Grito Silencioso

1 Um pequeno laço..




Um Pequeno Laço...

(perigoso...?) Rosey Bellemond

O ar fugia de seus pulmões.

Seu peito estava cada vez mais apertado — uma dor quase insuportável. A respiração, desregulada, como se seu corpo tivesse esquecido como se respira.

Suas pernas trêmulas cederam...

O ar começava a faltar. As lágrimas, já fora de controle.

Seus belos lábios, antes rosados, haviam perdido a cor. Sua pele branca, agora pálida. O coração parecia prestes a saltar do peito…

O quarto em que ela estava era escuro, sufocante. As paredes de madeira estavam gastas, cheias de rachaduras finas que pareciam cicatrizes antigas.

Cada móvel — uma cadeira torta, uma cômoda manchada, uma cama afundada no meio — parecia ter sido esquecido ali há anos.

Havia poeira nos cantos. O ar era denso, cheirava a madeira molhada e solidão.

A única janela estava fechada, coberta por uma cortina puída que mal deixava a luz passar.

Tudo naquele lugar parecia ter parado no tempo.

Um tempo que ninguém queria mais lembrar.

Como aquele quarto, ela também queria pedir socorro.

Queria, mesmo. Mas…

Ela não sabia como.

Tinha medo de parecer fraca. Medo de incomodar. Medo de não ser levada a sério.

E se rissem?

E se ignorassem?

E se só piorasse?

Estava tão cansada de sempre fingir que estava tudo bem. Sempre que perguntavam:

— Está tudo bem?

Ela respondia:

— T-ta... tá tudo bem... — gaguejou, quase sem conseguir sussurrar.

— Vai ficar tudo bem...

Ela apertou o peito, caiu de joelhos. Sua coluna se curvou, e a testa tocou o chão.

— Por... por favor... eu imploro... alguém... m-me ajuda...

Sussurrou, quase inaudível — de propósito. Para que ninguém escutasse.

Como sempre fazia.

A porta se abre. E logo em seguida se fecha.

Ela sente um toque em seu ombro.

Consolador. Mas estranho.

Era como se a pessoa a odiasse... mas, ainda assim, não quisesse vê-la sofrer.

E então ela escuta:

Respira. Não desmaia. Eu estou aqui... Vai ficar tudo bem.

Ele continuava a acariciar seus ombros — e, por mais inacreditável que parecesse, aquilo a acalmava.

O mundo ainda estava desmoronando ao redor dela... mas aquele toque era uma âncora.

Suave. Firme. Quase como se dissesse, sem palavras:

“Eu te vejo.”

Você já pode fechar os olhos agora. Eu vou ficar com você. — ele sussurrou.

Naquele dia, a visão dela estava embaçada, borrada pelas lágrimas.

Mas ela lembrava daquele toque mais do que de qualquer rosto. Mais do que de qualquer palavra.

Era o toque de alguém que, mesmo ferido, mesmo distante... ficou.




Notas finais
Gravem o apelido.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.