Greggory Field: A Vingança

4 Capítulo 4 - Uma Visita Ao Coordenador Pedagógico


Notas iniciais
Boa leitura, até lá em baixo xx

A claridade não incomodava mais seus olhos. Ele os abriu com facilidade, e reconheceu que estava em uma sala onde tinha um sofá bem grande, verde escuro, no qual ele estava deitado. Também tinha uma cadeira, que estava virada para o sofá, porém vazia. A sala era branca e enorme para apenas os dois objetos que tinha dela. O menino levantou e olhou ao redor. Atrás do sofá, havia um criado mudo de madeira, com um copo d’água. O chão era impecavelmente polido e reluzia. Era um pouco escorregadio, mas mesmo assim, ele levantou-se do sofá, dirigiu-se até o copo, pegou e bebeu todo o liquido em menos de segundos, estava morto de sede. Após terminar, recolocou o copo em seu lugar original.

- Como se sente? – disse uma voz vinda de trás dele, ecoando em toda a sala.

Ele se virou bruscamente. Era um homem sentado na cadeira de frente para o sofá. Seu cabelo era preto, e repleto de gel, mas não era puxado para trás. Era jogado e bagunçado, mas brilhava com o excesso do produto. O homem usava uns óculos da moda, com uma armação preta, e suéter da mesma cor, com uma blusa branca por baixo. Usava calças sociais, não jeans. Ele aparentava ter uns vinte e poucos anos, e tinha a barba feita. Consigo, carregava um bloco de anotações preto, de couro, e uma caneta azul marinho, com uns detalhes cor de ouro. Ele estava sentado com uma perna no chão, e a outra, tinha seu calcanhar apoiado em sua coxa.

- Bem. – Greggory respondeu.

- Quer saber como veio parar aqui, ou você se lembra? – perguntou.

- Quero saber quem é você.

- Isto não é relevante, meu jovem. Seus poderes são um tanto curiosos, não? Você sabia o que estava fazendo, não é?

- Eu perguntei quem é você. – Greg insistiu, em um tom de voz baixo.

- Sente-se. Irei lhe explicar tudo. – o homem disse, olhando para o sofá.

O garoto permaneceu imóvel, apenas olhava para o homem diante dele, e piscava sério.

— Eu sou o Coordenador Pedagógico da Sede. É muito ruim começar um diálogo deste jeito, Greggory. – ele disse.

Greg nada disse, apenas se sentou.

- Pois bem, estou sentado, comece a explicar. – Greggory falou.

- Você é osso duro de roer, hein, rapaz? Parece até outra pessoa, deste jeito. Você costuma se comportar de uma maneira totalmente diferente com seus amigos.

- Eu não sou louco. Não devia estar aqui. Eu quero ir embora, tenho muito dever para fazer. – Greg informou impaciente.

- Ninguém aqui disse que você é louco. Olha, me veja como um amigo. Eu posso te ajudar.

- Não pedi a sua ajuda. – rebateu.

Será que todos tinham surtado? Ele não deveria estar ali, estava em perfeitas condições. Ele não precisava de um ‘psicólogo’ ou coisa parecida. Já bastava o que ele tinha sofrido nas escolas Normais. Sempre foi chacota da turma por ser o mais excluído, e agora acham que ele é maluco? Isso era ridículo. Aquele cara não iria extrair nada dele.

O homem largou o caderno e a caneta no chão.

- Não vamos estudar você. Eu só quero te entender. Olha, eu nem vou anotar nada. Eu só quero conversar.

- Você sabe tudo sobre mim, e eu só sei que você é pago para tentar ‘entender’ os alunos. – Greggory falou entediado.

- Me chamo Mason. Viu? Agora você algo a mais sobre mim.

Greg assentiu, mas continuou calado.

- Estou vendo que não vou conseguir muita coisa com você, não é? – Mason perguntou, ajeitando seus óculos.

- Agora você está me entendendo. – ele falou, e abriu um leve sorriso.

- Desculpe, é que eu achei que eu era capaz, sabe... Eu sou novo, não só na Sede, mas como nesse mundo dos Heróis, e eu também acabei de me formar em Psicologia, e logo me designaram para cá, porque eu preciso concluir um estudo. Mas estou vendo que eu não estou pronto ainda. Se você não quer falar, não vou te forçar a nada. – Mason confessou, abaixou-se e pegou seu bloco e sua caneta. Em seguida, levantou-se.

Greggory também já fora um calouro, e não podia deixar Mason sair assim... Ele se imaginou naquela situação. Todos vendo o seu fracasso. Ele acreditando que era capaz, e percebendo que não era. E tudo isso impossibilitado por culpa de um garoto de catorze anos medíocre. Greg particularmente iria ficar com raiva. Mas Mason estava tentando ser compreensivo, e o mais gentil possível. Ele não merecia fracassar.

- O que você quer saber? – o garoto perguntou, antes de Mason deixar a sala.

Ele olhou para Greggory por alguns instantes e sorriu. Retomou sua cadeira.

- Você sabia o que estava fazendo, quando você estava controlando o objeto? – perguntou ligeiramente animado.

- Na verdade, eu sabia, mas não sabia. É como quando você acorda, mas permanece deitado, e não tem noção do que fala, ou faz. Você meio que perde o senso. Eu acho que é parecido como quando uma pessoa fica bêbada. – respondeu o menino.

Mason anotava algumas coisas e sua caneta fazia ruídos.

- Me contaram que nem seu professor conseguiu quebrar o elo entre você e o objeto mencionado... Como você explica isso?

- Eu simplesmente estava focado no que eu queria. E toda a minha atenção estava ali, centralizada. Eu sentia cada movimento daquele prendedor. Eu fazia cada movimento do prendedor. Por alguns instantes, eu ERA o prendedor. – ele respondeu com convicção.

- Mas o exercício não era para você, você sabia, não é? Você conseguiu se conectar com a tal ‘presilha’ antes de seus colegas. Como você acha que conseguiu tal proeza?

- Quando eu realmente desejo uma coisa, se eu me concentrar bem, isso geralmente acontece. Por isso eu sempre tento me manter calmo. – Greg disse. Mason o encarou por breves instantes, e em seguida, tomou mais notas.

- Mas mesmo que isso não envolva seus poderes? Como, por exemplo... Tirar um livro de uma estante, sem levantar. – Mason perguntou.

Greggory lembrou-se do incêndio na sua antiga casa, há vários meses atrás, ele tinha conseguido abrir a porta sem chave, sem precisar arrombar nem nada. Era um pequeno detalhe, e só agora ele tinha reparado. Era obvio que ele não iria comentar sobre o ocorrido, então, apenas assentiu em resposta a pergunta.

- Isto pode ser perigoso, meu jovem, tome cuidado. – Mason alertou-o. – Bom, mas, voltando para o assunto principal, você disse algo do tipo ‘sou superior a todos, curvem-se diante de mim’... Você estava ciente do que disse? – perguntou, com um certo brilho nos olhos, e um olhar de expectativa sob Greg.

- Eu estava meio termo. Parte de mim sabia perfeitamente bem o que estava fazendo, e a outra, não tinha o menor conhecimento do que estava acontecendo. Então eu acho que pode ter sido algo dentro de mim que estava falando... – ele confirmou. Então, basicamente ele tinha um monstro dentro de si? Ele se achava superior a todos? Isto era mentira, é claro que era. Ele era apenas mais um Herói, no meio de milhões.

- Uma espécie de... Conflito interno? – Mason perguntou.

- Exatamente. – o garoto respondeu rapidamente.

Mason rabiscou mais alguma coisa em seu bloco de anotações, apertou seu ouvido, e fez um ligeiro movimento com a cabeça.

- Bom, acho que o nosso tempo acabou. Vou recomendar que você venha aqui duas vezes por semana, contando a partir desta, tudo bem? Portanto, só tem mais um dia que você terá de vir... Se não for muito incomodo, é claro. – Mason falou educadamente. Ele tinha um sotaque britânico que tornava tudo o que ele dizia triplamente mais complicado de entender. Mas era compreensível.

- Eu devo vir, sim. Só não entendo o porquê... – ele disse, confuso.

- Talvez, você deva falar com Ágata, ela que deu a ordem de mandar você para cá. A principio, queriam te mandar para a enfermaria, para verificar se você estava bem. Mas, como seu poder era fogo, era mais do que obvio que você estava. Então, te enviaram para mim. E, se me permite dizer, você é um grande desafio. – confessou.

- Ahn, acho que isto é ruim.

- Nem um pouco. Eu gosto de desafios. – Mason respondeu, e, com esta frase, deixou o local.

Notas finais
Eu gostei desse capítulo, bem basiquinho, tranquilo... Mas crucial. Fiquem ligados, o pior ainda está por vir. Próximo capítulo: Capítulo 5 - Ser Fraco é para os Fracos. O que estão achando até agora, desde a ultima temporada para cá? Me contem! Até o próximo
xx