Green & Yellow
2 Flagra
Freed já estava descendo as escadas para ver onde Mirajane estava, e o que estava fazendo. Ao descer as escadas, encontrava-se em um corredor, com uma porta á esquerda, a dispensa, onde se podia ver a piscina através de uma escotilha. A porta no fim do corredor dava para a adega, e a da esquerda para a sala de jogos.
Percebeu que tudo estava em silêncio, e decidiu olhar a dispensa primeiro. Ninguém estava lá. Andou até a adega, e Mirajane não estava lá. Ele olhou para o chão e viu uma garrafa de vinho quebrada no chão. Pensou que caiu. Então saiu de lá e foi para a sala onde Mirajane deveria estar. E tinha razão. Girou a maçaneta e abriu de leve, mas não se atreveu á abrir mais.
A mesa de sinuca ficava bem no meio da sala, e a porta um pouco para direita, podendo ver a sinuca um pouco na diagonal. Ao abrir a porta só colocou um pouco a cabeça para frente, antes de ficar paralisado com a cena que viu. Mirajane estava vendada, com cordas amarrando suas mãos. Estava deitada na mesa de sinuca na lateral maior, com as pernas nos ombros dele.
Aquele que Freed amava.
Laxus Dreyar.
Mirajane estava com o vestido levantado, e Laxus com a calça um pouco abaixada. Segurava as pernas da garotas enquanto movia os quadris. Freed não foi visto pelos dois porque Laxus estava com a cabeça caída para trás, e de olhos fechados. Mostrando que estava gostando daquilo. Mirajane só não gritava porque sua boca estava amordaçada.
Lágrimas escorriam desesperadas pelo rosto de Freed, enquanto ele assistia aquilo. Sabia que Laxus transava com várias mulheres, mas ver ele fazendo isso era demais. E o pior: com sua amiga. A amiga em que mais confiava. Freed não estava entendendo a situação, mas esticou um pouco a cabeça para poder ter a visão de toda a sala. Não havia ninguém lá além dos dois. Notou um frasco na mesa de sinuca.
Mirajane gemia mesmo com a mordaça, mostrando como aquilo era bom. E Laxus, que estava em sua frente, e de lado para a porta, mexia a cabeça ainda com os olhos fechados. Rangia os dentes para não gemer alto de prazer.
Doía.
Freed sentia a dor tomá-lo.
Freed sentia a tristeza tomá-lo.
Freed sentia o ódio tomá-lo
Tais sentimentos tomaram Freed por completo, de forma que seu corpo começou a agir sozinho. Não fechou a porta, de forma a deixar uma fresta aberta. Subiu a metade das escadas e sentou-se nela. Chorava como uma criança. Soluçava, mas tentava manter silêncio. Devia botar para fora antes de subir. Chorou por vários minutos. Decidiu escrever runas para melhorar sua aparência horrorosa devido ao choro prolongado. Bickslow ficou preocupado, e acabou por descer. Viu Freed sentado, mas ele não parecia estar chorando, devido a sua magia. Ele olhou para Bickslow e sorriu. Bickslow então se despediu e foi embora para casa. Eram quatro e quinze. Freed ainda estava na escada.
Não sentia mais suas lágrimas.
Chorou todas elas.
E agora, seus dentes rangiam.
A raiva tomou lugar.
Freed tornou a subir as escadas. Em passos pesados mexia a cabeça rápido para os lados, procurando por alguém. Subiu as escadas para o segundo andar. Lá estava com quem queria falar. Deu um sorriso maléfico ao vê-lo.
— Elfman!
— Freed? O que houve?
— Eu queria lhe dizer que... – Hesitou por um momento. – Que vi algumas coisas. Acho que deveria saber.
— O que é?
— Venha comigo.
Freed dava passos rápidos e largos. Não demorou muito para chegar até o subsolo. Estava parado em frente à escada. Apontou para a porta á direita, e disse que não importava o que Elfman visse, deveria dar uma olhada e sair dali. Era para Elfman esperar. Ele o fez. Espiou pela porta e viu a cena. Dessa vez Mirajane estava em pé, mas com a perna esquerda apoiada na mesa de sinuca. Laxus continuava com seus movimentos rápidos.
Elfman rangeu os dentes, apertando a maçaneta da porta. Acabou por amassá-la fazendo um barulho estridente. Freed foi rápido, o puxando e subindo as escadas. Depois subiu foi até o meio do hall da guilda.
Laxus ouviu o barulho e abriu os olhos. Quando olhou para aporta viu a fresta. E saiu de dentro de Mirajane. E pegou e acomodou em cima da mesa de sinuca. Ela estava quase imóvel e inconsciente. Lago puxou sua calça para cima, fechando o zíper. Depois foi até a porta olhando para os lados. Viu que não havia ninguém e foi até a adega. Estava vazia também. Depois foi para a dispensa e também estava vazia. Suspirou e subiu as escadas.
Freed estava sentado numa mesa perto da entrada do hall da guilda. Ele olhava Elfman com um sorriso amedrontador. Já Elfman estava parado no centro do hall, sem desgrudar os olhos do corredor do lado esquerdo do balcão. Esperava Laxus sair.
Laxus subiu as escadas, e olhou para o lado. Makarov estava sentado no balcão, bêbado. Ele então seguiu reto saindo do balcão e indo em direção a mesa onde os membros da Raijinshuu estavam. Não tinham ninguém, só um prato e um copo de vinho. Então olhou para os lados para procurar por alguém. Não viu ninguém até encontrar os olhos de Freed. Freed estava sério, para não aparentar ser o culpado do que ocorreria a seguir.
Laxus foi para a esquerda, rente ao balcão, passando a mão esquerda por ele. Quando chegou no meio, onde Makarov estava, disse para ele ir para casa, já que estava bêbado. Makarov o xingou e deu um grande gole na garrafa de whisky. Laxus suspirou e virou para frente. Viu que Elfman estava para lá. Estranhou o jeito com que ele o olhava. Tornou a andar desconfiado, e ao chegar perto, perguntou – ou quase isso – já que no meio da sua frase levou um soco na cara. A tentativa de perguntar “por que está me olhando assim?” foi falha, mas teve sua resposta ao levar o soco. Elfman estava com raiva dele.
Laxus percebeu que foi Elfman que abriu a fresta na porta e destruiu a maçaneta. Decidiu revidar já que o que fez “não era nada demais” para ele. Freed agora que não tinha a atenção de Laxus, tornou a sorrir novamente. Sorriso que se tornou maior ao ver Laxus levar o soco.
Freed estava descontrolado.
Estava tomado pelo ódio.
A pancadaria começou. Os outros estavam acostumados com isso, e não estranharam muito. Logo uma reação em cadeia começou, e toda a guilda estava sobre socos e chutes. Laxus e Elfman não usavam magia (ninguém usava magia na guilda para lutar, já que poderia destruí-la) e foi uma competição de força bruta. O mais forte ganhava. Longos quarenta minutos de pancadaria se passaram. Laxus e Elfman estavam exaustos. Freed não estava satisfeito. Queria mais sangue.
Sede de sangue de quem amava.
Seus pensamentos perderam a lógica.
Era impossível se controlar.
Quando pararam de se bater, Laxus sorriu vitorioso. Mas Elfman não estava caído. Laxus estava debochando dele. E provocou mais:
— Só porque comi sua irmãzinha não quer dizer que você tenha que me bater. Qualquer um pode comer ela. Não sou ninguém em especial.
— Cala a boca, merda! Minha irmã não estava gostando daquilo! Eu sei disso. Você a obrigou.
Laxus riu muito alto, de forma escandalosa.
— Você acha que ela não queria? – Riu mais ainda. – Ela praticamente se jogou em mim. Ela estava enlouquecendo comigo dentro dela. – Continuou a rir. Elfman olhou para baixo.
— Ela não é assim. Ela estava amarrada, e-
— Ela me pediu para amarrá-la. Você não sabia que ela gosta de sofrer? De ser mandada de forma brusca? Você achava que ela era santa? Pois saiba que ela é uma das mais putas dessa guilda! – Pouco a pouco todos começaram a prestar atenção nos dois.
— Não seja ridículo, Laxus. Você só quer me provocar!
Laxus que estava olhando para Elfman, acabou escorregando seus olhos ao encontro dos de Freed. Viu sua expressão. Seu enorme sorriso sádico e sua posição de quem é espectador de uma luta de Box. Estranhou. Sempre tentava defender Laxus de uma luta, e não gostava de vê-lo apanhar. E levando a surra que levou, Freed praticamente estaria chorando para que Elfman parasse. Se lembrou do Freed quando estavam atacando a guilda. O Freed obscuro. Seus olhos estavam iguais aos dele.
— Freed? Logo você…?
— Eu o que? Laxus-sama?- Freed foi debochado, mas seu sorriso se desfez.
— Elfman. – Laxus tornou a olhar para Elfman. – Como você descobriu que estava com Mirajane lá em baixo?
Elfman olhou para baixo. Virou a cabeça olhando para Freed, e voltou com os olhos caídos. Depois os levantou lentamente olhando Laxus dos pés a cabeça. Olhou em seus olhos, dizendo:
— Não lhe interessa. Esse não é o assunto.
— Não precisa me responder. Seu olhar foi o bastante para mim. Freed, venha cá.
— O que você quer comigo?
— Freed... – Falou baixinho, mas Freed conseguiu ouvir. – VENHA CÁ! – Gritou, rangendo os dentes.
Freed simplesmente acordou de seu devaneio sádico, tornando a se levantar, olhando para o chão, assustado consigo mesmo. Andou lentamente, e ficou na frente de Laxus, ainda de cabeça baixa.
— Olhe para mim.
Lentamente Freed levantou os olhos.
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