Groupies
2 Monique
Notas iniciais
Assim eu inflo meu ego e viro escritora funcional. Mesmo. Não uma má ideia... KKKKKKKKKK
Como prometido, vou continuar. É.
Tinhamos que ter 1 one do Slash, né pessoas?
Enjoy it!
Se adivinharem a inspirada, ganham 1 pé de moleque!
Dizem que às vezes você encontra pessoas que marcam sua vida. Essas pessoas, geralmente, partem e você nunca mais as vê.
Foi o caso da Monique.
Estávamos de parada por uma cidadezinha no meio do Tennesse, lar dos vilarejos mais patéticos do país inteiro e da musica country. Nada de mercados 24 horas, ou lojas especializadas em bebidas, ou traficantes a disposição.
Eu particularmente estava frustrado. Preso naquela pousada no meio do nada, com uma cama desconfortável e uma imagem assustadora de São José e uma ovelha me encarando. Eu queria me divertir. Algo meio impossível naquela situação.
- Os cigarros estão acabando... – Steven comentou irritado.
- É eu notei – bufei abrindo o criado mudo com violência tentando ver se tínhamos algo de interessante. Apenas folhetos de restaurantes. Xinguei mentalmente.
- Eu vou sair – decidi. Steven levantou a cabeça e sorriu debochado.
- Para onde? – quis saber – Vai paquerar algumas vacas?
Fiz uma careta.
- Cale a boca. Vou atrás de cigarros.
- Boa sorte com isso, então... – ele disse rindo.
Bati a porta do quarto e sai pela recepção como um furacão.
Já anoitecia e as ruas estavam praticamente vazias. Nenhuma alma. Nada.
Comecei a andar a ermo, na esperança de achar alguma loja de conveniência aberta.
O silêncio tumular, cortado por grilos e outros insetos ocasionais me perturbavam. Eu sentia falta da agitação de Los Angeles. Das prostitutas andando rebolativas pelos becos, dos viciados em crack tendo alucinações nas calçadas e até mesmo dos policiais soltando balas de borracha e jatos de mangueira nos vagabundos.
Meus pensamentos foram interrompidos por passos rápidos, se aproximando. Me virei para trás, assustando a garota encoberta por um gorro de lã que tentava pegar minha carteira.
Ela soltou um gritinho agudo, surpresa. Eu a segurava pelo braço.
- Oi? – saudei tranquilamente. Ela arfava.
- Me solta – disse entre os dentes.
- Eu não sabia que tinha ladrões nesse fim de mundo – ironizei. Ela me fuzilava com os olhos fundos.
- Não sou ladra – se defendeu puxando o pulso com violência de mim.
- E o que estava fazendo então?
Ela abriu a boca para falar e fechou logo em seguida. E tornou a abrir. E a fechar novamente.
Sorri. Ela fechou a cara e fez menção de sair correndo.
- Nem pense nisso. – avisei – Antes quero uma informação.
Ela arqueou as sobrancelhas.
- Informação? Você não parece o tipo que pede informações.
Ignorei este ultimo comentário.
- Eu quero saber onde acho alguma loja de conveniência aberta.
Ela riu.
- Não tem. Não por aqui. Do que você precisa?
- Cigarros – respondi. Ela pareceu considerar.
- Eu sei onde achar cigarros. Dez pratas.
- Onde? – me rendi a curiosidade. Por dez pratas, deviam ser pelo menos três caixas de malboro. Mais que o suficiente para eu sobreviver até amanhã.
- Me siga – ela orientou – Aliás, sou Monique.
- Slash – respondi vago.
- Que raios de nome é Slash? – ela perguntou franzindo o nariz sardento.
- Na verdade é Saul. Mas todos me chamam de Slash.
- Eu gosto de Saul – ela confessou seguindo por um beco escuro.
- Para onde você está me levando? – questionei desconfiado.
- Está com medo, está Saul? – ela zombou.
- Você quem deveria estar, pirralha – retruquei no mesmo tom.
- Não sou pirralha.
Rolei meus olhos.
- Não tem mais de catorze.
Ela se calou.
- Idade não é algo relevante – disse azeda parando debaixo de uma escada de ferro, onde tinha uma porta oculta. A abriu.
- Entra – mandou enérgica. Obedeci.
Um sofá vermelho com o tecido rasgando. Uma cama de casal e uma mesa de montar encostada na parede amarela.
- Eu moro aqui – ela disse antes mesmo que eu perguntasse – Não é grande coisa, eu sei.
- Mora sozinha?
Ela deu os ombros.
- Moro. E daí?
- Sério, quantos anos você tem?
Ela despia o gorro, revelando os cabelos ruivos e compridos. Em seguida tirou o casaco pesado e jogou no sofá displicentemente.
- Não tenho menos que quinze. Isso eu te garanto. Quer seus cigarros ou não?
- Ah sim... – falei apalpando meus bolsos a procura de dinheiro.
Ela esperava impaciente.
- Eu tenho três dólares... – falei tirando uma nota de um dólar e algumas moedas do bolso do jeans. Ela cerrou os olhos.
- Então nada feito.
Mas eu precisava dos cigarros.
- Podíamos negociar! – me desesperei.
- O preço é dez dólares – ela bateu o pé, firme na decisão.
- Não posso te pagar de outra maneira? – tentei soar malicioso. Ela não era feia. E por baixo do suéter, os seios despontavam.
- Não! – ela se escandalizou – Está tão desesperado assim?
- Estou – confessei vergonhosamente.
Ela bufou e me atirou uma caixa de malboro.
- Você parece legal – disse dando os ombros – E necessitado.
Peguei um cigarro e acendi, tragando satisfeito.
- A única necessitada aqui é você – retruquei pondo o maço no bolso.
Ela cruzou os braços.
- Foi um prazer, Saul – disse seca.
- Quanta delicadeza... – fui sarcástico – Claro que você pode se sentar, Saul... – a imitei – Por que não come esses biscoitos? E toma esse chá?
Ela riu.
- Você é imbecil – disse ainda rindo – Vai, vamos conversar um pouco. Não é todo dia que eu tenho companhia.
Sorri involuntariamente e me sentei no sofá.
- Que tal você me contar de você, Monique? – sugeri.
- Não tenho nada que precise saber além do meu nome.
- Que misteriosa! Eu gosto das misteriosas...
Ela fez uma careta.
- Minha vida não merece ser compartilhada. – disse solenemente.
Soltei a fumaça do cigarro.
- A sua merece? – ela voltou o rosto para mim.
- Depende – respondi.
- Depende do quê?
- Do que você quer que eu compartilhe.
Ela pensou por um segundo.
- O que você faz da vida, Saul? – me perguntou por fim.
- Eu toco guitarra – revelei orgulhosamente – Em uma banda.
- E você gosta?
- É o que eu mais gosto de fazer – afirmei – Gostaria que me visse tocar uma vez.
- Eu adoraria – ela sorriu gentilmente – E o que mais você gosta de fazer?
- Às vezes eu me pego desenhando – ri. Os olhos dela se iluminaram.
- Eu sempre quis desenhar.
E encarei.
- Eu posso te desenhar – dei os ombros – Se tiver folha e caneta.
- Eu acho que tenho – ela se inclinou até uma banqueta de madeira, ao lado do sofá, e pegou um papel amarelado e um lápis.
- Vamos, faça sua arte – me incentivou. Ajeitei o cigarro no canto da boca e sentei de frente com ela.
- Se mantenha quieta – pedi. Ela assentiu mordendo o lábio pálido.
Eu traçava seu rosto magro com uma rapidez incrível. Os olhos castanhos contornados por olheiras, o nariz arrebitado e a boca fina torcida numa careta séria.
- Por que tão séria? – debochei.
- Você mesmo me pediu para me manter quieta – ela revirou os olhos impaciente.
- Mas não significa que eu queira que você fique a cara da Monalisa – retruquei – Vamos lá. Sorria um pouco Monique.
Ela sorriu de leve. Assenti positivamente.
- Muito melhor – elogiei. Ela tomou uma coloração vermelha nas bochechas.
Eu fazia as curvas dos seus cabelos, contornando o rosto e indo em cascata até abaixo do ombro.
- Está ficando bom? – ela perguntou esticando o rosto para tentar ver. Puxei o desenho até mim.
- Não vale espiar – fiz troça. Ela me olhou feio e bufando, voltou a mesma posição.
O pescoço fino tomava forma, assim como o colo. Eu dava os últimos retoques em seu rosto. Riscando os cílios e formatando a sobrancelha. E por fim, salpicando as poucas sardas que teimavam em dar a ela uma expressão infantil.
- Terminou? – ela quis saber já se remexendo incomodada.
- Quase... Pode me passar mais do cigarro?
Ela tirou um maço da caixinha e me entregou, sem antes dar um trago antes de mim.
Arqueei minhas sobrancelhas.
- Fuma?
- Não – ela tossiu – Mas pensei que seria uma boa hora de experimentar.
Ri puxando a fumaça.
- Nem tente mais fazer isso – adverti – Se não quiser acabar como eu.
Ela sorriu.
- Não vou – prometeu.
Me livrei das cinzas no chão.
- Terminei. Quer ver?
Ela praticamente saltou em cima de mim.
- Me mostra! – pediu numa ansiedade impressionante.
Lhe entreguei o desenho. Ela o olhava maravilhada, enquanto alisava inconscientemente o próprio rosto.
- Mas... Sou eu.
- O que achou?
- É perfeito – ela sorria bobamente – É como se eu estivesse me olhando num espelho. Você é um artista.
Sorri constrangido.
- Obrigado – agradeci – Mas não teria ficado tão bom com outra garota.
- E galanteador – ela completou rindo.
- É o preço – dei os ombros – Pelos cigarros.
Ela me olhou confusa.
- Não tem preço, Saul. Isso não tem preço – disse com a voz embargada – É lindo...
- Quer dizer que não quer nada pelos cigarros?
Ela negou.
- Eu já ganhei meu pagamento. Sua companhia.
Desde quando eu era uma boa companhia?
- Ah, querida, acredite... Não é um preço justo.
- Claro que é – ela me cortou e olhou novamente para o desenho – Quero que fique com você.
- Não vai ficar com o desenho?
- Quero que se lembre de mim, Saul. De alguma forma.
- Mas Monique, eu jamais iria te esquecer.
- Mas quero ter certeza – ela insistiu – Por que eu já tenho algo para me lembrar de você.
- O que? – perguntei.
Ela sorriu docemente.
- Sua musica, Saul. Eu tenho um rádio por aqui, em algum lugar. Quero te ouvir tocar.
- Venha comigo então. A banda vai partir pela manhã.
Ela riu seca.
- Se fosse tudo tão fácil... – disse amarga.
- Mas é! Você vive nesse buraco sem ninguém! Pelo menos com a gente, teria minha companhia!
- Por mais tentadora que seja a oferta, eu vou ter que recusar.
- Por quê? – me revoltei.
- Eu tenho minhas razões – ela disse encerrando o assunto – É sério Saul. É o que eu mais quero fazer. Mas não posso. Não podemos ter tudo que queremos.
Suspirei tristemente.
- Tudo bem então.
Ela me olhava tentando parecer compreensiva. E se aproximou delicadamente.
A encarei. Ela me encarava timidamente.
E me beijou de leve. Um beijo inocente e ao mesmo tempo urgente.
Nos separamos.
- Está amanhecendo – avisou me entregando o desenho.
- Eu... Eu preciso ir. – falei incerto.
- Sim.
Me levantei do chão e a ajudei a fazer o mesmo.
- Então... Adeus Monique.
Ela sorriu.
- Antes me diga o nome da sua banda, Saul.
- Guns N´Roses. Somos de Los Angeles.
- Não vou perder nenhuma menção a você, seja no rádio, ou nos jornais.
- Acredite. Não tem como perder – ri. Ela abriu a porta. O sol despontava no horizonte.
- Não vai me dizer seu nome inteiro? – tentei mais uma vez. Ela negou.
- Acho que é melhor assim – disse.
- Eu vou te procurar – avisei.
- E eu vou estar te esperando – assegurou – Não se esqueça de mim, Saul.
- Nunca, Monique. Nunca.
Acenei para ela, eu sorria calmamente, encostada no beiral da porta.
Passei os dias que se seguiram, obcecado pelo seu desenho. Por fim, o guardei em uma pasta de recordações, para tentar esquece-la.
Mas era impossível. Monique ocupava minha mente. Sua voz fina e sua risada cibilante ressoavam meus ouvidos.
Não se esqueça de mim, Saul.
Voltei ao Tenesse há uns dois anos atrás e decidi procura-la. Fui atrás dela, no mesmo beco e bati na porta oculta. Ninguém atendeu. Perguntando pela cidade, descobri que ela havia se mudado exatamente uma semana depois que eu havia partido. E não havia dito para onde iria. Apenas que iria para onde o vento a levasse.
Notas finais
É. Na próxima teremos ou a musa do Duff, ou do Axl.
Bjs
Lolis
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