GuCilia - Uma História Diferente
11 Capítulo 11 - Um sério desentendimento
Notas iniciais
— Como assim não são boas? – Indagou a ex-noviça segurando as mãos de Gustavo
— A menina inalou muita fumaça, e parte do corpo se intoxicou. Ela vai precisar ficar alguns dias aqui, numa terapia de desintoxicação e hidratação.
— Ela está acordada?
— Não. Demos um sedativo leve, pra ela descansar bem. Iniciamos a alimentação intravenosa, com dieta líquida. Água e leite são importantes para a desintoxicação.
— Nós podemos entrar? – Gustavo perguntou
— Eu gostaria que o senhor passasse por exames antes, para nos certificarmos que está realmente bem. Já fizemos os exames na sua esposa, – Olhou para Cecília fixamente – E não há nada de errado com ela.
— Eu faço quantos exames o senhor quiser, mas preciso ver a minha filha primeiro.
— Está bem, mas por favor não demore!
— Obrigado doutor... – Agradeceu perguntando o nome do médico
— Rodrigo Moraes. – Estendeu a mão para Gustavo
— Muito prazer, Gustavo Lários. – Disse apertando a mão do médico – Minha cunhada, Fátima. E minha esposa, Cecília.
Eles se cumprimentaram com um simples aceno, e logo foram ao quarto de Dulce Maria. Cecília estranhou a forma como Gustavo se referiu a ela, mas deixaria esse assunto para um outro momento.
— Eu peço novamente que não demore, ok? Vou deixá-los a sós, com licença. – Disse saindo do quarto
Cecília e Gustavo se aproximaram da cama, e ficando cada um de um lado pegaram as mãos da menina.
— Meu amor... Perdoa a gente por ter permitido que isso acontecesse a você! – Cecília falava com a menina, com algumas lágrimas
— A gente promete nunca mais deixar nada te acontecer! – Gustavo beijou a mão da pequena
Fátima estava olhando para eles emocionada, e orgulhosa pelos gestos de sua irmã.
— Cecília. – Ele chamou, atraindo o olhar dela – Obrigado por salvar a nossa filha. Não imaginava que você tivesse um lado tão feroz! – Ele riu
— Não agradeça, meu amor. Eu fiz o que qualquer mãe faria.
Ele estendeu sua mão para ela por cima do corpo de Dulce Maria. A jovem pegou a mão do namorado e por alguns minutos eles permaneceram em silêncio, com as mãos unidas. Cecília pedia a Deus que sua filha melhorasse, e Gustavo a acompanhava em pensamento.
— Amor, você precisa ir fazer os exames! – Lembrou a ele
— Eu não quero sair do lado dela, Cecília.
— Eu e a Fátima vamos ficar aqui, vá tranquilo.
— É Gustavo, não se preocupa! Você também precisa se cuidar!
— Eu não demoro. – Beijou o rosto da filha, e dando a volta na cama deu um beijo na boca da namorada – Tá com gosto de fumaça!
— Você também está! – Riu
[...]
— Vão pra casa, eu fico com a Dulce! – Fátima pedia pela centésima vez – O Gustavo já fez os exames, não deu em nada! Vão pelo menos trocar de roupa, comer alguma coisa, já escureceu!
— Eu fico receosa de sair e deixar ela desse jeito!
— Eu prometo que ligo pra vocês se ela acordar!
— Promete? De verdade?
— Prometo! Aqui, a chave. Podem ir tranquilos!
Convencidos, os dois se despediram e saíram do hospital.
— Você tem ótimos pais, pequena! – Disse se sentando ao lado da sobrinha
[...]
— Me sinto como novo! – Disse Gustavo saindo do banheiro, já vestido e com os cabelos molhados
— Eu também! – A jovem já estava pronta, sentada na cama – A Fátima ligou. A Dulce ainda está dormindo, mas o médico passou lá e examinou, disse que ela está evoluindo bem!
— Que bom, fico mais tranquilo. Vamos voltar agora pro hospital?
— A gente podia aproveitar pra alugar um carro, porque pelo jeito vamos ficar um tempo aqui,
— Tem razão, a Fátima falou que tem uma locadora aqui perto. Não temos mais nada pra resolver? Já ligou lá em casa pra contar tudo?
— Já avisei eles sim. A Estefânia quase teve um ataque, e me fez jurar que ia ligar todos os dias! E acho que não falta mais nada. Já separei as roupas pra Dulce, peguei as coisas pra gente passar essa noite lá, nós já fizemos um lanche... Só falta o carro mesmo.
— Então vamos? – Estendeu a mão para Cecília, que aceitou
No caminho para a locadora os dois conversavam sobre o sufoco que tinham passado.
— E pensar que a gente quase perdeu a Dulce Maria! – Cecília comentou – Eu achei que não ia conseguir salvá-la.
— Quando nós entramos na casa, no meio daquele fogo, eu tive a impressão de que perderia vocês duas pra sempre! Minha vida acabaria se eu não tivesse vocês! – Disse parando de andar e colocando a mala que carregava no chão
— Não fala assim, meu amor! Nós duas estamos bem, e vamos ficar pra sempre do seu lado! – Beijou os lábios dele e o abraçou – Aliás, que história foi aquela de me apresentar pro médico como sua esposa? – Questionou olhando pra ele
— Eu vi a forma como ele te olhou, praticamente te namorando com os olhos, só quis me garantir! E ele mesmo já tinha se referido a você como minha esposa, o delegado também... Inclusive te chamou de “senhora Lários”.
— Eu também reparei nisso, mesmo com o nervosismo do momento lá na delegacia, no hospital... Só não reparei que o Dr. Moraes me olhou desse jeito aí.
— Mas eu reparei e não gostei nada!
— Eu não sabia que você era ciumento desse jeito! Eu acho bonitinho, desde que não passe dos limites! – Disse beijando Gustavo
— Eu tenho ciúme das pessoas que eu amo! E pra garantir eu quero te propor uma brincadeira.
— Que brincadeira? – Perguntou curiosa
— Que a gente use as alianças na mão esquerda, pelo menos enquanto estivermos no hospital. Talvez assim aquele médico pare de dar em cima de uma mulher casada. E aí você aproveita pra se acostumar com a ideia, o que acha?
— Ai meu amor, só você mesmo! – Riu e beijou-o de novo – Eu topo, desde que você não me arraste pro altar quando nós voltarmos pra casa! Não se esqueça do nosso acordo!
— Fica tranquila, eu não vou esquecer! Agora me dá a sua mão.
Cecília deixou que ele trocasse sua aliança para a mão esquerda e fez o mesmo com ele.
— Agora você é a senhora Cecília Lários, minha esposa! –Beijou-a – E ai de quem tentar tirar você de mim!
— Sabe que eu gostei? Cecília Lários. Soa bem. – Riu e o beijou – E você, meu marido, não esqueça nunca que eu te amo.
— Eu te amo mais. – Eles se beijaram – Em breve vai ser de verdade, eu prometo.
Gustavo pegou a mala do chão e seguiu abraçado com a “esposa” até a locadora.
[...]
— Mamãe! Papi! – Exclamou a garotinha quando viu os pais entrarem no quarto
Os dois se aproximaram da cama e, emocionados, abraçaram a filha o mais forte que podiam, aliviados por ela estar melhor.
— Fátima, você disse que ia ligar se ela acordasse! – Repreendeu a ex-noviça quando soltou a filha
— Eu quis fazer uma surpresa pra vocês! O médico esteve aqui, disse que ela está bem, e perguntou por você. Queria saber onde você estava, se ia voltar...
— Eu te falei, amor! – Disse Gustavo – Ele está dando em cima de você!
— Gustavo, a Dulce Maria! – Repreendeu-o
— Desculpa, meu amor. Mas você está vendo né? Pelo jeito eu fiz bem em te propor a brincadeira. – Disse um pouco mais baixo
— Que brincadeira papi?
— Um faz de conta, filha. – Disse a primeira coisa que veio à sua cabeça – Eu e sua mãe estamos fazendo de conta que somos casados, só pra saber como é.
Cecília balançou a cabeça negativamente, e riu da explicação que Gustavo dera à filha. Puxou Fátima para um canto ao ver que ela estava curiosa.
— O Gustavo está com ciúme do médico! – Disse baixo – Me propôs usar a aliança na mão esquerda, e fazer de conta que nós somos casados, pra garantir que o médico não vai dar em cima de uma mulher casada. – Riu
— Ai, só o Gustavo! – Fátima riu – Bom, senhora casada, agora que está tudo bem eu vou embora, mas me chamem se precisar! – Brincou com a irmã
Fátima se aproximou de Dulce e se despediu da sobrinha, prometendo um doce no dia seguinte.
— Gostei da atitude, cunhado! – Disse ao ouvido de Gustavo – Até amanhã!
— Até! – Ele riu e foi até onde Cecília estava
— O que ela te disse? – Quis saber a jovem
— Ela elogiou minha atitude, só isso. Quando o médico voltar, vê se presta mais atenção, tá? – A beijou – Vamos falar com a Dulce sobre o que houve?
— Só se ela quiser, não quero fazer ela se lembrar daquele terror.
— Vamos procurar um psicólogo quando voltarmos, está bem?
A jovem assentiu e eles sentaram cada um de um lado da cama de Dulce Maria.
— Filha, – Cecília começou – Você quer falar alguma coisa sobre o que aconteceu?
— Não mamãe, foi muito ruim!
Cecília sentia seu coração apertar, mas se manteve firme.
— Está bem, então vamos falar de outras coisas!
— Quando eu vou poder ir embora?
— A gente ainda não sabe, meu amor. – Gustavo explicou – O médico quer ter certeza que você vai ficar bem antes de poder viajar de avião!
— Mas é chato ficar aqui, não tem nada pra fazer! – Ela reclamou
— Como eu sabia que você ia dizer isso, eu trouxe seu tablet e alguns livros pra ler e colorir. – Disse pegando as coisas e entregando para a filha
Nesse momento o médico entrou no quarto com o prontuário de Dulce Maria.
— Com licença, mocinha! Boa noite, como vão? – Disse cumprimentando Cecília e Gustavo
— Bem, obrigada. – Ela respondeu
— Eu pensei que aquela outra moça viesse me ver, você já veio aqui duas vezes! – Dulce Maria comentou
— Eu fiz questão de vir, a enfermeira estava ocupada. – Respondeu o médico olhando para Cecília, que desviou seu olhar
— Como ela está, Dr. Moraes? – Perguntou Gustavo chamando a atenção dele
— Evoluindo muito bem, ela é forte! Se continuar assim amanhã vai poder ingerir comidas sólidas.
— Que bom, é chato ficar sem comer! – Reclamou a menina, recebendo um sorriso do médico
— Bom, eu só vim trazer notícias. Se precisarem, eu estou à disposição. Boa noite, Dulce! Boa noite senhores. – Se retirou do quarto, ainda olhando Cecília
Cecília percebeu a irritação de Gustavo e foi abraçá-lo.
— Meu amor, não precisa ficar assim! – Disse baixinho – Eu te amo, marido!
Gustavo sorriu e a beijou.
— Eu também te amo, esposa.
— Vocês ficam tão lindos juntos! – Falou Dulce Maria, sorrindo
— Eu também acho! – O pai respondeu – E acho que já é tarde pra senhorita ficar acordada!
— Mas eu já dormi um tempão!
— E vai dormir de novo, porque eles te deram um pouco mais desse remédio.
A menina fez cara de emburrada e deitou-se novamente. Não demorou muito até que dormisse. De madrugada Cecília e Gustavo dormiam abraçados no sofá-cama. Ela despertou ao sentir fome e saiu do quarto em direção à lanchonete do hospital. Na lanchonete vazia encontrou com o médico de sua filha.
— Boa noite doutor!
— Olá Cecília! Desculpe pela intimidade.
— Não tem problema.
— Sente-se comigo, tomamos um café juntos? – Sinalizou para o garçom
— Eu vou aceitar, se for Rey Café. – Disse sentando-se com o médico
— É o que gosta mais?
— Também. Seria uma desfeita com o Gustavo tomar outro café que não seja o que ele produz.
— Seu marido é dono do Rey Café? – Cecília assentiu – Nesse caso, dois cafés, por favor. – Pediu ao garçom.
— É casada há muito tempo? – O médico perguntou
— Sim. – Ela respondeu, lembrando-se do acordo com Gustavo – Há sete anos.
— Deve ter se casado jovem, não parece ter mais de 30 anos. E seu marido tem muita sorte, você é muito bonita.
— Obrigada. – Ela agradeceu, agora percebendo o que Gustavo lhe dissera – O senhor é casado?
— Me chame apenas de Rodrigo. E não, não sou casado. O que é uma pena, quando existem mulheres tão lindas como você.
— Por favor doutor, não fale assim. Eu sou casada.
— Me chame de Rodrigo, já disse. E quanto a você ser casada, o que isso importa?
Cecília se chocou com o atrevimento do médico e quis sair dali, mas ele a impediu.
— Ei, espera! Não terminamos a nossa conversa! – Disse ele a puxando pelo braço
— Ela termina aqui se o senhor continuar me desrespeitando. Meu casamento é a coisa mais importante pra mim depois da minha filha. Eu já disse, eu sou casada e amo o meu marido! – Mostrou a aliança
— Desculpe, não quis te assustar. Mas é que você me impressionou, é muito bonita, mesmo suja de fumaça como estava antes.
O médico aproximava seu rosto de Cecília na clara intenção de beijá-la quando sentiu um tapa lhe atingir.
— Já chega doutor! Isso eu não aceito, com licença!
Novamente Rodrigo a segurou firme pelos braços, e a beijou a força. Ela tentava se esquivar mas era em vão, foi quando Gustavo apareceu.
— O que é isso aqui? – Disse exaltado
— Gustavo! – Cecília falou surpresa quando Rodrigo a soltou – Eu não tive culpa, ele me segurou à força!
— Como você tem coragem de mentir Cecília? Eu vi! E você seu desgraçado? Como se atreveu a encostar na minha mulher?
— Ela deixou!
Gustavo ia disferir um soco contra o médico mas Cecília o segurou.
— Não faz isso, nós estamos dentro de um hospital!
— Me larga! Não quer que eu bata nele por quê? Ficou com pena dele? — Esbravejou
— Deixa de falar besteira Gustavo! Nós estamos num hospital, é um absurdo bater em alguém aqui dentro, ainda mais em um médico, pode te trazer problemas! — Rebateu
— Vai defender ele agora?
— É claro que não! Eu estou defendendo você, ou melhor, estou te livrando de um possível processo!
— Ela tem razão, Lários. Quem bate em médico é processado!
Gustavo ia partir pra cima dele mas novamente foi impedido.
— Vai embora daqui, por favor! Já nos trouxe muito problema! – Pediu a ex-noviça segurando Gustavo
Rodrigo saiu dali com um sorriso debochado em seu rosto, deixando Gustavo e Cecília a sós.
— Gustavo, me escuta! Ele me agarrou à força porque eu bati nele antes de você entrar!
— O que eu vi foi muito diferente de um tapa! – Ralhou com irritação
— Dá pra você me ouvir? Ele ia me beijar e eu dei um tapa nele, por isso ele me agarrou! Acredita em mim!
— E porque você não se afastou então? – Questionou irritado, sem olhar para ela
— Eu não consegui! Ele me segurou com muita força! Olha pra mim! – Pediu com lágrimas nos olhos, e ele olhou – Eu te amo! Eu só tentei me defender, ele veio com uma conversa meio estranha e eu disse que era casada com você há sete anos! E quando ele quis me beijar, insinuou que o meu casamento não era obstáculo, aí eu me descontrolei e bati nele!
— O que foi que você respondeu quando ele insinuou que o casamento não era um obstáculo?
— Eu disse que meu casamento era a coisa mais importante pra mim depois da minha filha, e repeti: “Eu sou casada e amo o meu marido!” Eu te amo Gustavo, você é o único homem da minha vida!
— Por enquanto! De noviça passou para uma qualquer, que beija qualquer um!
— Já chega Gustavo! – Deu um tapa no rosto dele – Eu não vou deixar você me ofender assim! Se não quer acreditar em mim tudo bem, não acredite. Mas vá atrás da verdade! – Disse saindo da lanchonete, chorando
Ela voltou ao quarto e deitou-se junto à filha, que estava num sono profundo. Se permitiu chorar e colocar pra fora toda a dor que estava sentindo pela dúvida de Gustavo. Era a primeira discussão e ele não acreditava nela, e ela chegara ao ponto de dar um tapa no rosto do homem da sua vida. Ela se perguntava para onde tinha ido aquele Gustavo romântico, que a defendia de tudo e de todos. Foi surpreendida pela entrada de Rodrigo no quarto.
— O que você quer aqui? Me causar mais problemas?
— Ao contrário. Vim te pedir perdão, não era a minha intenção que você brigasse com seu marido.
— Então não é comigo que tem que se desculpar. Você tem noção do que eu tive que fazer? Foi a primeira vez em sete anos de casamento que eu bati no meu marido! Ele não acreditou em mim, então se você quer que eu te perdoe vá lá e explique como tudo aconteceu. Sem esconder nada!
O médico saiu do quarto e foi atrás de Gustavo, Cecília chorou por mais alguns minutos e adormeceu.
— Senhor Lários! Eu quero explicar o que houve, me escute, por favor.
— Eu acho bom que a sua explicação me convença, caso contrário eu te denuncio pro Conselho de Medicina! – Disse irritado
— Por favor, me escute. A sua esposa é uma mulher muito bonita, com todo o respeito. Eu não vou negar que me senti atraído por ela, por causa disso acabei passando dos limites. Fiz elogios que não se fazem a mulheres casadas, inclusive dei a entender que o casamento não era obstáculo pra nada. Ela se irritou, quis ir embora, disse que o casamento era a coisa mais importante da vida dela depois da filha, e que amava o marido. Eu quis beijá-la e ela me deu um tapa, eu me irritei e agarrei ela à força. Logo depois o senhor chegou.
— Ela tentou se defender?
— Sim, mas eu não deixei. Por favor, me desculpe.
— Alguém mais viu o que aconteceu aqui?
— Só os garçons.
Gustavo chamou os garçons, que rapidamente foram até ele.
— O que ele disse é verdade? A minha esposa não teve culpa de nada? Falem a verdade.
— Não senhor. A sua esposa só quis se defender, por isso bateu nele. – Falou um dos garçons
— Ela tentou se afastar dele, mas não conseguiu. E nós não somos autorizados a interferir em discussões. A sua esposa não teve culpa de nada. – Disse o outro
— Está bem, obrigado. Me deixem sozinho, por favor. – Os garçons se retiraram e Rodrigo também, depois de se desculpar mais uma vez com Gustavo.
— Eu fui tão injusto com a Cecília... A ofendi de uma forma que ela não merecia! – Falava sozinho, se condenando – Preciso pedir perdão! Mas e se ela não me perdoar? Eu fui duro demais, duvidei do amor dela sem nem dar uma chance!
Ele agradeceu aos garçons novamente antes de sair da lanchonete e voltar para o quarto. Seu coração se apertou ao ver a amada com vestígios de lágrimas no rosto. Se aproximou dela, e a beijou.
— Gustavo? – Disse despertando e indo em direção ao sofá onde eles dormiam antes
— Meu amor, me perdoa. Eu fui injusto com você. O Rodrigo me explicou tudo, os garçons que estavam lá também, você não teve culpa de nada!
— Não, eu não tive. Mas mesmo assim você me ofendeu, e eu tive que fazer algo que eu jamais imaginei. Você pode imaginar o quanto doeu em mim ter que te dar um tapa?
— Eu mereci, eu sei. Me perdoa! Você disse a ele que me ama, que nosso casamento era a coisa mais importante da sua vida, depois da Dulce Maria. Eu te amo demais, você é a mulher da minha vida! Eu devia ter acreditado em você, eu fui muito injusto. Me perdoa? – Pediu se ajoelhando
Cecília o olhou, sem saber o que responder.
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