Green & Yellow

25 Verde e Amarelo


Nus na cama, os dois se olharam e começaram a rir sem motivo. Laxus então decidiu perguntar:

— E ai, gostou?

Rindo, Freed respondeu:

— O que acha? E você?

— O que acha? – Falou em tom debochado. Freed riu.

— Idiota.

— Você.

— Sabe, para um virgem... Eu fui bem?

Laxus riu alto.

— E se eu dissesse que não?

— Estaria mentindo! – Laxus riu.

— Sim, com certeza. Posso afirmar que fui bem?

— Claro! Só precisa ser mais calmo.

— Não é meu forte...

— Eu percebi. Eu achei que seria difícil. Que seria ruim, ou um desastre.

— A primeira nunca é a melhor. E se foi boa, é porque vai melhorar.

— Isso é possível?

— Ei, não me subestime!

Riram. Suspirando, Freed falou baixinho:

— Foi perfeito.

Freed olhou Laxus, que também o olhou. Laxus sorriu maliciosamente. Freed retribuiu.

— De novo?

— Com certeza.

Dali dois dias, ao meio dia, todos da guilda estavam no Festival das Flores. Uma música agitada tocava alta no local. Algumas pessoas estavam dançando. O céu estava limpo, mas ventava um pouco. O sol estava bem forte, e as flores pareciam reluzir. Freed e Laxus caminhavam até o local. De mãos dadas.

— Eu fiquei com medo de que você abandonasse nossa relação. Que voltasse atrás.

— Eu pensei nisso, Freed. Mas eu me senti tão bem... Que eu não podia negar isso. Eu só me entreguei.

— Pois eu já estava entregue. Eu só estava esperando você abrir o pacote. – Riram.

— Pena que eu demorei pra perceber isso. Acho que deu algum problema no correio. – Laxus sorriu encabulado.

— Se eu te contasse, você poderia me rejeitar. Tu mesmo disse isso.

— Eu sei... Apesar de tudo, acho que foi bom assim. Talvez esse fosse o único jeito.

— Mas eu queria que fosse mais fácil.

— Isso não importa agora!

— Tem razão. Vamos só aproveitar o festival.

— Eu tive medo de que o pessoal fosse nos rejeitar.

— Nós somos uma família... Eles não iam nos rejeitar. No fim, o pessoal com quem a gente mais fala nos aceitou. Só estranharam.

— Mas sabe que o pessoal mais desconhecido não aceitou tão bem, não é?

— Sim. Mas eles não têm nada a ver com a gente. Não precisamos nos preocupar. – Freed sorriu. Laxus retribuiu.

O som ficara mais alto, e quando perceberam, haviam chegado. Mais pessoas estavam dançando. Freed se animou. Apesar de não dizer a ninguém, adorava dançar. Apesar disso, ele tinha vergonha. A árvore Sola estava cheia de flores de cerejeira. O gramado estava recheado de pingos rosa. E de acordo com os passos das pessoas, as pétalas subiam no ar. Os ventos lhes faziam dançar no invisível.

Laxus e Freed foram os últimos da guilda a chegarem. Foram recebidos alegremente pelos outros. Alguns casais como Natsu e Lucy, Gray e Juvia, Gajeel e Levy, Erza e Jellal (que havia entrado no festival disfarçado de Mystogan), Happy e Charle (acompanhados de Lily), Wendy e Romeo e Gildarts e Cana, já estavam dançando. Laxus e Freed se separaram.

Freed foi falar com Evergreen e Mirajane, enquanto Laxus ia falar com Bickslow e Elfman.

— Freed! Que bom que você chegou! – Evergreen abriu um sorriso.

— Achei que não viria... — Mirajane falou de forma estranha.

— É que Laxus ficou um pouco animado antes de sair. – Sorriu desajeitado.

— E então é por isso que chegaram tão tarde? – Evergreen falou entre risos.

— É, acho que sim.

Mirajane permaneceu quieta.

— Laxus, seu desgraçado, porque chegou tão tarde? – Bickslow gritou antes Laxus pudesse dizer alguma coisa.

— Não reclame, Bickslow. Atrasos são coisas de homem!

— Eu me atrasei por um motivo aí.

— Respondeu muita coisa... – Bickslow fez cara de desanimado.

— Desculpas são coisas de homem! – Elfman falou erguendo o braço e Laxus riu.

— Não é desculpa.

— É sim! – Gritou Bickslow.

Após uns minutos conversando, Freed e Evergreen foram falar com os garotos. Mirajane foi falar com Lissana que estava sozinha.

— Lissana!

— Mira-nee!

— Porque você está sozinha?

— Eu não tenho um par para dançar. – Lissana olhou para baixo, triste. – Natsu foi dançar com Lucy.

— Não fique assim, Lissana! Você vai achar alguém melhor.

— Eu digo o mesmo, Mira! Você vai encontrar alguém melhor que ele.

Mirajane se virou, olhando para o grupo. Riam, felizes. Evergreen chamou Elfman para dançar. No meio dos três garotos, Mirajane fixou seu olhar no loiro alto. Olhava indignada para Laxus.

— Bickslow, quem é seu par? – Freed falou, encarando-o curioso.

— Eu não tenho par...

— Por que você não dança com Mirajane? – Laxus falou quando percebeu que ela o olhava.

— Ah, pode ser.

Caminhou lentamente. Freed se aproximou do ouvido de Laxus, sussurrando:

— Eu queria afastá-lo, pois… Eu quero dançar com você.

Laxus corou. Depois riu. Mirajane os olhou juntos. Bufou.

— Maldito Freed! Se não fosse ele, Laxus já estaria em minhas mãos! Laxus já seria meu!

­­— Mirajane! Eu te falei que Freed não é uma má pessoa! Ele ama Laxus, e Laxus o ama! Eles tinham que ficar juntos! Desde sempre eu te falei para esquecê-lo, mas você não me ouve!

— Claro que não! Eu amo Laxus desde que eu era criança! E Freed veio para atrapalhar! Tentei me aproximar dele para conseguir afastá-lo. Você sabe, é melhor manter os inimigos por perto. Eu consegui enganá-lo por muito tempo! Eu consegui fingir todo esse tempo! Você sabe como isso é difícil? Você não entende que tudo o que fiz, e não foi pouco, foi por amor?

— Se não fosse eu, você teria contado para Laxus que Freed gostava dele. Se não fosse eu, você já teria mentido para Freed. Se não fosse eu, você teria se tornado uma péssima irmã!

— Você, Lisanna, me impediu de ter feito o necessário para ter Laxus em minhas mãos! Eu já tinha até aceito aquele vinho, porque sabia que ele ia me estuprar! Eu consegui induzir ele a fazer aquilo! E mesmo mal me lembrando, sei que foi a melhor coisa que eu já fiz, e que ele fez comigo. Eu só estava a um passo… Freed estragou tudo! E ainda por cima, eu perdi Laxus para esse viado!

— Não fale assim de Freed! Ele não tem culpa de nada!

— Falo sim! E se não fosse você, Lisanna, Freed não teria me passado a frente!

— Eu tentei te impedir de tanta coisa... E mesmo assim... Você até mandou Giriki matá-lo! E graças a deus ele não conseguiu! Ele não sabia usar a técnica mais poderosa de magia de anulação: a magia que anula a vida! Mas ele fez o que pôde, porque Giriki era seu amigo! Ele se sacrificou por você! Giriki amava você, Mirajane! Ele fez isso por amor. E você apenas o usou...

— Eu não me importava com aquele rato de esgoto. Eu amo Laxus, e não vou amar outra pessoa a não ser ele!

— Mirajane... Por favor... – Lisanna estava a ponto de chorar.

As duas foram interrompidas pelos passos barulhentos de Bickslow. Se encaminhava em direção a Mirajane, que ficou feliz ao pensar que não ficaria sem um par. Mas Bickslow estendeu a mão, e se direcionou para a garota ao seu lado. Lisanna se surpreendeu. Lhe estendeu a mão, segurando-a, e foram dançar. Mirajane o caramba! Lisanna é muito mais bonita pra mim! Pensou Bickslow.

E lá, sozinha, estava Mirajane. Olhando a felicidade de quem amava, com outro homem. O homem que odiava. Que roubou seu amor. Freed Justine estava sendo usado e enganado todo este tempo, mesmo sem ter culpa de nada. Desesperada em sua solidão, em seu fracasso, Mirajane caiu de joelhos ao chão. Suas lágrimas escorriam frias pelas mãos no rosto. Eu fracassei. Eu fui derrotada. Eu estou sozinha novamente.

E sem se importar, ou ao menos verem, Freed e Laxus sorriam juntos, de mãos dadas. Seus olhos se encaravam, desvendando a felicidade um do outro. Freed então sussurrou mais uma vez no ouvido de Laxus:

— Eu quero dançar com você.

— Freed, eu não sei dançar! – Laxus sussurrou, sorrindo.

— Eu também não!

Riram. Freed pegou na mão de Laxus e o puxou. A música mudou para uma mais calma. Ficaram na frente da árvore Sola, onde o vento fazia pétalas rosa caírem, enquanto as folhas balançavam. E ao som da música, os dois começaram. Estranhamente, uma sincronia incomum os envolvia, e os faziam dançar perfeitamente bem. A resposta foi descoberta na letra da própria música.

“Só sei dançar com você, isso é o que o amor faz.”

Tulipa Ruiz.

Juntos estavam eles, dançando sobre a felicidade. Sem que nada pudesse impedi-los. Freed e Laxus finalmente estavam juntos, mostrando que eram fortes o suficiente para derrotar quaisquer males que o vento lhes traria.

Enquanto dançávamos, nossos cabelos verde e amarelo formavam um par, dançando a música de sopros suaves do vento.

Fim