GuCilia - Uma História Diferente
17 Capítulo 17 - Casal de Chefs
Notas iniciais
— Vamos entrar então, mamãe?
— Vamos!
Dulce Maria bateu à porta do escritório de Gustavo e só abriu a porta depois que ouviu sua entrada ser autorizada, recebendo um sinal de positivo da mãe.
— Licença, papai! – Ela disse indo até a mesa dele e sentando-se em seu colo
— Estamos atrapalhando, meu amor?
— Filha! Que surpresa boa! – Ele beijou o rosto da filha e os lábios da namorada – Claro que não, vocês nunca atrapalham! Então, como foram as compras?
— A gente comprou um montão de coisas! – A infante respondeu
— E cadê? Eu quero ver!
— Eu pedi pra levarem tudo pro carro, em casa vemos tudo com mais calma!
— Papi, sabia que a mamãe nunca tinha ido ao shopping?
— É mesmo? E o que você achou?
— Achei lindo! Eu confesso que fiquei com medo de me perder lá dentro com a Dulce, mas ela me garantiu que entende tudo de shopping!
— Deve entender mesmo, a Estefânia levava ela ao shopping quase todo final de semana quando eu estava longe! E você comprou seu celular?
— Comprei, mas não sei nada além do básico, que é fazer e receber ligações!
Gustavo quis rir, mas se controlou para não envergonhar a “esposa”.
— Não se preocupe com isso, meu amor! Lá em casa tem gente suficiente pra te ajudar, principalmente a Estefânia, que é super ligada nessas coisas! Amor, nem te perguntei, você quer um café?
— Eu acho que eu vou aceitar, ouvi dizer que o Rey Café é muito bom! – Ela brincou
— Eu também quero papi!
— Você é muito nova pra tomar café puro, meu amor. Mas eu posso pedir pra trazerem um leite com chocolate pra você, quer?
— Sim piririm!
Gustavo ligou para o ramal de Silvana e pediu a bebida para a filha, e enquanto ele fazia os cafés dele e de Cecília e Dulce rabiscava alguma coisa no risque-e-rabisque que estava sobre a mesa de seu pai, o telefone tocou.
— Atende pra mim, amor? – Ele pediu
— Claro! – Cecília deu a volta na mesa e sentou na cadeira de Gustavo colocando Dulce em seu colo – Alô?
— Dona Cecília? É Silvana. Tem uma ligação do colégio da Dulce pro senhor Gustavo ou pra senhora, posso passar?
— Pode, obrigada.
— Quem é? – Gustavo perguntou
— Do colégio da Dulce.
Ligação on
— Alô, Madre? – Ela sorriu ao ouvir a voz da religiosa
— Cecília, que bom te ouvir! Só pela voz dá pra sentir sua felicidade! Como foram de viagem?
— Aconteceram algumas coisas, e voltamos mais tarde do que esperávamos. Mas eu estou muito feliz, Madre. O Gustavo e a Dulce me completam! – Ela beijou o rosto da pequenina e piscou para o namorado
— Que bom, Cecília! Torço muito pela felicidade de vocês.
— Obrigada. Mas... Aconteceu alguma coisa?
— Eu liguei pra perguntar quando a Dulce Maria volta, na próxima semana teremos as provas e não é bom ela perder.
— Claro, Madre. Eu ia até o colégio essa semana conversar com a senhora e as irmãs sobre isso.
— O que houve? Ela não vai voltar?
— Vai, o quanto antes. Mas talvez eu também precise passar mais um tempinho aí.
— Eu não estou entendendo, Cecília.
— É meio complicado de explicar agora, sabe? Mas amanhã de manhã eu levo a Dulce de volta pro colégio e aproveito pra conversar com a senhora e rever as irmãs e as alunas.
— Está bem, nos vemos amanhã então. Até logo!
— Até, Madre!
Ligação off
Cecília desligou o telefone, e Gustavo entregou o café com um coração desenhado na espuma.
— Obrigada, meu amor!
— De nada! – Deu um selinho em seus lábios – O que a Madre queria?
— Vou levar a Dulce de volta pro colégio amanhã. Semana que vem começam as provas e não é bom que ela perca as revisões, ela já perdeu mais de uma semana de aula!
— Mas já, mamãe?
— Você precisa voltar pro colégio, meu amorzinho. Tem prova a partir da semana que vem, e você não está de férias. Nós viajamos pra conhecer a tia Fátima e trazer ela pra Doce Horizonte.
— Mas eu não quero dormir sozinha lá! Tô com medo dos pesadelos!
Gustavo e Cecília se olharam, como se o que temiam estivesse acontecendo.
— Meu amor, você não vai estar sozinha! As outras meninas vão estar lá no quarto, as irmãs ficam sempre perto de vocês, e se for preciso eu passo um tempo com você lá!
— Obrigada mamãe! – Ela abraçou a mãe, em seguida olhou em seus olhos – Com você lá eu posso dormir sem medo de pesadelos, e sem medo de você morrer!
— Dulce... Não fala assim, por favor! Não vai acontecer nada comigo!
— Mamãe...
— Não, chega desse assunto! Não quero mais te ouvir falando nisso, entendido? – A ex-noviça falava com firmeza, mas em um tom de voz suave. Sentia seu coração apertar a cada vez que a filha falava em morte.
Cecília abraçou Dulce mais uma vez, e olhou preocupada para Gustavo. Ele retribuía o olhar como se não soubesse o que responder, seu maior medo era que acontecesse algo a Cecília e ele a perdesse como perdeu Teresa.
[...]
No fim da tarde, Gustavo, Cecília e Dulce Maria chegaram em casa carregados de sacolas e junto de toda a família discutiam onde colocariam as coisas que haviam comprado. Depois do momento familiar, Gustavo foi à cozinha e pediu que Silvestre e Franciele apenas o auxiliassem, pois ele próprio fazia questão de preparar o jantar.
— Então senhor? O que vai preparar?
— Minha especialidade: Salmão a marinara com um copo de vinho branco! Podem me ajudar com a salada, por favor?
— É pra já! – A cozinheira respondeu
— Há muito tempo o senhor não cozinhava!
— É verdade, Silvestre. Só uma vez ou outra lá em Madrid! Mas hoje resolvi surpreender a Cecília e a Dulce. Quando eu vim buscar o café hoje mais cedo, a Cecília duvidou que eu soubesse cozinhar! – Ele separava as coisas que precisaria para preparar o jantar
— Eu ouvi meu nome? – Ela perguntou aparecendo na cozinha
— Ouviu sim! Eu estava dizendo ao Silvestre e à Franciele que você duvida das minhas capacidades culinárias!
— Como é cínico! – Ela riu e foi até perto dele – Eu não duvidei, só fiquei surpresa, você é um homem tão sério, importante, não parece o tipo de homem que leva café da manhã na cama, faz o jantar... Só isso!
— Você não me conhece! – Ele riu e a beijou ternamente – Gosta de salmão?
— Adoro! Apesar de não ser algo que comíamos com frequência lá no colégio, eu acho muito gostoso!
— Ótimo! Já é mais de meio caminho andado! Agora resta saber se você vai gostar desse salmão aqui.
— O que tem de tão especial nesse salmão?
— Muito simples, meu amor! Sou eu que estou fazendo!
— Meu Deus, como é convencido! – Ela gargalhou – Meu amor, você vai fazer a sobremesa também?
— Não! Não me dou muito bem com doces, a sobremesa fica por conta da Franciele.
— Franciele! – Cecília chamou e a cozinheira voltou sua atenção a ela – Vou te dar uma folga essa noite, se o Gustavo faz o jantar, eu faço a sobremesa!
— Obrigada, patroa! Tem tanto tempo que eu não tiro uma folga! – A cozinheira agradeceu empolgada, recebendo um olhar fuzilante de Silvestre – Precisando de alguma coisa, é só pedir!
— Obrigada, mas pode deixar comigo! Não é nada difícil, vou fazer a sobremesa preferida da Dulce Maria!
— Banoffee? Ela adora! – Gustavo comentou
— Eu sei, eu fazia muito pra ela lá no colégio!
— Aliás, cadê ela que não veio atrás da senhora ainda? Desde que a senhora veio morar aqui ela não desgruda! – Franciele questionou
— Franciele, pelo amor de Deus, não se meta na conversa dos patrões! – Silvestre estava com os olhos arregalados, surpreso com o que ele considerava ser ousadia da cozinheira
— Deixa Silvestre! – Cecília riu – Ela tem razão, desde que eu me mudei pra cá a Dulce não me larga mesmo! Eu deixei ela com os tios, estavam se divertindo lá em cima! Quando terminarmos aqui você pode chamá-los.
— Sim senhora. – Ele assentiu – A salada já está pronta, precisam de mais alguma coisa?
— Eu não, obrigada. Gustavo, você precisa de mais alguma ajuda?
— Não, meu amor. Se quiserem, podem ir descansar um pouco.
Silvestre e Franciele se retiraram e deixaram Gustavo e Cecília a sós na cozinha. Gustavo já terminava de preparar o salmão e colocá-lo no forno, enquanto Cecília começava a fatiar as bananas e colocá-las uma a uma sobre o doce de leite que já estava distribuído pela massa quase crocante na forma.
— Quer alguma ajuda, meu amor? – Ele a abraçava por trás, beijando seu pescoço
— Terminou tão rápido de preparar o salmão?
— A preparação não é demorada, o que demora mais é o forno! Não quer ajuda?
— Não, eu quero que você me deixe terminar a sobremesa! Senão não vai dar tempo! Gustavo! – Ele continuava a beijar o rosto e o pescoço dela
— Desculpa, meu amor! Você está tão linda, tão cheirosa, que eu não resisto!
— Não resiste, é? – Ela enfim se virou para ele e depositou um suave beijo em seus lábios
— É impossível resistir a você!
— Então aprenda! – Ela sujou o nariz e os lábios dele de doce de leite e se virou novamente para o balcão, voltando ao que fazia antes
— Ei! É assim? Você me suja e pronto?
— O que é que você quer que eu faça?
— Tenha a gentileza de limpar o que você sujou! – Ele a virou novamente para olhar em seus olhos
— Com o maior prazer. – Ela respondeu sussurrando ao ouvido dele e beijou o nariz e os lábios do empresário suavemente, mas Gustavo não se contentou e aprofundou o beijo
Depois de mais alguns segundos ela o interrompeu.
— Amor, me deixa terminar a sobremesa, vai?
— Deixa a sobremesa pra lá! – Ele insistia em beijá-la, pegando em sua cintura
— Nada disso! É a primeira vez que você e eu fazemos jantar, sobremesa pra nossa família toda, é um dia especial! – Ela apoiava os braços nos ombros dele
— Tudo bem, me convenceu! – Ele suspirou pesadamente – Mas hoje eu quero que você durma comigo!
— Eu até queria meu amor, mas você sabe que desde tudo o que houve em Recife a Dulce não quis mais dormir sozinha! E quando dorme, tem pesadelos. É por isso que eu vou até o colégio amanhã falar com a Madre, pretendo passar a noite lá, mas sem ficar no quarto dela pra ver como ela se comporta, sabe?
— Tudo bem, você tem razão! Eu também estou muito preocupado com ela! Bom meu amor, eu vou subir e tomar um banho rápido enquanto esse peixe não fica pronto, até já! – Ele deu um selinho nela e foi em direção aos quartos
— Franciele!
— Sim senhora? – A cozinheira apareceu alegre como sempre
— Fica de olho nesse salmão, por favor, porque o Gustavo quando entra no banho esquece da vida! Ele disse que seria rápido, mas eu conheço o meu marido.
— Marido?
— É uma brincadeira nossa, nada demais. Bom, eu vou colocar essa sobremesa na geladeira e vou subir também. Até já!
Cecília subiu as escadas e parou na porta do quarto da filha ao ouvir as risadas dela e de Fátima, Estefânia, Vitor e Gabriel.
— O que vocês estão fazendo?
— Mamãe!
— Nós estávamos olhando umas fotos, contando histórias, a Dulce ficou toda empolgada! – Fátima contou
— O Gustavo me disse uma vez que adora ver fotos, ouvir histórias, deve ter puxado isso dele!
— Cadê o papai?
— Foi tomar banho. Eu pedi pra Franciele ficar de olho naquele salmão porque seu pai quando entra no banho esquece da vida! Aliás, mocinha, você também tem que ir pro banho! Vamos lá, você vai tomar banho comigo hoje!
— Ah não, eu não gosto de tomar banho!
— Nem se for de banheira?
— Aí eu gosto! Vamos mamãe!
Cecília riu e foi até o seu quarto com Dulce Maria, enquanto os outros desciam até a sala para esperarem o jantar.
[...]
— Senhoras, senhores, o jantar será servido. – Silvestre anunciou aparecendo na sala, depois que todos já estavam lá
— Obrigado, Silvestre. Por favor, nos traga o melhor vinho branco que tivermos na adega. – Gustavo pediu enquanto todos se dirigiam à mesa
— Meu amor, eu prefiro não beber vinho, você sabe por que, né? – Ela o parou ainda na sala
O empresário riu ao lembrar-se do comportamento da namorada após experimentar vinho pela primeira vez.
— Gustavo, por favor! – Ela pediu envergonhada
— Pode pedir outra coisa se quiser, o Silvestre ou a Franciele preparam pra você, mas não vai ter o mesmo sabor! Fica tranquila, eu prometo que não deixo você passar vergonha! – Ele brincou
— Debocha de mim, e eu esqueço que estava pensando em dormir com você hoje! – Ela o “ameaçou”
— Tudo bem, eu não falo mais nada! – Ele ergueu as mãos em sinal de rendição – Vai querer outra bebida?
— Não, se você disse que fica melhor com vinho eu acredito em você.
Eles se juntaram ao resto da família e começaram a jantar.
— Então, o salmão está aprovado? – Gustavo perguntou à família reunida à mesa e todos concordaram
— Aprovadíssimo, meu amor! Tem alguma coisa que o deixa ainda mais saboroso!
— Tem um pouco de vinho branco no salmão também.
Ela o olhou com certa surpresa, como se dissesse: “Quer me deixar bêbada?”.
— Eu não estou muito acostumada com bebidas, mas tenho que admitir que está delicioso!
A família continuou a refeição, conversando sobre coisas triviais, a casa nova, entre outras coisas.
— Franciele, pode trazer a sobremesa, por favor? – Cecília pediu
— O que tem de sobremesa mamãe?
— Banoffee!
— Eba! Meu doce preferido! Eu adorava quando você fazia de sobremesa pra mim lá no colégio!
— Eu sei, por isso mesmo eu fiz hoje! Eu vi seu pai fazendo o jantar, resolvi fazer a sobremesa!
— Então temos um casal de chefs? – Fátima brincou
— Não é pra tanto, cunhada. A Cecília eu não sei, mas eu não sou um homem da cozinha. Esse salmão é uma das poucas coisas que eu sei preparar.
— A Cecília cozinha bem desde novinha! Ia até a cozinha do orfanato e ficava lá com as irmãs, prestando atenção em tudo!
[...]
Depois do jantar a família Lários continuou reunida na sala e depois de alguns minutos Dulce Maria adormeceu no colo da mãe.
— Quer que eu leve a Dulce lá pra cima? – Gustavo se dirigiu à namorada
— Não precisa, eu mesma levo! – Ela se levantou segurando a filha em seus braços como se fosse ainda um bebê – Boa noite!
— Boa noite! – Eles responderam, e Gabriel emendou o assunto
— É Gustavo, dessa vez você acertou! Depois da Teresa, não poderia ter mãe melhor para a minha sobrinha do que a Cecília.
— Nem me fale Gabriel! A Cecília é a pessoa perfeita para a nossa família, ainda bem que eu não cometi o erro de me casar com a Nicole. E vocês me alertaram tanto! Viram desde o início quem ela era, mas eu estava cego, achando mesmo que ela era a mulher certa pra mim, que seria uma boa mãe, mas ela e a família de chantagistas que ela tem só queriam saber do meu dinheiro!
— Mas isso é pagina virada primo! Uma vida nova começou pra gente no momento em que a Cecília entrou aqui em casa, e todo o resto ficou pra trás!
— A Estefânia tem razão, Gustavo. – Gabriel disse – Vamos viver todos juntos, como a família que somos!
No andar de cima, Cecília colocava Dulce deitada em sua cama, não adiantaria nada querer que a menina dormisse sozinha. Um pouco mais tarde, quando todos já estavam dormindo, Gustavo foi até o quarto da namorada.
— Ainda acordada, meu amor? – Ele se sentou à frente dela
— Oi... Estava aqui pensando na gente, na Dulce Maria, não tem nem um mês que estamos juntos e olha quanta coisa já aconteceu!
— Está preocupada, não está?
— Muito... Já é a terceira ou quarta vez só essa semana que ela me pede pra não... Não... – Os olhos dela já começavam a marejar – Não morrer.
— Ela está dormindo bem? – Ele olhou pra filha
— Até agora sim. Numa das últimas vezes que ela teve esses pesadelos ela disse ter visto um menino parecido com o Emílio, só que loirinho e de olhos claros falando com ela.
— Um anjo?
— Pelo que ela me disse, tenho quase certeza que sim!
— E o que ele falava?
Ela respirou fundo para evitar que as lágrimas descessem pelo seu rosto.
— Que estava chegando o dia da minha morte.
Gustavo se assustou e abraçou a namorada, que chorou em seus ombros.
— Isso vai passar um dia? Ou só se eu morrer? – Ela chorava
— Não fala assim, meu amor! Nada vai te acontecer! – Ele se afastou e limpou as lágrimas dela – O que ela tem deve ser trauma por causa das atrocidades e ameaças da Nicole!
— Teve mais notícias dela?
— Está numa prisão de segurança máxima, numa enfermaria isolada. Eu soube que ela surtou, enlouqueceu, e está dopada e amarrada na cama de um quarto sem absolutamente nada além da cama. – Contou o empresário
— Que Deus um dia a perdoe. Será que assim ela muda?
— Não sei. A mãe e o irmão dela já tentaram trazê-la pra cá, mas é arriscado, ela pode acabar fugindo.
— E tudo isso por causa de dinheiro. Como pode alguém viver sem uma meta, sem um objetivo na vida?
— Mente vazia, meu amor. Dinheiro muda muitas pessoas, às vezes pro bem, mas na maioria das vezes pro mal. Foi o que aconteceu com ela, quis tanto ter a nossa vida, ser dona do dinheiro da nossa família que perdeu a razão!
— Tenho pena dela, mas ela tem que pagar pelo que fez. E a Dulce, Gustavo? Você acha que devemos voltar naquela psicóloga?
— Não sei, nós fomos lá anteontem e não deu em nada. Ela não quis falar com a psicóloga, mas quem sabe se o Gabriel conversar com ela? Ele é tio, mas também é padre!
— Você acha que dá certo?
— Eu acredito que sim, mas vou falar com ele antes. Qualquer coisa eu peço pra ele ir lá no colégio conversar com vocês duas.
— Tudo bem então. Vou ver se durmo pra levá-la ao colégio amanhã cedo.
— Não quer que eu vá com vocês?
— Não precisa amor, obrigada! Eu peço um táxi!
— Não precisa! Peça a chave do outro carro pro Silvestre amanhã cedo, a partir de amanhã aquele carro é seu!
— Espera aí, que outro carro?
— A Estefânia tem o conversível dela, eu tenho o meu carro, e tem outro carro, que o Gabriel e a Estefânia usam quando precisam sair com a Dulce.
— Ah, já sei qual é! É um preto né?
— Isso! A partir de amanhã aquele carro é seu! Ou se quiser outro, não tem problema!
— Não precisa me dar um carro, Gustavo! Não precisava me dar nem esse, quem dirá outro! Mas obrigada! – Ela o agradeceu com um beijo suave – Quer dormir aqui? Cabemos nós três nessa cama, ela não é tão grande quanto a sua, mas acho que cabe!
— Claro que eu quero! – Ele se deitou ao lado dela, abraçando sua cintura e beijando seu ombro – Boa noite, esposa.
— Boa noite, marido. – Ela se virou para ele e o beijou
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