Green & Yellow
18 Recomeçar
Eu sabia.
Eu sabia que Freed ia resistir.
Eu sempre soube.
Eu sempre soube que Freed era forte.
Eu quase não saia de casa nesses três meses. E não pense que eu fiquei sem fazer nada. Eu fazia o que podia. Maior parte do tempo pensava. Eu fui á várias bibliotecas e aprendi várias magias novas. Treinava durante a manhã, voltava para casa á tarde, fazia qualquer coisa. E a noite, deitava cedo para ficar pensando. Essa foi minha rotina durante três longos meses.
E eu estou pronto para dizer:
Foram os melhores meses da minha vida.
Eu sei que pode parecer irônico, mas realmente foram. Eu pude me entender e me controlar. Além de conseguir aprender o maior número de magias em menor tempo. Eu nunca tinha feito isso, eu acho. Sempre trabalhando e trabalhando. Sempre ocupado com as regras. Eu pude de alguma forma quebrar as regras. E essa é a melhor parte.
O que eu decidi? Que eu não sinto mais raiva de Laxus. Eu me vinguei dele. Quase o matei, pelo que Mavis me disse. Se me arrependo? Não! Ele bem que mereceu! Eu ainda o amo. E não me culpo por isso. Creio que ele desconfie disso agora. Tenho quase certeza.
Eu de alguma forma, vinguei Mirajane quando fiz Elfman bater em Laxus. Eu não sabia, mas acabei vingando. Salvei a vida de Laxus, e o livrei de ser estuprado. Ele me bateu porque tentei beijá-lo. E ele se achou no direito de ser ignorante. E por fim, Laxus armou para mim. Quis me ferir, me fazendo ver ele com outra garota, de novo. Laxus era quem deveria me pedir perdão até ai. Eu então bati nele, quase o matei, em vingança á tudo que ele me fez. E o fiz sofrer durante três meses. Agora sim, estamos quites.
Eu quis ficar bastante tempo fora para completar minha vingança contra Laxus. Não importa se eu o amo. Eu estou o fazendoele sofrer, como ele me fez sofrer. E eu não quero que ele me peça perdão mais. Eu já estou vingado, e não tem como voltar atrás. Espero que ele tenha pensado sobre isso também.
Era segunda feira. Três meses e três dias após o ocorrido no galpão. Eu estava indo para guilda, confiante. Nada ia me abalar mais. Eu recuperei minhas forças. Venci a saudade de Ever, Bickslow, e todos os outros. Agora vou vencer mais e mais vezes.
Nada mais pode me parar.
Eu entrei na guilda às dez e quinze. Makarov me deu um sorriso lá do balcão. Mavis estava no segundo andar, e tratou de gritar para todos que eu voltei. Foi uma correria. Todos vieram me cumprimentar, perguntaram como eu estava e tudo mais. Respondi as pessoas e esperei o caos passar. Percebi que a Raijinshuu e Laxus não estavam na minha volta. Mirajane veio chorando me abraçar. Me perguntou tanta coisa que eu fiquei confuso. De pouco em pouco as coisas foram se acalmando. Quase trinta minutos depois, eu estava perto do balcão, falando com Mirajane, Mavis e Makarov. Até eu perguntar:
— Makarov... Onde estão Evergreen , Bickslow e Laxus? – Perguntei, sem medo de pronunciar o nome daquele quem amo, como geralmente ocorria antes.
— Não vai demorar muito, eles já estão chegando de uma missão.
— Certo.
Continuei conversando, e quase às onze horas, Mirajane me cutucou. Virei de costas, e via a silhueta dos três. Andavam sobre a luz do sol, que iluminava boa parte da guilda àquela hora. Suas silhuetas eram pretas, e demorei um pouco para conseguir enxergar suas expressões.
Evergreen me viu, e chorou quase que instantaneamente. Correu em minha direção e me abraçou. “Me diga que não é mais um sonho!” é só o que ela repetia. Senti meu coração apertar. Bickslow a acompanhou, vindo me abraçar também. Me perguntaram várias coisas e eu me perdia entre as perguntas dos dois. Me esquivei de pouco em pouco, e quando tive oportunidade, dei um passo a frente. Os dois se calaram. Eu andei e Laxus vez o mesmo. Estávamos cara a cara.
— Laxus.
— Freed.
Eu senti então os braços envolverem-me. O casaco quente por causa do sol aquecendo minhas costas. E senti as lágrimas caindo em meus ombros. O rosto do loiro estava ao lado do meu. Eu corei e ele quase que sussurrava em meu ouvido.
— Eu senti tanto sua falta, Freed. Eu sofri tanto!
Eu retribuí o abraço, falando seu nome em seu ouvido. Eu senti o cheiro forte do seu corpo. Eu estava em êxtase. Pelas falas de Mavis, que sempre me dava notícias toda semana, Laxus não se cuidava mais. Tinha em mente que ia encontrar um mendigo. Mas não foi como ela disse. Ele estava perfeitamente normal. Percebi que ele não cuidava de si em relação ao seu espírito.
Laxus nunca usava perfume. E ele estava usando naquele dia. Era pouco, mas eu senti. Eu sentia mais o cheiro de seu corpo, que era melhor do que qualquer perfume no mundo. Sentia sua pele macia e seus cabelos também. Ele estava tão bem. Não parecia que estava sofrendo.
Ele desabou em lágrimas, no meio da guilda. Isso me surpreendeu muito. Laxus nunca chorava, e nos últimos tempos, ele estava chorando muito. O tempo inteiro me dizia o quanto estava feliz por eu estar de volta. Então eu tive que lhe avisar sobre minhas conclusões, quando deu uma pequena trégua no choro.
— Laxus, você sabe que esse tempo que passei sozinho era para pensar. E eu preciso te dizer o que eu concluí. – Laxus levantou a cabeça do meu ombro. Ele se afastou do meu corpo.
— Fale. Eu preciso saber... – Estava com a voz chorosa. Enxugava as últimas lágrimas.
— Eu me vinguei. – Ele se assustou. – Eu quase te matei, e isso foi metade do teu troco. Eu passei tanto tempo fora, para te fazer sentir o que eu senti. A dor, o sofrimento, a tristeza, a solidão, o desamparo, o medo, a agonia, a desolação, tudo. Isso era a outra metade do teu troco. Agora, você sabe o que eu senti. Sabe o que eu passei nos últimos tempos. E agora, eu espero que você entenda que não é para você fazer isso com os outros, se não quer que façam contigo. E agora que você sabe o quanto dói, eu quero que você nunca mais faça isso a ninguém. Que você nunca mais faça ninguém sofrer como eu sofri.
— Freed, você tem completa razão. Eu não sabia o quanto era horrível. Eu te fiz sofrer, enquanto você sempre esteve ao meu lado. Eu só tenho a te agradecer. Eu aprendi que eu não devo fazer para os outros, o que eu não quero que façam comigo. Eu aprendi o que você queria que eu aprendesse. Eu acho que isso já é o bastante. Freed, me desculpe por ser tão idiota. Mas assim como você, eu tinha um monstro guardado dentro de mim, que estava se fundindo com minha personalidade original. Esse monstro fez isso tudo. Não fui eu. Nós... Nós nunca faríamos isso um ao outro, certo? – Laxus quase começara a chorar de novo. Deu um leve sorriso de canto, triste. Senti que rezava por uma resposta positiva minha.
— Você está certo, Laxus. Nós nunca faríamos isso um ao outro. Eu... Eu só quero poder confiar em você de novo.
— Você pode confiar em mim, quando quiser. Eu sempre vou estar aqui. Eu vou confiar em você. Eu sei que posso confiar. E eu não vou te decepcionar, Freed. Eu nunca farei isso novamente!
— Que a partir de agora, nós recomecemos nossa vida. Eu espero que tudo volte a ser como era antes.
As palavras se encerraram.
“Eu te amo tanto, Laxus.”
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