Notas iniciais
ok... lá vai.

Se quando o dia está clareando e o céu fica rosado pra azul, ou quando está anoitecendo e o mesmo fica alaranjado, o que quer dizer quando o céu está vermelho?

Era essa a visão que eu tinha do apartamento em que eu estava. Uma imensidão de céu vermelho escarlate. Lá embaixo, via-se os carros, pessoas andando normalmente. Casas, prédios, parques. Tudo parecia em perfeita ordem. PORRA, O CÉU TA VERMELHO, CARA. PORQUE NINGUÉM NOTOU???

Ninguém pareceu me ouvir. Será que eu gritei mesmo?

OLÁAAAAA!

Novamente, pareceu que minha voz não saía de jeito nenhum.

MERDA.

–Desista. — Era uma voz profunda, entediada. Um garoto. Um garoto?!

Me virei para o vulto que me olhava do outro lado da enorme sala branca. Ele estava sentado no canto da sala totalmente vazia a não ser por nós dois e um jogo de chá que nos separava. Corri até ele e me sentei ao seu lado, o encarando ansiosa para que falasse mais alguma coisa. Talvez se eu ficasse encarando ele por um bom tempo, ele me diria as respostas do que eu estava incapacitada de perguntar?

Nada. O moleque simplesmente me ignorou e continuou a beber seu chá.

Plano B: Cutuque.

Posso ter perdido minha voz mas não meu dedo. Comecei a cutucá-lo no ombro, grunhindo para que me explicasse o que estava acontecendo.

– Larga de ser chata. — Ele falou finalmente. — Graças a Deus está sem voz. Aposto que você é do tipo que fala pelos cotovelos. Uma matraca. — Bebericou o chá.

Aaaaaaaaaaaai se eu pudesse falar!

Aposto que você é do tipo filho-da-puta metido a badboy, né fofo?!

– Não sou uma matraca. — Consegui dizer, com um fio de voz. Subitamente me alegrei com isso. Minha voz! Voltou! Olhei para o garoto, sorrindo. Esperava um "uau, muito bom!" ou então "que voz linda!" ou talvez um "desculpe, minha majestade por minhas palavras inúteis. Vou ali me enforcar". Mas tudo o que recebi foi um gole silencioso de chá.

Idiota.

– Quer um pouco? — Ele me olhou com olhos calmos — É chá de Jasmine.

Fiz que sim com a cabeça e ele me deu uma xícara com o chá de Jasmine. Bebi o primeiro gole e então me lembrei do que estava acontecendo.

– Por que o céu está vermelho? — Minha voz estava rouca. Como se não fosse usada à dias.

– Isso quer dizer que o jogo começou. O céu vermelho está alertando à todos os jogadores que você está acordada e pronta pra jogar.

– Jogo? Você é um jogador? Porque eu estou pronta pra jogar?

– Tecnicamente não. Não sou um jogador — Ele bebeu o ultimo gole de chá e pôs sobre a mesinha a xícara — Estou aqui para te ajudar a escapar. E você é mais como... uma banana em uma jaula de macacos.

– Não podia usar exemplo melhor? — Ele deu de ombros

– Enfim. É verdade. — Ele apontou para o meu olho esquerdo — Eles querem o que você tem aí. Isso vai torná-los poderosos o suficiente pra travar uma batalha contra Deus. E assim se tornar um Deus. O vencedor, é claro. — Rapidamente peguei uma colher de prata que estava na mesinha e olhei meu reflexo. Meu olho... Meu olho estava diferente. A pupila estava pequenina e tinha um formato de olho de gato e a íris que continuava redonda, tinha a cor do céu lá fora.

Tive vontade de chorar porque lembrei o que havia acontecido antes de ir parar ali. Eu morri? As primeiras lágrimas saíram. O que será de mim? Eu queria ser uma advogada e agora OLHE SÓ PRA MIM! Pus minha mão sobre o estranho olho. Quero meus pais. E mnha casa, meus amigos...

O garoto estava claramente desconfortável com o meu pranto quando ergueu a mão mostrando um tapa-olho verde-limão.

– T-toma... Eu fiz isso pra você. Com o seu guarda-chuva... Desculpe, era tudo o que eu tinha pra usar.

Peguei o tapa-olho e o coloquei. Encaixava-se perfeitamente e era confortável.

– Você estava lá? Quando eu...

– Fui encarregado de te buscar. Você estava já com o seu novo olho e seu guarda-chuva estava limpo, ao seu lado. Não vi como estava antes. Te trouxe pra cá e você tem dormido desde então.

– Quanto tempo?

– Uns quatro meses.

Levantei de supetão.

– QUATRO MESES? E você esteve aqui esse tempo todo?!

– Não fiz nada com você se é isso que pensou.

– Não pensei nisso — resmunguei.

– Estive sim. Te esperando acordar — Ele agora estava guardando o jogo de chá em uma mochila que carregava

– Não ficou entediado?

– É o meu dever te guardar. Além do mais, eu pude beber bastante chá.

Ele se levantou.

– Vamos agora? — Me estendeu a mão.

– Pra onde? — me levantei sozinha, ignorando o seu cavalheirismo. Sabia que ele não seria cavalheiro comigo sempre. Não vamos nos acostumar.

– Pra outro lugar. A essa hora, os jogadores já estão avançando até você.

– Ei... quem são esses jogadores?

O rapaz já estava com a mão na maçaneta quando se virou e me olhou.

– São 13 demônios. — Por um momento eu pude ver um brilho no olhar dele. Um brilho competitivo e orgulhoso.

– Mais uma coisa! — Ele já havia aberto a porta quando se virou pra mim novamente. — Qual é o seu nome?

– Nikolai. — Ele sorriu, segurou minha mão delicadamente e a beijou. Puxei-a. Depois de ter sido grosso comigo, não há nada que me fará cair em seus truques cavalheirescos. Nikolai pareceu se divertir com a situação e então saiu do quarto, andando pelo longo corredor igualmente branco.

Mataria colorir alguma dessas paredes?

Nikolai andava rápido e me custou um pouco alcançar seu ritmo.

– Não quer saber meu nome? — Perguntei

– Eu já sei.

– Não quer saber mais nada? Eu posso ser uma pessoa muito interessante...

Ele parou, colocando as mãos no meu ombro. Apertava-os, e me fitava os olhos.

– Sua vida tá em risco! Quer mesmo ter conversinhas bobas de adolescente? Eu não sou seu amigo. Eu não sou seu namorado. Tudo o que me interessa aqui é esse jogo!

– Ai... — Ele soltou meu ombro, percebendo que não medira a força direito. Voltou a caminhar na minha frente

imbecil, grosso, demente, bossal! Eu estou com medo. Ele não devia me tratar assim... Ele devia cuidar de mim, não é? É pra isso que guardiões servem, não é?

- Espere! Minha vida está em risco? Então quer dizer que estou viva?! — Me alegrei instantaneamente.

Notas finais
espero críticas! obrigada.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.