Notas iniciais
Matemática é de perder a cabeça!!

Atenção, é muito importante que você entenda isso:
Se você está lendo isso, sinto te dizer mas você agora é um dos guardiões desse segredo. Tudo o que está escrito aqui aconteceu de verdade e agora está preso nessas palavras, mas para garantir que continue assim você precisa nos fazer um favor: espalhe essa história! Compartilhe, faça cópias, façam o possível para isso nunca ser esquecido ou apagado!
Eu fiz a minha parte, agora é a sua vez!

Laura estava mais uma vez na Biblioteca Publica Pelotense, no centro de Pelotas no Rio Grande do Sul. O prédio cor-de-rosa no centro da cidade era um dos lugares favoritos da garota, e quando não estava na escola era quase certeza que estaria andando pelas prateleiras com dois ou três livros nos braços ou sentada em alguma mesa devorando os livros.

Amante da leitura, a jovem de 16 anos tinha a pele negra, olhos tão escuros quanto uma noite de eclipse lunar e uma beleza natural e hipnotizante. Laura lia sobre tudo mas sua paixão era sobre a irlanda. Seu avô era filho de imigrantes irlandeses e ele sempre contara para ela histórias do folclore irlandês. Quem a olhava mal poderia dizer que a menina tinha "sangue verde", como o avô costumava falar com orgulho das suas raízes.

Era mais uma tarde normal no cotidiano da menina, lendo livros, tomando uma xícara de café e se imaginando nas história que lia, até que um barulho vindo das escadas tirou sua concentração.

O som deveria vir do andar de baixo e isso era algo muito inédito, pois a responsável pelo térreo era a Senhora Anna e ela era a Exterminadora do Barulho (como fora apelidada por alguns frequentadores mais "frequentes" da biblioteca). Laura não era curiosa, mas naquele momento algo a fez fechar o livro e ir em direção à escada.

—Um Dullahan está vindo! Socorro, ele está vindo atrás de mim.—Gritava um rapaz de ruivo, com a barba laranja parecendo de mentira.

A cena era um pouco confusa, o sósia do Ed Sheeran usava uma bermuda verde, camiseta de manga longa branca com as mangas verdes e com uma estampa de trevo de quatro folhas com a frase "I am not Lucky, i am good" (Eu não sou sortudo, eu sou bom), e um par de All Stars preto.

—Se você não parar de gritar eu precisarei chamar os seguranças, mocinho. —Disse a Senhora Anna com aquele olhar amedrontador por sobre os óculos de meia-lua. —Não há nenhum Pula-rã, seja lá o que isso for.

—É Dullahan! —Gritou a Laura do alto das escadas, e imediatamente tampando a boca com a mão.

—Exato! Pula-rã é outra coisa, mas é do pessoal de outro lado de outro lado da Névoa, mas não vem ao caso. —Disse o rapaz de roupa verde e cabelo avermelhado, que parecia uma espiga de milho, enquanto olhava para o livro que Laura trazia nas minhas mãos.—Ah, esse livro é ótimo! Mas algumas coisas estão um pouco desatualizadas. Como você pode ver ali fora, um Dullahan é bem mais assustador.

Ele agora apontava para o outro lado da rua, onde tinha um policial montado em um cavalo que soltava fumaça dos cascos que batiam no chão, se preparando para correr. E ele realmente correu.

O "Lanterna Verde" tirou algo do bolso da bermuda e soprou no rosto da Senhora Anna e atravessou subiu as escadas correndo como o Sonic. Pegou Laura pelo braço, olho em seus olhos e disse:

—Se você está vendo aquele cara montado no cavalo, então você precisa vir comigo. Ou você pode ficar aqui e morrer, a escolha é sua.

Ele tinha cheiro de grama recém cortada e hortelã, e os dentes brilhavam como se tivesse exagerado no clareador dental. A menina ficou paralisada por dois segundos mas quando os cascos do cavalo bateram no piso de madeira da Biblioteca foi trazida à realidade.

—Aqu...aquilo é uma... —ela se esforçava para ver melhor—cabeça?!?

—Bom, acho que é melhor corrermos então. E sinto muito por isso.

Me segurando pelo braço ele me arrastou pelo piso superior, as escadas não pareceram parar o cavalo, que havia chegado ali em cima mais rápido do que ela gostaria. O garoto arremessou contra o cavalo uma cadeira que estava encostada na parede, mas o cavaleiro agitou um chicote e partiu a cadeira ao meio. Aquilo não funcionou.

—Por aqui! —Laura puxou o seu companheiro.
Eles entraram em uma sala cheia de estantes de livros, era uma das seções que Laura não frequentava muito: Matemática, Física, coisas do pessoal de exatas (eca, nada contra, mas eca).

—Me ajude a fechar a porta.
Os dois arrastaram uma mesa para bloquear a entrada e ficarem protegidos. Laura torcia para isso funcionar.

—O que é aquilo lá fora? E quem é você?

—Você sabe o que é aquilo, menina. Aquilo é um Dullahan, um cavaleiro sem cabeça, DÃ...—Disse o Weasley de roupa verde. —Ah, e eu quase me esqueci... Meu nome é Pattrick, Leprachaun em Treinamento — Terceiro Ano.

O menino, que se chamava Pattrick abriu o sorriso mais forçado do mundo, como se trabalhasse em uma loja de shopping estivesse oferecendo um cartão de crédito, sua mão estendida para um aperto como um político pedindo votos.

—Okay... Isso é muito estranho...

—Sei que pode parecer estranho mas aquele monstro é real.

—Leprechauns não deveriam ser pequenos? —Disse Laura analisando Pattrick que deveria ter entre 1,75m e 1,80m.

—Ei, isso não é algo legal para se dizer! Algumas pessoas podem ser um pouco sensíveis quanto à altura. Eu não pedi para nascer assim, é um problema genético?

—Um monstro céltico está do outro lado dessa porta, você fez a bibliotecária desmaiar jogando um pó na cara dela, e agora me diz que é um Leprachaun com problemas de altura? Acho que eu bebi café demais e estou tendo alucinações...

Uma som estrondoso na porta ecoou pela sala, e se repetiu mais duas vezes. Agora Laura e Pattrick olhavam para a madeira se partindo com os golpes de chicote do cavaleiro. O cavalo relinchava e soltava vapor através das fissuras.

—Essa porta não irá aguentar por muito tempo. —Disse Patrick.

—AVA, cê jura?! Nem tinha me dado conta disso.
Pattrick fez uma cara de "Sério menina? Estamos quase sendo mortos e você quer ser sarcástica?", ele respirou fundo contando até três.

—Deixa isso pra lá... Você tem uma moeda de ouro ai?

—Pra que você quer uma moeda de ouro? E quem, hoje em dia, tem uma moeda de ouro?

—Para salvar nossas vidas —Ele revirou os olhos— Pode ser qualquer moeda, desde que seja dourada, a Crise veio para todos, eles não vão ligar.

Laura iria perguntar quem são "eles" mas achou melhor deixar pra lá. Revirou os bolsos e tirou algumas moedas e R$1,00 R$0,50 R$0,05 e apenas uma de R$0,10. Apenas UMA moeda dourada, se isso não era sorte ela não sabia o que era. A menina ofereceu a moeda ao Leprechaun, que olhou com desdém mas aceitou.

—Distraia o nosso Beto Carreiro no mal enquanto eu chamo um táxi. —Disse Pattrick correndo para o lado oposto da sala em direção às janelas.

Laura não sabia como distrair um cavaleiro fantasma sem cabeça, e agora era a primeira vez que ela reparava bem do que estava fugindo. O Cavaleiro usava uma farda policial sobre uma armadura medieval antiga, tinha um chicote de couro na mão direita, e na mão esquerda tinha uma cabeça decepada com um cavanhaque e um bigode estilo escovinha. O cavalo era da cor de piche e soltava fumaça como piche quente, seus olhos eram vermelhos (claro que era vermelhos!).

—Senhor Cavaleiro... Eu adoraria que o senhor não nos matasse para que possamos... é... —Laura pegou um livro da prateleira, leu o título. —Aprender Inequações.

O cavaleiro deu um urro, e não dava pra saber se o som veio da cabeça dele ou do lugar onde deveria estar a cabeça. Ele se preparou para chicotear a porta mais uma vez, e a madeira não aguentaria mais 3 ou 4 golpes.

—Ei, matemática é algo bom, eu acho. Não? Okay então...

A menina começou a arremessar contra o Dullahan todos os livros que encontrava, enquanto gritava coisas como "Toma um pouco de teoria da termodinâmica!" "Que tal o Volume 2 de Trigonometria?"

O livros não adiantaram, e isso nos ensina que monstros célticos não têm medo de Exatas. O Dullahan estava entrando na sala quando a Laura ouviu um barulho de motor e buzina vindo da janela. Olhou pra trás e viu Pattrick acenando de dentro de um carro.

—Venha Laura, nosso táxi chegou.

Do lado de fora da janela havia um táxi dourado com a porta aberta. E (lembrete) eles estava a pelo menos 5 metros do chão. Mas nessa altura do campeonato isso era o menor dos problemas.

A menina correu até a janela que agora estava aberta, e pegou na mão de Pattrick que a puxou para dentro. A porta do táxi se fechou sozinha e o motorista acelerou deixando o Cavalo Demônio e o Cavaleiro Sem Cabeças na janela da Biblioteca Pública de Pelotas. O chicote estralando no ar.

Respirando apressada e tentando recuperar o fôlego, Laura tentava reorganizar os fatos na sua mente. Havia várias perguntas que ela gostaria de fazer, mas uma era mais importante:

—Como você sabe o meu nome?

—Está escrito no seu crachá de usuária da Biblioteca. —Apontou Pattrick a camiseta da morena, enquanto os dois riam.

Notas finais
Bom pessoal, esse foi o primeiro capítulo. Deixem um comentário, uma crítica ou uma sugestão. É sempre muito bom ter esse feedback! E aguardem pelo próximo capítulo. Obrigado!!!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.