Guardiões: O Retorno Das Trevas
31 \"Estou Desacostumada com Festas do Século XXI\"
Notas iniciais
Merida ficou boquiaberta ao entrar na Oficina de Norte pela segunda vez.
Sim, ela certamente já deveria ter se acostumado com a majestosa visão do lugar (e isso não acontecera), porém era muito mais do que a beleza magnífica e esplendor da Oficina... Merida também ficou surpresa com a rapidez na qual ela se regenerou após o terrível incêndio! Mas ela não era a única surpresa! Os três Guardiões próximos a ela também estavam boquiabertos... assim como os dragões e Angus!
Afinal, quando falaram a Merida que teria uma "festa", ela imaginou algo totalmente diferente do que via!
O gigantesco Salão Principal estava iluminado com luzes coloridas que rodopiavam pelas paredes, monstros de todos os tipos dançavam músicas esquisitas e muito agitadas por todo o lugar. Merida nunca ouvira músicas daquele jeito. O pior é que ela não fazia ideia da onde vinham! Seus olhos rodearam todo o Salão e ela não encontra ninguém tocando uma harpa ou flauta. Nem mesmo uma lira ou violão!
Ela volta a rodear os olhos pelo local enfeitado de bolas coloridas e fitas de cores distintas, então reconhece a vampira Mavis dançando com seu pai, o Conde Drácula. A vampira a vê e acena sorridente.
Merida retorna o sorriso, que acaba tornando-se maior quando ela sente uma mão na sua.
Soluço.
Ela olha de recanto para o viking montado em seu dragão negro e sorri ao vê-lo olhando para ela. Ela sente as bochechas envermelharem mas fica aliviada quando as dele também se tornam rosadas. Ela desce do cavalo, e logo depois ele desce de Banguela.
Ainda de mãos dadas, os dois se viram para encarar Jack Frost e Rapunzel interrogativamente.
Punz ainda estava em cima de Pascal, os olhos admirados e ao mesmo tempo confusos com a visão do lugar. Provavelmente a mesma expressão facial que Merida exibia há alguns minutos. Jack também estava admirado, mas não olhava o salão. Olhava ela.
Merida revira os olhos e logo após solta um pigarro.
Os dois olham na direção dela rapidamente, como se despertassem de um transe. Merida levanta uma sobrancelha e depois troca olhares com Soluço. Ah, esses dois...
- O que vocês estão olhando? — pergunta Jack, tentando falar mais alto que a música.
- Nada — respondem Soluço e Merida em uníssono.
Rapunzel enrubesce. Mas Merida vê ela dar um sorriso miúdo enquanto descia de Pascal.
- Esse lugar está incrível... — ela comenta, olhando para o teto admirada.
- Também acho. — Merida responde — embora eu esteja desacostumada com as festas do século XXI.
- Somos dois, então — comenta Soluço, dando mais uma vistoria com olhos no local, encantado.
- Oh, vocês chegaram!
Os quatro se viram para de onde a voz de Norte surgira. O bom velhinho estava vestido em um traje de frio vermelho e muito bonito, acima de seus cabelos brancos havia um chapéu quadrado também vermelho. Em seu rosto, um sorriso satisfeito.
Jack o abraçou. Merida vê a mão de Norte dar três tapas amigáveis nas costas dele, que acabam saindo um tanto dolorosos.
- Ai.. — Jack murmura — então Norte! Isso aqui tá incrível!
- Obrigado, meu jovem Frost — Norte diz inflando o peito de modo orgulhoso.
- Como todos esses monstros vão voltar para a Transilvânia, Norte? — Jack pergunta em tom mais baixo.
- Ora, de Portal é claro! Vou dar uma caroninha para eles em meu Globo de Neve.
Jack revira os olhos, sorrindo.
- Só você mesmo...
- Oh, paremos de conversas! Curtam a festa! Acho que seus animais vão querer ficar no outro Salão com os monstros maiores e os yetis...
Angus relinchou alegremente. Talvez tenha confundido a palavra "yeti" com "maçã", se é que é possível. Mas mesmo assim, ele Pascal e Banguela seguiram um pequeno duende que parecia tremer de medo ao vê-los.
Norte olha para Soluço e Merida com uma expressão estranha. Então ela percebe que ainda estava de mãos dadas com o viking. Mas não recua. Ela não ligava se Norte pensasse algo.
- Bom... — ele diz — vou me juntar à Bruxa Onilda na pista de dança. Aquela mulher faz maravilhas com os quadris!
Norte se afasta rebolando e se requebrando no ritmo da música, indo na direção de uma bruxa um tanto rechonchuda toda vestida de lilás, com seus longos cabelos prateados.
Jack se vira para Rapunzel.
- Quer dançar?
Ela sorri de orelha a orelha. E puxa Jack até onde os outros dançavam e/ou conversavam alegremente. Enquanto era puxado, Jack faz um gesto para Merida, apontando para ela e depois para Soluço com a testa franzida. Sua mensagem era clara: Tome a droga de uma atitude, DunBronch!
Mas que atitude? Os dois estavam de mãos dadas não era suficiente?
Ela se amaldiçoa por pensamento. Não era nada boa com garotos ou qualquer coisa relacionada a relacionamentos sérios...
- Quer dançar? — ela se escuta perguntar.
- Bom, eu até queria mas... — Soluço faz um gesto na direção da perna de ferro.
- Ah, desculpe. Eu esqueci — ela responde. Mas claro que esqueceria! Ele corre por um corredor subterrâneo, mata um dragão gigante e mega poderoso, faz ela sair do transe com um estranho poder dourado... Esses pequenos fatos ajudam a esquecer que ele tinha uma perna de ferro.
- Vem — diz Soluço — quero te levar a um lugar.
Merida segue Soluço pelo Salão até chegarem numa escada em espiral bem no canto, atrás de uma grande coluna de mármore branco. Soluço sobe uns três degraus até ela lembrar que tinha que segui-lo. Os dois sobem a escada até chegarem numa enorme sala, onde o trenó majestoso de Norte estava estacionado.
Merida franze o cenho.
- Por que estamos aqui? — pergunta.
Soluço exibe um sorriso.
- Calma..
Ele puxa uma alavanca de madeira que Merida não tinha notado que existia e a parede na frente dos dois se eleva, exibindo a paisagem coberta do grande lençol de neve e da incrível noite estrelada.
Soluço se senta na beira da enorme "janela" e faz sinal para que ela se sente junto a ele.
Os dois ficam um tempo em silencio. Observando a enorme lua cheia que iluminava todo o céu e terra com sua luz pálida e branca. Merida olha para ela e se sente acolhida automaticamente. Ela sorri, e começa a se perguntar quem seria esse Homem da Lua. E se ele já vinha observando-a em sua época.
- Você está me devendo uma aulas de espada... — ela escuta Soluço comentar.
Ela abre mais o sorriso e olha para ele.
- Não acho que você precise — responde sinceramente.
Ele também olha para ela e sorri.
- Eu também não.
Soluço volta a encarar a lua.
- Você não acha injusto todos os Guardiões serem imortais menos nós dois? Será que somos menos importantes?
Merida se sente mal com o tom que Soluço faz as duas perguntas. Depois se questiona se ele perguntava para ela... Ou para a lua.
- Não — responde Merida de forma sincera — não nos acho menos importantes. Amizade e Coragem são coisas muito valiosas.
- Mas... Deveriam ser eternas.
- Algumas amizades não duram para sempre. Nem sua coragem, tendo em vista que seu medo também nunca dura.
- Breu é imortal.
- A que custo?
Soluço torna a ficar silencioso e pensativo.
- Soluço... já ouviu falar de Perseu? Aquele herói grego antigo que salvou uma princesa e derrotou um monstro poderoso?
- Hum... não.
- Enfim, ele fez isso! Ele ajudou muitos os deuses derrotando tal monstro. Ele foi muito prestativo e era poderoso! Porém, mortal.
- Ele morreu?
- Sim, morreu. E sua amada também. Mas os deuses sabiam de sua importância. Então, os dois se tornaram imortais... Nas estrelas. E seu poder ainda brilha forte lá em cima, no céu à noite.
Merida esperava pela reação dele. Então, ele se vira e olha nos olhos dela, depois de uma longa olhada no céu estrelado.
- Acha que as estrelas são Guardiões mortais?
- Não sei, Soluço. Mas sei que tudo o que representamos torna-se imortal no fim.
Ela se alivia quando o vê sorrir.
- Obrigado — diz.
- De nada!
Um leve brisa fria passa pelos dois. Mas Merida não se encolhe. A sensação era boa. Naquele tipo de brisa fria que te trás lembranças automaticamente. E que você fica imaginando-se envolta por cobertores e em frente a uma lareira.
- Merida, vamos voltar a nos ver?
- Claro que vamos!
- Mas.. Norte só vai dar o Globo para um de nós Quatro.
O pensamento também a preocupou. Ela não queria ficar tanto tempo longe dele. Não merecia isso.
- Nós Quatro nos reuniremos cada semana — ela diz — vamos exigir isso a Norte e não aceitar um NÃO como resposta.
Soluço sorri.
- É... é uma ideia boa!
Ela também sorri. E se inclina com toda a coragem que podia para beijá-lo nos lábios. Os dois ficaram ali, se beijando sob a luz pálida da lua, enquanto mais uma leve brisa fria passava. Trazendo consigo lembranças agradáveis e guardando mais essa dentro de si.
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