Grief

1 Until your distress sleeps feel me up with your...


Notas iniciais
...grief É, o nome do capítulo não coube, é a vida. Bom, eu fiz essa one-shot enquanto ouvia a versão do piano de PLEDGE e depois de sofrer as mais conturbadas emoções enquanto assistia ao live do Tokyo Dome. Enfim, eu fiz pra Hachi shushu, minha cobaia de ones (?) Espero que gostem, no mais x3

O seu peito ardia, a cabeça girava e não sentia o ar penetrando seus pulmões. Sua mente não processava, mas os fatos haviam lhe atingindo como o mar que bate nas rochas: violenta e interruptamente.

As lágrimas mornas e salgadas desciam a face agora úmida. Os braços envolviam o colo apertando-o com força, enquanto que, ajoelhado de qualquer jeito sobre o assoalho de madeira, ele arfava em busca de oxigênio.

Os ofegos eram baixos, oscilando na rouquidão de sua voz grave que, já há um certo tempo, não era pronunciada.

A verdade era... inacreditável.

Havia tantas coisas que queria poder dizer. Voltar atrás e ter atitudes que não tivera antes.

Mas ele... ele não iria voltar para ouvi-lo, não é? Não há nada a se ouvir de uma voz murcha, muda.

No meio daquela imensidão escura, nebulosa e úmida, os olhinhos escuros perdiam-se por um momento, imaginando onde o loiro pudesse estar. Será que estaria mais feliz, já que havia partido? Ainda pensava nele? E se pensava... eram pensamentos bons, agradáveis? Ou infelizes e amargurados?

Cogitar na segunda opção fez seu peito, já apertado, doer mais ainda.

Quando sentiu o gosto salgado que vinha de seus orbes, seu corpo pesou e uma lufada de ar fora expelida de seus pulmões.

Uruha era a pessoa que lhe causava toda essa dor, mas era nele que pensava numa tentativa de amenizá-la. Era ele quem Ruki queria agora, para abraçá-lo e fazê-la passar.

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Os olhos cor-de-mel miravam os próprios pés enquanto estes caminhavam pelo asfalto molhado, receosamente. As mãos nos bolsos do casaco preto encharcado remexiam-se um pouco inquietas, inseguras com a decisão que o loiro tomara.

“O que estou fazendo?” era uma pergunta que sua mente processava e repetia sem cessar. “Por que o estou fazendo?”

A rua abarrotada de pessoas e guarda-chuvas parecia ser invisível a ele e seus ouvidos não captavam nenhum som. Seus pensamentos estavam distantes, vagando e desenterrando coisas... memórias que deveriam ser mais importantes do que as que há pouco apertavam seu peito.

Sentiu os orbes arderem com as lembranças que vinham à tona, e não foi capaz de conter as lágrimas que transbordaram destes, misturando-se com a chuva que umedecera e ainda caia sobre seu rosto.

A cólera embaralhava-se com a melancolia. Aquela angústia estava enlouquecendo-o.

Fechou os olhos e interrompeu seus passos. A imagem de Ruki aos prantos de súbito viera em sua mente e, mais do que a dor que sentia por ter que deixá-lo, era ainda saber que o pequeno sofreria com tudo isso. Não fizera aquilo porque era seu desejo, e sim porque achava que seria o melhor para ele... E só Uruha sabia o quanto havia ansiado para que estivesse errado.

E talvez estivesse.

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Sua cabeça estava pendida para trás, sendo sustentada pela almofada do sofá macio atrás de si. As lágrimas haviam secado em seu rosto, mas a aflição não havia passado. Pelo o contrário, só parecia ter aumentado, dobrado de tamanho. Quanto mais o tempo passava, mais dor sentia.

Antes acreditava que o tempo era capaz de curar as feridas, mas agora já não tinha tanta certeza. O máximo que poderia fazer seria se conformar, aceitar. Entretanto, aceitar que Uruha tinha partido era a última coisa que queria fazer neste mundo. Apenas de cogitar a possibilidade de nunca mais vê-lo, sentiu uma pontada desesperadora no peito, e o ar lhe faltou.

No meio da pequena sala de estar, sentia-se perdido. Os orbes escuros vagavam pelo cômodo, parecendo procurar por uma saída, como se pudesse ser salvo, mas a única pessoa que poderia salvá-lo fora a mesma que tinha lhe deixado nesse estado deplorável e patético.

Era dependente dos sentimentos de Uruha, mas nunca se arrependera disso. Ele foi sempre o único que, desde que se conheceram, fora capaz de enxergar através de si. Foi o único que conseguiu ver através da aparência extravagante e do jeito impassível até chegar ao verdadeiro “eu”, conhecendo seus sentimentos: uma pessoa um tanto insegura, mas gentil e carinhosa, que só queria alguém para amar e ser amado de volta. E havia sido essa simplicidade que vira nele que o tinha feito se apaixonar completamente pelo pequeno de madeixas ruivas.

O loiro era tão precioso porque tinha sido o único que Ruki não precisou descrever-se, pois quando tentou pela primeira vez, as palavras que saíram dos lábios bem desenhados dele foram: “Não precisa se explicar pra mim. Eu conheço você, meu pequeno.” e com isso, ele sorrira.

Sentiu o peito arder, dessa vez, como se tivesse em chamas. Essa sensação horrível não teria um fim, não é?

Esfregou as mãos nos olhos e levantou-se devagar, receoso com a hipótese de acabar cedendo com a abundância da lástima que o envolvia.

O corpo permaneceu estático quando as duas esferas negras de seus olhos pairaram em direção a porta da frente. Estava tão distraído afogando-se na própria mágoa que nem ouvira o som da chave, muito menos o da porta batendo, e, também... não acreditava no que estava vendo. De primeira cogitou em ser uma ilusão causada pela falta que Uruha estava fazendo agora e pela dor que consumia seu corpo, mas a hipótese se desfizera quando perdera o controle sobre suas próprias pernas e jogara-se em direção ao loiro, pressionando o rosto com força em seu peito úmido.

As lamúrias que voltavam a acumular-se nos orbes misturavam-se com a chuva presente nas vestes do mais alto, e este, por sua vez, não pudera conter as próprias lágrimas, deixando-as escorrer ao aproximar o rosto dos cabelos ruivos do pequeno.

Ruki sentia uma das mãos latejarem por apertar a veste de Uruha com tanta força, mas não se importava. Não queria soltá-lo, não queria ser deixado de novo. Se aquilo fosse uma ilusão, ele teria se apegado a ela com toda a sua determinação sem nem mesmo pestanejar.

Ofegou em busca de ar, pois o choro arranhava e obstruía sua garganta.

Uruha segurou o rosto rechonchudo entre os dedos largos, admirando-o. Os olhos negros, ao se encontrarem com os do mais alto, puderam enxergar todo o sofrimento ali contido, a angústia espelhava-se nos orbes.

Depois disso, nenhuma palavra foi necessária. Os lábios se consumiram pela própria necessidade de acalmar a frustração aparente presente em ambos. A dor ainda não os deixara, e agora, ela os cobria.

Envoltos na amargura, eles haviam descoberto o que o amor realmente era.

Algo mais profundo que a dor.

Notas finais
Reviews são amoooooooor~
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!