Greve!
1 Capítulo único
Todas as manhãs, Itachi acordava cedo, beijava sua amada filha, sua esposa, e então rumava até a casa do irmão mais novo, para que ambos seguissem até a sede da ANBU, de onde partiam em missões logo em seguida. Naquela manhã, ele acordou preparado para obedecer ao chamado do Hokage. Uma ave invocada adentrou a janela, segurando um pergaminho e o entregando. Após lê-lo e analisá-lo, Itachi organizou-se para deixar a casa principal do distrito, no entanto, fora surpreendido quando a filha, de apenas seis anos, esquivou-se do beijo.
Ele franziu o cenho, curioso.
—O que foi, minha hime? Você parece brava.
—Não estou falando com o senhor. — afirmou a garotinha, irritada, sem virar o rosto para encará-lo. Ele franziu o cenho, com a sobrancelha erguida em interrogação.
—Por quê? Eu sou seu pai, você tem que falar comigo. Não quero ir trabalhar sabendo que você está de mal de mim!
—Eu estou de greve! — exclamou ela. Itachi estreitou bem os olhos, intrigado. — Igual a mamãe!
Inúmeras gotas escorreram pela testa do líder do clã Uchiha, que franzia o cenho gradativamente, ainda mais genuinamente confuso.
—Greve? Como assim greve?
—Eu não vou dar beijos e nem abraços no senhor! O senhor só dá atenção para Sarada e fica treinando ela todo fim de semana! Até ajudou ela ativar o Sharingan!
Itachi reprimiu o ímpeto de gargalhar, segurando a boca com uma mão, enquanto abaixava a cabeça disfarçadamente.
—E ainda ri da minha cara! — esbravejou Tomoyo, e esse foi o ápice para que Itachi caísse na gargalhada, tombando a cabeça para trás.
Rindo, o moreno inclinou-se para ela, pensando que aquela criaturinha realmente tivera a quem puxar. Tsc.
—Você quer treinar com o seu pai, Tomoyo? É por isso que está com ciúme?
—Sim! O senhor passa muito tempo com a Sarada e não me leva para treinar. — ela cruzou os braços, marrenta. — Ela já tem o pai dela, ele que treine ela se quiser!
Sorrindo largamente, Itachi virou a cabeça discretamente, a tempo de deparar-se com Ino usando o avental de cozinha, com ambas as sobrancelhas crispadas. Rindo, o pai voltou-se para a filha, segurando firme nas mãos dóceis e delicadas da garotinha.
Que gênio! Kami-sama!
—Amorzinho, onde você ouviu essa palavra?
—A mamãe vive dizendo que vai entrar em greve, quando o senhor fala com a Izumi... — justificou inocentemente. — Então, eu vou entrar em greve se o senhor treinar a Sarada, entendeu?
Itachi ainda riu prazerosamente, antes de menear a cabeça e inclinar-se, até ficar na altura da filha. Ternamente, ele depositou um beijo na cabeleira negra da garotinha.
—O papai é todo seu, Tomoyo-hime. Não sabia que você se sentia assim, me desculpe. — ele afastou uma mexa do espesso cabelo negro da garotinha. — Agora dá um sorrisão ‘pro papai, dá?
—Só se o senhor parar de treinar minha prima.
—E se eu treinasse as duas? O que acha?
—Se insistir nisso, eu vou ficar mais um milhão de anos de greve! — afirmou ela, Itachi riu.
—Ok, me desculpe, eu só treino você a partir de hoje, tudo bem? — ela sorriu largamente e então jogou-se nos braços dele, abraçando-o carinhosamente. O moreno sorriu, fechando os olhos e depositou um beijo na cabeleireira negra da garotinha.
Logo após fazer as pazes com a filha e finalmente ter seu beijinho de despedida, o Uchiha mais velho preparou-se para partir, não podendo deixar de sorrir.
—Estou bem arrumado com duas doidas ciumentas... — murmurou o Uchiha, rindo, antes de roubar um beijo da esposa, que sorriu para ele.
—Agora você vai sofrer o dobro de greve. — essas palavras levaram-no a parar de rir imediatamente.
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