Grey Potter

10 Irmãs Rowling


Pov. Grey

Era a semana do meu aniversário e eu estava na casa de férias dos Rowling, em Hogsmead. Eles sempre passam o verão aqui, e eu passava junto. Esse ano ficou decidido, com minha ilustre insistência de jugar quadribol, que eu passaria três semanas das férias aqui, começando pela do meu aniversário.

Não era tão estranho, voltar. Minhas visitas eram frequentes. Estranho era estar tão perto de um lugar que meu irmão gêmeo havia frequentado, chamado de lar. Lembro de muita coisa do que leio. Sempre que pensava em Harry eu olhava na direção de Hogwartz, não importava se eu conseguia ver ou se estava atras de uma parede ou casas.

Era nisso que eu estava pensando, deitada em minha cama. Meu quarto era de um tamanho bom, nem grande, nem pequeno. Quando se entrava pela porta, na parede da direita ficava minha cama, com um quadro de cortiça acima dela, com partituras, letras de música e fotos, e uma escrivaninha, de madeira clara. À esquerda, a porta que levava ao banheiro e um armário de madeira pintado de branco. Na parede à frente, fica a janela e um pequeno banco, com estofado verde-água, e, embaixo dele, um pezinho para minha guitarra. Na parede da porta, do lado direito, meu malão e algumas prateleiras com livros, do esquerdo, minha guitarra em um suporte.

Ouvi duas batidas tímidas a porta.

— Grey? – soou a voz de Nat.

— Entra- respondi deixando os pensamentos, que voavam em minha cabeça, sumirem.

A garota entrou e fechou a porta. Quando se virou para mim, sua expressão era uma mistura de cautela, compreensão e medo.

— É difícil ficar tão perto, não é? – ela disse vindo até mim.

Balancei a cabeça, concordando.

Houve uma pausa, então Nat falou em tom desesperado:

— E se, eu acabar fazendo alguma burrice e mudar alguma coisa? E se, eu falar algo que não deveria? E se, eu for para a Grifinória e acabar entrando em pânico quando vir o trio de ouro, o Fred, o Jorge, eu devia chamar eles de Weasleys, o Lino, a Gina...

— Pera, pera, pera, pera – interrompi. – Você não vai fazer nada de errado, Nat. Vai se sair bem. Já falamos sobre isso, achei que tinha se acalmado.

— Bom, pois o maldito pânico voltou- se irritou a mais nova.

— Se não quiser falar com eles, não precisa. Pode apenas ignorá-los. O que vai ser fácil, já que toda Hogwartz vai pensar que Harry é o herdeiro de Slytherin- disse eu.

— Deve ser difícil para você- ponderou Nat, — ter um irmão gêmeo, que é odiado por quase toda a vida, e você não pode fazer nada, já que ele não sabe quem você é. Sinto muito.

— Não sinta pelos problemas dos outros, a não ser, que realmente se importe, ok? – minha pergunta foi respondida com um gesto de cabeça concordando. – É mais fácil sem conhecer ele.

— Não quer conhecê-lo? – o tom e a feição de Nat foram de pura perplexidade.

— Eu quero, eu acho- dei uma pausa. – Vai ser mais fácil quando formos maiores de idade, tudo o que tem que acontecer terá acontecido. E Kingsley será ministro, o que vai deixar as coisas muito mais fácies – outra pausa. – Se eu esperasse que Hermione assumisse, seria algo pessoal demais para ela tratar isso com um perfil neutro.

— Eu vou ter que pensar antecipadamente antes de falar ou agir, para não mudar as coisas, também? – o desespero voltará.

— Não, deixa isso para os seus pais e eu. Não precisa ter mais essa dor de cabeça.

Natália olhou para o colchão e sua voz saiu fina.

— Não acha que se contar para o Harry que ele tem uma irmã gêmea, que sabia de tudo o que ele iria passar, anos antes de acontecer, ele não vai ficar mais bravo do que se descobrisse agora? Afinal, você sabia e poderia ter dado apoio a ele mas não deu.

— Se eu falasse para ele agora, essa informação poderia, facilmente, vazar e, quando Voldemort voltasse ao corpo, ele poderia me usar para chegar no Harry. Quase como foi com o Sirius, só que não temos como saber se seria em algum tipo de sonho, como foi, ou comigo realmente lá – olhei sinceramente para ela. – Não posso falar isso, é mais para a segurança dele, do que minha.

Três batidas animadas soaram à porta. Sou louca por diferencias as batidas por som? Ou por, quando ouço baterem, sei exatamente que é pelo ritmo e força das batidas? Cristy passou pela porta com uma shorts jeans em cada mão, e parou na nossa frente.

— Qual? – ela disse mexendo as mãos, o que dificultava para ver as peças.

— Pare de mexer as mãos e respondemos – reclamou brincalhona, Nat.

A loira parou de se mexer. Um short era um que ela amava, com borboletas amarelas bordadas em diferentes partes dele, parecia que elas voavam, eram muito bem-feitas. O segundo era um short branco normal, sem nenhum detalhe. Ela estava com uma camiseta amarela clara, que eu achava que fazia seus compridos cabelos sumirem, mas ressaltava seus olhos castanhos.

— O de borboletas – eu e Nat falamos juntas.

O gosto de nós duas era parecido, afinal passamos a maior parte de infância juntas. Por mais que nós quatro fossemos inseparáveis, Agatha e Cristy eram gêmeas, o que as fez ser um pouco mais grudadas, então eu e Nat éramos a segunda duplinha.

— O branco vai ficar mito parecido com a camiseta- explicou Nat e a mais nova saiu. – vou me trocar também.

Dei um aceno de cabeça. Era melhor eu começar a me arrumar. Peguei um short preto, uma camiseta longa com o desenho de uma guitarra vermelha e um tênis All Star preto. Como iriamos jogar quadribol, eu precisaria cobrir a tatuagem em minha barriga também.

Hogsmead parece ser pequena, o título “vilarejo” também não ajuda muito, mas para o que eu pensava ser um, ela era um bom tanto maior. O centro comercial é, sim, pequeno, mas a área residencial é maior do que as pessoas pensam. Tanto que não somos as únicas crianças que passam as férias aqui. A maioria vem porque os avós moram aqui, mas ainda conta.

No início nosso grupo tinha vinte e uma crianças, de idades variadas, mas próximas. Agora tem dezessete, as outras quatro se formaram em Hogwartz e foram cuidar da vida de maior de idade. Duas dessas crianças, tiveram a ideia de criarmos dois times de quadribol, para podermos brincar. É claro que tem um vencedor no final dos jogos, mas não é por conta disso que amizades acabam. Até porque, tem duas de cada time na mesma casa.

Agatha e eu somos do time Azul e Nat e Cristy do Amarelo. Nossa falta de criatividade foi grande, então resolvemos sortear duas cores para serem os nomes dos times. Eu sou a apanhadora do meu time, é estranho pensar que agora meio que tem um porque para isso. Agatha é goleira, Cristy é batedora e Nat artilheira.

Os dois times têm sete pessoas, o que pode vir a ser um problema daqui a alguns anos, mas não penso muito nisso. Temos também uma arbitra, um comentarista e uma pessoa que odeia jogar quadribol.

Fiz um rabo, peguei minha vassoura e sai do quarto. Talvez eu devesse comprar outra vassoura logo, acho que os freios desta estão falhando, o que normal já que ela tem seis anos. Mas pode ser coisas de alguém que não voa na própria vassoura a muito tempo. Esse ano vai ser diferente, vou fazer o teste para jogar como apanhadora em um doa quatro times de Beauxbatons, se tiver vaga.

Encontrei Ag encostada na parede da porta da casa, com a vassoura do lado. Ela tem os cabelos de um castanho quase preto, o pai de Neil tem os cabelos completamente pretos, e pele pálida, da mãe de Jo. Tem dias que acho que ela daria uma ótima assombração em um filme de terror, se não fosse pela luz, que os olhos azul vivo de sua mãe, dá a ela.

É o completo oposto da irmã, cabelos loiros e olhos castanhos de Neil, com feições angelicalmente bonitas. Agatha também é bonita, mas de um jeito diferente, como se tivesse sido entalhada da pedra, com feições perfeitas. Resumindo, Agatha tem a aparência de uma assassina em série que mata apenas homes. É fácil ver que ela é criança, mas se ela já bonita assim com dez anos, quando foi mais velha... é melhor nem colocar uma imagem para isso, deixar o tempo trabalhar.

Nat e Cristy desceram, Ag destrancou e abriu a portal

— Mãe, pai! Estamos no campo de quadribol! – ela gritou e saiu para a rua, com nós três atrás.