Grilhões Eternais

33 Ânimo, meu amigo!


Notas iniciais
Bem vindos ao trigésimo terceiro capítulo de "Grilhões Eternais". No capítulo anterior, após uma luta feroz, Milo vence Radamanthys e, através do teletransporte de Mu, volta para o Santuário com Camus, Hyoga, Shun,Afrodite e Máscara da Morte. Peço desculpas a quem está lendo por aqui, eu simplesmente esqueci de continuar a postar os capítulos da fic, que está terminada em outro site. Perdoem esta cabeça de vento... (ah... e por favor..."licença poética" para meus diagnósticos hospitalares, tá? Não sou da área... pardon!) Boa leitura!!!

Resoluto, sem dar pausa malgrado o fizesse há muito tempo, ele caminhava mas não sentia o chão por onde pisava. Uma densa névoa o cercava, espiralando nas alturas claras rumo a um dia muito branco. Nenhum incômodo o possuía, nenhuma dor, tampouco tristeza. Fazia força para sentir algo, porém só havia o vazio. Daquele lugar, do seu ser, de sua mente.

À sua frente, uma silhueta delineava-se por entre a neblina. À medida que prosseguia, o vulto tornava-se cada vez mais nítido. E enfim ele pôde distinguir quem estava ali, aguardando-o.

— Agatha... — murmurou, admirado.

Seus longos cabelos dourados pareciam abrigar raios de sol, e seus olhos, estrelas de uma galáxia não tão distante... seu rosto magnânimo e sereno banhou de paz o espírito anestesiado do Cavaleiro de Prata. Ela vestia uma túnica feita de pura luz e em seus braços dormitava um pequeno ser também feito de luz...

Grossas lágrimas encheram as pálpebras do loiro, terminando por rolarem pesadamente ante o movimento provocado por seu sorriso.

— Agatha... porque está aqui? Por acaso… veio… veio me buscar? Eu vou... finalmente ficar com vocês?

— Ficará sim... mas... não será agora, meu amor.

— Não será... agora?

—Estou aqui apenas por causa de Aquário.

— Aquário... Camus? — fez ele, sem entender.

Ela encarou-o, melancólica e resignada.

— Você não pode vir conosco agora. Pesado foi o teu pecado, e contra carne inocente. Porém, o mesmo homem que você imolou se compadeceu de ti... intercedeu por ti ao pedir o fim para o teu sofrimento... e disto os deuses muito se agradaram.

Um soluço dorido escapou dos lábios de Albiore. Lembrou-se do apelo de Camus, tão ferido por causa DELE!, para que Milo não continuasse a tortura...

... e ELE que levara aquele mesmo homem para ser tão barbaramente torturado!!!

Seu prisioneiro preocupara-se com o excesso que seu próprio algoz sofria, e preocupara-se também com a dor de seu discípulo Andrômeda... tudo isso praticamente à beira da morte em cujo caminho ele, Albiore, o pusera... pedira CLEMÊNCIA para ele!

Por isso estava ali!

— O gesto do Santo de Aquário tocou teu coração e você se sacrificou por eles no último momento. Os deuses para isso atentaram também. Por isso... não será condenado... no entanto... há um preço a ser pago ainda — disse a amazona, com uma tristeza pungente.

— Então... então quer dizer que... agora...

Ela assentiu com a cabeça. Ele continuou, trêmulo e choroso:

— ... quer dizer que vou para longe de vocês?!?

— Um dia ficaremos juntos. Mas por hora, os Círculos da Penitência aguardam por você... deve expurgar seus crimes... meu amor.

Chorando como uma criança, o Cavaleiro de Prata notou que abaixo de seus pés já não estava mais branco. As névoas se dissipavam e pouco a pouco o negrume de um abismo se manifestava. Um forte vento soprou de baixo para cima, apavorando-o.

— Estarei esperando, Albiore...

Lentamente, o Santo começou a ser sugado, sentindo os membros gelarem como seu coração. Viu a imagem da amada elevar-se acima dele, cada vez mais e mais, tal qual um astro ascendente... e então percebeu que era ELE quem precipitava...

— Agatha... AGATHAAAAA!!!!

Por quanto tempo seria? Talvez nem mesmo os deuses soubessem…

... a única certeza... era a punição.

*************

A terra despedia-se do sol, e no firmamento despontavam as primeiras estrelas. A temperatura abaixara significativamente, como era de praxe naquela época em Athenas. Sua Deusa, bem como seus nobres Cavaleiros exultaram-se ao ver diante de Mu irradiar-se uma tênue luz dourada, que aos poucos aumentou de intensidade, envolvendo os bravos guerreiros que voltavam.

— SHUN! — foi a primeira coisa que ouviram, de um Ikki ansioso que correu para amparar seu irmão, apoiado por Hyoga. Ambos estavam feridos, porém sem gravidade. Ao ser abraçado efusivamente pelo mais velho, o menino riu:

— Calma, Ikki, eu estou bem!

— Isso pode mudar se seu irmão continuar te esmagando assim — falou o russo.

— CALABOCA, PATO!

— CAMUS! — a uma só voz, vários exclamaram o nome do Santo a quem os cinco foram resgatar.

— Nossa... ele não parece nada bem — comentou Fênix, desviando a atenção de seu caçula.

O Santo de Aquário encontrava-se semi-desfalecido nos braços do Escorpião. Todos estavam feridos, suas armaduras até mesmo rachadas, principalmente a do grego. O francês, porém, não trajara armadura para proteger o corpo, maltratado inúmeras vezes antes da batalha final: inúmeros ferimentos, marcas tão roxas que já ficavam negras, e o sangue em sua fronte e boca mas principalmente em seu pescoço, enrolado por uma bandagem intumecida. O tórax também continha inúmeras bandagens, sujas de terra e sangue.

Todos ficaram comovidos ao ver seu estado. Não parecia que iria sobreviver! Tiveram que controlar as exclamações para não alarmá-lo em demasia.

Paramédicos do Santuário trouxeram uma maca, e ali Milo depositou seu amado, os dois se encarando docemente durante o processo.

— Bem vindo de volta, Mestre Camus — disse Saori.

— Obrigado, Senhora — respondeu ele, fracamente.

Ela se virou para o escorpiano, sorrindo, orgulhosa.

— Bom trabalho, Milo.

— Obrigado, Athena. Mas eu não teria conseguido sem a Sua ajuda... e a de todos aqui.

— Sim, você consegiu, amigo — Aioria pôs a mão no ombro do companheiro, que sorriu alegremente.

Foi então que seu sorriso se congelou e os belos olhos azuis cerraram-se ante a queda que o levou ao chão, já inconsciente. Aioria segurou-o, apavorado:

— MILO!!!

Hyoga também alarmou-se ao vê-lo caído, sem reação:

— MILO!!! NÃO!

Os olhos de Camus, que estavam semicerrados quase numa entrega, arregalaram-se muito. Um pavor gelado tomou conta dele, ao ver os outros tentando reanimar, em vão, seu amante. Alguns paramédicos foram verificar o jovem caído.

— Milo? MILO!!! — o sussurro tornou-se um brado.

O jovem grego, lívido, os cabelos arroxeados espalhados abaixo dos cotovelos do leonino, a armadura destruída em alguns pontos, inúmeras feridas e caminhos de sangue... sem reagir a nenhum chamado... a visão de tudo isso fez o francês entrar em desespero:

— NÃO! MILO! MILO!!!

— Calma, Camus, ele só desmaiou! — disse o leonino, sentindo a respiração estável do amigo.

— Sim, Camus, ele só está inconsciente... — ajuntou Peixes.

Mas o aquariano já se debatia, descontrolado, contido com dificuldade pelos paramédicos.

— Milo... Milo!!!

— Calma, mestre, ele vai ficar bem, o senhor não pode...

— MILOOOO!!! — tarde demais. Camus rompera a fronteira do auto-domínio após tantos horrores, vendo seu amado Milo desfalecer daquela maneira. Temeu que ele tivesse sido mortalmente ferido em sua missão. E se estivessem mentindo para ele, para não apavorá-lo? Não atinava que pudesse ser uma simples síncope: gritou, apavorado, temeroso de ficar para sempre separado do homem que por ele tanto lutou.

— Nicholas! — chamou um dos paramédicos, e o rapaz chamado preparou rapidamente uma injeção de tranquilizante.

— Por favor, senhor, acalme-se, vamos atender seu amigo! — falou um dos atendentes de segurança que o continha, com dificuldade.

— MILO! MILO! NÃO!!! — ainda gritava quando a agulha penetrou seu braço, seguro por várias mãos. Ainda estendia a mão na direção do namorado desacordado e atendido por paramédicos quando o torpor invadiu-o, nublando seus sentidos. Ainda chorava quando abandonou de vez a consciência.

*************

Não apenas Camus e Milo como também Hyoga, Shun, Afrodite e Máscara da Morte foram levados à Unidade de Atendimento Médico do Santuário, onde costumavam ser atendidos os Santos e demais servos e funcionários do local.

Camus fora levado a um setor diferente deles, em razão da maior gravidade de seu estado. Os Santos de Ouro não estavam seriamente feridos, tampouco os de Bronze, embora Hyoga tivesse quebrado o pulso e Shun distendido uma perna, possivelmente precisando de fisioterapia posterior.

Milo ainda se encontrava desacordado em seu leito, num quarto reservado, muito claro e frio. Em seu rosto havia curativos, bem como no supercílio e na fronte, locais nos quais levara pontos. Uma atadura circundava-lhe a cabeça, bandagens envolviam seu braço direito e também seu largo peitoral.

O sol começava a se pôr e tingir as paredes de laranja quando seus cílios tremelicaram mais que o normal. Gemeu baixinho, franzindo as sobrancelhas. Sentiu pousar na sua uma mão morna e macia. Sem conseguir abrir os olhos balbuciou, esperançoso:

—Camus?...

—Sinto decepcioná-lo, meu amigo.

A voz terna do Santo da Primeira Casa ecoou um pouco devido ao teto ser muito alto. O jovem acamado abriu os olhos, entre confuso e frustrado.

— Mu! É você...!

— Sim, sou eu, Milo. Vim ver como estava.

— Eu... estou... onde estou, Mu? Hospital?...

—Aqui é o Centro de Atendimento Médico do Santuário. Está bem diferente, não? A senhorita Kido promoveu uma reforma quando veio para cá. Modernizou bastante.

De fato, antes o lugar era rústico e simples. Com os incentivos da portentosa Fundação Graad, empreendeu-se uma obra de modernização e ampliação das instalações, e não apenas isso, a Deusa trouxera profissionais de saúde do Japão. Santos que tivessem capacidade de cura por vezes também prestavam assistência, como Mu, Shaka e outros menos conhecidos mas de capacidades aproximadas e igual altruísmo no coração.

Reparando o semblante um tanto desorientado do escorpiano, Mu esclareceu:

— Você esteve dormindo por dois dias, Milo...

— DOIS DIAS?! Mas… não! Camus... — tentou se erguer de súbito, no entanto uma vertigem o impediu de prosseguir em seu intento — ...aah!!

— Não pode se levantar assim de repente, Milo, calma! Não sabemos nem se pode se levantar ainda! — apontou o lemuriano, segurando-o de leve, conduzindo-o de volta à posição horizontal.

— Mas... eu... onde ele...Mu, ele está bem? Como ele tá? E os outros???

—Procure ficar calmo, Milo. Você teve uma concussão cerebral, nada sério mas vai levar uns dias para ficar totalmente bem. Não pode efetuar movimentos bruscos assim, nem se exaltar. Por favor, se ficar calmo, eu te explico tudo.

— OK... — suspirou o grego. Ao vê-lo mais sossegado, o ariano contou:

— Hyoga, Shun, Máscara da Morte e Afrodite estão bem e fora de perigo. Com exceção de Afrodite, que ainda está internado, os demais já receberam alta.

— Dite tá internado ainda!...

— Ele está bem. É apenas para exames. Deve sair ainda hoje. Bom, já Camus...

Fechou o sorriso, os olhos violetas fitaram o chão: o outro sentiu um aperto no peito.

— MU!

— Camus... está internado na UTI. Ele passou por três intervenções cirúrgicas e agora está sob observação pois... bem, ele não corre risco de morte, em suma. Vai se recuperar.

— Eu... eu quero ver ele. AGORA.

— Milo...

— Eu PRECISO ver ele, Mu! — e empreendeu uma nova tentativa de se erguer, desta vez com mais êxito; sentou-se na cama.

— Não acho boa ideia, Milo.

— POR QUÊ? Você disse que ele tava fora de perigo! — sem perceber, quase gritava — Ou tá querendo me esconder que...

— MILO — Mu falou num tom firme — Acalme-se. É que somente com autorização pode-se entrar lá. Não estamos em horário de visitas e nem...

— POR FAVOR, MU... você consegue isso!

O tibetano considerou-o, consternado. Sorriu de leve.

— Primeiro acalme-se. Se o fizer... levo você até lá. Mas prometa que não vai se afobar muito... pode se sentir mal. É sério. Suas lesões não não graves, mas você não deve se exceder... nem física nem emocionalmente, ouviu bem?

O grego procurou se recompor. Respirou fundo. Com a voz mais controlada, disse:

— Desculpe, Mu. Eu nem te agradeci pelo que fez por todos nós.

— Não é preciso. Apenas preocupe-se em ficar bem. Por você... e por ELE.

Assentindo com a cabeça, aceitou ajuda do jovem de cabelos lilás para se levantar. Calçou as sapatilhas do hospital e ajeitou as calças brancas. Jogou uma camisa branca por cima e ambos saíram do quarto a passos lentos. Iam pelo corredor quando o ariano lembrou:

— Milo, você... você vai ter que ser forte. Para vê-lo no estado em que se encontra... não é tão sério quanto vai parecer, mas pode te impressionar e...

— Mu, depois de tudo que VI, acredito que posso aguentar ver qualquer coisa.

*************

O cheiro de éter ali fazia-se mais forte, chegando a provocar uma súbita cefaleia em Milo assim que ele entrou na Unidade de Tratamento Intensivo. O silêncio era quebrado apenas pelo leve zunido do ar condicionado, que mantinha o recinto gelado. Mesmo sendo um contumaz desafeto do frio, o jovem não se incomodou. Só havia uma coisa em sua mente, em seus sentidos.

E ela estava ali, um sonho materializado, malgrado a tristeza da situação... inerte num leito alvo, seu corpo repleto de fios e tubos. Ali, porém... totalmente fora dali.

Camus.

Sufocou uma exclamação de espanto. Foi uma punhalada no peito vê-lo daquela maneira. O francês estava com ataduras em todo braço esquerdo, gesso em uma das pernas, bandagens no tórax, no pescoço e na cabeça, curativos em diversos locais do corpo, inclusive na face imota, hematomas despontavam aqui e ali; nos pulsos, mão e no braço descoberto, agulhas com tubos de soro e medicamentos. Sobre a boca e nariz, uma máscara de oxigênio. Aparelhos conectados ao paciente mostravam que o som do ar condicionado não era o único a ser ouvido.

Áries fechou a porta por trás de si. Vendo Milo pelas costas, trêmulo e mudo, adivinhou-lhe o teor dos pensamentos.

— Sim, a visão impressiona. Entretanto, acredite, é menos grave do que parece. Ele não corre perigo.

— Zeus... ele...ele parece tão mal!...

— Está. Mas vai melhorar.

O escorpiano não encontrava coragem para dar mais um passo sequer. Malgrado a imagem chocante diante de si, comoveu-o a expressão de paz no rosto adormecido do aquariano.

— Ele não acordou em nenhum momento depois que veio pra cá?...

Mu balançou a cabeça numa negativa.

— Está sendo mantido sedado... o que alguns chamam de “coma induzido”.

— Coma?... Camus está em...

— Não é um coma real, é sedação... para poupá-lo da dor e... durante o período crítico de recuperação. Camus passou por três cirurgias, como eu te disse: uma no pescoço, uma no pulmão, pois fraturou duas costelas que perfuraram o órgão...

— Oh, Zeus... — gemeu o escorpiano, segurando o pranto.

— ... o que inclusive causou a hemorragia interna que também trataram... operaram também o baço, comprometido por... inúmeras agressões físicas... esse comprometimento agravou o quadro de hemorragia interna e principalmente de infecção, já que esse órgão é crucial pelas respostas imunológicas do organismo. Fora esses ferimentos mais graves, teve uma entorse de segundo grau no tornozelo direito e uma distensão muscular no braço esquerdo...

— ...

— ...Camus foi submetido a agressões e sevícias por todos estes dias sem poder contar com o cosmo para minimizar os danos. Chegou bastante desidratado e... Milo!

O grego cedera totalmente à emoção, chorando copiosamente, um pranto silencioso, contido, e talvez por isso mesmo, mais doloroso. Mu mirou-o, enternecido.

— Ânimo, meu amigo! Ele vai ficar bem! — disse, compadecido.

Cruzando os braços como a se segurar mais ainda, Milo apenas chorou mais. Pôs a mão no rosto, deixando escapar os soluços que não mais conseguia deixar presos.

— Milo... ele vai ficar bem — repetiu o tibetano, colocando suas mãos sobre os ombros do outro, sentindo imensa compaixão — Você vai ver!

— Claro que vai... — balbuciou o grego — eu vou cuidar dele.

— Isso mesmo...

Abraçou-o, efetivamente transmitindo ao rapaz um pouco de sua suprema paz interior. Milo aceitou o abraço e mergulhou seu rosto no ombro do companheiro. Após uns minutos, sentindo que os soluços haviam sido aplacados, o lemuriano murmurou:

— Milo. Você... tem consciência de que os maiores danos sofridos por Camus são justamente os que NÃO podemos ver, não é?

Ele retesou e ergueu o rosto molhado do apoio do menor, encarando-o.

— Eu digo... NÃO são de ordem física... até isso foi tratado. No entanto... está compreendendo, não?

— Sim — respondeu com voz tremida — eu compreendo...

Um sorriso triste foi o máximo que o bondoso Santo de Áries pôde oferecer como garantia ao enunciar:

— Mas ele é um homem forte! E com seu amor a ampará-lo, eu sei que vai superar tudo. Ainda que demore... ele vai superar. Você estará com ele.

— Isso é a coisa mais certa deste maldito mundo — enxugou as lágrimas com tanta força que magoou a pele.

— Vai — sussurrou o jovem de cabelos lavanda — fica mais perto dele.

— Eu posso?

O tibetano meneou a cabeça, afirmativamente. Com cautela, o escorpiano aproximou-se e parou diante do leito. Tantos fios... tantos tubos... deteve-se apenas no semblante descansado para se tranquilizar. Pôs sua mão sobre uma das mãos do namorado, enfaixada, muito suavemente, quase com medo. Com a outra acariciou de leve o rosto pálido e amado.

— Oi, meu amor — disse, sorrindo tristemente.

Como queria ver o fundo do mar daqueles olhos!

— Você lembra também do que eu te falei sobre sua concussão, não é? — falou Mu, sério — Deveria repousar e evitar emoções fortes. Contudo...

E Milo viu o ariano colocar uma cadeira perto da cama, ao seu lado.

— ...duvido muito que vai fazer isso, agora que está aqui.

— Você é mesmo sábio, Mu — sorriu o grego, afetuosamente — e muito humano. Espero que seja você o novo patriarca... se bem que o Shaka também é apto para tal...ah! Por falar nisso!... Mu, e o Saga?!?

—Ainda está em coma.

— Nossa... não sabia que aquele golpe era tão terrível assim. Exigiu muito dele mesmo!

— Por isso é uma técnica que nunca é utilizada. É mais poderosa que o meu teletransporte, pois possibilita realmente que se vá a qualquer lugar que se queira, ainda que não se conheça pessoalmente. Essa é a limitação do que eu faço.

— Só que também acaba com a pessoa que a usa, né... acha que ele fez isso para se redimir?

Mu caminhou até o frigobar e pegou duas garrafas de água mineral. Deu uma ao escorpiano, já acomodado na cadeira de couro marrom, bem junto ao aquariano.

— Em parte. Mas realmente queria ajudar Camus. Chorou muito quando Athena contou a todos o que havia acontecido com ele — mirou o jovem inconsciente.

— Eu espero que ele se recupere logo... — abriu a garrafinha e sorveu longos goles. O outro fez o mesmo.

— Ele vai.

— Mu. Por falar em Athena, eu preciso falar com Ela. É um assunto inacreditável.

O discreto Cavaleiro não teria perguntado se não fosse pela expressão sombria do companheiro:

— O que é?

—Algo muito, MUITO sério, carneirinho. Eu posso até estar enganado, só acho que não estou, mas... isso pode mudar até mesmo os rumos da próxima Guerra Santa. Que está perto de acontecer, aliás...

— Por Zeus, Milo, do que se trata? Está me assustando.

— Hades, o Imperador do Submundo... está dentro do corpo de Shun de Andrômeda.

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Notas finais
Obrigada por prestigiarem... e se eu demorar de novo, podem me cobrar, eu esqueço!! Até o próximo capítulo, bjs