GuCilia - Uma História Diferente
25 Capítulo 24 - Dona Cegonha
Notas iniciais
— Filha, você já está pronta? – Ela perguntou entrando no quarto de Dulce
— Já, mamãe! Cadê o papai? – Dulce apareceu vestida num pijama cor-de-rosa
— Tá no nosso quarto! Agora vem, vamos deitar.
— Mas a gente não vai dormir com o papi?
— Não, hoje somos só nós duas!
— Mãezinha, você brigou com o papi? – Perguntou subindo na cama e deitando ao lado de Cecília
— Não, meu amor! – Mentiu, não queria que a filha se preocupasse e muito menos que tentasse resolver aquela situação – Você sabe que eu não durmo com ele todos os dias, só às vezes. E como hoje é a nossa primeira noite aqui, eu vou dormir com você!
— Eu adoro quando você dorme comigo!
Cecília olhou para Dulce e sorriu para ela.
— Então vem mais pertinho da mamãe! – A menina obedeceu e se aproximou da mãe, que a abraçou e começou a acariciar seus cabelos – Eu também adoro dormir com você! Meu amor, não precisa ser agora, mas daqui a um tempo você vai precisar se acostumar a dormir sozinha de novo.
— Mas mamãe, eu tenho medo!
— Eu sei filha, por isso eu disse que não precisa ser agora, mas sim quando você achar que está segura. E não vai ser de um dia pro outro, vai ser aos poucos, eu prometo! Podemos combinar assim?
— Tá bem! Mas depois que você e o papi casarem eu vou poder dormir com vocês de vez em quando?
— De vez em quando, porque senão o seu pai não vai gostar!
— E porque não?
— Ué, porque marido e mulher depois que se casam devem dormir juntos e sozinhos!
— Eu sei, eles tem que estar sozinhos pra poderem falar com a dona cegonha!
Cecília riu, Dulce Maria era muito inteligente, mas preservava a inocência de uma criança e era isso que ela mais admirava na filha.
— Dona cegonha?
— É, de onde você acha que vem os bebês? A dona cegonha traz a sementinha durante a noite e coloca na água pra mamãe tomar e o bebê crescer! – Cecília franziu as sobrancelhas enquanto ouvia – Você não sabia, mamãe?
— Não, eu não sabia! – Ela riu – Minha filha, de onde você tira essas coisas?
— A história da dona cegonha eu já sabia, mas quem me contou que ela põe a sementinha dentro da água foi a irmãzinha Fabiana!
— A Fabiana? Só podia ser! Então tá meu amor, chega de conversa, hora de dormir! – Ela beijou a cabeça de Dulce Maria – Durma bem.
— Boa noite, mãezinha!
Passados alguns minutos...
— Mamãe? – Dulce abriu os olhos e perguntou
— Oi!
— Quando você vai ter um bebê?
— Ainda vai demorar, filha! Só depois que eu casar com o seu pai! – Cecília respondeu ainda com os olhos fechados
— Vai demorar?
— Não... Quer dizer, mais ou menos...
— Quanto?
— Um ano, se seu pai colaborar... Dorme, Dulce.
— Tá bom, boa noite mamãe.
— Boa noite!
— Mamãe?
— Fala, filha... – Cecília ainda estava com os olhos fechados devido ao sono
— Não dá pra trazer o meu irmãozinho mais cedo?
— Não, não dá...
— E por quê?
— Porque não, filha. A dona cegonha só trabalha com pessoas casadas. Agora dorme, por favor?
— Me responde só mais uma coisinha?
— Dulce... A última!
— Será que se eu pedir pro Papai do Céu, vocês casam mais cedo pro meu irmãozinho demorar menos?
— Não sei, mas você pode pedir! – Ela suspirou – Vamos dormir?
Se passaram mais alguns segundos de silêncio.
— Mãezinha?
Cecília suspirou novamente, e enfim abriu os olhos.
— O que é, Dulce Maria?
— Não é nada! Só que eu tô com uma insônia de tirar o sono! A gente pode conversar mais? – A menininha saiu do lugar onde estava e deitou em cima da mãe
— Filha, vamos fazer uma coisa? A gente desce lá na cozinha, e eu faço um leite bem quentinho pra você, pode ser?
— Só leite? Não pode ter biscoitos também?
— Huum... Pode! Vamos! – Cecília tirou a filha de cima de seu corpo e levantou da cama – Quer vir de cavalinho?
— Sim piririrm! – Ela gritou e pulou nas costas de Cecília
— Ai! – Riu – Meu amor, você está ficando pesada pra pular assim no meu colo! Mas não importa, vamos!
A ex-noviça saiu do quarto de Dulce saltitando e desceu as escadas.
— Prontinho madame, chegamos! – Cecília colocou a filha no chão, pegou-a novamente e colocou-a sentada sobre o balcão da cozinha – O que você quer? Só o leite e os biscoitos?
— Se tiver um chocolate, um bolo, um suquinho... Eu quero também! – A menina enumerou enquanto a mãe pegava as coisas na geladeira e no armário
— Quer a geladeira inteira, mini Fabiana? – Elas riram – Se você comer demais pode ter pesadelos! O bolo e o suquinho até vai, mas chocolate não, não faz bem!
— Já serve!
As duas continuaram na cozinha, lanchando e conversando. A madrugada avançava e Dulce Maria não queria saber de dormir.
— Filha, são quase três horas da manhã e você não tá com nem um pouquinho de sono? – Cecília andava de mãos dadas com Dulce pela parte externa da casa
— Não mamãe, tem alguma coisa aqui que tá me apertando!
Cecília abaixou-se para olhar Dulce diretamente nos olhos.
— Tem alguma coisa a ver com os pesadelos?
— Não sei!
— Eu acho que eu sei o que é, é sono!
— Ah mamãe, não vale! Você tá com sono, e quer que eu vá dormir também! – Cruzou os braços
— Eu acho uma ótima ideia a gente ir dormir! Amanhã é segunda, você tem aula, eu tenho que trabalhar e já é muito tarde pra uma menininha do seu tamanho ficar acordada!
Assim, as duas voltaram para o quarto e por mais que tenha custado, Dulce conseguiu dormir. Na manhã seguinte, por mais incrível que possa parecer, ela e Cecília acordaram dispostas. Na hora do café, reuniram-se com toda a família e apesar do clima estranho entre Cecília e Gustavo, comeram em harmonia.
— Não, não e não! Batata frita de manhã nem pensar! – Cecília repetia pela décima vez
— Ah, o que que tem que é de manhã? – Dulce questionou
— Tem que é hora de tomar leite e comer fruta! Batata frita é pro almoço, nem pro jantar. E olha, fritura não faz bem em hora nenhuma, mas principalmente à noite! – Fátima explicou
— Estômago não tem relógio! – Retrucou a carinha de anjo
— Como é que é? – Cecília estava surpresa
— O Pascoal que me falou!
— Mas olha, essa é boa!
— O Pascoal é um sábio né? Sabe que todas as vezes que a Dulce vai lá ela volta com uma novidade, coisas do arco da velha como dizia a mamãe, vocês lembram? – Estefânia comentou
— Gente mais vivida, sabe cada história... – Vítor comentou
— Filha, estômago não tem relógio, tudo bem. Só que tem comida pesada, sabia? Carne por exemplo: você come durante o dia e tal, bonitinho, aí você vai andar, vai sair pra cá, vai pra lá, enfim, vai se exercitar de alguma maneira então a digestão fica mais fácil. Agora vai comer comida pesada à noite, come carne à noite e cai na cama, vai dormir pra você ver: é complicado, fica aqui parado, aquela coisa pesada. – Gustavo tentou explicar de forma um pouco mais dinâmica
— É por isso que comer muito à noite dá pesadelo, né? – Gabriel falou
— Eu não acredito nessas coisas... – Dulce insistia
— Aí tá certo, eu também não acredito não, mas eu ouvia isso das freiras desde que eu era criancinha, então eu passo adiante! – A mãe continuou falando
— Você sabe que eu também passo pros clientes do food truck, principalmente as crianças, muitas coisas que eu ouvia das freiras que eu não acredito? Sabem de uma coisa? Eu acho que as coisas erradas também são hereditárias, passam de uma geração pra outra! — Falou Fátima
Todos riram e Cecília emendou:
— É uma pérola né? Depois dessa eu realmente tenho que encerrar o meu café da manhã e trabalhar! Você vai mesmo comigo, não? – Ela olhou para a irmã
— Vou, hoje eu estou folgada, tô afim de variar, e matar a saudade do colégio!
Eles ouvem a campainha.
— Deixa que eu abro! – Gustavo disse e ia se levantando
— Meu amor! – Disse Cecília, sem perceber
— O senhor ainda tá tomando café! – Disse Franciele e foi em direção à porta
— Isso mesmo, senta aí vai! – Cecília tornou a falar
— Quem era Fran? – Estefânia perguntou quando ela voltou
— O síndico do condomínio, veio dar as boas vindas!
[...]
No meio da manhã, no colégio, Cecília conversava com a irmã.
— Cecília, está tudo bem entre você e o Gustavo? Ontem à noite vocês subiram pra conversar e ele não desceu, durante o jantar vocês nem conversaram e você não dormiu com ele...
— Mais ou menos, nós discutimos! – Elas andavam pelo pátio no último intervalo
— Por quê? Parecia estar tudo bem!
— E estava, mas o Gustavo falou que já era hora da Dulce dormir sozinha de novo, porque senão quando nós nos casássemos ela nunca mais sairia da nossa cama, e em algum momento deu a entender que me culpava pelo sumiço dela lá na mata!
— Nossa!
— Aí eu achei melhor nós subirmos, e em vez de só conversar sobre a Dulce, sobre a educação dela, nós acabamos brigando.
— Mas brigaram assim, do nada e por causa da Dulce?
— Por causa da educação dela, do excesso de limites e de dureza que ele dá, e do ponto de vista dele, do excesso de mimos que eu dou! Eu até tentei me explicar, dizer que era pra compensar, e fui firme com ele, sabe? Eu falei que enquanto a Dulce quisesse dormir comigo ela dormiria, aí ele falou que quem decidia isso era ele e não eu, porque eu não sou mãe dela!
— E você?
— Eu só respondi que não era isso que a lei dizia, encerrei a discussão e desci.
— E vocês tiveram tempo de conversar?
— Não, mas ele queria conversar ontem à noite mesmo, eu que não quis. Disse que conversaríamos hoje. Eu pensei em procurá-lo na empresa, lá a Dulce não corre risco de ouvir.
— Pode ser uma boa ideia mesmo. Faz assim: nem você nem a Dulce tem aula à tarde, então eu levo ela pra casa enquanto você vai lá e conversa com ele!
— Obrigada, Fátima! Vamos fazer isso sim.
— Oi mamãe, oi titia! – Dulce apareceu
— Oi, meu amor! Tá aí faz tempo? – Cecília estava preocupada que ela tivesse ouvido alguma coisa
— Não, cheguei agorinha! – Mentiu. Cecília e Fátima não tinham percebido, mas Dulce ouvira toda a conversa
— Dulce, sou eu que vou te levar pra casa hoje. Depois a gente pode sair pra tomar um sorvete, que tal?
— Eu acho legal, tia. – Cecília percebeu a diferença no tom de voz de sua filha, mas não disse nada
— E que sua mãe não ouça, mas hoje eu vou deixar você comer tudo o que você quiser! Pode até almoçar sorvete! – Ela cochichou
— Fátima, nem pensar! Hoje é segunda-feira, a Dulce tem que comer comida de verdade!
— Mas Cecília, é só hoje! É só um sorvete, qual o problema?
— Não adianta tia, a mamãe não vai deixar e ainda vai vigiar a gente!
— Sua mãe não vai! Ela tem outro compromisso. Cecília, deixa ela tomar o sorvete, só hoje!
— Fátima, depois do almoço e só um sorvete! Não vai encher a minha filha de porcaria!
— Eu ouvi sorvete? – Fabiana chegou alegre como sempre
— Minha titia vai me levar numa sorveteria!
— Que legal, pequena!
— Então vamos?
— Vai com ela de táxi, eu tenho que conversar uma coisa com a Fabiana antes. Tchau, meu amor! – Ela beijou o rosto da filha – Se comporta, obedece a sua tia!
— Tchau, mamãe! – Elas saíram
— Agora, dona Fabiana, meu assunto é com você!
— O que eu fiz dessa vez?
— Que história foi aquela de falar pra minha filha que a “dona cegonha” coloca sementes em copos de água?
— Ué Cecília, ela perguntou! O que você queria que eu respondesse?
— Ela te perguntou isso?
— Ela veio com esse assunto, disse que queria saber de onde vinham os bebês, como eles cresciam, pra ver se você resolvia ter um logo! – Ela riu
— Meu Deus do céu, só a Dulce Maria mesmo! Por isso durante a noite ela me fez tantas perguntas sobre esse assunto, quer porque quer que eu case logo! Bom Fabiana, eu preciso ir agora!
Cecília se despediu de Fabiana e foi para o carro. Enquanto dirigia pensava no que dizer para o namorado, se daria certo que eles entrassem num acordo sobre a educação de Dulce Maria.
— Bom dia Silvana, o Gustavo está ocupado?
— Não, quer que anuncie?
— Por favor.
— Claro, só um minutinho. – Ela ligou para o ramal do chefe – Senhor Gustavo, a dona Cecília está aqui! Pode entrar, dona Cecília!
— Obrigada, Silvana!
Já na porta, Cecília respirou fundo antes de entrar.
— Oi, meu amor! Que surpresa, está tudo bem? – Ele se aproximou dela e deu-lhe um beijo suave
— Está sim. – Ela acariciou a barba dele – Vim conversar com você, só isso! Se você estiver ocupado, eu te espero em casa.
— Não meu amor, pra você e pra nossa filha eu nunca vou estar ocupado! – Gustavo deu ênfase no “nossa”, e Cecília percebeu que ele tentava se redimir pela discussão da noite anterior – Pode sentar, vou preparar café pra gente.
— Obrigada. Gustavo, eu pensei em tudo o que dissemos um pro outro ontem, e pensei em fazermos um acordo.
— Acordo?
— Pode ser uma boa alternativa, porque senão cada vez que discordarmos numa coisa vamos brigar, e isso acabaria com o nosso casamento antes mesmo de ele começar oficialmente!
Gustavo sorriu com a forma que ela falou.
— Cecília, ainda não é oficial, mas o nosso casamento já existe! Um casamento se faz com vida, com convivência, e isso nós já temos. – Ele entregou o café para ela e se sentou a seu lado – Eu também pensei na nossa discussão, e tenho que te pedir perdão. Eu fui um idiota, insensível, não pensei no medo e no trauma que a Dulce sofreu. Mas principalmente por ter dito que você não era mãe da Dulce. Me perdoa?
— Eu te amo muito, você sabe. Não imagina o quanto me machucou ouvir aquilo de você!
— Desculpe, meu amor! Eu só falei besteira ontem, me perdoa!
— Calma, vamos primeiro conversar sobre a educação da Dulce. Eu cheguei à conclusão que sempre vamos ter que chegar a um consenso, um meio termo e se não tiver como, fazer concessões um em nome do outro, sabendo equilibrar os limites e a disciplina com o carinho e a doçura. Mas sempre Gustavo, sempre dando amor, pra que ela não pense que não a amamos. Você concorda? – Ela tomou um gole do café
— Concordo, claro! Que mãe maravilhosa você é, Cecília. Sei que está chateada comigo e com razão, mas mesmo assim veio até aqui pelo bem dela.
— Não foi só por ela que eu vim até aqui. Eu vim porque... Não quero ficar brigada com você. O que nós fizemos ontem foi um tanto desnecessário, apesar de ser normal. Apesar de tudo isso ser novo pra mim, eu sei que todos os casais se desentendem por causa da educação dos filhos, mas que não é por isso que se separam ou que não se amam mais. E eu não quero me separar de você, meu amor! Nunca!
— Eu te juro, nós nunca vamos nos separar! Eu te amo Cecília, minha Cecília! – Ele a beijou – Pra sempre!
— Pra sempre sim, mas eu não sou só sua. Você precisa aprender a me dividir, meu amor!
— E eu posso saber com quem, senhora Lários?
— Com uma baixinha, loirinha, que vive por aí dizendo “iupiii!” com roupinhas coloridas! – Ela riu e o beijou novamente
— Com ela e com os nossos futuros filhos, eu divido. Mas só com eles!
— Futuros filhos? A gente nem casou ainda e você já quer mais filhos?
— A gente só não casou ainda porque você não quer! – Apontou pra ela
— Eu estou pensando nisso também, pode ser que não demore tanto assim. Até porque você não é o único que quer um filho nosso. Ontem à noite a Dulce estava com uma “insônia de tirar o sono”, e começou a me fazer um monte de pergunta sobre o nosso casamento, quanto tempo ia demorar, se íamos ter um bebê logo... E mais: que depois do casamento ela sabe que não pode dormir com a gente porque senão a “dona cegonha” não aparece.
— O quê? Como assim?
— A Fabiana me disse que a Dulce perguntou de onde vêm os bebês e como eles crescem. Sabe o que ela respondeu?
— Da Fabiana eu espero qualquer coisa!
— Que a “dona cegonha” aparece durante a noite enquanto os pais estão sozinhos, e deixa uma semente num copo de água pra mãe tomar de manhã. Simples assim!
— E a Dulce acreditou nisso, esperta como é? – Ele riu, parecendo indignado
— Meu amor, ela é esperta até demais, mas só tem seis anos!
Nisso, o telefone de Cecília toca.
— Espera aí, é lá de casa!
Ligação on
— Alô?
— Dona Cecília, a Dulce tá aqui atazanando a minha vida, querendo que eu de qualquer jeito frite batata pra ela! – Franciele explicou
— Mas gente, eu já não falei que batata frita é só na hora do almoço? – Ela se levantou, inquieta
— Eu também já falei, mas adianta? Teimosa como ela é?
— Você não manda “ni mim”! – Cecília ouviu a voz de Dulce ao fundo
— Deixa eu falar com ela!
— Fala com a sua mãe. – A cozinheira estendeu o telefone
— Não quero falar com ela! – Cecília ouviu a voz da filha mais uma vez, e estranhou sua atitude
— Franciele, diz pra ela atender esse telefone agora, senão eu pego o carro e vou aí! – Disse num tom mais severo
— É melhor falar hein, ela tá brava! – Dulce pegou o telefone
— Eu tô com fome e meu estômago não tem relógio, não sabe quando é hora do almoço!
— Mas eu sei e você sabe também! Dulce, pelo amor de Deus, a gente já não conversou sobre isso de manhã? – Ela afastou o celular – Essa garota é fogo! – Disse para Gustavo, que riu
— Tudo bem, eu vou esperar! Mas eu quero um prato fundo cheio de batata frita!
— Tudo bem. E olha aqui coisinha, não é “ni mim” não viu, é “em mim”! Chama aí a Fran, vai.
— Senhora?
— Fran, aproveita, pega um lápis e um papel e anota umas coisinhas que eu quero que você compre lá no mercadinho, vai.
— Ahh, eu vou procurar o lápis!
— Como procurar o lápis? Eu não deixei... Cadê o lápis que estava aí de manhã? Que que vocês fazem com lápis, vocês comem lápis, é isso? – Ela novamente afastou o telefone – É uma coisa, todo dia a mesma coisa!
[...]
(Ligação off)
— Nossa meu amor, nunca vi você brava assim! Você é sempre tão doce!
— Acho que só agora é que estou me acostumando a ser mãe, patroa, esposa... Dá um trabalho! Mas eu reparei a Dulce um pouco estranha, agindo como ela normalmente não age... O que será que aconteceu?
— Não deve ser nada, só manha!
— Ela não é disso!
— Em casa conversamos com ela, meu amor! Mas agora esquece um pouco de tudo isso, e vamos aproveitar o nosso tempinho surpresa!
Cecília sorriu, eles se beijaram e ficaram namorando na sala de Gustavo, quando alguém os interrompeu.
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