Green & Yellow
4 Esclarecimentos
Acordei no outro dia ás seis horas. Fui até o banheiro e me olhei. Estava com os olhos um pouco inchados e com olheiras. Junto com meu cabelo desgrenhado, eu ficava lindo.
Tenho vergonha de mim mesmo. Pelo menos quando acordo. Logo enxaguei o rosto e penteei o cabelo. Fui para cozinha tomar um café da manhã. Depois que tomei lavei o que tinha sujado e depois fui pegar uma roupa no armário. Joguei a roupa na cama e peguei uma toalha. Calcei meus chinelos e fui para o banheiro. Não costumo tomar banhos demorados, mas hoje eu precisava de um. Fiquei sobre o chuveiro bastante tempo, só relaxando e pensando em como seriam as coisas hoje. Depois eu fui colocar minha roupa.
Sentei na cama quando já estava pronto. Suspirei e fiquei tentando tomar coragem. Olhei para o relógio e eram seis e quarenta e cinco. Eu levava dez minutos para chegar até a guilda. Não fiquei ali por muito tempo, e logo sai de casa. Durante o caminho eu pensava positivo para não perder a coragem de encarar Laxus novamente.
Tudo estava indo bem, quando entrei na guilda. Estava pouco movimentada devido ao horário. Logo vi Bickslow e Evergreen numa mesa perto da entrada do hall. Fui até eles, e Laxus também estava lá. De costa para mim, de forma que não consegui ver sua expressão. Olhei para Ever e ela não me transpareceu muita felicidade. Isso queria dizer que Laxus não estava de bom humor.
Eu me aproximei e coloquei as minhas mãos na cadeira dele, encostando de leve em suas costas. Dei bom dia para todos ali, e logo o vi suspirar. Ele se levantou dizendo que Evergreen já tinha escolhido a missão. Colocou a mão no ombro de Bickslow para acordá-lo (ele estava muito sonolento) e virou-se rapidamente, e eu não consegui ver seu rosto, novamente. Bickslow se levantou um pouco tonto, e ouvi Ever suspirar também. Ela se levantou, puxando meu braço para eu me virar e acompanhá-la. Ela disse para Bickslow ir falar com Laxus para ver se ele melhorava de humor. Na verdade ela queria afastá-lo para poder falar comigo. Ficamos um pouco distantes de Laxus e Bickslow que estava já saindo do portão da guilda. Ela logo começou quando percebeu que eles não iriam ouvir:
— Mas o que foi que você fez, hein, Freed? Eu soube do escândalo que aconteceu ontem!
— Eu percebi. Eu fiquei com muita raiva dos dois.
— Dos dois?
— Você não sabe de tudo, então.
— Eu soube que você incentivou Elfman a confrontar Laxus, eu sei lá por que. E quando Laxus percebeu que foi você que incentivou Elfman, ele deu um soco em você.
— Não é metade da história. Você saiu e Mirajane não voltou. Ela estava demorando quase uma hora. Me preocupei já que ela era minha amiga. Desci as escadas e a procurei na adega depois na dispensa. Nada. Ela só podia estar na sala de jogos. Eu abri de leve a porta, só para espiar se tinha alguém dentro. Não havia ninguém além de Laxus e Mirajane. E eles estavam... – Engasguei com meu choro. Me segurei e continuei: — Eles estavam transando na mesa de sinuca.
— Ahn? – Evergreen fez uma careta. Logo percebeu que eu estava abalado e me abraçou.
— Eu fiquei com raiva e acabei fazendo Elfman ir até lá olhar aquilo. Eu o fiz esperar Laxus no hall para brigar com ele. Ele bateu no Laxus, mas para mim não foi suficiente. Eu não estava no meu juízo perfeito.
— Eu percebi! Você nunca iria fazer nada para que Laxus se machucasse! – Ela pareceu sentir um estalo, e bateu com seu leque na minha cabeça. – E você fez Laxus bater no meu namor- Ela parou bruscamente, corando e olhando para baixo, envergonhada. Eu ri.
— Namorado? Todos sabem disso, Ever.
— Mas é claro que não! Vamos mudar de assunto. Me diz, o que aconteceu depois?
— Laxus me viu rindo, e pareceu perceber que eu estava envolvido. Perguntou para Elfman quem lhe disse sobre aquilo, e ele não disse que fui eu, mas me olhou. Laxus percebeu que era eu. Me chamou e eu acabei por me dar conta do que fiz. Ai ele me deu um soco. Saiu da guilda e Mirajane apareceu, finalmente. Ela estava péssima. Vermelha na boca, nos pulsos e nos ombros. Ela estava chorando, e um pouco descabelada.
— Eu soube dessa parte. Ela foi até você e você a enxotou. Como está em relação á ela…?
— Ela não estava do meu lado, afinal de contas. Eu não quero mais falar com ela. Eu não quero mais olhar para ela.
— Deve ser difícil. Depois aconteceu mais alguma coisa além de que Makarov lhe ajudou?
— Não. Ele sabe que gosto de Laxus. Eu vi nos seus olhos, no jeito com qual falava. E quando disse que não “iria contar nada a ele”, eu soube que era verdade. Você contou a ele?
— Não. E posso te garantir que Mirajane também não contou. Ninguém mais sabe além de nós três. E agora quatro, junto com Makarov. – Eu suspirei ao descartar a ideia de que Mirajane contou para toda a guilda sobre o que sinto por Laxus.
— Então, o que você sabe?
— Cheguei cedo hoje, era seis e quarenta. Fui até Makarov para falar com ele. Ele me contou o que houve. Ele me disse para te ajudar a se recuperar do “equívoco” como ele mesmo disse. E depois eram umas seis e cinquenta quando Bickslow e Laxus chegaram juntos. Nós sentamos na mesa, e Laxus foi falar com Makarov. Subiram para o segundo andar e conversaram durante uns dez minutos. Ai Laxus desceu e eu perguntei sobre o que eles conversaram. Ele se esquivou da minha pergunta, perguntando para mim sobre a missão. Ai percebi que ele estava de mal humor. Logo depois você chegou. Ele suspirou quando você deu bom dia, percebeu?
— É, eu percebi. Deve estar impaciente comigo.
— E você, Freed? Como está?
— Um pouco melhor. Mais ainda não estou bem em relação ao que fiz. Em relação ao que vi. Eu estou muito triste, e com dor.
— Aonde?
— Nas costas e...
— No peito. Saquei. Freed, não se preocupa. Eu vou cuidar de você. Eu vou te ajudar. Logo Laxus vai esquecer disso. – Ela me abraçou forte. Eu retribuí.
— Eu não tenho certeza. Mas com o tempo vai passar.
— Você desistiu dele?
— Claro que não. Eu ainda o amo, do contrário não estaria assim.
— Tem razão. Mas Freed, por que você fez aquilo?
— Eu não sei. Só estava tomado por um ódio incontrolável. Acho que isso é normal. Algumas vezes, pelo menos.
— É sim, mas isso não justifica. Ele fica com várias garotas o tempo todo. E você sabe disso. Por que você foi surtar justo agora?
— Porque foi a primeira vez em que vi. E também porque era com uma amiga que eu confiava.
— Eu não vou te abandonar Freed. Eu quero que você esteja bem. Você sabe, sou sua amiga desde sempre.
— Eu sei disso, Ever. Obrigado. – Eu consegui abrir um sorriso.
Depois disso, nós encerramos aquele assunto e nos apressamos para alcançar Laxus e Bickslow. E continuamos andando, até quase o término das fronteiras de Magnólia. A missão era simples, mais poderia levar algum tempo. Eram dois caras estranhos que visitavam uma taverna todos os dias. Vinham e saiam sem pedir ou fazer absolutamente nada. O dono ficou apreensivo e pediu ajuda. Chegamos na taverna e sentamos em uma mesa. O dono já estava ciente que não iríamos falar com ele sobre a missão naquele momento, para os encapuzados não desconfiarem e fugirem. Os dois encapuzados não tinham chegado ainda. Sentamos na mesa que eles costumavam sentar, justamente para criar uma situação.
Nesse meio tempo eu fiquei bem nervoso. Laxus se sentou na minha frente, e ficou me encarando o tempo inteiro. Eu fiquei encabulado, e só olhava para mesa ou para o chão. Evergreen percebeu, e começou a puxar assunto com Laxus, para que ele a olhasse. Não adiantou muito, porque todo assunto não rendia. “Sim” “não” “tá”. Era tudo o que ele falava, e nem olhava para Ever. Eu estava irritado. Não sabia o que fazer. Mas também não dirigi a minha palavra a ele.
Demorou um pouco para os caras encapuzados chegarem. Eles entraram na taverna de cabeça baixa, e estavam com um sobretudo. Suas vestimentas não apareciam devido esse sobretudo marrom que usavam. Estava sujo e um pouco rasgado. Eles não fizeram nada além de andar na nossa direção.
Os homens encapuzados chegaram perto e pigarrearam antes de começaram a falar.
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