Grieffstrike

4 Abismo de um espírito


Notas iniciais
Kai se encontra num lugar que jamais viu em sua vida.

Abriu os olhos.
Kai acordou sobre uma fina camada de água que cobria a infinidade e era vista até onde os olhos alcançavam, refletindo a luz do sol que estava num belo dia de céu azul. Pedras e ruínas emergiam das águas. Por todos os lados, vez ou outra como se a água houvesse coberto tudo numa enxurrada. Levantou-se Kai, pensou sentir-se como num sonho. Estava meio que em êxtase. Corpo semi dormente. Caminhou sobre a superfície da água, que ao seus olhos parecia funda. Só então percebeu que aquele lugar... não fazia sentido algum.


Ecos.
Ecos desconexos percorriam os céus. Eram uma voz feminina. Andou Kai, olhando por todos os lados. Até que de surpresa surgiu uma forma feminina em cristal verde-água sobre a brilhante superfície da água. Ela olhava Kai surpresa como alguém que jamais havia entrado ali.
Sua expressão era parada e fria como um boneco que se fecha os olhos e que se abre. Aproximou-se de Kai. Tinha uma forma feminina e volumosa, e curvas de uma mulher atraente, e com enormes cabelos. Entretanto não tinha aparência humana. Era uma enorme silhueta semelhante à humana mas verde-água de profundeza azul.
Conforme se aproximava, sua forma e detalhes ficavam mais nítidos. Mudou então sua forma. Criou expressões faciais, e um tipo de cabelos azuis. Estava nua mas não tinha detalhes em sua pele. Chegou perto de Kai e ambos espantados se entreolharam. Kai sentia o poder de Yllnir emanar dela como uma aura. Disse:

—Yllnir?
Ela aproximou-se muito de Kai e por alguns segundos o observou de cima embaixo. Ouviu uma voz que não vinha dela, sobre toda aquela imensidão:

—~Sim, está é a forma que escolhi para me representar ... e me comunicar com você. Como conseguiu chegar até aqui?-
Kai espantado percebia que sua forma aprofundada cada vez mais em detalhes conforme o tempo passava, a ponto de se ter manchas na pele e rugas de expressão de uma mulher jovem.
Sua voz era doce mas não tinha emoção em seu som.

—Minha forma o incomoda Kai?... ~Pausou alguns segundos ~ Escolhi a forma feminina, pois ela mais se assemelha a minha personalidade. Não estou acostumado a ter forma ou me comunicar com o meio externo... ou com ninguém. Jamais...
—Meu tom de cor é cristal transparente, azul claro e verde. Mas pende ao azul de fundo. Preferi manter parte disso na minha forma.
Sua pele tornava-se verde claro, seus cabelos, olhos e unhas azuis.
Kai perplexo, preferiu desviar o olhar:

—Humanos tem roupas Yllnir. — quando voltou a olhar havia algo Como uma seda sobre seu corpo que meio que pairava diferente do tempo ou ações da natureza, afinal nada ali era um mundo natural:

—Perdão Kai. Acredito que agora eu esteja apresentável.

-Estendeu a mão para cumprimenta-lo. -Kai segurou-a.

— Sabe dizer como chegou até aqui?
Respondeu Kai:

— Não.

Yllnir fez um som coma boca e a voz passou a ser de sua personificação. Abriu a boca e começou a falar.

—Este é meu mundo Kai. Meu espírito. Através das águas assisto o desenrolar das eras de quem me porta. Os vínculos estreitam o que vejo. Aqui jas meu coração. Como vocês diriam.
—Você é diferente das outras espadas?- Perguntou Kai.
—Não. Armas como eu, tem interior, tem pensamentos e vida. Diferente de vocês, mas temos vontades, desejos, virtudes e até defeitos.
Acho que sou diferente, no sentido simples de existir. Diferente das outras. Aprecio o além das batalhas. Aprecio o mundo ao redor. Sou livre Kai... e eu entendo quando fala que ninguém deveria tentar te controlar. Entendo sim...
—Eu senti ... como numa porta Yllnir. Seu poder esvaindo de lá. E acho que meio que segui esse lugar.
—Ninguém jamais conseguiu entrar aqui. Acredito que sua habilidade despertou de uma forma que talvez ninguém de sua família jamais tenha visto antes... mas uma coisa me preocupa.- Disse Yllnir.
—O que?
—Você me engoliu Kai... e dês de então, fragmentos de locais diferentes de sua alma tem entrado aqui. Como aquela pequena ilha logo ali.- Apontou para uma pequena ilha tropical no meio do oceano.
—Jamais aconteceu antes. Mas julgando pelas aparências. Nós estamos nos fundindo.
Kai assustado aproximou-se de Yllnir tocando seus ombros e a balançando.

— O que quer dizer???!
—Isso que ouviu. Meu fragmento estava em forma de centelha. Moldável e adaptável. Estávamos nos conhecendo para que nosso pacto desse certo. Entretanto não senti magia alguma do seu lado da sincronia quando abri o selo e liberei poder. Ou por inabilidade, ou por inexistência significativa. Mas essa centelha de alguma forma ligou-se fisicamente, magicamente se juntou gerando poder, e espiritualmente ... pode-se dizer que esse último estágio seria algo parecido com isso que estamos tendo agora. Mas você alcançou e superou os limites que eu já conheci. Não sei o que esperar Kai.
Kai assustado, pergunta:

— O que pode ter acontecido? O que vai acontecer?- Olhando tudo ao redor.
—Minha forma em centelha deve ter se fundido a sua origem de energia, mana, chi ou qualquer outra fonte, por estar em sua forma adaptável básica de nascença, e a sua forma energética também estar. Apesar de estar aqui... aqui não é o seu lugar. Tenho certo tipo de controle aqui dentro. Vou enviá-lo para fora. Mas precisamos estar sincronizados se quisermos viver juntos. Minha substancia é diferente do seu, nossos espíritos são diferentes, e o meu espírito é pura magia. Existe o risco de um sobrepujar o outro. -Yllnir pôs suas suas mãos ao ar como que segurando numa parede de vidro levemente. Logo Kai estava num lugar negro e sem luz e Yllnir na borda de uma gigantesca esfera prateada sendo dentro o mundo onde estavam. Como o espaço.
—Kai...- Antes de terminar Kai colocando suas mãos sobre as de Yllnir algo a seu redor mudou lhe dando um chão firme e luminosidade num plano amarronzado.
—Yin e yang. Representação do equilíbrio de tudo que existe, um conceito antigo. Eu...- Antes que pudesse terminar Kai disse:

— Você cuida de mim aqui de dentro. E eu cuido de você lá de fora né isso?
Yllnir mexeu levemente o canto de seus lábios — Isso foi um sorriso Yllnir?- Kai sorriu- Você cuida de mim, eu cuido de você e juntos... — Antes que pudesse terminar:

— Eu vou proteger você Kai. Custe o que custar. Não vou perder mais ninguém... jamais.
—Me mande de volta.-Yllnir olhou para cima e disse:

— Minha centelha assumia a forma de suas necessidades Kai. É minha primeira habilidade. Autoestrada instantânea. Mas minha força depende de nosso vínculo e união de poder. Sua última necessidade... foi de força para... viver.- Kai arregalou seus olhos.- Não sei até que ponto, mas minha centelha ... se diluiu em você por vários órgãos internos, sangue e tecidos.
—Eu morri?- Perguntou Kai.
—Não. Eu não permiti que isso acontecesse. Gastei minhas últimas forças possíveis de serem usadas para impedir que você se afogasse. -Kai assustou-se e começou a se sentir afogado e sem ar. — Segundos lá, são minutos aqui. Você está acordando Kai. Por hora... é isso.
Kai olhou Yllnir algumas vezes antes de seu sonho desvanecer em pleno ar... Gostaria de agradecer, mas não teve a chance.

Sentiu-se abraçado por um anjo.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.