao tom animado e ansioso, como uma criança cheia de perguntas a fazer.

- Você tem um sonho?

A pergunta o pega de surpresa.

- Não... na verdade, não.

Ela faz um muxoxo.

- Não é possível! Todo mundo tem um sonho. Eu por exemplo queria seguir aquelas luzes! Seria incrível!

- Talvez eu tenha um...

Então um barulho é escutado nos arbustos. Jack pega o cajado e se põe na frente de Rapunzel, a mesma agarrava a frigideira como sua vida.

Do meio das folhagens, Merida e Soluço saem gargalhando como velhos amigos. Arrastavam um enorme cervo morto pelas orelhas.

- ... e eu mastiguei o peixe! — dizia Soluço.

Merida ria demais. Jack e Rapunzel estavam fitando os dois, com expressões extremamente confusas. Também pela capacidade de Soluço carregar um cervo com aquela perna de ferro.

- Ah, não deve ter sido tão ruim! — diz Merida ainda rindo.

- Mas foi! Banguela ainda me observou comer todo o resto. Falar nisso, ele ODEIA enguias.

- Qualquer um odeia enguias!

Eles riem mais. Então olham para as expressões dos outros dois e param de rir, sem graças.

- Oi, gente! — diz Merida.

Jack se senta na pedra, ao lado de Rapunzel.

- Caçaram um cervo em tanto! — ele comenta.

- Merida — exclama Soluço — ela tem uma mira incrível!

Merida faz um gesto de modéstia.

- Que isso... Qualquer um pode fazer.

- Eu queria poder fazer.

Rapunzel parecia a ponto de chorar.

- Vocês... mataram... um doce cervo?

Todos param e encaram ela.

- É. — diz Merida.

Rapunzel começa a chorar desesperadamente.

- Acho que ela é vegetariana — Soluço sussurra para Merida.

A ruiva assente.

- Punz — diz Jack, criando o apelido — não precisa comer o cervo se não quiser.

- Me recuso a ver vocês comendo!

Ela se levanta da pedra e caminha em direção ao cervo que cujo sangue já estava em poças. Rapunzel se abaixa a uma área sem sangue e põe o cabelo sobre o ferimento. O incrível é que o cabelo não sujou!

Ela canta a música "cura ferimentos" e seu cabelo começa a brilhar daquele jeito estranho e sobrenatural. Quando ela para de cantar, o animal se levanta e sai correndo por entre as árvores.

- Lá se vai nosso jantar! — Merida murmura.

Jack ainda estava chocado demais para falar alguma coisa.

- Eu conheço ervas bem comestíveis. Já vi centenas de frutinhas azuis aqui que não são venenosas — ela diz.

- Vamos jantar frutinhas? — pergunta Soluço.

- Vocês podem comer carne e animais mortos! Mas não em minha presença!

- Dizia isso uns cinco minutos atrás — diz Merida.

Rapunzel pega as tais frutas que falara. Já as tinha colhido antes de acender a fogueira. Para a “sobremesa”. Tinha pegado uma porção delas.

Ela entregou-as a Merida e voltou aos arbustos para pegar mais. A ruiva deu de ombros e começou a comer. Ela e Espirro... Soluço... sentaram-se na pedra na frente de Jack.

- Então... Jack Frost – diz Merida – Guardião, né?

Jack confirma com a cabeça.

- De quê?

- Da diversão. E do inverno.

- E nós somos Guardiões? – pergunta Es... Soluço.

- Sim.

- De quê?

- Você descobre pelas suas qualidades e defeitos. Seu cerne!

- Como você descobriu?

Jack observa as temerosas chamas.

- Uma longa história...

- Também temos longas histórias – diz Merida – mas quando contamos acabam se tornando curtas.

Jack respira fundo.

- Vocês querem que eu conte?

- SIM! – gritam Soluço e Merida.

Jack sorri. Começava a gostar daqueles Guardiões.

- Bom. Minha memória foi apagada...

- Deuses! – exclama Soluço – como?

Jack dá de ombros, como se aquilo nem fosse tão importante.

- Não sei. Mas consegui lembrar de minha vida passada... E foi assim que descobri meu cerne!

- Mas, do que você se lembrou?

Jack não responde. Não sabia se era a hora de contar-lhes como foi que morreu. Mesmo sendo heroico, e coisa e tal. Aquilo era muito particular.

- Acho que sei qual é o meu cerne – diz Soluço.

- Qual? – perguntam Merida e Jack ao mesmo tempo.

- O Banguela.

- Mas o cerne é algo que faz parte de você – Jack explica – que te define.

Soluço sorri.

- Me definir mais do que o Banguela é impossível.

- Você daria um grande Guardião da Amizade...

- PESSOAL! – o grito de Rapunzel fez todos os restantes levantarem assustados de seus lugares e correrem para de onde ele vinha.

Rapunzel se escondia atrás da árvore. Havia uma luz branca que brilhava a frente. Parecia um espelho de luz. E aos poucos, a imagem de um grande coelho cinza com queimaduras pelo rosto foi se formando nele.

- Coelhão? – pergunta Jack se aproximando – o Portal também transmite mensagens?

- Sim – Coelhão tosse um pouco – eu não quis viajar, então tentei umas coisas...

- Cadê o Norte? E a Fada? E o Sand?

- Um tanto fracos com o ataque do Breu. A Fada não pôde organizar os dentes, ou seja, sem moedas.

- Mas então as crianças...

- Sim. O ano passado está se repetindo. E com mais força. Vocês precisam encontrar a adaga.

- Para onde você a mandou?

- Está com um amigo. Ele é ladrão.

- Deixou com um ladrão? – pergunta Merida perplexa.

- Ela é legal, acredite. É o seguinte, a fenda no tempo está desorientada. Parece que Breu e sua aliada têm viajado demais. Esse meu amigo é do passado. Ele foi mandado para a Transilvânia por conta dessa fenda.

- Vamos para a Transilvânia? – Jack não podia acreditar. Tantos lugares para mandar a droga da adaga, e mandou logo para um dos locais mais sombrios do mundo – onde?

- Existe um hotel de monstros por lá. São gente boa. A tal ponto meu amigo deve estar planejando sair de lá às pressas.

- Pode deixar com a gente, Coelhão. Qual é o nome desse seu amigo?

- É Flyn. Flyn Rider.

Notas finais
E aí????