Growing Up
14 Revelações
Notas iniciais
#Melani
Estava dormindo por cima da Duda quando sinto uma mão tocar meu ombro. Murmurei alguma coisa sem sentido e enterrei mais a minha cabeça no pescoço da minha pequena.
– Mel... – Era a voz da minha mãe, logo me dei conta da situação e em um movimento rápido levantei minha cabeça a encarando. Eu e a Duds estávamos sem roupa, enroladas no lençol, devido ao ocorrido de hoje mais cedo, mas mesmo assim podia-se ver como nos entravámos. Mamãe alternava seu olhar entre eu e Duda, que por sua vez ainda estava dormindo. Não consegui dizer sequer uma palavra, pisquei meus olhos algumas vezes rapidamente. Mas que droga, não era para as coisas acontecerem assim, eu devia ter lembrado de trancar a porta ontem à noite; pelo menos ela não veio mais cedo.
– Mamãe? – Finalmente pude dizer alguma coisa.
– Filha... levante-se, chame a Eduarda e desçam. Vim aqui para acorda-las mas depois do que vi, precisamos conversar, eu, ela, você e seu pai. Então andem logo – ao se levantar foi em direção a porta e nos olhou pela última vez antes de fechar a porta. Eu não sabia o que minha mãe estava pensando naquele momento, porém, ela estava séria demais. Sai dos meus devaneios.
– Duda... Duda... amor acorda – falei e ela finalmente abriu os olhos com um sorriso estampado no rosto.
– Oi amor... você parece apressada, o que foi? – Perguntou enquanto eu me sentava na cama segurando o lençol sobre meu corpo.
– Minha mãe veio aqui nos chamar e viu nossa situação – levantou-se me encarando – e está lá em baixo nos esperando para conversar com ela e com o papai.
#Eduarda
– E agora? O que você acha que eles vão fazer? – perguntei um tanto assustada, afinal, era a filha deles namorando com uma pessoa que além de garota é prima dela. Tinha minhas esperanças que eles não tivessem problemas, afinal como disse a Gabs, eles tinham amigos gays... mas nunca se sabe.
– Não sei, mas acho melhor irmos logo – tomamos banho juntas mas nada em excesso aconteceu, apenas algumas carícias aqui e ali. Quando chegamos lá em baixo meu tio estava lendo seu jornal, mas o abaixou e nos observou, a Vanessa estava em pé no canto da sala olhando pela janela. Eram 12h30, a essa hora deveríamos estar almoçando, mas tínhamos uma longa conversa pela frente.
– Cadê a Gabi, o Pietro e o Rique? – Perguntou a Mel
– A Gabi está na casa da Raquel – amiguinha dela que mora na casa ao lado – o Pietro saiu logo cedo e o Rique foi na universidade – falou tio Guga – a Vanessa me contou uma coisa e eu preciso que me diga exatamente o que está acontecendo, então é melhor se sentarem. – eu olhei pra Mel e ela pra mim, concordamos e nos sentamos lado a lado em frente ao seu pai, sua mãe finalmente pareceu perceber nossa presença na sala e se aproximou do sofá, continuando de pé.
– Tio... – pronunciei-me – eu... eu realmente não sei como dizer isso – falei entrelaçando meus dedos e apoiando meus cotovelos nos meus joelhos. A Mel estava calada, parecia tentar encontrar palavras para aquele momento.
– Eu vou facilitar um pouco as coisas, okay? A Van falou que foi chamar vocês duas para descer e quando chegou lá... vocês duas estavam deitadas juntas... apenas com o lençol cobrindo o corpo... vou ser direto. Realmente aconteceu, digo, realmente aconteceu algo essa noite?
– Sim – dissemos juntas e a Vanessa colocou a mão na cintura.
– Mas e o Matheus, Melani? – Falou ela aparentemente irritada.
– Eu terminei com ele...
– E vocês duas tem algo sério? – indagou meu tio.
– Temos desde ontem depois da aula... eu pedi a Mel em namoro depois que nos saímos da escola e ela me falou que tinha terminado com Matheus. Mas já tínhamos ficado outras vezes. – Falei o encarando
– Era só o que me faltava – Vanessa comentou baixinho mas mesmo assim deu para escutar.
– Estamos apaixonadas mãe, eu nunca gostei de uma garota como eu gosto da Duda – ficou de pé já irritada.
– APAIXONADAS? EM MENOS DE UMA SEMANA? HÁ ESSA É BOA
– SIM! Me senti diferente desde a primeira vez que a vi. Não posso guardar isso pra mim. Eu quero ela e ela me quer! Respeite. Qual é mãe, você e o papai são amigos do Pedro e do Lucas e os dois são GAYS ASSUMIDOS, moram juntos e tudo mais.
– MAS É DIFERENTE...
– DIFERENTE COMO? – levantei-me em tentativa de acalmar a Mel
– ELE NÃO É MINHA FILHA – silêncio, ninguém queria dizer nada naquele momento e eu? Bem, eu não podia deixar de pensar que se eu tivesse ficado em Gramado eu não teria causado tudo isso.
– Acalmem-se – disse meu tio agora também em pé.
– Justamente por eu ser sua filha você deveria me apoiar, eu estou apaixonada e em menos de uma semana senti coisas que em todo o meu relacionamento de quase um ano com o Math eu não senti – ela estava com os olhos marejados.
– Vanessa... – tentei conversar
– Você eu já tinha minhas dúvidas... mas minha filha – colocou a mão na testa e fechou os olhos.
– Amor, as meninas estão se descobrindo uma com a outra. Se em menos de uma semana elas se apaixonaram uma pela outra... não podemos fazer nada, quem nos garante que tudo isso não começou, como disse a Mel, no primeiro instante que se viram? Não se lembra de nós dois? Naquele varão de 1987? – Sorriu e ela correspondeu – dançando ao som de Elton John na festa daquele seu amigo... como é mesmo o nome dele?
– Marcos – respondeu um pouco mais leve.
– Isso mesmo Marcos – eu e a Melani observávamos tudo de longe – eu me apaixonei por ti no momento em que você passou por aquela porta, usando um vestidinho azul claro – a abraçou.
– Eu também me apaixonei por você quando te vi naquele casaco de couro ao lado dos seus amigos – eles eram realmente lindos juntos. Abracei a Mel de lado e ela segurou com força minha cintura.
– Nós casamos um ano depois – riu
– Verdade...
– Então... não culpe as meninas amor – ela parou e nos olhou.
– Vou... vou me acostumar com o tempo, mas é tudo muito novo pra mim. Eu apenas não esperava. Duda, eu gosto de você, é uma menina muito boa e educada, mas entenda que... eu preciso de um tempo para me acostumar com a ideia tudo bem?
– Claro, Vanessa... eu entendo...
– Filha... eu vou te apoiar mas... me dê um tempo, como eu disse pra Duda, certo?
– Certo mãe – a abraçou. Depois da nossa conversa, o dia seguiu normalmente, claro, um pouco tenso, mas nada demais. Almoçamos e logo o Pietro e a Gabi chegaram. O meu primo estava com a Nanda, eles foram ao shopping e comeram por lá mesmo, e a Gabs estava na casa da amiga e também já tinha comido, Rique ligou avisando que iria chegar apenas de tarde e iria fazer uma refeição por lá mesmo. As 14 horas, eu e Melani fomos para o shopping, tomamos um milk-shake ao mesmo tempo que conversamos sobre o ocorrido a pouco, e quão surpreendente fora a maneira como meu tio converteu a situação com a esposa. Compramos os meus materiais esportivos e olhamos os filmes em cartazes, combinamos e voltar essa semana para assistir monstros S.A junto com a anãzinha. Íamos em bora quando a Mel disse que queria ir ao banheiro.
– Amor, vou ao banheiro, certo?
– Claro, vai lá, vou ficar te esperando – Ela saiu e eu fiquei usando a internet pelo celular, estava com a cabeça baixa quando senti uma mão em meu ombro – Nossa já foi e ... você? – era aquele homem, o mesmo da frente da escola e da pizzaria. Agora com ele tão perto e olhando em seus olhos, aqueles olhos... eu lembrei... não pode ser.
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