Gritos Fulminantes
13 Capítulo 13-Ele vem vindo/ Lágrimas de gêmeas
Notas iniciais
POV Johnny
Matthew havia caído. Havíamos tentado subi-lo, mas o mesmo se soltou. Lena e Nancy pareciam cera de tão brancas, Alessa soltava pequenos soluços escondidos, mas o pior mesmo era que Jack estava vindo em nossa direção. Não tínhamos como escapar, porém tudo o que nos restava era fugir, correr o mais rápido possível.
– Johnny, o que vamos fazer?- Perguntou Lena apavorada
– Temos que fugir- Respondi um pouco trêmulo com a ideia
– Não temos outra opção- Respondeu Alessa
Contornamos com cuidado o abismo a nossa frente e começamos a correr como nunca. Para onde? Só Deus sabe! Mata para todos os lados e um passo pesado vindo atrás de nós.
– Droga, meu tornozelo!- Gritou Nancy parando de repente
– O que houve?- Perguntou Lena
– Acho que o torci, mas não podemos parar...- Ela respondeu com uma expressão de dor
Marlena retirou de sua média bolsa um curativo
– Deixa comigo, hei Johnny se você puder...- Disse Lena
– Ganhar tempo? Ok, mas não vou aguentar por tanto tempo- Respondi encarando a mata a espera de um assassino
Lena começou a fazer um curativo rápido enquanto eu e Alessa ficamos de vigia. Eu segurava uma estaca pesada de madeira achada no chão e Alessa um tronco grande de madeira, isso não serviria para nada, mas era melhor do que ficar de mãos vazias.
Então Jack apareceu, parte de sua máscara estava rasgada dando para ver um rosto deformado e feio. Dava a impressão de que ele já havia sido um homem normal e loiro, estranho, não? Engoli a seco quando ele chegou segurando um facão manchado por sangue, sangue de nossos amigos, nossos companheiros. Pensar isso só aumentou minha raiva por esse cretino, segurei firmemente minha “arma”.
– Não se aproxime!- Gritei firmemente
– Estou quase acabando- Disse Lena dando-me força com o olhar
– Faltam só vocês... hahaha acham que podem escapar da MINHA floresta?! Conheço todos os lugares dessa selva- Disse o assassino rindo friamente
– Você vai ser dar mal- Disse Alessa o encarando
O palhaço riu com a cena de Alessa, uma risada esnobe, mas estranha e diferente.
– Claro garota... claro- Disse com ironia e um sorriso podre
– Acabei! Vamos!- Gritou Lena reerguendo Nancy
– Como se eu fosse deixar- Disse Jack indo para cima de nós
Parei sua lâmina com meu tronco com dificuldade, ele era forte demais. Fiz força para ele não chegar perto e disse para que todos fossem correndo na frente. Se pudesse ao menos salvá-los, usaria a mim como sacrifício. Poderia parecer idiotice, mas eu não iria continuar fugindo.
– Vão! De pressa! – Avisei a todos
– Você está doido?!- Perguntou Nancy- Não vamos sem você!
– Eu vou segurá-lo o quanto der! Achem a saída dessa maldita selva! Conto com vocês- Eu disse
Minhas pernas começaram a tremer, mas eu não poderia parecer com medo agora, ninguém poderia me impedir. Eu não deixaria mais ninguém morrer; tentei parar inutilmente de tremer. O assassino vinha em minha direção, defendi novamente de seu facão enorme.
– Corram- Falei dando um sorriso positivo
– Droga, então vou indo- Disse Alessa correndo
Nancy e Lena ficaram me encarando, pareciam querer dizer algo, mas não dava para eu dar atenção a elas naquele momento, pois Jack estava mais furioso do que nunca.
– Vai ficar desviando por quanto tempo?- Perguntou rindo como se nem tivesse suado
– O que vocês ainda fazem aqui? Corram! Ou ele vai pegá-las- Disse para Lena e Nancy, as duas não se mexiam
– Seu estúpido- Respondeu Lena- Como se pudéssemos deixá-lo- Gritou brava
– Abandonar um amigo não faz sentido- Disse Nancy também quase gritando
Havia deixado elas furiosas, talvez estivesse somente sendo egoísta em me matar pelo grupo.
– Desculpem, mas não tínhamos outra opção!- Falei desviando mais uma vez de um golpe que teria ido em direção a meu pescoço
Então não aguentei mais aquilo
– Droga, já chega!- Falei pegando Nancy e Lena pela mão- Vamos sair daqui
E corri com as duas, teríamos de achar Alessa e uma saída e rápido.
POV Lena
Johnny começou a falar de ficar e lutar e nós fugirmos. Ele era idiota? Nunca que deixaríamos mais alguém para trás, já havíamos perdido muitos amigos e pessoas preciosas, eu não perderia mais ninguém, portanto não me movi, Nancy decidiu ficar comigo, mas Alessa fugiu rapidamente em busca de uma saída. John decidiu fugir rápido nos puxando, o cansaço acaba comigo, mas não podíamos parar, estava ficando ainda mais escuro e a fome nos deixava loucos. Estávamos a uns dois dias fugindo de um assassino maluco, sem comida, água, telefone e muitos de nós estavam mortos. Estávamos sem chance e não tínhamos para onde correr. Estava com saudades de Alice, Mary, Arthur, Matthew e todos os outros. Não tinha chance de eu deixar Johnny para trás, eu não era doida ou insensível a esse ponto, ele era um garoto legal e teria com certeza ainda chance de sair são e salvo ou ao menos era o que eu desejava.
– Para onde vamos?- Perguntou Nancy arfando de cansaço
– Para onde não houver palhaços assassinos- Respondi com uma pitada de humor
Estávamos péssimos, alguém precisava dar uma alegrada no clima. Não me culpem por ser animada.
Então de repente escutei algo, uns barulhos como se fosse de uma televisão antiga, uns chiados baixos.
– Hei, silêncio- Respondeu Nancy
– Você também escutou?- Perguntei
– Sim, vem de algum lugar aqui perto- Respondeu a ruiva
Decidimos para de correr e tentar descobrir de onde vinha o barulho suspeito.
– Pode vir de uma casa- Cochichou Johnny
Andamos lentamente por entre arbustos e vimos ao longe uma fumaça de chaminé o que era estranho, pois estávamos no verão. Era possivelmente de uma casa e estava relativamente perto, mais um quilômetro e chegávamos lá.
– E se não tiver ninguém lá?- Perguntei
– Está com a TV ligada e com a chaminé acesa, com certeza tem alguém lá- Respondeu Johnny me encarando curiosamente
Dei língua para ele, ninguém me contradiz e sai impune. Fomos andando um pouco mais lentamente, porque Jack não estava mais atrás da gente o que era suspeito.
Chegamos após alguns minutos perto de uma casa. Uma casa simples, meio amarelada, uma versão da casa dos sete anões, mas mais velha e assustadora.
– Eu não vou entrar aí- Respondeu Nancy dando passos para trás
– Não podemos fazer nada- Respondeu Johnny chegando perto
– Vem Nancy, vai ficar tudo bem- Respondi com um sorriso
Ela pareceu mais calma, não era uma garota que se estressava facilmente, mas tinha uma grande angústia quanto a lugares escuros e aquela casa era certamente um deles; vi-a encarar a casa com pavor, mas a ruiva entrou no terreno da casa junto com nós.
– Vou ver se tem alguém, aguardem aqui- Falou Johnny subindo na casa que era um pouco elevada em relação ao piso de terra do jardim
Sentei-me na escada da casa e suspirei cansada.
– Que dia...- Eu disse de olhos fechados
– Eu também estou cansada... queria mais que tudo um banho- Disse Nancy sentando ao meu lado
Soltei uma risada baixa
– E eu estou com fome- Respondi sentindo minha barriga roncar
A garota retirou lentamente da bolsa metade de um chocolate
– Pode ficar, eu estava guardando para mais tarde, mas estou acostumada a não comer muito- Respondeu olhando para a floresta
– Não, é seu. Seria de mais comer algo que você guardou para si- Respondi a devolvendo
– Aqui- Ela me deu metade do pedaço- Eu fico com a outra metade pode ser?
– Obrigada- Respondi pegando e comendo rapidamente o pequeno pedaço
Não comia direito a quase dois dias
– Então... o que há entre você e o John?- Perguntou Nancy de uma vez só
Eu engasguei com o pedaço de barrinha
– Er o que? Ahn?- Não consegui formular uma frase
– Desculpa, só fiquei curiosa- Respondeu sorrindo
Senti-me vermelha, mas antes que pudesse falar alguma coisa Johnny voltou.
– Gente, a casa parece vazia e está aberta, vamos entrar
– Mas será invasão de propriedade- Respondi levantando-me em um pulo histérico
– Mas se não tem ninguém...- Disse Nancy amarrando seus belos cabelos ruivos para trás
Entramos lentamente na casa. Um cheiro de poeira se é que você me entende. Comecei a tossir na hora.
– Tudo bem? – Perguntou John
– De boa atchim!!
– Haha- Riu Nancy
Fomos entrando pouco a pouco em uma casa que parecia ter anos e foi quando escutamos um barulho.
– O que foi isso?- Perguntou Johnny em um pulo
Então em frente a uma cozinha apareceu uma velha estranha nos encarando com olhos frios.
– O que fazem em minha casa??!!- Perguntou quase berrando
– Er...bom- Tentei dizer algo fracassando
E assim a velha maluca pegou uma espingarda e apontou para nós
POV Alex
Corri com Myranda no colo, ela estava tão fria e quieta. Eu estava apavorado com a chance de perdê-la; Pietra havia ficado para enfrentar a irmã, era talvez idiotice, mas quem decidia isso era ela.
Fui andando em direção às escadas que davam para a garagem, Johnny havia me dito por telefone que havia achado uma saída pelas escadas, provavelmente daria na garagem, então corri com a Myranda no colo, ela estava toda cortada e perfurada, aquela maldita havia a feito sofrer. Eu mesmo queria ter me vingado, mas Pietra me parou.
– Fique acordada- Sussurrei para Myranda
Seus cabelos loiros estavam manchados de sangue e lágrimas, eu não sabia como ela ainda respirava. Eu iria salvá-la, com certeza iria.
Saí pelo portão quebrado de uma garagem cheia de sangue. Bianca estava morta, segurei minhas lágrimas e não parei de andar, já havia visto o corpo de Alice e Mark pelo caminho e agora a Bianca. Eu não sabia se o resto de meus amigos estavam vivos, eu queria fugir de toda a realidade, queria voltar para minha casa e ver meus pais e irmã rindo comigo novamente, queria fazer tudo direito, chamar Myranda para o cinema, fazer novos amigos. Queria esquecer de tudo isso que passou, mas como poderia? Myranda estava ficando desacordada, encarava-me pálida e sem vida.
– Vamos sair dessa- Sussurrei e saímos pela garagem em uma tarde já quase noite
POV Pietra
Cater já havia me magoado antes muitas vezes, nunca foi uma boa irmã, mas ela não era mais minha irmã, não podia ser.
– Então? Veio se vingar?- Perguntou Cater olhando-me com desprezo
– Não sou como você- Respondi- Vim conversar
– Haha conversar? Não tenho nada para conversar! Seus amigos devem todas já estarem mortos!
– Cala a boca- Respondi a deixando boquiaberta
Enxuguei lágrimas de meu rosto, estava sendo difícil agir assim com minha única irmã, mas ela não era mais a Cater que eu conheci quando pequena, ela havia matado ou ajudado a matar muitos de meus colegas.
–Mesmo que você não tenha vindo se vingar, eu então me vingarei!- Cater gritou vindo com um soco para cima de mim
Desviei do golpe segurando seu braço com força, sempre fui mais forte que ela.
– Haha então você lembra quando fizemos luta quando pequenas?- Perguntou
– Como poderia me esquecer? Você quebrou o meu braço de propósito- Falei largando seu braço
– Você sempre foi a mais forte, a melhor em tudo- Respondeu Cater com ódio
–Isso não é verdade, você sempre foi a melhor em desenhos e escrita
– Mas nunca fui parabenizada por eles, nossos pais idiotas!
Não sabia como ela podia falar tão mal de nossos pais, nenhum filho deveria falar isso.
– Eles te parabenizavam sim, mas você não dava importância! Você não ligava para as coisas boas que sabia fazer! Só se importava em tentar o que eu sabia fazer!- Respondi a olhando nos olhos, sempre fazia isso ao falar com ela para que entendesse o que eu queria dizer
– Mentira! Mentira!- Gritava
E com isso tentou me socar novamente e assim tropecei e caí no chão com ela e foi quando tentou me estrangular. Fiz força para escapar e consegui empurrá-la.
– Você era amada, só não aceitava!- Gritei
– Mentirosos! Vocês só ligavam para si mesmos! Eu estava sempre sozinha!
Foi então que nossa briga ficou mais séria, bem mais séria. Cater me empurrou em direção ao vidro da loja e eu caí em cima o partindo e pedaços.
– Eu vou me livrar de você- Disse segurando um pedaço de vidro
Virei-me no chão bem na hora que ela tentou me espetar com o vidro; dei um chute forte em sua barriga.
– Para! Você ainda pode fazer a coisa certa!- Gritei praticamente implorando
– Eu te odeio!
E me chutou forte em direção a outra loja, caí me ralando em vidro dentro de uma loja cheia de botijões de gás, era estranho ter uma loja dessas em um shopping antigo, mas parei de pensar nisso e tentei me levantar. Meu joelho estava ralado e minha cabeça estava tonta. Cater vinha com seus cabelos ruivos como os meus, ela era igualzinha a mim por fora, mas muito diferente por dentro.
– Sabe a época em que você passou a sair tarde e eles brigavam com você?- Perguntei- Quem você acha que te defendeu?! Não diga que não recebeu atenção minha!
– Você ainda sim era a preferida- Disse Cater limpando o nariz sangrando, pois eu havia dado um soco em seu rosto
– Isso não importa mais- Respondi encarando o sangue nas paredes do shopping, tantas mortes
Cater pareceu cansada e se sentou quieta, mas raivosa.
– Não podemos voltar atrás em nossas escolhas- Disse por fim se levantando com o pedaço de vidro
– Cater...
E então veio novamente para cima de mim acertando meu ombro com o vidro. Ardeu muito, mas consegui tirá-lo a tempo de não me perfurar totalmente, fui cambaleando para dentro da loja dos botijões, um cheiro de gás vazado me deixava espirrando.
– Você não vai fugir, vou terminar o que comecei e caçar seus amiguinhos- A garota disse rindo histericamente
Chorei lembrando de momentos bons que tive com Cater antes de ela se amargurar e fiz algo estúpido, mas necessário. Corri em direção a Cater já dentro da loja e a abracei.
– Mas o que??- Perguntou sem entender nada
– Eu ainda te amo irmãzinha- Respondi a abraçando com lágrimas
Cater pareceu mais calma, mas logo após alguns minutos senti algo perfurando meu peito e senti sangue escorrendo de mim.
– Hahaha- Ria ela
E então soltei uma risada ainda mais alta e tirei do bolso um esqueiro, o esqueiro que eu tinha recebido da minha irmã de presente a alguns anos, tinha escrito nele Pietra e Cater, o abri.
– Morra desgraçada
E pode-se houver uma enorme explosão deixando o shopping inteiro em chamas...
CONTINUA
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