Grilhões Eternais

31 O Veneno do Ódio


Notas iniciais
Bem vindos ao trigésimo primeiro capítulo de "Grilhões Eternais". No capítulo anterior, Milo chega a tempo de salvar Camus, convencendo-o a não se suicidar, ao propor tomar para si a vida que o aquariano não deseja mais. O francês é desarmado por uma Agulha Escarlate, e em seguida desmaia nos braços do amante. Aiacos, Minos e Verônica, porém, surgem para impedir Milo e seus amigos de levarem Camus. São derrotados, e assim, chegam ao cenário Radamanthys e Albiore. Tem início a luta entre o Cavaleiro de Cefeu e o Cavaleiro de Escorpião, enquanto o Juiz limita-se a observá-los de longe, supostamente aguardando alguma coisa. Quero agradecer de coração a quem leu a fic, aos que favoritaram, e oferecer meus agradecimentos especiais aos que dão aquela força a mais com seus comentários É, gente... entramos na reta final da história... vamos que vamos!

Intensos raios serpenteavam pela floresta, originados das explosões dos golpes trocados entre os dois Santos em ardente luta. Ainda que Albiore fosse um Cavaleiro de Prata, seu nível rivalizava-se com o de um Cavaleiro de Ouro, razão pela qual até à época da ordem de Saga foram enviados dois guerreiros da elite do Santuário para eliminar o mestre de Shun. A este fato somava-se a dificuldade que Milo estava encontrando, em função de estar afetado pelos embates anteriores, um dos quais contra um poderoso Juiz do Inferno. Em curto espaço de tempo havia pelejado com todas suas forças, o que justificava seu cansaço já se pronunciando de forma incômoda e arriscada. Fora os ferimentos corporais, notadamente os causados por Aiacos. O escorpiano apenas encontrava no ódio de estar diante do mentor dos sofrimentos vividos por Camus o potencializador de seu cosmo. As vibrações deste despertaram Afrodite e Carlo, que prontamente correram para onde estavam Hyoga, Shun e Camus. Assumiram postura defensiva, encarando fixamente Radamanthys, que continuava meramente observando o desenrolar da batalha de cima do penhasco. Conservava-se tranquilo e imóvel... se tivessem sido mais perscrutadores, perceberiam que na verdade, o Juiz AGUARDAVA...

— O que foi, Milo? Não está lutando com seriedade? Ou realmente não está na melhor de sua forma? — provocou o loiro, brandindo a mão na direção do oponente e gerando um verdadeiro turbilhão de aço. O grego evitou o golpe com as palmas das mãos, fazendo as correntes se espalharem sob som de trovão.

— Minha atual forma será o suficiente para cumprir a promessa que fiz a você, maldito... — e precipitando-se contra ele na velocidade da luz, acertou um potente soco em sua mandíbula, fazendo-o voar metros até um grosso carvalho; o impacto ensurdecedor fez os demais acreditarem que havia ali um desfecho — ... LEMBRA QUAL FOI, ALBIORE?

O argentino retirou-se das lascas da árvore destruída com sangue no queixo e um sorriso nos lábios.

— Disse que eu imploraria para que você me matasse — respondeu, zombeteiro.

— Sua memória é comparável à sua covardia — disparou Milo, preparando-se para nova investida — pode preparar suas melhores súplicas!

Albiore, porém, não o esperou: pelo contrário, lançou-se contra o grego com semelhante rapidez, ambos se chocando e provocando nova explosão. A luz gerada sequer permitiu que os outros soubessem de imediato o que acontecera.

— MILO!!! — gritaram seus amigos, aflitos.

— Por Athena! Milo não está conseguindo... — comentou Câncer, nervoso.

— Por que acha que fui mandado à Ilha de Andrômeda para ajudá-lo? — indagou Afrodite, suando muito — Esse cara não é flor que se cheire... diziam que era forte como um Cavaleiro de Ouro...

— ... e Milo está ferido e cansado... — completou Máscara da Morte, rangendo os dentes.

— Olhe!

A nuvem de poeira e terra levantada pelo impacto das investidas dissipou-se e puderam distinguir as silhuetas dos dois guerreiros.

Albiore estava ofegante, segurando um dos lados do corpo. Sentira aquele golpe. Milo, no entando, estava ajoelhado: uma verdadeira cascata de sangue descia de sua fronte, exatamente onde se ferira ao descer à terra depois do “Voo da Garuda”.

— Milo!... — exclamaram, preocupados.

— É o seu fim, Santo de Escorpião... TOME ISTO!

Miríades de correntes partiram rumo ao Santo que ainda se recuperava, e só percebeu no último milésimo de segundo o que ocorria. O sangue o cegava momentaneamente, e ele saltou, certo de que aquele tempo seria suficiente para escapar.

Não fora.

Algumas correntes de Albiore enroscaram-se no pé direito de Milo quando este tencionou se esquivar de outras, trazendo-o bruscamente para o solo, contra o qual ele se chocou violentamente.

— Aaahh!!... — novamente batera o mesmo lugar, sentindo-se aturdido. Antes que pudesse reagir, mais correntes se enroscaram em outras partes de seu corpo: em suas pernas, braços, coxas, pescoço e tronco, numa velocidade impressionante. Sentiu-se subitamente sufocado.

— Essa não!! — disseram os que assistiam, ponderando se iam ajudar ou não. Não o haviam feito em respeito ao orgulho do companheiro. Contudo, a situação desta vez parecia ter se agravado ainda mais!

Foi então que o inimigo pronunciou:

—RELÂMPAGO DE CEFEU!!!

O escorpiano viu, surpreso, os feixes luminosos indo até ele e soube com receio o que aconteceria. Foi envolvido pela potente e paralisante eletricidade conduzida pelas correntes de Albiore.

— AAAAAAHHHHH!!!

Agora totalmente imobilizado, o Santo de Escorpião era vítima de uma eletrocução atroz.

— MILO!!! — berrou Máscara da Morte, fazendo menção de ir até eles.

— MALDITO! VAMOS, CARL...

— AFRODITE, NÃO!!!

— Milo?!?

—Gua-guarde suas rosas… para o fu-funeral d-de… Albiore… nnnghh!!! — gritou o grego, com muito esforço.

— Mas Milo!... — Peixes levantara o braço, já se preparando para ajudar o amigo.

Entre as ondas de energia que chegavam a iluminar o jovem, puderam ver seu sorriso tipicamente arrogante.

— D-desta vez... e-eu vou... vou sozinho... AAAAAAAAHHHHNN!!!

— Desta vez você vai MORRER, Milo, apenas isso! — anunciou Albiore, aumentando a carga do terrível ataque. Milo gritou mais uma vez:

— AAAAAAHHRRRHNNNNN!!!

— MILOOOO!!! — os Santos de Ouro apavoraram-se ao ver o companheiro ser eletrocutado daquela maneira. Se ficasse mais tempo assim, não resistiria!

— O que a gente faz, Carlo?

— Acho que só nos resta cuidar destes três aqui...

— Mas o Milo...

— Não interfira, Dite! — o canceriano cortou o amante, sério — Ele TEM que fazer isso! Olha pro Camus!

O pisciano obedeceu: seu coração apertou-se ao ver o estado lamentável do aquariano.

— Ele... ele está morrendo, não é, Carlo? — indagou, inseguro.

— Eu acho que... eu acho que sim.

— Camus NÃO vai morrer! — gritou Milo — Ele deu a vida dele PRA MIM! Ela é MINHA!!!

As cadeias que prendiam o Cavaleiro começaram a rachar.

— E eu... eu vou... VOU TOMÁ-LA... PARA MIM!!!

Ele forçou mais seus braços e pernas no afã de libertar-se, seu cosmo ardendo tal qual um verdadeiro astro celeste: partiu as correntes que antes o restringiam, seus fragmentos brilhando no ar como estrelas que explodem e morrem. Em meio a elas, o Cavaleiro proferia, de cabeça erguida para os céus, os longos cabelos azuis esvoaçantes, os braços estendidos, as pernas agora livres abertas e firmes:

— CAMUS NÃO VAI MORRER...

— NÃO É POSSÍVEL! — tanto os olhos quanto a boca do mestre de Shun abriram-se totalmente de assombro.

— ...VOCÊ VAI! — e abaixando a cabeça para fitar Albiore, inflamado de ira, bradou:

— RESTRIÇÃO!!!

— EEAAAARGHH!!! — ser imobilizado por este golpe assemelhava-se ao que sentiam as presas subjugadas pelo mais peçonhento dos escorpiões. Albiore, além da fina dor, experimentou verdadeiro pavor ao dar-se conta de que agora NÃO MAIS PODERIA se mover.

Estava nas mãos de Milo.

E Milo queimava de puro ódio. De desejo de vingança.

— VAI MORRER... mas não sem sofrer, Albiore — disse, num tom grave, baixo, sufocado de sanha assassina.

— NNNNNGHH! AAHH...

— Vai receber minhas 14 Agulhas Escarlates... UMA A UMA... saborear bem a dor alucinante de cada uma delas... e entre cada uma delas... vou ARRANCAR um pedaço seu...

— MILO?! — espantou-se Afrodite.

—Eita… isso vai ser divertido.

— CARLO!!!

A unha vermelha irrompeu do indicador em riste:

— AGULHA ESCARLATE!

E num raio vermelho, a primeira ferroada foi dada na coxa esquerda do Santo de Prata. A dor foi muito maior que a esperada:

—IIIIEEAAAAARRGH!!!

Imediatamente se tremeu todo, sentindo o fogo do veneno espalhando-se por suas veias. Caiu sob imensa agonia.

— Eu vou te dar MUITO TEMPO para sentir pelo menos UM POUCO do que Camus sofreu...

— AAARRRHHN...HUUNNG...

O grego caminhou a passos lentos, quase num andar jocoso, até ele, que, instintivamente, tentou se esgueirar pelo solo, sem muita mobilidade, porém.

Virando-se para mirar o Juiz ainda imóvel, Afrodite pensava, intrigado:

Por que aquele ali só fica olhando e nada faz? Está tramando alguma coisa, decerto... não gosto nada disso... Milo... não faça isso... NÃO SE DISTRAIA TANTO!

Ao chegar perto do homem caído, Escorpião abaixou-se, tomando um de seus braços... e para horror dos espectadores (menos Radamanthys, claro) ergueu a mão e, com o poder emanado pela pontiaguda unha rubra a servir-lhe de lâmina, ARRANCOU-LHE O BRAÇO pela altura do cotovelo.

— EEEEEEEEEEEAAAARRRGHHH!!!

— ATHENA, NÃO!!! — gritou o sueco, levando as mãos à boca.

— Caralho, ele tá parecendo até eu no passado!! — surpreendeu-se Máscara da Morte, evocando a razão de seu codinome.

— AAAARRRRHH!!! — urrava o homem decepado, o sangue jorrando vivamente.

— Não fique animado. Antes de morrer de hemorragia vai saborear cada uma de minhas 14 Agulhas, e depois... Antares... — anunciou, sorrindo, com voz macia.

E desferiu a segunda Agulha, desta vez na área da virilha.

— IIIIIIIIIEEEEEEEEAAAAAAAAARRRGH!!

O berro inumano poderia ser ouvido de muito longe na floresta, cuja cerração começava a intensificar-se. Após Albiore se debater mais uns minutos, Milo novamente aproximou-se dele, suas passadas como que fantasmagóricas:

— Que devo arrancar de você agora, Albiore? O outro braço? Uma perna?

— NNNNNNGGHHH...AAAHH...AAAAHH...

— Talvez apenas um pé... é pouca coisa... vai sobrar mais de você para eu continuar arrancando.

Agarrou-lhe a perna direita... levantou a mão com a Agulha preparada...

— NÃO, NÃÃO, NÃÃO!!! NÃO! — ainda tentou, antes de seu berro animalesco anunciar a consumação do fato — IIIAAAAAAAAAARRGGGGH!!!

O sangue mais uma vez esguichou, sujando o próprio escorpiano.

— Zeus, Milo arrancou um pé do cara! — o italiano ficou de queixo caído. Afrodite só tremia... aquele rosto ensandecido... o deleite na dor... o riso torvo...mesmo que soubesse que Albiore tinha sido um monstro e que merecia pagar... aquele... aquilo era...

...NÃO ERA MILO!

— MILO! PARA COM ISSO! — gritou.

— Você só pode estar brincando, Afrodite... — respondeu, o sorriso escarninho no semblante enlouquecido.

— Não! Isso NÃO é você! Quer matar o cara, MATA! Mas você tá TORTURANDO ele!!!

O grego pegou o pé decepado e atirou-o na direção de Peixes.

— Zeus!!! — fez o sueco, revoltado.

— E o que VOCÊ faria se tivesse sido o SEU Carlo naquela situação, hein, Dite? — apontou para o Santo de Aquário, ainda sem sentidos e gravemente ferido — Se fosse VOCÊ a ter visto CARLO sendo brutalmente TORTURADO E VIOLENTADO sem que você NADA pudesse fazer, hein? O QUE VOCÊ FARIA???

O pisciano mordeu os lábios, trêmulo. Lágrimas vieram aos seus olhos muito claros. Máscara da Morte pôs a mão na cintura dele.

— Dite... não vamos conseguir impedi-lo...

— Não mesmo, Mask — e virando-se para o Cavaleiro, que se debatia como uma lacraia em que se joga álcool, ele desferiu mais uma Agulha Escarlate, desta vez no ventre, bem abaixo do umbigo.

— AAAAAAEEEEEIIIIAAARRRGGHH!! POR FAVOOOR!!! AAAAAAAAHHH!!!

— Ah — sorriu Milo — "estamos chegando aonde eu queria"... lembra, Albiore? Você me disse esta frase algumas vezes...

— AAAAAAARGHH! AAAAAAEEEAARH!!

— Quando EU GRITAVA ao ver o que Camus estava passando...

E chutou com força desmedida o rosto do inimigo caído.

— UUUUHHHRG!!

— O que vou arrancar agora de você? Estou em dúvida... — questionou, dramaticamente, pisando impiedosamente ora o ventre, ora a virilha atingidos pelas terríveis Agulhas. Rios de sangue iam encontrar a rala e resistente relva outonal.

— AAAAAAAHHHH!!!

Sob aqueles berros inumanos Shun e Hyoga acordaram. Tiveram um sobressalto ao ver o que estava acontecendo. Milo segurou o braço esquerdo de Albiore...

— A mão ou o antebraço todo? Hum... será que só a mão é tão doloroso assim como eu quero? — ponderou, sarcástico.

— Milo?!? — gritou Hyoga, assustado com a visão de Milo, um Milo que ele nunca vira, coberto de sangue e aparentemente se divertindo com o que fazia.

— Ah, acordou, patinho... me ajuda aí, vai... o antebraço ou só a mão?

— NÃÃÃO... NAAAAARRRGH...NÃO...NÃO!

— O...o quê? — e o russo acabou por repetir, confuso — A mão?...

— Obrigado — e a mão do braço restante caiu por terra num único passar da Agulha.

— IIIIIIIAAAAARRRGH! NÃÃÃÃO!!!

— Mestre!!... — balbuciou Shun, terrificado em presenciar seu amado Albiore sendo esquartejado vivo.

— POR FAVOR!! M-ME MATE!!POR FAVOR, ME MATA DE UMA VEEEZ!!! ME MAAATAA!

— Estou certo de que Camus te fez o mesmo pedido em algum momento e você não aceitou. Sinto-me inclinado a te agradecer por isso — disto isso, ficou por cima dele, que se encontrava deitado de barriga para cima, o corpo convulso e ensanguentado por baixo das pernas bem abertas do escorpiano.

— Por isso, vou te retribuir o favor — falou, seco . E subitamente, num golpe preciso, cravou a unha rubra no olho direito do ex-Santo de Athena. O grito que varou a mata arrepiou até a alma dos Cavaleiros.

— EEEEEEEEEEEEAAAAAAARRRGGGH!!! AAAAAHAHAAAAA!!!

— Milo!!! — chamou Máscara da Morte.

Ele se virou para o amigo, que disse muito sério:

— Eu não quero interromper ou melhor... impedir sua vingança. Mas lembre-se... até a minha armadura dourada me abandonou uma vez por eu colocar a violência e o prazer em torturar minhas vítimas acima do dever de lutar pela justiça.

— Máscara da Morte!... — murmurou Hyoga, amparando Shun, que chorava sem parar.

— Hunf... eu... eu só quero QUE ELE SOFRA BASTANTE... — rebateu o grego, insensível ante aquela pertinente declaração. Retirou os restos de nervos ópticos de sua unha com perturbadora placidez. Era como se retirasse uma sujeirinha qualquer dali.

— AAAAAAAAHHH!! M-ME...ME MAAATA!!! POR FAVOOOR!!! — clamava, em dolorosa agonia. De sua boca descia uma espuma de diversos fluidos misturados.

Milo encarou o homem abaixo de si, imperturbável: nada poderia pará-lo. Nada. Já não sorria.

— Agora a Agulha Escarlate vai atravessar o seu baço... sabe, é extremamente doloroso... e não é fatal... — o escorpiano preparou novamente seu punho implacável. Foi quando ouviu uma voz grave e aveludada, mais arrastada do que ele se lembrava:

— M-Milo... não... já... JÁ CHEGA...

Todos se voltaram na direção de Camus, que se erguera a grande custo.

— Camus!... — disse o grego, surpreso.

— Mestre! — animou-se Hyoga, vendo-o de pé.

— Basta, Milo...você... v-você é um Cavaleiro de Athena...

— Isso tira o meu DIREITO DE VINGANÇA?!

O francês mirou-o, a expressão num misto de serenidade, dor e tristeza, ao continuar:

— Você deve usar seu poder pela Deusa! Não para satisfazer... desejos pessoais... sua... sede de sangue...

O mais novo estacou ante aquelas palavras. Albiore rolava de um lado para o outro, esvaindo-se em sangue, emitindo ruídos que mais pareciam vir de um animal estripado vivo que de um homem ferido.

Lágrimas vieram aos olhos de Milo, que gritou, exasperado:

— ELE TEM QUE PAGAR!...

— Ele já pagou...e perdeu... — caminhou até o amante, num passo hesitante — ...você me achou.

— Camus...

— Olhe para o Shun.

Fazendo o que o aquariano mandara, Escorpião viu o garoto soluçando desesperadamente nos braços do namorado.

— Já chega, Milo... Albiore já perdeu...e eu vou voltar com você — sua voz apesar de fraca era perfeitamente ouvida devido ao silêncio instaurado — Não há necessidade de você se deleitar com o sofrimento dele... ainda que seja por vingança.

— A... Aquário!... — gemeu Albiore, o pranto nascendo de seu olho azul restante.

— Não se perca como... como ele... e... — e não pôde prosseguir. Desmaiou novamente, fazendo o parceiro gritar, desesperado:

—CAMUS!!! — correu para ele, alarmado.

Ajoelhou-se e amparou-o, reparando como o amado estava lívido.

A hemorragia!... não foi estancada? Então... por Zeus...

Albiore contorcia-se de um lado e de outro encontrava-se o casal. Milo, desolado, chamava pelo amado em vão. O Santo de Prata observava-os, no rosto além do sangue agora havia lágrimas.

Um brilho luziu nas íris douradas do Juiz.

Era chegado o momento.

Estendeu para baixo suas mãos, das quais uma energia púrpura foi emanada:

— MÁXIMA PRECAUÇÃO!!! — e os filetes de energia convergiram-se numa única esfera, que foi em direção aos dois amantes numa velocidade fantástica, crescendo assustadoramente no trajeto. Milo, aterrado, abraçou Camus e virou-se com ele, ficando de costas para absorver todo o impacto do golpe do qual, sabia, NÃO DARIA PARA ESCAPAR. Sua armadura HAVIA de ser suficiente. Assim esperava!!!

— MILO!!! CAMUS!!! — gritaram os companheiros, apavorados. Mas eis que surpreendentemente a bola de energia atingiu o Cavaleiro de Cefeu, que se jogara na direção de Milo, interceptando assim o ataque mortífero.

— AAAAAAAAAHHHHHHH!!!

A armadura negra, já partida em diversos lugares pelas Agulhas Escarlates, foi feita em pedaços, estilhaçando-se no ar. O inimigo de Escorpião ainda permaneceu de pé por alguns segundos, absorvendo toda potência do golpe. Por fim, tombou no solo, banhando-o de sangue.

— A... Albiore?!? — gaguejou Milo, sem acreditar no que seu adversário acabara de fazer. Andrômeda desvencilhou-se de Cisne e correu até ele, em pranto.

— Mestre! MEEEEEESTREEE!!!! — e jogou-se perto dele, chorando muito.

— Sh-Shun... — tartamudeou o argentino, já sem enxergar nada — per...perdoe-me...

— Mestre!!!

— Mi-Milo... — o escorpiano arrepiou-se ao ser chamado pelo homem do qual saía uma fumaça violeta — cuide... cuide do Shun... s-salve ele...salve ele de... de...

E calou-se para sempre. Sob o grito agudo do adolescente de cabelos verdes, o grego lembrou-se do que dissera Camus apenas ao seu cosmo.

Dentro de Shun habitava Hades, o Imperador do Submundo!!!

— Você ouviu, Escorpião — disse o Juiz, a voz ecoando sinistramente — há prioridades que não seus caprichos sentimentais.

— Radamanthys... — rosnou o jovem.

— Saiba que suas mortes não me interessam nem um pouco. Ainda mais quando Lorde Hades está dentro de um de vocês.

— O que foi que ele disse? — indagou Máscara da Morte.

— Não estamos entendendo, espectro! — exclamou Afrodite, irritado.

— Tudo que devem entender são suas condições: poderão voltar livremente para o seu Santuário. Deixarei que vão em paz. Bastando que me ENTREGUEM AQUÁRIO.

— O QUÊ? — fizeram todos a uma só voz.

— Deixem-no aí. E partam já.

Afrodite cerrou os punhos e bradou:

— Albiore morreu! Teus companheiros também morreram, espectro! Qual o sentido em ainda querer Camus? Não estavam sob ordens de Albiore?

— Ele me pertence agora.

Os jovens arregalaram os olhos, atônitos. Do que aquele guerreiro estava falando?

— Você... VOCÊ ESTÁ LOUCO se pensa que viemos até aqui para entregá-lo a você, monstro!!! — berrou Hyoga.

— Viram o que posso fazer... — apontou para a devastação gerada por meros feixes de energia que se desprenderam da Máxima Precaução em seu caminho rumo aos Santos: árvores haviam sido arrancadas pelas raízes ao serem atingidas apenas de leve, grandes buracos foram abertos na terra calcinada pela energia avassaladora.

— ... todos vocês estão feridos e cansados após tantas lutas. Já eu... — continuou, calmamente — estou com minha força total INTACTA... e consideravelmente superior a de vocês.

Eles fizeram expressões aborrecidas reconhecendo a pertinência daquelas palavras. Milo ergueu-se, com Camus em seu colo, apertando-o mais.

— Escorpião. Entregue-me Aquário. Pouparei você e seus amigos. Eu prometo.

— Oh, sim. Você é mesmo MUITO confiável, matando o próprio aliado — ironizou o Cavaleiro.

— Eu o matei? — riu o Juiz — Ele que se jogou para defender vocês dois do meu ataque.

— Não pense que sou um idiota. Você PREVIU que ele faria isso. Se quer tanto Camus, por que teria disparado contra ele? De alguma maneira SABIA que Albiore interceptaria seu golpe e apenas esperou o momento. Queria-o morto mas não iria contra Hades matando-o deliberadamente... fez parecer que foi um acidente — estreitou os olhos ao falar sem a menor cerimônia.

— Oh... então não é só o Santo de Aquário que é um homem sagaz. Sabe, Escorpião, sempre te imaginei um mero cabeça quente. De fato, sou um Juiz do Inferno, e as ações dos homens me são muito previsíveis. O olhar dele denotou arrependimento nos últimos instantes de vida.

— Arrependimento...? — sussurrou Shun.

—Assim, me livrei do obstáculo aos meus anseios sem que a culpa pudesse efetivamente cair sobre mim. Afinal, era intenção do Cavaleiro de Prata MATAR Aquário... ao passo que eu quero que ele VIVA... que VIVA AO MEU LADO NO INFERNO.

O estupor era claramente lido em cada uma das faces dos Santos de Athena.

— O quê? Então esse espectro... quer o Camus para... — disse Afrodite, incrédulo.

— VOCÊ É LOUCO!!! — vociferou Milo, o sangue fervendo de raiva.

— LOUCO é VOCÊ se pensa que pode me enfrentar, Cavaleiro. Pese suas opções na balança: aceitar que Camus continue eternamente vivo comigo, como um verdadeiro nobre, cercado de luxos e prazeres, enquanto todos vocês retornam às suas vidas pacificamente... ou insistir em seu capricho egoísta e não apenas morrer como também ser responsável pela morte de três de seus companheiros. Qualquer que seja a opção, Camus será meu por toda eternidade, Escorpião. Portanto, não desperdice vidas por sua teimosia infantil. Reconheça sua derrota e parta em paz, salvando os demais.

Ainda estavam processando aquelas inacreditáveis palavras quando a mão do Juiz ergueu-se na direção deles.

— Obviamente, pela posição que ocupo no Inferno, sou entusiasta da Justiça, Escorpião: eu vou te dar trinta segundos para pensar. Um homem tem que ter o direito de pensar antes de decidir. Trinta segundos. Se não me responder, vou usar meu golpe mais poderoso... mas não se preocupe com Lorde Hades. Vou poupá-lo, é claro.

— Quem é que você chama de Hades, ô urubu empalhado?!? — quis saber Máscara da Morte.

— Vão descobrir se sobreviverem. Ou nos últimos segundos de vida. E então, Milo... o que decide? Trinta segundos… contando a partir de AGORA…

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Notas finais
Uaaaaau... como esperei por postar este momento. ALBIORE MORREEEEU... na verdade, foi efetivamente morto por Radamanthys... mas alguém duvida de que Milo já o havia vencido? A situação chega ao nível mais crítico... a seguir, o embate final!!!! Go, Milo, go!!! Muito obrigada por lerem... até o próximo capítulo o/