Green Hills
5 O mais veloz que há?
Notas iniciais
Um raio azul rasgou o deserto de norte a sul, sua velocidade tremenda rachou o solo por onde passava e criou um túnel de poeira metros às suas costas que depois o mergulhou como um surfista numa onda quando Sonic fez uma curva fechada para fora da estrada. Pouco mais adiante ele já ia calmamente, passou por um trailer abandonado e enferrujado no deserto e seguiu além, viu numa colina próxima as ruínas de uma civilização extinta, era aquele o lugar, parou de correr, começou a andar, quase se arrastando, parou a sombra de uma árvore e ali, da forma mais suave e gentil que conseguia ser ele se ajoelhou.
Retirou do rosto o lenço que o protegia da poeira e segurando com delicadeza espanou uma pequena placa de pedra, retirou ramos secos e retorcidos os enterrando ao lado, depois pegou de sua bolsa novas flores-concha e as colou naquele lugar, acariciou suavemente o chão e se acomodou apoiando as costas na árvore para as ruínas observar.
— Lembra do meu amigo Knukles? — fez uma pausa rápida — Aquele que eu contei que brigou comigo pelas esmeraldas do caos e que agora protege a esmeralda mãe? Então, ontem ele apareceu lá na cidade do porto, eu e Tails o ajudamos com a Tikal, foi divertido, você ia se dar bem com ele, já que você era tão cabeça dura quanto ele....
Be longe dali, não para Sonic, mas para alguém como eu ou você, Tails finalmente terminava sua tarefa mais difícil, jogou-se sobre a cama lavado de suor após completar, mas uma sensação muito boa o inundou — finalmente arrumei esse lugar.
Ferramentas organizadas no mural, mesa e cadeiras bem organizadas, a recepção da oficina finalmente estava visível, com o seu balcão curvo e o mural com letras de plástico destacáveis, além de algumas planas que Tails nem mesmo sabia que tinha, na verdade eram do antigo dono do lugar, o raposa nem sequer se lembrava que haviam samambaias penduradas no teto da sala de estar. Quando estava quase cochilando ouviu algo peculiar, eram vozes de pessoas discutindo em algum lugar, Tails se levantou e foi identificar.
Chegando a janela, esta que estava escondida atrás de uma enorme placa de metal que havia até sido corroída pela maresia pelo lado que ficou virado para fora, Tails viu na rua ao lado de seu quarto ninguém menos que Amy e Cream. Ao vê-lo na janela, a coelha ficou vermelha de vergonha e correu com as mãos cobrindo a boca, enquanto que Amy se manteve parada de braços cruzados, de costas para a janela de onde Tails a observava.
— Se divertindo? — ela perguntou duma forma inesperada ao engenheiro que quase se engasgou com o susto na tentativa de se explicar — você está ridículo tentando falar! — Amy se virou, seu olhar era sério e levemente cruel, mas sua maquiagem estava borrada, ela andou chorando?
Tails deixou a amiga ntrar, estava se sentindo constrangido — desculpe por bisbilhotar, mas vocês estavam gritando e..
— Você finalmente arrumou esse lugar! — ela o cortou entrando na oficina ainda mais fundo, passando- pelo quarto-sala e olhando para o hangar, com as mãos sobre a aba de seu peculiar vestido vermelho ela suspirou e voltou-se a ele ainda séria — o que foi que você escutou?
— Nada, eu juro! — ele argumentou — eu apenas ouvi vozes exaltadas e...
— Acredito em vocês — ela o interrompeu novamente, dessa vez até ergueu a mão sinalizando-o para parar de falar, mas ao fazer isso notou as manchas nos dedos e correu para num espelho se olhar, foi quando percebeu o seu estado — é por isso que ela se assustou...
— Amy?
— Olhe meu rosto — Amy se apoiou na cômoda onde estava o espelho, seu semblante se alterou completamente, agora estava claramente triste — Cream me viu assim e já veio perguntando "o que aconteceu?", quase a esganei por ter me feito tal pergunta depois do que aconteceu.
— Desculpe, mas eu não estou entendendo nada — Tails se sentou na cama, seu sono havia ido embora completamente agora, apenas a curiosidade o dominava, mas ele logo se arrependeria de ter feito tal comentário.
Amy suspirou — é que o Sonic me contou sobre o Knukles e a Tikal, bem, na verdade ele contou para o Shadow e eu meio que ouvi por estar parada bem ao lado dele, assim que Shadow se foi eu finalmente tive minha chance, inspirada pelos dois lá na ilha voadora eu o peguei pela mão e comecei a dizer o que sentia, até ele me interromper e sumiu tão rápido que eu nem sequer pude me despedir.
— Puxa — Tails sentiu-se culpado, afinal sabia o porque daquilo, mas não podia contar — eu sinto muito.
— Sente muito? — Amy se ergueu em fúria e o empurrou contra a cama — SENTE MUITO? Será mesmo que sente?... Seu hipócrita! HIPÓCRITA!
— Como assim?
Amy tapou a própria boca ao notar como havia se exaltado, respirou fundo, mas era meio tarde, as lágrimas já manchavam ainda mais sua maquiagem — Cream me contou tudo sabia?
— O que? — o coração de Tails quase saiu por sua boca, o suor frio escorreu de sua nuca e todos os pelos de suas caldas se eriçaram — mas, mas...
— Somos melhores amigas, BFF, contamos tudo uma para a outra — Amy explicou — e não se engane, eu fiquei muito feliz por vocês; E com uma inveja do tamanho do mundo também.
Amy sentou no chão afundando o rosto contra os joelhos e chorando, Tails sentiu-se completamente desmontado, pois nunca havia visto uma mulher chorar, ainda mais daquele jeito, Amy estava arrasada e o raposa começava a refletir se guardar um segredo valia mesmo a pena.
— Volte aqui a noite.
— O que? — Amy o olhou assustada, não esperava um tom tão sério na voz do amigo.
— Apenas não conte nada sobre essa conversa com ninguém e volte a noite, eu tenho que te mostrar uma coisa, mas tem de ser a noite.
E para não nos alongar, vamos logo a noite, quando Amy praticamente se esgueirou de sua mansão na encosta leste até a oficina de Tails no lado extremo oeste da cidade, trajando roupas escuras e com um lenço preto ao redor da cabeça — nossa! — o raposa se assustou ao atender a porta, quase não reconheceu Amy em seu disfarce.
— Olha Tails, eu não tenho toa a noite para ficar aqui nesse sereno não, esse frio vai acabar com os meus lábios.
Tails suspirou, esse jeito todo delicado de Amy se estendia a toda família Rose, até mesmo ao patriarca — então vamos logo, eu já deixei o Tornado pronto para...
— O Tornado? — Amy se assustou — porque não me avisou que íamos voar? Eu teria trago um protetor labial e meus óculos...
— Amy" — Tails a interrompeu — nós não temos muito tempo e por favor, confie em mim!
Amy engoliu em seco, já havia visto aquele brilho nos olhos do raposa antes e sabia que ele estava falando sério. Consentiu com um gesto de cabeça e em poucos minutos estavam atravessando arte do deserto pelas alturas, por toda a viagem, Amy ficou calada, esperando que Tails dissesse algo, que pelo menos a perguntasse sobre Cream e o que aconteceu entre eles como a coelha perguntou, que pedisse a ela que não falasse nada a mãe da garota como Shadow havia a explicado naquela tarde, mas coisa alguma foi falada durante a viaje, e o silêncio mesmo só foi quebrado quando Tails desceu com o avião para pousar — chegamos! — ele gitou pouco antes de desenhar os espirais até pousar no plano deserto.
Era uma noite bem clara, a lua e as estrelas brilhavam lindamente no céu, Amy viu ruínas de um antiga civilização a muito esquecida sendo coroada pela lua cheia, e Tails retirando uma á debaixo da asa esquerda do Tornado e seguindo, com uma lanterna fraca iluminando o chão, até uma árvore seca e retorcida no meio da imensidão.
— O que estamos fazendo aqui? — Amy quase sussurrou, mas o silêncio do deserto era tão pleno que até ela mesma ouviu sua voz com grande clareza.
— Me prometa que jamais vai contar nada disso para o Sonic! — Tails se fez uvir, parado abaixo da árvore de costas para Amy.
— Eu juro, seja lá o que for, vai morrer entre nós — bem, Amy ainda não sabia, mas em pouco mais de cinco minutos de escavação, ela se arrependeu como nunca de ter escolhido tais palavras para se expressar — Tails, o que é isso?
Mailes Tails Prowder veio até Amy com um objeto que havia desenterrado, era uma espécie de esfera retorcida de metal amarronzado, com perfurações estranhas que a deixavam parecida com uma cabeça deformada — isso, um dia foi uma pessoa, quando Robotinik destruiu nossa cidade, tivemos de nos esconder na floresta, todo o deserto que você está vendo, desde a metrópole onde Shadow mora, até a baía que habitamos era uma enorme floresta a uns oito anos atrás. Tudo foi consumido por aquela maldita máquina, a nossa cidade virou ruínas, nossa floresta um deserto e as pessoas de que mais gostamos, robôs assassinos que tivemos de parar.
— Ai meu deus! — Amy não conseguia tirar mais os olhos daquela coisa, agora fazia mais sentido, era realmente uma cabeça, robotizada.
— Sonic já amou uma vez, a muito tempo atrás, eu tinha o que? Uns seis anos, e Sonic uns dez — Tails voltou o objeto para o seu lugar — Sonic e Sally, era assim que ela chamava, princesa Sally da casa dos Guaxinins, vinham todas os dias ver o por do sol sobre essa árvore, aqui foi onde ele se declarou, aqui foi onde ele a matou — Tails respirou fundo depois de enterrar o objeto de volta e se virou para Amy — entende o porque agora? O porque dele se afastar de você, de evitar a todo custo um relacionamento?
Amy sentiu náusea, vomitou o jantar e uma queimação horrível tomou conta de sua garganta, ela não tinha forças nem mesmo para chorar — vamos embora — seu pedido foi quase que um suplica, Tails também queria voltar.
Sonic, bem o ouriço tinha uma vida comum, sem muito a salientar, naquele dia quente estava ele estirado numa cadeira de praia, olhando o mar, quando uma mão suave o tocou o ombro, ao ver que era Amy, ele a cumprimentou de forma amiga, um "oi" com um asceno de mão para ele já bastava, mas ela tinha de se sentar ao seu lado? Ainda mais usando aquele biquíni vermelho de praia.
— Está um belo dia hoje né? — Amy se ajeitou com um grande chapéu de palha e seus óculos escuros.
— Meio monótono — Sonic desabafou, puxou uma toalha para cobrir o rosto e continuou — eu queria um pouco mais de agitação, algo para deixar esse dia inesquecível.
— Você sempre quer algo para animar — ela brincou e ambos riram.
— É verdade — ele concordou e se endireitou na cadeira, o garçom trouxe duas bebidas geladas o que o ouriço estranhou, mas logo percebeu que fora Amy quem pediu e com um suspiro aceitou — eu vou pagar.
— Já esta pago, e não me venha com esses seus estereótipos machistas! — ela se fez ouvir, Sonic apenas riu, era engraçado de qualquer modo.
— Tudo bem, tudo bem, dessa vez você venceu — Sonic então bebeu o suco delicioso.
— Sabe quem eu encontrei ontem a noite, Espio — Amy começou a falar, pegando o seu suco e se estirando na longa cadeira — ele me convidou para passear.
— Sério? — Sonic estranhou, sentiu uma pontada de alguma coisa com aquilo, mas ignorou, pois logo uma pergunta o tomou — pelo que eu me lembre ele está do outro lado do planeta agora, no templo da família.
Amy suspirou — é você tem razão — depois ela se levantou e saiu simplesmente andando sem nem se despedir, não demorou nem meio minuto até o ouriço rasgar o espaço entre os dois num pulo.
— Que papo esquisito foi e... — antes que ele termina-se de perguntar, Sonic foi calado pelos lábios dela, pois nada é mais forte contra alguém que gosta de encerrar tudo do que algo que não foi encerado. Foi um beijo intenso, longo, molhado, estalado, daqueles com varias trocas de posição para saborear cada canto da boca do outro, e como começou, terminou, Amy deu-lhe as costas e seguiu seu caminho com um sorriso misterioso na face.
— "Isso vai demorar, mas eu não vou desistir d você Sonic, ainda mais agora que sei o quanto você precisa de mim" — Amy sentiu em seu intimo esse desejo ferver e talvez daquela vez podia ser ela que iria salva-lo.
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