Grey Potter
5 Durmstrang
Notas iniciais
Pov. Grey
Nas últimas cinco semanas, minha rotina tem sido: durante os dias de semana, aulas de manhã e à tarde e horário de fazer as lições à noite, nos fins de semana eu lia, desenhava e estudava embaixo do símbolo das Relíquias da Morte, que Gerardo Grindelwald havia pichado.
Por mais que todos achassem aquele símbolo perturbador, eu não achava. As pessoas que procuraram por ele deveriam ser lembradas com respeito, era uma grande viajem até a pessoa desistir ou morrer, e não horror. Por mais que todos os bruxos que procuraram por isso fossem bruxos das trevas, existia um que não era.
Esse bruxo era Dumbledore, ele não se orgulha disso mas eu acho que deveria. Aquele diretor foi um dos únicos bruxos, que sem tem registro, que lutou contra o desejo e a ambição de ter as Relíquias e se concentrou em outra coisa, deixou isso para trás.
Ainda não tenho amigos aqui, é meio deprimente, eu sei, mas não me sinto completamente mal. Eu sou uma pessoa que precisa de gente em volta, que precisa socializar, mas se as pessoas não querem me conhecer é problema delas, elas que estão perdendo a minha ilustre companhia.
Estou indo para minha segunda de terça-feira, voo. Faz cinco semanas que estou aqui, como consigo me perder tão facilmente? Que ódio, pensei quando virei no corredor errado pela quinta vez.
— Olha aqui, senhorita Durmstrang, — comecei a falar sozinha, em inglês, quando já estava vários minutos atrasada para a aula. – faça o favor de colaborar comigo, oras! Você não tem uma sala precisa não!? Para um pegar um mapa ou algo assim!? Por que os professores não entregam um mapa junto com os horários, hein!? Facilitaria a vida de todos os primeiranistas! Que ódio! Quer saber, eu vou é dar um jeito de achar a sala de feitiços, já não vou chegar a tempo para a de voo mesmo. Já sei voar e tenho até um time de quadribol, no qual eu sou a capitã, em Hogsmeade, não preciso dessa aula.
E foi isso o que eu fiz, fui procurar a sala de feitiços. Demorei quase o segundo horário inteiro para achar, mas cheguei à sala e fui a primeira a entrar.
— Como chegou aqui tão rápido, senhorita Rowling? – perguntou a professora.
— Peguei um atalho. – respondi balançando os ombros.
Os outros alunos chegaram e a professora disse:
—Muito bem alunos, hoje vamos trabalhar um dos feitiços mais importantes para um bruxo. Alguém pode me dizer um desses feitiços principais? – levantei a mão e os alunos reviraram os olhos, eu sempre respondia certo. – Senhorita Rowling.
— O feitiço de levitação. – respondi.
— Está certo. – ela falou com um sorriso no rosto. – Wingardium Leviosa são as palavras que usamos para realizá-lo e esse – fez um gesto com a varinha que eu já conhecia desde os sete. – é o movimento. Agora tentem.
A sala ficou cheia de palavras com sotaque búlgaro, eu nem escutava meus pensamentos.
— Wingardium Leviosa! — falei e nada aconteceu. — Wingardium Leviosa! Wingardium Leviosa!— nada.
Queria que aquilo desse certo, aquilo tinha que dar certo. Se as coisas fossem simples como com o Patrono uma memória e... Era isso! Uma memória, um pensamento feliz e que me encorajasse. Me imaginei pegando o pomo de ouro em Hogsmeade e repeti:
— Wingardium Leviosa! — a pena me obedeceu, subiu, subiu e subiu.
— Parabéns, Rowling! – se entusiasmou a professora.
A aula correu bem, ajudei alguns alunos (detalhe dois me pediram e três eu ofereci, as vezes sou uma pessoa do bem), a professora quase foi acertada por uma pena com fogo e, eu diria, que quase metade da sala fez o feitiço.
Como era a terceira aula, quando esta terminou, me dirigi ao Salão Principal para almoçar. Ele não era como o de Hogwarts, tinha uma mesa grande e comprida com as comidas no centro e mesas menores, de cinco a oito pessoas, espalhadas por ele. Nas mesas menores sentavam todos, alunos, professores e diretor. Não tinha lugar marcado, cada dia as pessoas mudavam de mesa, e eu também, era uma dinâmica boa.
Depois que me servi, fui me sentar em uma mesa no canto, mais isolada. Me sentei, tirei um livro da mochila, o abri e comecei e ler e a comer. Um parágrafo, uma garfada, foi assim por um curto tempo. Uma voz na minha frente falou:
— Oi. — eu saltei de susto e tirei os olhos do livro. Na minha frente, estava o Vítor Krum de quatorze anos. – Desculpa, não queria te assustar.
— Não tem problema. – falei tranquilamente, eu estava surtando por dentro.
— Era você que estava falando inglês hoje no corredor, não era? – perguntou ele, naquele momento eu reparei que tinham garotos rindo e olhando para nós, foi aí que eu entendi. Eram os amigos do Krum, eles o haviam desfiado a falar comigo.
— Era. – respondi. – Acho que seus amigos perderam algo aqui. – falei apontando para eles, isso fez o futuro apanhador da Bulgária virar e os garotos fingirem demência. – Eles te desafiaram a fazer o que?
Ele riu e respondeu:
— Falar com você, sentar nessa mesa e, caso obtivesse sucesso, te pedir aulas de inglês.
— Então sente! – falei com um tom divertido e ele o fez rindo. – Sobre as aulas de inglês, senhor... – queria que ele se apresentasse formalmente.
— Vítor Krum, senhorita...- falei divertido, não sabia que ele era assim, parecia tão fechado na visão do Harry.
— Grey P... Rowling- quase errei o sobrenome. – Te dou as aulas com uma condição: você vai me dar aulas de búlgaro.
— Por que quase errou seu sobrenome? – perguntou desconfiado.
—Sou adotada. – era fácil falar isso, fácil até demais. – Descobria a pouco tempo quem são meus pais verdadeiros e estou me confundindo. – Krum começou a rir contidamente. – O que foi que eu falei?
— O que você achou que falou? – disse o mais velho.
— Sou adotada. – falei em inglês, repetindo minha frase anterior. — Descobria a pouco tempo quem são meus pais verdadeiros e estou me confundindo. – ele riu um pouco mais.
— Você disse, — começou lentamente e com o sotaque mais carregado do que o livro dizia. As palavras de Jo ecoaram na minha cabeça “Eu não previ você”, foi o que ela disse. Se Krum tem menos sotaque em Cálice de Fogo, eu o tinha ajudado. – Desenterrei a pouco tempo e não descobri.
Eu comecei a rir:
— Sério que falei isso? Ah, não! – falei em búlgaro novamente. – É por isso que preciso das aulas.
— Ok, concordo com seus termos. – ele também estava, de novo, em seu idioma nativo. – Negócio fechado, Rowling?
Vítor estendeu a mão para mim:
— Negócio fechado, Krum. – disse divertida e apertei sua mão. – Quando começamos?
— Consegue no sábado, à tarde?
— Sim, consigo.
— Ótimo. Então até sábado. – despediu-se levantando.
— Até! – eu não fui prevista, mas ainda posso mexer uns pauzinhos. – Ei, Krum! – o mais velho se virou. – Você tem jeito de que vai virar um grande apanhador.
— Como sabe disso? – perguntou.
— Sei quando encontro pessoas com a mesma posição que a minha. – respondi calmamente.
— Joga quadribol? – balancei a cabeça em concordância. – É apanhadora? – fiz a mesma coisa. – A gente tem muita coisa para conversar. – disse e se sentou outra vez.
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