Grilhões Eternais
25 A Provação Suprema
Notas iniciais
— Muito bem, Príncipe do Gelo, hora de acordar!
Não foi bem o chamado e sim o impacto do tapa em seu rosto que o arrancou do sono que o abençoara durante as últimas horas. Sentado bem rente à parede à qual encontrava-se acorrentado, Camus abriu os olhos com dificuldade, e distinguiu a figura de Valentine, em pé diante dele, com as mãos na cintura, numa pose petulante. Não usava a armadura negra, e sim uma túnica púrpura e uma calça justa preta, com botas de cano alto pretas.
— Daqui a pouco vou te chamar de Bela Adormecida, e não de “Príncipe do Gelo” — zombou. E seu olhar caiu na bandeja prateada com travessas mais finas. — Hum. Vejo que nem mesmo as finas iguarias preparadas pelo cozinheiro do Lorde Radamanthys fizeram vossa Alteza se dignar a comer.
Abaixou-se e puxou uma mecha de cabelo azulada, fazendo o prisioneiro se segurar para não fazer uma careta de dor.
— És muito esnobe, Alteza... não considera a comida à altura de vosso fino paladar, hã?
Nem que quisesse, o aquariano conseguiria responder: sua boca estava seca e dormente. Seu corpo doía horrivelmente, e parecia não haver nada em sua mente. Vazia como seu estômago, vazia como sua esperança. Valentine afastou-se dele e destampou uma das baixelas: haddock assado com alcaparras e cogumelos... um de seus pratos preferidos. E o Juiz o levava para um... um reles prisioneiro! Tomado de ira, chutou a bandeja, fazendo tudo voar longe sob grande barulho.
— Guarda. Pode soltá-lo.
— Para onde...? — balbuciou Camus, mais como reflexo do que curiosidade real.
— Para sua próxima “sessão”, aonde mais? — riu, divertido, voltando a pôr as mãos na cintura — Não se preocupe. Estou certo de que será de seu agrado, Alteza! Foi feita sob medida para um homem como você!
O espectro falara em tom tão mordaz quanto amargo. O francês não conseguiu articular uma teoria. O guarda apertou o dispositivo que estendeu as correntes, permitindo que o cativo se levantasse. Pôs-se a abrir as algemas. Valentine observava o Santo com expectativa cruel de quem deseja o mal àquele que se odeia.
Após fazer suas necessidades, com as mãos algemadas, Camus foi escoltado por Valentine até a masmorra. Ao adentrá-la, percebeu que havia mais pessoas... mais espectros com Albiore, além de Radamanthys e do pavoroso Zeros, a quem já tivera o desprazer de conhecer: um de longos cabelos acinzentados e olhos amarelos, um de cabelos médios negros espetados, e outros dois bem estranhos, uma mulher loira e sorridente, e um de olhos esbugalhados, com armadura esquisita, dentes como capacete e objetos esféricos e dentados saindo por trás. Sentiu um terrível arrepio ao vê-los.
— Como está, Aquário? Espero que recuperado para o que vem a seguir. Deixei-o descansar por quase um dia inteiro, por isso suponho que esteja em condições de passar pelo próximo “ato” sem perder a consciência ou algo do tipo. Quero que Milo assista a tudo... até o final.
O Santo não proferiu uma palavra, limitando-se a fitá-lo com desprezo. Em seguida, olhou de soslaio para os espectros, o suor gelado a descer pela face que incrivelmente ele mantinha impassível. O Cavaleiro de Prata se aproximou dele com uma chave na mão. Abriu as algemas, deixando livres os braços de Camus. Qual seria o propósito disso?
“Será que pretende me fazer lutar com todos esses aí?”, pensou, aflito. Sete oponentes! Ele não teria a menor chance, por melhores que fossem suas habilidades em luta corporal.
— Tem sido um ótimo hóspede, Aquário. Como apreciou a companhia de Radamanthys, resolvi recompensá-lo com OUTRAS companhias desta vez. Creio que será o melhor espetáculo que Milo terá visto... sua provação suprema.
— Quê?... — o francês balbuciou, aturdido.
Radamanthys não gostou nada daquela conversa. Ergueu o tom ao indagar, apontando a si e aos seus companheiros:
— O que significa isto, Albiore? Por que todos nós estamos aqui?
— Não percebeu ainda, Radamanthys? — respondeu Valentine, num falsete provocador.
— TODOS NÓS vamos comer aquele rabo apetitoso, hehahahehahehahehahe!!! — riu Zeros, pulando animadamente.
Verônica passou lascivamente a língua pelos lábios maquiados, mirando o jovem guerreiro apavorado:
— Huumm, espero por isso desde que fui buscá-lo no Santuário, ele é delicioso... finalmente!
Radamanthys empalideceu. Não, Camus ERA DELE! Não queria dividi-lo com aqueles infames!!!
— Que ideia foi essa, Albiore? — vociferou, sem disfarçar nem um pouco a indignação.
— Algum problema com isso, Radamanthys? — perguntou Albiore, friamente.
— VOCÊ é o único que parece ter problemas aqui! Não pode fazer isso!!!
— E por que não? — a indagação calou o Juiz, em doloroso conflito.
— O que foi, Radamanthys? — perguntou Minos, um outro Juiz do Inferno.
— Está preocupado com um reles prisioneiro? — quis saber Aiacos, colocando a mão no queixo, simulando interesse.
— CLARO QUE NÃO! Não sejam idiotas! É só que...
— Foi uma ideia surgida da necessidade de atingir Escorpião de maneira mais incisiva. Desta vez ele não ficará apenas arrasado ou à beira de um colapso mental... ele REALMENTE perderá a alma de tanto desespero. Voltar-se-á contra a Deusa depois DISTO — respondeu Albiore, fazendo um sinal com a cabeça, e após um breve tremor de terra, oito tentáculos de metal irromperam do chão, que rachou e despedaçou em diversos pontos, e se enroscaram no corpo de Camus, que gritou surpreendido. Os tentáculos enrolaram-se em suas pernas, deixando-as separadas, bem como em seus joelhos, coxas, cintura, tórax, braços, pulsos e até no pescoço, imobilizando-o totalmente. Apertavam muito e eram quase tão frios quanto o gelo.
— N-NÃO!... — exclamou Camus, ao adivinhar a função dos tentáculos.
Não apenas imobilizado, mas imobilizado ESTRATEGICAMENTE de maneira a poder ser estuprado por todos aqueles espectros.
Sua cabeça rodou, seu coração parecia em erupção: não, aquilo era demais, não podia ser verdade, Albiore NÃO podia chegar àquele ponto!!! Virou o rosto, com dificuldade, para o Cavaleiro de Prata, deixando enfim cair a máscara ao implorar:
— Albiore! Não faça isso... mate-me de uma vez! Em nome do que um dia você foi! Em nome do amor que EU SEI que você ainda devota ao seu pupilo Shun, que está se t-tornando um grande... ho-homem... — o tentáculo em seu pescoço e peito apertou mais, dificultando-lhe a fala — Mi-Milo vai sofrer t-também se vo-você me matar... pode ser u-uma morte dolorosa... t-torture ele me matando de f-forma dolorosa...
Sem respirar, Albiore cravou os olhos arregalados no fundo do oceano dos olhos marejados de Camus, que continuou:
— ... ma-mande que... que estes tentáculos me apertem até... até quebrar meus ossos e... e rasgar minha carne... que e-eu seja esquartejado mas... mas n-não deixe que... que eles... me... não...ahh...
O Cavaleiro de Prata tencionou escapar do olhar de Camus.
Do olhar de Agatha.
O azul tornava-se verde...
Virou-se, abaixando a cabeça, seus músculos subitamente tensos. Sua voz saiu tremida quando anunciou:
—É tarde demais, Aquário. Eu… — e num fio de voz que ninguém ouviu, completou: “eu sinto muito!”
*************
No Templo da Deusa, todos aguardavam por Mu. Milo estava no jardim, contemplando os peixes que nadavam numa fonte.
— Milo — chamou Afrodite, Máscara da Morte vindo logo atrás.
— Ah, oi Dite. Carlo.
— Como é que você tá, cara?
— Não posso dizer que tô bem, né, Mask? Mas... não me resta mais nada agora a não ser esperar Mu trazer o tal negócio.
— Algo me diz que agora estamos perto de salvar o Camus, Milo! Vamos fazer tudo de acordo com o que deve ser feito. Sem afobações — o pisciano animou o amigo, tomando-lhe as mãos entre as suas. Longe de ficar com ciúme, o canceriano juntou-se àquele estímulo, dando tapinhas nas costas do escorpiano.
— É isso mesmo, cara. Nós vamos lá quebrar a porra toda, e acabar com os desgraçados, tu vai ver! — disse, mostrando os caninos afiados no largo sorriso.
Ainda que com o olhar triste, Milo sorriu também. De repente, arregalou os olhos, parecendo ver algo atrás do casal. Ambos chegaram a virar para trás a fim de conferir o que havia ali. Apenas o Templo da Deusa...árvores... flores... estátuas...
— O que foi, Mi... — Afrodite sufocou um grito de horror — Oh! Seus OLHOS!!!
— Dite, os olhos dele ficaram negros... ele tá em transe de novo!
O olhar parado, os músculos tensos, a expressão em choque, era como ter virado pedra...
— Essa não... merda... — o italiano apertou os ombros de Milo, tremendo — isso quer dizer...
— Carlo... — e o sueco já vertia lágrimas — vão torturar o Camus outra vez!...
*************
—Camus!!! — bradou Escorpião, ao ver o amado restrito por estranhas estruturas cilíndricas de metal. Enroscavam-se nele por todo o corpo, de forma a imobilizá-lo por completo.
— Seja bem vindo, Milo. Hoje teremos algo diferenciado para você — disse Albiore.
O Santo viu seu amante imobilizado ser cercado por seis pessoas... espectros, como diziam! Aquilo o terrificou. Explodiu em pânico:
— ALBIORE! O QUE VAI FAZER?
— Eu nada. Já eles...
— Viva! Eu vou comer esse Cavaleiro, é? — gritou Zeros, muito agitado.
Verônica o empurrou, impaciente.
— Sai pra lá, sapo asqueroso, EU tenho primazia aqui... EU trouxe ele para cá. Estou merecendo isto desde o primeiro dia. LAIMI!!
E ante o chamado do belo espectro, Laimi de Verme, que controlava os tentáculos que prendiam Camus, moveu suas extensões de forma que virassem o Santo imobilizado de modo que ficasse de barriga para baixo, a uma altura de cerca de um metro e meio do chão, totalmente na horizontal.
— NÃO! NÃO, ISSO NÃO!!! — gritou o escorpiano ante nefasta cena.
— Se isso determina prioridades, Verônica, eu também tenho, pois que estava lá contigo para trazer esta fina iguaria para cá — volveu Aiacos, passando a mão no rosto de Camus, muito horrorizado para conseguir dizer algo.
— Como quiser... mas quem vai comê-lo em primeiro lugar serei eu — repetiu o espectro feminoide, apalpando as nádegas de sua presa.
— Eu posso começar chupando ele, sem problemas — e o moreno pôs-se a passar a mão entre as pernas abertas do aquariano.
— EI! E EU?
—Você aguarda sua vez, anfíbio idiota — cuspiu Minos, já irritado com os ataques de Zeros — Todos terão sua vez.
— Aaah, mas a minha tem que ser a última, né? Já tô há dias com tesão nesse miserável...
Minos acariciou os lábios de Camus, sorrindo levemente:
— Aguente mais um pouco, sapo... olhe para ele... vai valer a espera. Quanto a mim... me contento em começar explorando esta boca...
Em pânico, Camus começou a gritar. Valentine puxou seus cabelos com violência.
— EI. Não comece, Alteza...não vê que todos querem “te amar”? Vamos servi-lo como mereces...
Radamanthys olhava a cena, sem saber o que pensar, o que fazer. Todos se acercaram do prisioneiro que se debatia em vão, e gritava mais por reflexo do que por outra coisa:
— Não! NÃO! AFASTEM-SE DE MIM!!!
— Não tente nada estúpido como me morder... ou mando Aiacos morder o seu pau até te castrar — ameaçou severamente o Juiz de cabelos prateados, antes de tomar-lhe os lábios.
— CAAAMUUUS!!! — berrou Milo, desesperadamente.
Forçando o beijo, Minos invadiu mais a cavidade que descobriu ser ainda mais doce que imaginava. Seu ardor multiplicou-se, a ponto de segurar avidamente as faces do Cavaleiro. Rindo muito, Verônica rasgou a parte de trás da calça que vestia o corpo do francês. Após umedecer os dedos com a própria saliva, introduziu dois dedos de uma só vez na entrada do prisioneiro, que verteu lágrimas ao gritar em meio ao beijo forçado.
— NÃÃÃÃOOO!!! ZEEUS!! CAMUS!!!
Albiore olhava Milo, sem sorrir nem nada. Mirou a cena atrás de si: espectros violentando um Santo de Athena… a mando dele… um homem honrado e bom… como Shun era... como ele mesmo fora... SOFRENDO AQUILO A MANDO DELE...
— Aaaah!!! — para gritar, teve que abandonar a boca de Minos, que injuriado, agarrou-o novamente.
Por baixo, Aiacos rasgara a parte frontal da vestimenta, manipulando um pouco o membro antes de abocanhá-lo. Camus foi sacudido por violentos tremores.
— Seja um bom menino, lembre-se do que eu disse... seu pau já está na boca de Aiacos — ameaçou Minos, saboreando sem parar aqueles lábios.
— Vou entrar nele... se segurem, rapazes, ele vai dar um solavanco daqueles, porque eu tô muito duro! — anunciou Verônica, parando de massagear o canal do aquariano com seus dedos e posicionando seu órgão ereto na entrada.
Aiacos não lhe deu atenção. Estava muito ocupado chupando e sugando o sexo de Camus com ânsia faminta, ao mesmo tempo que apertava suas coxas firmes.
O cativo gemia abafado dentro da boca de Minos. Radamanthys o observava fixamente. Valentine pegou uma longa mecha do cabelo azulado e levou até as narinas, aspirando-a dramaticamente.
— Está gostando, Radamanthys?...
— Foi você... — rosnou o Juiz.
— Eu? Eu o quê? — seu namorado afetou inocência.
O loiro fuzilou-o com o mais puro ódio. Verônica penetrou o francês, agarrando-o tão violentamente pelas ancas que, mesmo através do tecido, arrancou sangue da pele delicada com suas unhas.
— Hmmm! Nngg!! — gemia Camus, suas lágrimas descendo como seu sangue, dos lábios, de entre suas pernas.
Valentine riu baixinho ao ver Radamanthys ranger os dentes.
— Já chega desse namoro aí, Minos, pelo menos faz ele te chupar!!!
— Não é que o sapo tem um cérebro debaixo das verrugas?... — acatando a sugestão, o Juiz abriu o zíper da calça e direcionou seu falo muito rígido à boca do Santo de Ouro.
— Vamos, verme de Athena! Me chupe direitinho, ou o Inferno receberá um eunuco no final dos 12 dias!!!
Verônica estocava-o rapidamente, enquanto Aiacos castigava-lhe o sexo com sua língua habilidosa e incansável. Camus estava sendo violado por trás, pela frente, e até pela boca. As mãos imobilizadas pelos tentáculos crispavam freneticamente, como se tivessem vida própria.
— CAAAAAMUUUUUS!!! — Milo urrava, como que abandonando qualquer condição humana. Albiore apenas o olhava... desta vez SEM SORRIR.
— Albiore! Já CHEGA! EU IMPLORO! EU IMPLORO!!! POR FAVOR! POR ATHENA!!! — Milo chorava e gritava, totalmente fora de si — Serei seu escravo por toda a eternidade!!! Liberte Camus! Leve a minha alma! Me torture ETERNAMENTE! MAS NÃO FAÇA ISSO COM ELE!!! EU TE SUPLICO!!!
— Milo... — murmurou o Cavaleiro de Prata, trêmulo.
— AAAHHH! — gritou Camus, ao receber a rude estocada que culminou no forte orgasmo de Verônica. E simultaneamente recebeu no rosto o jato quente do gozo do Juiz, que agarrou-lhe pelos cabelos, obrigando-o a engolir.
— Aaaaaaahhhnn... que delícia!! T-tão apertado... tão quente... oooh...
— Eu quero também! — disse Zeros, pulando eufórico.
— Sai pra lá, sapo, agora sou eu — disse Aiacos, ainda ofegante do orgasmo que tivera na boca daquele homem, trocando de lugar com Minos — desde a Casa de Escorpião que reparei nesse corpo, juntamente com Verônica.
Este se abanava, desfeito, sentado no chão:
— Nossa... ele é uma delícia... se sobrar alguma coisa, quero de novo...
— VOCÊ QUER DE NOVO E EU NÃO TIVE NADINHA AINDA! — gritou Zeros, aborrecido.
— Você deixou aqui bem úmido, Aiacos. Vou terminar seu serviço — brincou Minos, lambendo o sexo viscoso de fluidos. Camus gemeu longamente.
— Deixa pra mim também — disse Valentine, encarando seu amante — Quero saber o que esse Cavaleiro tem de tão especial.
— Aaah, o que é eu não sei... mas ele é especial, disso não há dúvidas... — atalhou Verônica, desfeito pelo imenso prazer que obtivera.
O Juiz franziu a sobrancelha. Enquanto cada um se servia do prisioneiro imobilizado, tomou o rosto do seviciado, forçando-o a olhar para ele.
“Aquário... Camus... “, pensou. Os olhos mortiços de Camus fixaram-se nos dele. O Juiz se arrepiou.
Minos sugava-o ao mesmo tempo que massageava-lhe as bolas. Aiacos penetrava o prisioneiro agora. Era maior que Verônica. Camus cerrou os olhos de dor, e rangeu os dentes. Radamanthys não o soltou, segurando seu rosto com as mãos frementes.
— Lorde Radamanthys, por que não faz ele chupar você? — sugeriu Zeros — se não for fazer nada com essa boca aí, eu quero a vez!
Calou-se apenas com a dardejada dourada dos olhos coléricos. O Juiz preferiu tocar aqueles lábios feridos com os seus; e foi de forma tão lenta, leve e suave, que chamou a atenção dos demais:
— Radamanthys!! Uhnn...p-por que está tão... carinhoso? — gaguejou Aiacos, sua força sendo drenada pelo intenso prazer de estocar aquele ânus apertado e ardente.
Riram ruidosamente. Exceto Valentine, que tremeu de raiva ao ver aquele beijo...
INÉDITO.
Sem dar-lhes importância, Radamnthys fitou os olhos úmidos de Camus e, acariciando-lhe gentilmente o rosto, inseriu novamente sua língua entre aqueles lábios já moles e cansados de resistir. Beijou profundamente aquele que queria só para si.
— Aiacos! Vai demorar muito? — questionou Valentine, furioso — EU TAMBÉM QUERO FODER O MALDITO.
Seu amante apenas o mirou, o ódio contido em cada fibra do ser.
— Aaah... es-espera a sua... humm... vez com paciência... ah... a gente não tem a menor vontade de sair daqui, a-acredite-me! — Aiacos quase nem conseguia falar direito, tão vigorosos e urgentes movimentos fazia.
E assim, um após o outro, os espectros se serviram do corpo do Santo de Aquário, até que Albiore notou o silêncio do Escorpião.
— Milo?
O jovem apenas a tudo contemplava em complete choque. Assemelhava-se a uma estátua.
“Destruí a alma dele?”
A imagem do grego começou a se dissipar. O elo se findava. Atrás de si, contudo, o festim libertino prosseguia. Foi quando ouviu a voz do escorpião, grave, firme e autoritária:
— Fique sabendo, Albiore, que NÃO IMPORTA o que faça, Camus continuará sendo PURO. Ao contrário de sua alma corrompida ...estou certo de que nem mesmo sua amada Agatha pode descansar em paz por causa do horror de seus pecados, de seu ódio, de sua covardia, de sua imundície. Eu VOU SALVAR CAMUS, Albiore. E vou estraçalhar cada pedaço de seu corpo...
Albiore quis responder, porém o tremor não permitiu sequer que movesse os lábios propriamente.
— ... você vai IMPLORAR PARA QUE EU TE MATE... — e esta foi a última coisa que ouviu antes que seu inimigo desaparecesse por completo.
Os batimentos cardíacos do Cavaleiro se desordenaram de tal forma que ele sentiu vertigem. Levou a mão ao peito e virou-se para ver a cena... o estupro grupal... o suplício de um inocente... a provação suprema...
... surpreendendo-se por SENTIR.
*************
O elo se rompera.
Todos se retiraram. Menos Albiore, Radamanthys e Valentine.
Contemplavam o corpo estendido no chão.
Camus não se movia. Não falava. Não gemia. Não tinha nenhuma reação.
— Será que... que ele...
— Não seja tolo, Valentine, ele não iria morrer com isso — disse Albiore, mais para si mesmo do que para seu interlocutor.
Radamanthys aproximou-se do prisioneiro. Abaixou-se.
— Camus?
—Hum. Foi demais para o poderoso Príncipe do Gelo? — sorriu o espectro de cabelos rosados.
O Juiz tomou-lhe o pulso.
— Não. Ele está vivo.
— Então desmaiou de prazer, foi?
— Ele está em estado de choque — respondeu ao gracejo de forma seca — e muito debilitado. Tinha acabado de se recuperar de uma febre devido a uma infecção. E também está em jejum há cinco dias.
— Uma febre? — surpreendeu-se o Cavaleiro de Prata.
O Cavaleiro jazia com os olhos semicerrados, de onde mesmo inconsciente, as lágrimas não paravam de fluir.
— Foi uma diversão e tanto, hein?
— CALE A BOCA, VALENTINE. Ou vou te calar à força.
— O quê? Por que está falando assim comigo?!?
Ignorando o amante, Radamanthys ergueu um pouco a cabeça de Camus, tirando do rosto lívido os cabelos grudados nas lágrimas. Pôs sua mão sobre a mão dele. Valentine franziu o cenho, irritado:
—Está PREOCUPADO com esse verme?!?
— Albiore — virou-se para o outro loiro — permita que eu o leve para os meus aposentos?
Os dois emudeceram, muito surpresos. O Juiz explicou:
—Ele precisa de um banho. Acabará tendo uma infecção de novo se não se limpar propriamente. Ele não vai sobreviver a outra febre daquela no estado em que está.
— O QUÊ? Você quer DAR BANHO nesse... nesse lixo de Athena?? — gritou Valentine, fora de si, brandindo o braço e fazendo menção de avançar em Camus. Foi impedido por um gesto enérgico de Albiore.
— Deixe-o. É o mínimo que posso fazer por ele. Além do mais... merece um pouco de dignidade antes de seu fim — proclamou Albiore, tristemente.
— Como?... — estranhou o espectro contrariado.
Radamanthys ergueu Camus do chão, ajeitando-o cuidadosamente em seu colo, sem deixar de mirar o rosto do francês desacordado: as profundas olheiras e os hematomas a macularem a pele pálida, arranhões e unhadas, os lábios feridos e sangrentos pelas mordidas e tapas... sem perceber, apertou as mãos no corpo inerte, estranhamente tocado pelo que via. Valentine estremeceu ante aquela imagem... ao constatar o que luzia nos olhos dourados do amado.
Sob permissão, Radamanthys majestosamente deixou a cela, levando em seus braços o Santo de Aquário, tal qual a cena de um antigo romance de cavalaria de sua terra.
Dos olhos muito abertos, estáticos de Valentine, minaram grossas lágrimas de ódio e ciúme.
*************
Hyoga correu para perto da fonte assim que soube. Encontrou o escorpiano deitado num banco, a cabeça sobre as pernas de Afrodite, que acariciava-lhe os cabelos. O pisciano estava chorando, e Máscara da Morte apertava seu ombro em apoio.
— Aconteceu de novo? — bufou o garoto, parando perto deles.
— Sim. Quando ele começou a VER, Afrodite usou uma de suas rosas nele, conduzindo-o ao sono — explicou o canceriano, em tom lamentoso.
O pisciano enxugou as lágrimas e disse:
— Acho que... que Camus estava sendo... violentado...
— O QUÊ?
—E… e… e por vários homens ao mesmo tempo!! — o sueco explodiu em pranto novamente, tendo que ser amparado pelo namorado.
O russo vacilou. Caiu de joelhos na grama, totalmente chocado.
— Zeus... por isso Milo... foi por isso... — balbuciou o loiro, horrorizado.
— Mu, anda logo com essa porra!!! — rosnou Máscara da Morte, olhando na direção das Doze Casas, ansiando para que o artefato pelo qual esperavam ficasse logo pronto. Não tinha mais como esperar!
*************
O espectro despiu o Cavaleiro de Athena do que agora eram meros andrajos. A despeito de seu excelente trabalho há apenas um dia, foi obrigado a retirar as bandagens que tão cuidadosamente envolvera em seu torso ferido. Olharia as lacerações das chibatadas depois. Considerou seu corpo, há uns dias tão imponente, agora frágil e tão machucado. A impressão aristocrática que lhe causara nos primeiros dias fora substituída por uma deplorável. Tomou-o nos braços novamente e caminhou pela suíte espaçosa, em meio à névoa do vapor. Depositou-o na enorme banheira de mármore negra, cuidando para que não afundasse a cabeça. Recostou-a numa reentrância da borda, e jogou os cabelos bem para fora, trançando-os de qualquer maneira. Tocou a coleira em dúvida. Pensou que seria melhor retirá-la... não por medo de danificá-la, sabia que isso não aconteceria, e sim para lhe oferecer uma limpeza mais adequada... o Santo fez uma careta de desagrado.
— Está acordado? — perguntou Radamanthys.
—Humm… q-quente…
—Vou colocar mais água fria para ficar a seu gosto — e abriu uma torneira, temperando o banho.
— Ra... Radamanthys?
—É a primeira vez que diz meu nome... Camus de Aquário.
— O que... onde...
— Tente não falar. Sei que para você não é difícil — com sabonete e uma esponja macia, o loiro pôs-se a limpar os pés do prisioneiro.
A temperatura ficara agradável. Confuso, sonolento e dolorido, o francês fez o que o Juiz mandara. Apesar de querer perguntar o porquê de estar ali, de estar sendo lavado por ele, manteve silêncio.
Radamanthys esfregou-lhe os pés, as panturrilhas, os joelhos. Reabastecendo a esponja com o sabonete líquido de orquídeas, limpou-lhe os braços, o peito, as omoplatas, sem desprezar os locais machucados, nem que para isso causasse dor a Camus, que, por sua vez, mordia os lábios para não o demonstrar sonoramente.
Vendo aquilo e fingindo indiferença, o espectro comentou, de forma pretensamente distraída:
— Não morda os lábios; seus ferimentos aí vão abrir. Você pode gemer.
— .......
— Por que se segura tanto? Ninguém está olhando. Ninguém está ouvindo.
— .......
— Você é mesmo orgulhoso — sorriu o Juiz, colocando mais sabonete na esponja. Pensou em como aquela era uma das características que fizeram o aquariano mais atraente e desejável para si.
E pôs-se a esfregar os ombros. Camus abaixou um pouco a cabeça, relutando em admitir que enfim experimentava um momento de conforto. Permitiu-se fechar os olhos. Sentiu as costas serem gentilmente massageadas, ainda que lhe doessem os locais magoados pela tortura de Zeros. Radamanthys voltou para a frente, para esfregar as coxas, sob um olhar ressabiado do cativo. Da parte da frente, passou para a parte interna, separando-as discretamente. Massageou com suavidade aquela parte sensível, fazendo o francês deixar de ficar relaxado e passar a ficar... receoso.
— Abra as pernas, Camus.
O jovem não obedeceu. Virou o rosto, envergonhado, como se só agora se lembrasse de que estivera todo esse tempo nu diante daquele homem. Inconscientemente pusera as mãos sobre sua masculinidade.
“Como pode ter pudor... honra...orgulho... depois de tudo que lhe aconteceu?” Radamanthys questionava-se mentalmente, intrigado.
— Não posso limpá-lo direito assim.
— Eu posso fazer isso — tentou tirar a esponja dele. O espectro ergueu o braço, não permitindo. Impacientou-se levemente:
—Escute. Você só está aqui porque EU o quis. Se não fosse por MIM, você estaria naquela cela deprimente com trapos imundos no corpo, algemado e sujo. Agora faça o que estou mandando ou eu o devolvo à prisão do jeito que está — ameaçou, sério.
Depois de hesitar por uns instantes, sem olhar para o outro, o aquariano fez conforme o ordenado: separou as pernas. Mas as mãos continuaram no mesmo lugar.
Estalando a língua num “tsc!”, Radamanthys começou a esfregar cuidadosamente a parte superior das coxas, sempre se admirando daquela rigidez. Havia sangue incrustado...imprimiu mais força, chegando perto da virilha. Retirou as mãos renitentes dali sem nada proferir. Camus virou mais o rosto, muito constrangido, ao sentir a esponja se aproximava de seu sexo. Não negava que precisava MUITO ser higienizado... porém... naquela área não poderia ser utilizada esponja para tal...
Fechou os olhos com força, sob desagradável expectativa.
Sentiu seus testículos serem tocados e teve um breve sobressalto. Lembrou-se da ameaça de Radamanthys e se controlou, mordendo os lábios novamente, ante a manipulação no local. Os dedos do loiro esfregavam a região cuidadosamente, passando para a base do pênis. Delicados movimentos e o silêncio demonstravam a seriedade do Juiz no momento: ele estava realmente procedendo à higiene do cativo.
O que não deixava de ser perturbador para Camus. E de outra maneira... para Radamanthys também.
Toda extensão de seu pênis foi esfregada com cautela, chegando os dedos do loiro até a parte superior, esfregando de leve a glande. Detendo-se brevemente ali no meio, Radamanthys percebeu o natural tremor se apoderando do jovem, que permanecia com a cabeça virada de lado. Cuidou da delicada membrana abaixo da cabeça do pênis, não deixando de notar um suspiro preso na garganta do outro.
— Vire-se um pouco agora.
— O-o quê...?
—Eu preciso limpar aqui…
—N-não!! Digo… aí… está… do-doendo muito…
— Eu imagino. Mas há de concordar que precisa ser higienizado. Ou prefere ficar com as imundícies deles dentro de você?
— De...deles? Você... você não...?
—Vire-se.
Os olhos de Camus encheram-se de lágrimas. Era muita humilhação! Mas havia algo ainda mais doloroso do que a humilhação em si.
Aquela sensação de que fora abandonado por tudo.
De que nada havia adiante.
De que nada, nem ninguém iria salvá-lo.
De que a única pessoa agora preocupada em tratar dele... era justamente seu violador. Seu algoz. Seu inimigo.
Nenhum sentimento, nenhuma ponderação, nenhum argumento... iria mudar aquilo.
Tentando esconder as lágrimas, virou-se um pouco de lado para dar passagem à mão do espectro. Sentiu suas nádegas serem afastadas pelos dedos do Juiz, que procedeu à limpeza de seu ânus brutalmente abusado.
— AAAHHN!! — não conseguiu evitar, chegando a morder o punho para poupar os lábios machucados demais.
— Aguente firme...e não se contenha. Vai doer mesmo. Fizeram um estrago e tanto aqui. Mas preciso limpar direito.
Parecia estar sendo cortado com lâminas por dentro. Camus gemeu dolorosamente, cedendo ao que Radamanthys sugerira.
Para que se segurar?
Para que se conter?
Para que agir por orgulho?
ELE ESTAVA DESTRUÍDO.
MORTO EM VIDA.
Nada mais havia para si. Nem ele mesmo...
— Aaahhn!!! Ah! Por... P-por favor... e-está doendo... muito...
— Já acabei.
Aquela frase aliviou o Cavaleiro. Acreditou que aquele banho havia chegado a seu fim. Foi quando Radamanthys o moveu para a posição original e envolveu-lhe o pênis com seus dedos longos.
— Não tinha... acabado? — perguntou, surpreso.
Sem obter resposta, começou a sentir movimentos lentos para cima e para baixo em seu membro.
— O... o que...
— Shhhh — fez o Juiz em seu ouvido — depois do que passou, acho que merece um relax, não?
— N-não... pare...
Radamanthys passou a língua no ouvido do aquariano, masturbando-o vagarosa e firmemente. Não havia mais força alguma no corpo de Camus, que se considerava morto em vida. Em verdade, somente esperaria uma chance de morrer. De se matar. Não tinha mais nem vontade nem planos de continuar vivo.
Não tinha sequer o direito de continuar. Era o que achava.
Seu falo era massageado por baixo d’água, com sanha. Contraiu involuntariamente as pernas, dando ao outro a impressão de que sentia algo. O loiro imprimiu mais pressão, estrategicamente firmando um dedo na fenda da glande. Um gemido baixo estimulou-o vivamente.
Aquilo muito o excitou.
Camus pendeu a cabeça para o lado, sem querer escorando-se agora no ombro do espectro, que o acolheu, satisfeito, passando o braço em seu peito.
— Uhnn...
— Permita-se... você não tem mais nada a perder... — sussurrou, bombando o sexo do aquariano ainda com mais vontade, a ponto de fazer bastante água da banheira transbordar com os movimentos constantes e ritmados.
Cada vez mais rápidos.
Cada vez mais fortes.
— Aaahhn...nng...
— Isso, geme pra mim... bem gostoso, Camus de Aquário... vai gemer por toda eternidade desse jeito... eu prometo...
— N-nah...uhn...
Radamanthys sentiu-o afundar a cabeça contra si, retesando-se todo. Percebeu-lhe as pernas convulsas e o peito arfante, o que significava que mesmo após toda violência sofrida... diminuiu a pressão e puxou-lhe os testículos para baixo, a fim adiar aquele momento. Camus gemeu, desesperado.
— Não precisamos ter pressa, precisamos? — provocou o espectro, falando bem próximo dos lábios trêmulos e feridos — teremos a eternidade inteira.
— O que... o que exatamente quer dizer...? — Camus finalmente conseguiu perguntar.
— Vou tirar você de Albiore. Ele não vai te matar. Vou matá-lo antes disso.
— Como... como pode d-dizer isso? Não disse que... que ele é protegido do teu adorado Hades? Como vai se rebelar dessa forma...?
Um riso escarninho antecedeu a surpreendente resposta:
— O maldito só conseguiu esse privilégio todo por ter sido mestre do Cavaleiro de Andrômeda. Usou isso para pleitear uma segunda vida para empreender a tal vingança...
— An...Andrômeda? Não entendo... o que tem ele a ver com isso?
— Andrômeda é o hospedeiro de Lorde Hades nesta era.
Os olhos de Camus, antes mortiços, arregalaram-se.
— O quê...?!! SHUN? N-não pode ser!
—Caiu nas graças do Imperador por ter doutrinado o jovem a ser o que é, um guerreiro de alma pura. De fato, Lorde Hades só poderia encarnar na pessoa que possuísse a alma mais pura da Terra...
O aquariano lembrou-se das palavras de Hyoga.
— ... e Albiore o treinou de maneira a preservar isso, ao contrário de tantos mestres. Nosso Imperador considerou-o digno da graça só por causa disso. Mas vou acabar com ele de uma maneira que ninguém ficará sabendo.
— C-como fará isso... não pode esconder nada de... de um deus... aahhh!! — seu membro voltou a ser estimulado com a mão forte de Radamanthys.
— Em parte. Tenho meus meios. Lorde Hades, como os demais deuses do Olimpo, não é onisciente. E não está em sua forma plena. Sua essência está tripartida: parte dela está nos Elíseos, com seu verdadeiro corpo; parte dela está em Giudecca, no Inferno; e a outra parte no corpo de Andrômeda. Quando o garoto fizer dezesseis anos terá seu corpo completamente dominado pelo Deus do Mundo dos Mortos. E mais uma vez a Terra verá uma Guerra Santa...
— Não pode ser... Sh-Shun... aahhn...
— Vê como face tantos eventos auspiciosos a existência de Albiore é irrelevante?
— Pa-pare... me largue... ah!
— Vou matar o maldito Cavaleiro de Prata. E você será meu... para sempre... — sua língua invadiu a boca do homem que manipulava à força, cada vez mais vigorosamente. Forçou sua língua, ganhando passagem , segurando-o firmemente pela nuca, impedindo-o de fugir.
— Uhhn!! — fez Camus entre o violento beijo. Os lábios do Juiz por sua vez crisparam-se num sorriso triunfal.
Uma mosca que próximo a um candeeiro pousara levantou voo, abandonando o recinto. Indo para a alcova, deixou aquele quarto por uma fresta da janela. Após um longo trajeto, penetrou em um outro aposento, e pousou na mão espalmada de um um belo espectro de cabelos róseos sentado num enorme leito.
Os olhos violetas miraram o inseto imóvel, exceto por um breve fremir de suas asas diáfanas.
— Obrigado, Verônica. Muito obrigado mesmo por este grande favor. Saberei te pagar — murmurou. Com o polegar e o indicador segurou a mosca, que não tentou fugir. Levou-a até os lábios, abriu-os e introduziu o inseto na boca. Fechou-a, deglutindo o pequeno ser.
Fechou os olhos por uns minutos. E então abriu-os.
“Então é ISSO QUE PLANEJA, Radamanthys...”
Sorriu, ao mesmo tempo que uma lágrima veio morrer em seu sorriso. Contemplou o céu anil.
A cor dos malditos olhos do maldito destruidor de seus sonhos.
“Não vou deixar que fique com ele, meu amado Juiz... vou matar seu querido Camus de Aquário. Você não me deixa outra opção.”
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