Greggory Field: A Vingança

6 Capítulo 6 - Treinamento ao Ar Livre


Notas iniciais
Olá! Eu vou viajar, vou passar 10 dias fora, e não vou poder postar mais durante esse tempo, mas quando voltar, postarei assim que puder. Enfim, férias! Boa leitura!

Era difícil se concentrar com toda aquela claridade invadindo os olhos já acostumados com a iluminação uniforme da Sede. Uma vez por mês, os Aprendizes iam para o Terraço, praticar suas habilidades fora de ‘cativeiro’. A maioria das pessoas ficavam felizes em poder ver a luz do sol, sentir a brisa novamente. Mas para Greggory, não fazia nenhuma diferença. Ele se adaptaria a praticamente qualquer lugar, depois de ser praticamente um escravo por toda sua vida, é fácil acostumar-se rapidamente.

- Muito bem, crianças. – falou o Sr. Payne. Ele era o Mentor de Dylan, portanto, tinha um grande favoritismo pelo rapaz. Ele tentava esconder, mas era perceptível para quem realmente é atento. – A proposta é a seguinte: Vocês vão formar duplas para lutar naquela corda bamba, a cerca de 80 metros do chão. – murmúrios começam. – Mas vocês estarão seguros pelo cabo de força. – os murmúrios cessam. — O objetivo aqui, é analisar a estratégia, a desenvoltura física e psíquica e o seu nível de aptidão com seu(s) poder(es). A dupla será escolhida por mim, e quem cair primeiro, perde. Continua até cair, o vencedor da dupla. Serão acrescentados pontos a media do Aprendiz, como forma de incentivo a se esforçar, conforme seu desempenho, é claro. Os resultados estarão no corredor ao lado dos dormitórios. Boa sorte a todos.

Ele pegou a sua prancheta, dobrou uma folha e conferiu os nomes, fechou os olhos e escolheu dois, aleatoriamente.

- Mary e Trisha. – Sr. Payne falou. Mary parecia imponente, e estava diferente, parecia mais decidida. Trisha era gordinha, porém, forte. Greg não tinha a menor ideia de qual era o poder da outra, só sabia o de Mary.

Ambas foram presas no cabo de segurança, e foram para a corda bamba.

- Comecem. – ele deu inicio.

Trisha começou a flutuar, feito uma bexiga de festa, provocando riso de todos. Em menos de cinco segundos, ela começara a ficar vermelha. Ela virou totalmente de cabeça para baixo, e sua cabeça estava ficando roxa.

Trisha tomou uma iniciativa: Agarrou o pescoço de Mary, e torceu-o, até ela botá-la a salvo de volta na corda. Agora, era a hora de Trisha usar seu poder. Ela respirou fundo, e começou a chover. Um trovão caiu sob Mary, que, na hora, perdeu o equilíbrio e caiu. Trisha jogou sujo. Eletrocutou Mary. Bem, esse era o poder dela, tinha de usá-lo.

- Trisha permanece. Agora quem vai é o Dustin.

Dustin é alto é desengonçado, meio loiro acinzentado. Ele caminha sem jeito em direção à corda. Em seguida, põe seu cabo de segurança e fica frente a frente com Trisha.

- Comecem. – disse o Sr. Payne. Trisha fez uma cara carrancuda e agachou, feito um jogador de futebol americano, em direção à Dustin, que deu um “olé” nela, apenas pulando e abrindo suas pernas extremamente compridas. Trisha precisa ter mais criatividade, portanto, não pode usar a mesma técnica que executou para derrubar Mary. Terá de pensar em outra coisa. Com o seu poder, o leque de possibilidades é grande.

Os dois ficam um tempo assim, inertes, ambos pensando em estratégias de como derrotar o oponente. Finalmente, Trisha faz um movimento com as mãos, fazendo um vento forte girar em torno do desajeitado Dustin, que se desequilibra. Ele também pensa rápido: Dos seus olhos, saem raios lazers vermelhos, e ele foca no cabo de segurança de Trisha. Se ela perder o cabo, ele nem precisará derrubá-la. Ele só tem de aguentar mais um pouco a força do vento que só aumenta, e a cada hora fica mais difícil de resistir. Ele concluiu sua tarefa. O cabo de segurança de Trisha foi por água abaixo. O Sr. Payne deu a luta como encerrada, e Trisha urrou de raiva.

Dustin continuou na corda bamba por mais dois oponentes, depois, foi derrotado por um menino baixinho e astuto, que se chamava Josh, e se teletransportava de um lado para o outro, e, sem que Dustin visse, ele fora empurrado.

- Sabrina. – chamou o Sr. Payne. Ela respirou fundo, andou até o local onde se colocava o cabo de segurança e andou, tranquilamente até a corda.

- Comecem.

Em menos de cinco segundos, Josh já estava atordoado com adagas voadoras que ameaçavam machucá-lo e o impediam de pensar. Para onde quer que ele andasse, elas o seguiam. Ele pisou em falso e acabou caindo sem querer.

- Jessica. – essa foi rápida na hora de se preparar e de entrar.

- Comecem.

Ela manteve o olhar focado em Sabrina. Jessica sempre previa os movimentos de Sabrina. Os socos, os itens a serem conjurados, os chutes, tudo. Essa luta demorou um tempo, até que Sabrina fingiu que ia para a esquerda, e Jessica se inclinou para a direita, e, no último segundo, Sabrina atingiu a lateral do corpo de Jessica, que gemeu e caiu.

- Brad. – era magro, usava óculos e ninguém dava nada por ele. Como estavam enganados. Quem iria saber que aquele menino viraria um dragão. LITERALMENTE. A corda bamba ficou envergada com o peso da criatura, logo, mais perto do chão. Sabrina nem teve chance.

- Greggory. – o olhar do Sr. Payne sob Greg era de temor, de subestimação. Mas o garoto ia provar do que ele era capaz. Prendeu o cabo de segurança em sua cintura com firmeza, e caminhou em passos duros sob a corda bamba.

- Comecem. – Sr. Payne ordenou, com a voz tremula, apreensiva.

Brad se transformou novamente no dragão, e começou a cuspir fogo em Greggory. Ele teria ficado carbonizado, se seu poder não fosse fogo. Que tolo, esse Brad, seu primeiro erro.

Como se mata um dragão?

Arrancando seu coração.

Se ele matar o dragão, ele mata Brad?

Não. O dragão é só uma personalidade de Brad, ele vai existir ainda, em algum lugar do dragão morto, e logo voltaria para sua forma humana.

Brad não entendia, e tornou a tentar queimar Greg. Apesar de não ser vulnerável ao fogo, seu cabo era. Estava praticamente queimado, quando o próprio Greggory arrancou-o. O Sr. Payne não podia considerar isso como se ele tivesse perdido, pois seria como se Greg tivesse se jogado, então, deu continuidade.

Greggory precisava entrar no dragão para arrancar seu coração. Seria bem mais fácil agora, sem o cabo. Ele só precisava dar um jeito de não ser mastigado.

Então, teve a brilhante ideia. Ele precisava que o dragão cuspisse mais fogo para poder entrar ileso, afinal, a boca do bicho estaria aberta, e o fogo não o afetaria. Mas como?

Agora ele sabia que o fogo era inútil contra ele... Greg lançou uma bola de fogo em direção ao dragão, para distraí-lo. Como que por instinto, para mostrar-se superior, Brad cuspiu uma bola de fogo maior, e Greggory aproveitou a deixa. Entrou pela boca no animal. Seu pé, porém, ficou preso nos dentes laterais, perto da garganta. A dor era excruciante, porém, ele não podia se demorar. Arrancou o pé dali, e, mancando, andou até o estomago do dragão. A dor se espalhava por toda a perna do menino, tornando andar um ato difícil. Mesmo assim, ele rasgou o estomago da besta com dificuldade, causando um hematoma que devia estar doendo mais que o pé de Greg.

Encontrou uma enorme bola cheia de veias e artérias, e que fazia um barulho enorme. Ele pensou em seu irmão. Pensou em todas as barbaridades que Thomas tinha feito. Imaginou que ele tinha machucado o seu pé. Greggory também fingiu que o coração era a cabeça de Thomas. Sem hesitar, tirou-o do lugar, com força, usando suas próprias mãos.

Em seguida, Greg voltou pelo mesmo caminho da boca, e saiu, antes que o dragão caísse. Houve gritos de alegria, suspiros de alivio e exclamações de vitória. Greggory conseguiu derrotar um dragão. E usou o poder que o próprio dragão tinha. Isso com certeza iria conferir-lhe muitos pontos.

Ninguém deu muita importância para o pé ferido de Greg, afinal, a atividade tinha de continuar. Ele também tentava parar de olhar para amenizar a dor. Na maioria das vezes, esquecer do machucado ajuda a diminuir a dor. Porém, ele teria de continuar na corda. Agora todos estavam com medo de lutar com ele, pois se ele arrancou o coração de um dragão, imagine o que ele faria com um Aprendiz.

- Tyler. – Sr. Payne disse. Tyler era um menino de cabelos meio alaranjados e era alto e robusto. Seus olhos estavam entre verde água e azul piscina, e ele era um rapaz bem charmoso. Essa beleza até poderia distrair uma menina na hora da luta. Mas obviamente não a Greggory.

Ele prendeu o cinto de segurança com força. Tyler ia ter garra.

Quando chegou a corda bamba, ele começou a voar, até o limite de seu cinto de segurança. Greg bem que tentou lançar uma bola de fogo em sua direção. Mas ele desviava facilmente, como se tudo estivesse em câmera lenta.

Greggory não demorou a concluir que Tyler tinha o poder de clonar a si mesmo. O rapaz tinha se duplicado, e tinha um na sua frente e outro atrás de Greg. O dope gangue investiu contra Greggory, que levou um soco na barriga e instantaneamente arqueou. O Tyler de trás deu-lhe um soco em seu pescoço.

A raiva invadia Greg e queimava pelo seu corpo. Ele estava motivado a derrotar Tyler. Sem estratégia nenhuma, ele apenas esticou seu braço e virou-se, girando, com o punho fechado. Ele acertou o Tyler verdadeiro no peito. A cópia levou as mãos no peito também, o que significava que tudo que o verdadeiro Tyler sentisse, o clone também sentiria. Isso daria certo, até a hora que Tyler mudasse de posição, porque Greggory sabia que o verdadeiro Tyler estava em suas costas.

A cópia pisou no pé ferido de Greg, que, por um instante se desequilibrou, ficando apenas com um pé. Tyler verdadeiro chegou para empurrá-lo, mas Greggory fora mais rápido: Socou seu queixo com vontade, e ouviu um suspiro de dor. Greg sorriu com prazer.

Acertou um chute rápido com o pé bom no joelho de Tyler. O dope gangue sentiu também, mas veio por trás de Greggory e começou a enforcá-lo. Tyler Falso era bem forte, e Greg chegou a ficar suspenso no ar por uns instantes, mas conseguiu acertá-lo com um chute nas costelas, que só a cópia sentiu. Greggory precisava de um plano. Seu cérebro trabalhava a mil enquanto os Tylers se recuperavam dos golpes. Novamente, viu seu cérebro como um banco de dados.

Nome: Tyler.

Poderes: Clonar a si mesmo; Outros poderes desconhecidos.

Status: Colega de classe – nunca visto antes. – no momento, inimigo.

Ponto fraco: O Tyler verdadeiro. Provavelmente deve haver algum jeito de fazer com que ele pare de projetar o clone.

Tática: Me acertar pelas costas, ele ganha em maioria, estou em desvantagem.

Minha tática: Fazê-lo se cansar até não ter energia para continuar com o dope gangue, tornando-o apenas um inimigo. Já que estará cansado, não será difícil derrotá-lo.

Tyler falso segurou Greg pelo braços, de costas, enquanto o verdadeiro socava e batia. Ele estava arfando. Era um bom sinal. Tudo que Greggory podia fazer naquele momento era abaixar a cabeça, para não se machucar muito.

- Dê... Adeus... Para uma... Boa classificação... Você pode até ter... Enfrentado Kircky... Mas eu sou DOIS EM UM! – Tyler disse, respirando com dificuldade. Em seguida, deu um forte soco no nariz de Greg, que começou a sangrar instantaneamente e escorreu até seus lábios, que estavam inchados pelos socos próximos aquela região.

Quando Greggory estava prestes a desistir de seu plano maluco, aconteceu algo: Tyler falso afrouxou seu braço, e começou a piscar. Tyler verdadeiro fez uma cara confusa e não entendia o que estava acontecendo.

Greg sentiu um vento em seus braços. Não havia mais duplicata. Eram dois, novamente. Tyler forçou-se a projetar mais uma cópia, mas ele estava exausto demais.

- Então, dois né? Agora você é apenas UM. – Greggory disse, dando-lhe um soco no olho. – E bem fraco por sinal. – Deu-lhe mais dois socos. – Posso não ganhar pela força, mas ganho pela sua desistência. – aplicou uma cotovelada bem forte na boca de Tyler, que já sangrava e começou a sangrar mais ainda.

Com esse golpe, Tyler perdeu o equilíbrio e acabou escorregando e caindo da corda bamba. Todos os alunos começaram a aplaudir e soltar gritos de congratulações. Greg levantou os dois braços com os punhos fechados, saboreando a vitória.

- Greggory Field, meus parabéns. Você teve duas vitórias consecutivas, isso lhe dá a chance de escolher: Vai parar por aqui ou continuar? – Sr. Payne perguntou, com o queixo travado e tenso.

- Vou continuar. – ele respondeu, com confiança.

As pessoas aplaudiram novamente.

- Sophia. – chamou o Sr. Payne.

Ela respirou fundo e caminhou até o local onde se colocava o cinto de segurança.

- Comecem. – ele disse, e ela levou as mãos a sua têmpora. Parecia estar convocando algo.

Poucos segundos depois, um gavião apareceu do nada, e encravou as garras nas costas de Greg, provocando um corte feio.

Foco. Concentre-se. Você precisa ler a mente dela. Anda, assim como você fez com Thomas. Isso, pense nele. Fique zangado. Fique FURIOSO. Eu vou ler a mente dela. Eu vou ler a mente de Sophia... Eu vou ler a mente de Sophia... Eu vou...

Ataque-o no pé machucado ou nas costas. Vamos acabar logo com isso.

Distraída, Sophia não percebeu o movimento rápido de Greggory, que abaixou-se, estendeu a perna e deu uma rasteira nela, derrubando-a. O gavião caiu junto, provavelmente ela deu essa coordenada sem querer. As pessoas comemoraram novamente. Ele não tinha usado nenhum poder repetido. Isso com certeza iria conferir-lhe muitos pontos.

Notas finais
Beijos :*