Grilhões Eternais

32 Por Nós Dois!


Notas iniciais
Bem vindos ao trigésimo segundo capítulo de "Grilhões Eternais". No capítulo anterior, após uma dura batalha contra Albiore, Milo vence, e está enlouquecido de ódio, torturando o Cavaleiro de Prata, até ser impedido por Camus. Radamanthys aproveita-se do momento e mata Albiore. Tem início então o combate entre o Juiz remanescente e o Santo de Escorpião. Quero agradecer a quem está acompanhando a fic, favoritando, e, principalmente, aos fiéis escudeiros de comentários Momentos decisivos, pessoal!!!!! Boa leitura!!!!

— Vou começar a contar, Santo de Ouro... — anunciou Radamanthys, de forma arrogante.

Milo encarou-o, uma gota de suor descendo por seu rosto e mesclando-se com o sangue. A névoa que derramava-se pela floresta tornava-se cada vez mais densa.

— Espere, Radamanthys. Me dê um pouco mais de tempo para pensar — pediu o escorpiano, surpreendendo seus amigos, que chegaram a exclamar:

— Milo?!!

— O combinado foi trinta segundos, Escorpião — retrucou o loiro, cruzando os braços, ainda de cima do penhasco.

O grego deu seu característico sorriso de canto.

— O “combinado”, não. O “DECIDIDO” por você. Não sabe muito bem usar as palavras, cara.

— Isso não vem ao caso. Um. Dois.

— MILO, O QUE...

“CALEM-SE E ME OUÇAM!”

Era Milo, falando diretamente aos cosmos de Afrodite, Máscara da Morte, Shun e Hyoga, que amparava Camus, ainda sem sentidos.

— ...três, quatro...

“Enquanto esse babaca brinca de contar, vocês peçam para Mu levá-los AGORA.”

— ...seis, sete...

“NÓS? Você vai ficar aqui? Não pode lutar sozinho”

“Eu preciso fazer o maldito pagar. Vão! Eu vou depois!”

— ...dez, onze...

“Milo, não vamos sem você! Está ferido”

— ...treze, quatorze...

“Hyoga, Camus PRECISA de socorro médico urgentemente! VÃO! O desgraçado já tá na metade da contagem!”

“Ele tá certo, pessoal. Boa sorte, Milo. MU!”

Muito longe dali, com praticamente um continente separando as duas localidades, o ariano ergueu a cabeça ao ouvir a voz de Afrodite clamando ao seu cosmo.

— Entendido, Peixes — e, segurando firmemente o amuleto com a terra colhida na floresta, começou a concentrar seu cosmo sob os olhares atentos da Deusa e dos companheiros que permaneciam no Pátio das Estrelas.

Os jovens começaram a ser envolvidos por uma luz dourada. Em pouco tempo, estariam em casa. Máscara da Morte pegou Camus no colo, preparando-se para partir com os demais. Súbito, o Juiz brandiu a mão na direção deles e disparou:

— MÁXIMA PRECAUÇÃO!!!

— Merda! CUIDADO!!! — gritou Milo, ao perceber a energia do golpe indo rumo aos companheiros. Tomados de surpresa, os outros não foram atingidos em cheio por um milagre, mas a potência do ataque foi o suficiente para que sentissem as ondas do terrível poder do Juiz do Inferno. Foram lançados a longa distância sob intensa luminosidade e estrondo.

— Aaahhh!!! — uma pontada na cabeça fez Mu quase cair. Os Santos acorreram imediatamente, intrigados:

— Mu?! O que houve??

— Aahh... n-não sei... uma força... uma força estranha bloqueou o meu cosmo e...

— O quê? Como isso é possível? — surpreendeu-se Shaka.

— Quem teria capacidade de impedir o teleporte de um Cavaleiro de Ouro? — indagou Saori, atônita.

— Na verdade, Senhora, o teleporte nestas condições não é o mesmo de quando conheço o local. A conexão é mais lenta... e... eu acho que...

— Acha o quê, Mu, fala logo!!! — impacientou-se Aioria.

Áries suspirou, preocupado. Shura e Seiya seguravam-no pelos braços, tão afetado fora.

— Não... não acho. É certo que estão lutando com alguém muito poderoso... e que impediu nossos companheiros de voltarem pelo teleporte. Foram atacados bem na hora. Pude sentir a radiação do poder do inimigo...

— Essa não — disse Pégaso, assustado.

— Shun... — murmurou Ikki, crispando as mãos. Sentiu um tremor correr pelo corpo.

Enquanto isso, no coração daquela inóspita e gélida floresta escocesa, Milo erguia-se, segurando o braço ensanguentado. Desesperou-se ao ver todos os rapazes desacordados, um em cada canto, em meio às árvores e vegetação.

— ZEUS!!! CARLO! DITE! HYOGA! SHUN! CAMUS!!!

— Que golpe baixo, Escorpião, tentando me enganar? Achei que fosse adepto de lutas limpas, sem truques...

— SEU...

— De fato, ouvi falar que você era o mais rápido dos Santos de Ouro. Não era exagero — comentou o loiro, cruzando os braços de novo, calmamente.

— ... SEU MALDITO!!!

— Tentaram estabelecer um teleporte com alguém à distância... o cosmo liberado por uma ação dessas é muito diferente do de um simples golpe, e devo dizer que esse foi tão vagaroso que seria como pegar uma borboleta no ar...

— Ugh... — gemeu o grego, de raiva, frustração e, claro, dor.

— Não deixarei que leve Camus a lugar nenhum. Ele é MEU, eu já disse.

— Você ALVEJOU ELE! Mesmo ele estando ferido!!! E se tivesse o matado?! É essa a sua ideia de amar alguém?

—AMAR?

O Juiz gargalhou longamente; o escorpiano fitou-o, repleto de ira.

— Não se trata de amor. Desconheço tais mentiras próprias de humanos. Trata-se de DIREITO.

— Direito?...

—Ele é meu agora. É meu direito levá-lo para viver eternamente comigo no Inferno.

— Você vai pro inferno sim, mas SOZINHO! — num ímpeto quase suicida, Milo projetou-se no ar na direção do inglês, que esquivou-se do golpe. E nessa esquiva, rodopiou e acertou o grego pelas costas com uma de suas vigorosas garras. O jovem desceu ao solo como um cometa, abrindo ali uma verdadeira cratera. Milo expeliu sangue com o choque.

— Não será tão fácil se livrar de mim, Escorpião. Você já está fatigado de tantas lutas. Ainda que esteja nesse estado deplorável, não pretendo pegar leve...

— Uuurhg... — sob extremo esforço, o escorpiano se ergueu, saindo do buraco. Sua notória velocidade não o poupou de receber no rosto um potente soco do espectro, que surgiu diante dele como se tivesse se teletransportado.

— AAAAHHH!! — a batida contra uma grande rocha foi tão violenta que ele foi praticamente soterrado pelos enormes fragmentos que dela se desprenderam.

— Você não é oponente para mim, Escorpião — declarou o Juiz, caminhando lentamente para ele — e não é amante para Camus.

— Humm... — gemeu Milo, antes de tossir e perder mais uma grande quantidade de sangue. Um salto mortal para trás salvou-o de um raio disparado pela mão de seu oponente. Ao pousar, prontamente estendeu na direção do outro o dedo em riste, enunciando:

— AGULHA ESCARLATE!

Um raio rubro passou raspando pelo loiro, que desviou com agilidade.

— C-como?... — balbuciou o Santo, admirado: NINGUÉM desviava de suas Agulhas!

— Não consegue mirar, Escorpião? — zombou o inimigo — Deve ser mesmo difícil quando se está prestes a PERDER A CONSCIÊNCIA...

“Minha vista... turva...”, pensou... o desgraçado sabia...

Estava BRINCANDO com ele, era isso?

Enxugou o sangue das vistas, que também o atrapalhava deveras. Foi acertado pela perna do Juiz, que mais assemelhou-se a um míssil. Foi arremessado contra um imenso pinheiro, provocando um estampido similar a uma explosão. Aquilo fez Máscara da Morte e Afrodite voltarem a si, ainda que atordoados.

O escorpiano encontrava-se em meio a dores esmagadoras. Sua armadura sagrada já estava mesmo rachada em alguns pontos. Piscou os olhos inúmeras vezes, tanto para manter a consciência quanto pelo incômodo do incessante fluxo rubro... ouviu o som dos passos em sua direção.

Seu corpo já não obedecia mais.

E ele não conseguira acertar um único golpe nele!

“Vou usar a ‘Restrição’.” Nem mesmo o poderoso Radamanthys escaparia do poder paralisante... e ele poderia concentrar todas agulhas num único ponto e acabar com aquilo. Não cometeria o mesmo ato que cometera com Albiore. Camus assim o exortara.

De mais a mais, não acreditava possuir energia ainda para tal.

E precisava logo socorrer o amado.

Decidiu, concentrando seu cosmo rápida e vivamente. Seus olhos ficaram vermelhos. Gritou:

— RESTRIÇÃO!

As ondas energéticas fluíram pelo ar, indo na direção de Radamanthys, que para o pavor de todos, evitou-as, com um imenso salto mortal, indo aterrissar bem atrás do Cavaleiro.

— MILO!!! — clamou Afrodite.

— AAARGHH!! — Milo gritou, ao receber bem nas costas o chute potencializado por um habilidoso giro do espectro. Tombou a alguns metros dele, após rolar e espalhar um verdadeiro rastro de sangue na grama.

— Não!!.. — foi a vez de Carlo balbuciar. Wyvern foi até o homem caído, dizendo, com ar divertido:

— Vou fazê-lo morrer em paz deixando-o saber que seu adorado Camus irá gozar por toda eternidade comigo... é um destino bem mais interessante do que ser um verme de Athena e perecer como qualquer inseto na Terra.

— AHH... — Milo espalmou as mãos no chão, buscando equilíbrio para se levantar.

— Quer saber o que vou fazer com ele por tanto tempo? Acho que será mais divertido ver você morrendo aos poucos enquanto te conto...

— Milo... — balbuciou Máscara da Morte, vendo com horror o Juiz se aproximando do amigo de quatro no solo. A verdadeira sombra da morte! — ... Dite. FODA-SE... VOU ATÉ LÁ.

Nesse momento, o pé de Radamanthys acertou em cheio o estômago do Cavaleiro, que mesmo de armadura, sentiu e gritou.

— EU TAMBÉM, CARLO! — Peixes e Câncer ergueram-se, já concentrando seus cosmos.

— VOCÊS DOIS, NÃO FAÇAM ISSO!!!

— Hyoga?...

O russo segurou o braço dos dois mais velhos, mirando muito seriamente a violenta cena que se desenrolava diante deles.

— Vamos... confiar em Milo...

— Hyoga, ele NÃO está em condições! Vai ser morto por aquele demônio! — argumentou Afrodite, tenso.

— Vamos CONFIAR em Milo! Ele PROMETEU!

Os guerreiros olharam o adolescente, que continuou, convicto:

— Ele prometeu... e se tem uma coisa que sei do Milo, do pouco tempo que o conheço é que ele... Milo SEMPRE CUMPRE SUAS PROMESSAS!

— Hyoga... — murmurou Shun, tocado.

Eles assentiram, ainda que ressabiados. Viram com horror Radamanthys afundando seu punho no peito do Santo, que novamente gritou. Sangue esguichou de sua boca.

— MILO!!! ZEUS! NÓS TEMOS QUE...

— NÃO, EU JÁ DISSE!!!

Num gesto inconsciente, o russo postara-se na frente deles, os braços abertos, como a impedir que os demais ousassem sair dali.

— Garoto... — rosnou Câncer. O pisciano tocou de leve o braço do namorado. Virando-se para ele, o italiano viu-o balançar a cabeça, como a seguir o que o Santo de Bronze sugerira.

Milo bufava: o sangue em suas narinas impedia-o de respirar direito, e a inconsciência batia-lhe às portas. Lutava, porém, contra ela. Se se entregasse, seria o fim não apenas de sua existência e também de seus companheiros, como do próprio mundo como conheciam, pois que tinha que levar Shun para Athena...

... seria também o fim da humanidade de Camus.

Cenas de sua vida passaram lépidas e vibrantes em sua mente, e ele temeu estar morrendo: sempre ouvira dizer que nos momentos antecedentes à morte aquilo acontecia...

Viu Camus rindo, depois de Milo dizer que seu nome queria dizer “maçã”.

Viu Camus sorridente, brincando na água do rio próxima do lugar que chamavam de “refúgio” quando eram crianças.

Viu Camus trajando a sagrada armadura de Aquário, na cerimônia de sagração dos Cavaleiros de Ouro.

Viu Camus com roupa de treinamento, mãos na cintura, ralhando com ele por não “levar o treino a sério”.

Viu Camus partindo para a Sibéria, a fim de ficar longos 5 anos treinando meninos para se tornarem Santos de Athena.

Viu Camus partindo para o Templo de Libra para enfrentar o discípulo "rebelde".

Viu Camus morto, estendido no leito, de túnica branca, à espera da ressurreição.

Viu Camus resplandecente e confuso, de volta à vida.

Viu Camus em êxtase, as gotas de suor cintilando em sua pele macia e nua.

“Camus!”

Em seu interior, algo queimava.

Queimava cada vez mais.

— MILOOO!!! — gritaram os quatro guerreiros, ao presenciar o Juiz agarrando o jovem pelo pescoço, erguendo-o acima do solo. Sua cabeça pendeu, o sangue vertendo, os olhos cerrados.

— Ggghhh...aaah!!!

— Vou possuir teu Camus por toda a eternidade, Milo — disse o loiro, triunfante, ao perceber que seu inimigo sucumbia. Apertou mais sua garganta — Vou fazê-lo gritar de prazer todos os dias, dominar seu corpo de tal forma que a alma dele a mim pertencerá... será tão preenchido de gozo e glória que a tua existência, caro Escorpião, não passará de uma lembrança apagada no tempo...

Os olhos fechados abriram-se num átimo imperceptível mesmo para o espectro. As íris vermelhas faiscaram quando ele proferiu:

—RESTRIÇÃO!!!

Imediatamente, o Juiz foi acometido pela paralisia que acompanhou aquela fina e misteriosa dor. Percebeu, com terror, que ficara completamente imóvel, vislumbrando ainda as rútilas ondas que emanaram do Santo, agora de pé, livre do enforcamento ao qual era há pouco submetido. Arregalou muito os olhos, incrédulo… mal conseguia falar, pois mesmo abrir a boca era difícil:

— O...o...q-quê?!?...uuugh...

Aspirando o ar novamente, o grego fitou-o, sorrindo de lado, ao ironizar:

— Agradeço muito pela esclarecedora palestra, Radamanthys. Graças a ela, pude ficar cara a cara com você. E meu golpe “Restrição” só teria efeito em alguém do seu nível a curta distância... proporcionada por sua vontade de me contar seu sonho impossível.

— S-seu...m-maldito... ver...VERME!!!

Respirando com dificuldade, tremendo ainda, Milo espalmou as mãos sobre o peito do Juiz.

— To...tome de uma só vez... as 14 AGULHAS ESCARLATES!!!

Radamanthys foi varado pelos sucessivos e destruidores raios vermelhos, de tal forma que seu corpo tremelicou como um boneco de cordas abandonado por seu manipulador.

— AAAAAAAAAAAAAHHHHRRRR!!!!

Uma explosão de sangue fez subir uma densa e assustadora névoa avermelhada. Seu capacete, assim como várias partes de sua esplêndida súrplice, foi despedaçado. As pupilas douradas sumiram-lhe das órbitas, já opacas pela devastação causada pelo ataque feroz em que Milo apostou todas suas fichas. Em suas veias e músculos era como se corressem rios de lava. Ele lacrimejou, arfando, em um sofrimento inédito, impensável.

— Isso foi por Camus, Juiz!!!

O inglês caiu de joelhos, arquejante, praticamente mutilado. O Santo de Ouro ergueu o dedo em riste, posicionando-o na fronte do espectro. E completou, em tom passional:

—E agora, isso é por MIM... ANTARES!!!!

De sua unha foi disparado o golpe de misericórdia, que sabe-se, não o matou instantaneamente, pois ainda foi ouvido de seus lábios ensanguentados, após um gemido abafado:

— C-Ca...Camus... — o sangue afluindo da boca que pronunciava o nome do homem que ele, a seu modo incompreensível para as almas justas, amou...

E expirou finalmente.

— MILOOO!!! — gritaram os companheiros, afoitos, correndo para ele, que se sustentava em pé a muito custo. Cercaram-no, abraçaram-no, sem se importar com os “aiais” que ele dava:

— VOCÊ CONSEGUIU, MILO!!! — comemorou Hyoga, pulando sobre ele.

— E você duvidou que eu conseguiria, Patinho?

Afrodite riu, enxugando as lágrimas:

— Ele NUNCA duvidou, Milo. Somos testemunhas.

Os dois se olharam. Lágrimas rolaram pelas faces machucadas de Cisne.

— Eu te amo... Milo!

E se abraçaram.

— Eu também te amo, Hyoga. E sabe... como a um filho.

— Milo!!!

— Só não me chama de mãe...

— Mas é nunca!

— Agora, dá licença, “filho”... vou ver o “outro papai”.

Sob os olhares emocionados dos amigos, Milo caminhou, vacilante, até onde Máscara da Morte estava, com Camus no colo. O canceriano deu um largo sorriso ao dizer:

—Muito bem, Milo. Você o salvou.

— Não teria conseguido sem a ajuda de vocês... UUGH!! — cerrando os dentes sob forte pontada na cabeça, quase caiu se não fosse amparado pelos outros três.

— MILO!!!

— E-estou bem...

— Tu tá é um bagaço, isso sim — brincou o canceriano.

— Deixa... deixa que eu levo o Camus, Carlo.

— Tu tá muito fraco, Milo!

— Isso é que não... — e estendeu os braços, pegando o amante por baixo dos joelhos e dos ombros. Notando o olhar preocupado do italiano, Afrodite falou:

—Deixa, amorzinho, sabe que ninguém vai convencer esse venenoso a não carregar o garotão aí.

Ignorando as dores, o escorpiano tomou o francês nos braços, contemplando-o como se fosse um lindo sonho prestes a se desvanecer.

Mas este sonho NÃO iria se desvanecer.

Este sonho era REAL.

Camus, seu Camus finalmente ESTAVA SALVO.

— Pode mesmo levá-lo, Milo?

— Claro, Pato! — riu — que Príncipe do Cavalo Branco seria eu se não pudesse levar a Princesa Adormecida de volta para casa após o resgate?!?

— Deixa só meu mestre saber que você falou isso... ele vai fazer o Radamanthys parecer GENTIL com você.

— Hahahahahahaha...AAAAIII!!! — um beliscão forte na parte descoberta de seu braço veio antes da voz supostamente brava:

— Do que está rindo? Hyoga está certo.

A voz que ele mais queria ouvir... o sorriso do grego alargou-se até onde podia:

— CAMUS?!?

—MESTRE!!!

—CAMUS! — exclamaram Shun, Afrodite e Carlo, entusiasmados.

A expressão séria e sofrida do francês deu lugar a um discreto sorriso que, a julgar pelos hematomas no rosto, doeu muito para nascer.

— Você conseguiu... Milo — sussurrou.

— Sim. E agora a sua vida ME PERTENCE, ouviu bem? — sentenciou o escorpiano, os olhos claros úmidos de emoção.

O aquariano assentiu, suavemente. Os braços feridos, cortados e contundidos enlaçaram o pescoço do Cavaleiro de Ouro, enquanto os olhos índigos também tremularam de comoção.

— Acho que agora posso dizer, não é? — perguntou ele.

— Acho que sim — murmurou o escorpiano, embevecido com aquele olhar.

— Meninoooooos... — fez o pisciano, tampando com as mãos os olhos de Hyoga e Shun. Máscara da Morte, mais sagaz, já tinha virado o rosto para o lado.

Sem dificuldade alguma, sem dilema íntimo nenhum, mirando fundo nos mares cristalinos da Grécia, Camus declarou, com voz suave, grave e doce:

— Eu te amo... Milo de Escorpião.

Uma lágrima escorreu, movida pelo soluço que precedeu a resposta que o grego deu, com voz embargada:

— Eu também te amo... Camus de Aquário.

Os lábios saudosos encontraram-se num longo beijo apaixonado. Foi como tocar as alturas augustas do céu após uma jornada pelas profundezas do inferno.

— Pode me pôr no chão, meu amor... — disse o aquariano, fracamente.

— FALA ISSO DE NOVO!

— Pode me...

— ISSO NÃO!

— É para eu falar ou não?

— Sim... fale...

— Pode me pôr no chão...

— Até o fim...

— ... meu amor...

Milo beijou-o delicadamente antes de responder:

— De jeito nenhum. Não largo o senhor até chegarmos ao Santuário...

— Mas você está muito ferido... — acariciou o rosto ensanguentado do amado.

— Você também, meu...

— Chega dessa melação e vamos embora logo?!? — interrompeu Máscara da Morte, levando em seguida um beliscão de Afrodite — OUCH!!!

Com seu precioso francês nos braços, seus dois grandes amigos de um lado, e dois dos maiores talentos da nova geração de Santos de Bronze de outro, Milo ativou seu cosmo, comunicando-se com o Cavaleiro de Áries:

— MU! ESTAMOS PRONTOS! — e para os companheiros — Vamos para casa, rapazes!

Uma intensa luz dourada envolveu-os antes que eles deixassem para sempre aquele lugar devastado, que agora se convertera no túmulo de espectros, Juízes do Inferno e de um Cavaleiro de Prata que se perdeu.

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Notas finais
Sim, sim, SIM, meus amigos, companheiros de jornada, Camus ESTÁ SALVO!!!! E finalmente saiu o tão esperado "eu te amo" ao vivo, aleluia! A fase da sofrência mor, dos terríveis martírios, tem aqui o seu fim! O que espera agora por Milo e Camus? E Shun? Respostas nos próximos capítulos, última fase da fic "Grilhões Eternais". Muito obrigada por lerem, por terem chegado até aqui... espero todos no próximo capítulo. Beijo grande :x