Lentamente os portões se abriram.

Laxus viu Freed sentado no outro lado do galpão.

Ele chorava agachado.

Levantou lentamente a cabeça.

Encarou Laxus por fim.

Porém seu olhar tornou-se puro ódio.

— Freed... – Disse Laxus chorando. – Eu finalmente te encontrei!

— O que você veio fazer aqui? – Freed estava rouco, com uma voz indiferente.

— Eu vim te levar de volta para casa! Por favor, Freed, volte!

— Eu nunca mais vou voltar para a Fairy Tail. – Laxus sentiu seu coração congelar.

— O-oque você dizendo, Freed?

— Saia daqui agora. Eu não tenho nada para dizer a você.

— Freed, me perdoe! Eu não sei o que aconteceu comigo! Eu armei para você, porque não queria a insegurança de achar que você gostava de mim! Se você voltasse para a Raijinshuu e continuasse com sua idolatria eu iria desconfiar de você e iria me sentir desconfortável! Por favor, me perdoe! Eu estava fora de mim, Freed! Volte para casa!

— Eu já disse que não vou voltar. E... Eu nunca vou perdoar você. – Freed começava a se levantar.

— Eu sei que o que fiz não foi certo... Se não quiser me perdoar, tudo bem. Mas volte para a guilda!

— Eu não vou mais repetir. Saia de uma vez.

— Freed... Por favor! – Laxus gritou, e o som ecoou pelo galpão escuro, que era iluminado apenas pela luz da lua.

— Você não quer sair... Então eu vou acabar com isso de uma vez. Sofra eternamente com essa culpa, Laxus.

— C-culpa? Culpa de que? Freed, sobre o que você está falando? – Laxus tremia desesperadamente ao suspeitar do que Freed iria fazer.

— Yami no Écriture... – Começou a fazer movimentos suaves com a mão esquerda.

— O-o que você vai...?

— Mort-

O grito de Laxus ecoou pesadamente sobre os ouvidos de Freed.

Ele estava sorrindo.

Seu rosto vermelho coberto por lágrimas.

Os olhos começaram a se tornar vazios.

A luz de vida se apagou em sua alma.

Um raio brilhante atingiu o braço de Freed, o eletrocutando. Seus movimentos pararam, e ele se mantinha de pé. Não conseguiu terminar sua magia, mas conseguiu ver a morte diante de seus olhos. Suspirou, e declarou:

— Então eu terei que te matar?

Levantou a cabeça com um sorriso sádico que botou medo até mesmo em Laxus. Se transformou em um demônio. Estava disposto a lutar. Mas Laxus não. Em um movimento rápido chegou voou em direção á Laxus. Laxus continuava imóvel.

Freed não foi cuidadoso ou delicado como sempre. Seu soco atingiu o rosto do loiro que foi jogado para fora do galpão. Se levantou passando o braço sobre a boca, mas mal teve tempo de terminar seu gesto, e sentiu a presença de Freed em suas costas. Freed o chutou com toda sua força, o levando tão longe a ponto de bater contra a parede do galpão, no lugar onde Freed estava agachando á pouco tempo atrás.

Laxus cruzou por completo o galpão grande e espaçoso. Ao bater na parede, o silenciou foi expulso do lugar com o som apressado do baque. Laxus sentiu seus ossos se mexerem dentro de si. Se levantou e recostou na parede. Estava se recuperando da dor de quase quebrar as costelas. Freed não lhe deu tempo, indo em sua direção mais uma vez. Laxus começou a andar na direção dele, com dificuldade. A mão de Freed se chocou contra o corpo de Laxus. Seu braço fez uma leve curva para a esquerda, fazendo Laxus ser movido na mesma direção. Dessa vez Laxus conseguiu continuar em pé. Estava perto de uma carroça velha, e se recostou nela para se manter em pé. Freed voou alto, e de cima do galpão, desceu em alta velocidade, em direção á Laxus.

Laxus pensou que ele havia errado quando atingiu em cheio á carroça, porém logo percebeu que não era isso. Seu corpo foi jogado para a direita, em direção á um monte de palha. Não sofreu muito com o impacto, já que foi amortecido. O pior estava por vir: madeiras vinham em sua direção. Quatro delas se cravaram em seu corpo. Uma na perna direita, outra no braço direito, outra no antebraço esquerdo e a última em seu peito.

Laxus sentiu as madeiras cravarem seu corpo. Sentiu que a ferida mais grave foi a madeira em seu antebraço esquerdo. Retirou as madeiras, e quando tirou a madeira em seu peito, suspirou em alívio, vendo que não era uma ferida profunda. Mas isso não durou muito. Cuspiu sangue e sentiu seu coração acelerar.

A poeira baixava no local onde a carroça foi destruída, revelando o demônio que Freed se transformara. Laxus tremeu ao ver aquela silhueta. Aquele definitivamente não era Freed. O demônio voou alto criando uma pequena esfera negra com as mãos. Após feita, disparou um feixe negro em direção á Laxus, que temeu por sua vida.

O raio lhe encontrou, causando uma explosão sonora. Freed acompanhou o corpo de Laxus rolando para fora da fumaça. Laxus estava atirado no chão com os braços abertos. Cuspia sangue de segundo em segundo. As palhas começaram a pegar fogo rapidamente. Algumas delas queimaram a roupa de Laxus. Freed voou em sua direção, chutando-o por cima.

Agora sim, Laxus sentiu nitidamente duas de suas costelas quebrarem, mexendo-se em seu interior. Freed se afastou. Laxus estava em frente ao portão do galpão. Mas dessa vez estava caído. Olhava a silhueta de Laxus iluminada pela luz da lua que vinha de fora do galpão.

“Eu estou acabado.” Era no que Laxus conseguia pensar. Conseguiu se ajoelhar, com muita dor e esforço. Sua perna direita estava ajoelhada no chão, enquanto a esquerda estava pisando firme no chão, apoiando o peso de Laxus. Se apoiava com o braço esquerdo na perna, para que não caísse. Sua boca estava coberta de sangue. Sentia muita dor pelas feridas e queimaduras. Mal conseguia focar a visão em Freed. Mas notou que ele já não era mais um demônio.

Laxus então notou: Freed sorria sadicamente outra vez. Freed sentia seu corpo tremer em êxtase ao ver o estado de Laxus. Estava quase rindo da situação. Mas seu sorriso se desfez, para acabar com aquilo de uma vez.

— Parece que você não quer me atacar, não é?

— M-mas é claro que n-ugh! – Laxus cuspiu sangue. Freed deu uma risada.

— Você está acabado! Olhe para seu estado! – Deu mais uma risada. – Espero que agora entenda.

— Entender o quê?

— Entender o tamanho do ódio que sinto por você.

— Você... Você não é Freed!

— Mas é claro que eu sou! Não seja ridículo!

— Freed nunca faria isso comigo.

— Isso é prova de como o ódio nos transforma. Devia saber disso mais do que ninguém! Se lembra de quando atacou a guilda? Você mataria qualquer um para conseguir o que queria. Seu ódio lhe transformou também.

— Eu...

— Pare de se lamentar! – Gritou.

— O que você é?

Freed ficou em silêncio. Laxus não entendia o que estava acontecendo com Freed. Olhou em seus olhos, e percebeu: no lugar do sorriso, haviam lágrimas. Freed continuou em seguida:

— Eu sou o que restou. O que restou de alguém que nunca foi ou será amado. – Sua voz era fraca mas tinha emoção; dor. – Esse sou eu. O eu que você construiu a partir das cinzas de uma decepção. Esse é o resultado de seu ódio. Eu virei o que você é!

Laxus sentiu as palavras de Freed vagarem seu corpo, fazendo-o tremer. Sentiu aquelas palavras com voz chorosa, demonstrando emoção, dor, arrependimento, medo. As sentiu perfurando sua cabeça como se fossem lanças jogadas para matar. Matar o sentimento de alguém.

— Eu... Eu não sou isso. – Laxus chorou desesperadamente. – Eu não sou um monstro! – Gritou. – Eu não sou um demônio, Freed!

O grito e as lágrimas de Laxus se uniram para demonstrar a dor que sentiu com as palavras de Freed. O mesmo começou a chorar outra vez. Olhou para baixo. Levantou a cabeça, encarando Laxus nos olhos. Depois levantou a cabeça, olhando para o teto do galpão. Só agora percebera que ele tinha um buraco lá, que dava visão para as estrelas. E a lua aparecia, também. Ainda olhando para o céu, disse:

— Me fazendo ver aquilo, você queria destruir esse sentimento dentro de mim... Mas Laxus, saiba que para destruir esse sentimento, separá-lo de mim, você precisa acabar com minha vida. – Falou calmo, com voz fria e ainda chorosa. Depois de uma pequena pausa, continuou: – Mas eu sei que você não está disposto á isso. Então... Eu mesmo acabarei com minha vida.

Laxus arregalou os olhos, ainda com lágrimas escorrendo. Abriu a boca desesperadamente, fazendo o nome de Freed gritar no vento. O vento que soprou leve, fazendo os seus cabelos tanto quanto os de Freed voaram suaves. Com a cabeça levantada, começou a falar, descendo-a gradativamente para encarar Laxus com um sorriso. Um sorriso acompanhado de lágrimas.

— Yami no Écriture, Morte.