Green Eyes

8 Chicago, 20 de junho de 1913.


Chicago, 20 de junho de 1913

O Primeiro Jogo de Beisebol na Casa de Campo

Hoje foi um dia de pura alegria e risadas. Hoje o meu Edward completava 12 anos.

O verão chegou de forma radiante, com o céu tão claro quanto os olhos de Edward, e com ele, trouxe o som das crianças brincando, o calor do sol e a energia inconfundível dos primeiros dias de férias. Mas o que fez este dia ser ainda mais especial foi o primeiro jogo de beisebol na nossa casa de campo.

Eu ainda me lembro como se fosse ontem: Edward, tão pequeno, correndo atrás de uma bola e me pedindo para jogá-la mais uma vez, para que ele tentasse alcançar, tentando entender como o jogo funcionava. Agora, ele estava tão grande, tão maduro, e o campo que construímos na casa de campo, com a ajuda de seu pai, estava pronto para o que seria o primeiro grande jogo familiar.

Quando Edward me disse que gostaria de organizar um jogo de beisebol, eu confesso que tive minhas dúvidas.

Beisebol nunca foi um esporte que eu entendi completamente. Mas, como sempre, fiz o que qualquer mãe faria: apoiá-lo.

E agora, aqui estávamos nós, todos na casa de campo, com um campo de beisebol improvisado, e a grande expectativa para o jogo.

A manhã estava quente, mas agradável. A casa de campo, com seus amplos jardins, oferecia o cenário perfeito para o evento.

Quando Edward e seus amigos começaram a chegar, com seus uniformes improvisados e sorrisos brilhando no rosto, eu não pude deixar de notar a energia que emana deles. Eles estavam ansiosos, empolgados, e ao mesmo tempo, havia algo quase engraçado em ver todos tão sérios com um jogo tão simples.

O meu marido, como sempre, assumiu o papel de árbitro, embora todos soubessem que ele não tinha a menor ideia de como apitar um jogo de beisebol. Mas ele estava feliz em participar e, se nada mais, sua presença foi o que tornou o dia ainda mais especial. Ele sorriu para mim quando me viu observando da varanda, com as mãos nos quadris e os olhos brilhando de orgulho.

— Vamos ver se ele consegue acertar a bola hoje. — Brincou, olhando para nosso filho que estava se aquecendo com seus amigos. E logo gargalhou. — É difícil competir com o entusiasmo dele, mesmo sem saber exatamente o que está fazendo.

Como eu amava ver o meu marido assim! Feliz! Desinibido. Deixando de lado todas as preocupações e responsabilidades.

Quando Edward assumiu os negócios da família após a morte de seu pai, a solidão que me tomou fora arrebatadora. Eu sabia que também era difícil para ele, mas dentro de seu orgulho, a prioridade número um era mantermos seguros dentro de nosso status social. Não importando como isso o afastaria de nós, sua esposa e filho.

Eu sorri, não apenas pela piada de Edward, mas pela maneira como nosso menino se comportava. Ele estava tão empenhado, tão determinado, com aquele brilho de quem realmente acreditava que seria o melhor jogador.

Ele sempre foi assim: tão cheio de vontade de aprender, de se destacar. E eu sabia que, com o tempo, ele conseguiria. Mas, naquele momento, estava feliz apenas por vê-lo se divertir.

— Quem diria que Edward se interessaria por beisebol? — Perguntei, observando os meninos organizando as equipes. O meu filho sempre fora mais ligado a atividades inteiramente intelectuais, como leitura, escrita e música. — Mas parece que ele encontrou uma nova paixão.

— Sim. — Meu marido respondeu, sorrindo. — Ele sempre encontra algo novo para se dedicar. Mas, por agora, vamos apenas ver o que acontece.

Quando finalmente começou o jogo, Edward estava visivelmente animado.

A cada vez que ele corria para o campo, com os amigos do internato e da vizinhança, seu rosto se iluminava, e o campo se enchia de risadas e gritos de incentivo. Ele estava jogando com a leveza de um garoto, mas com a determinação de alguém que sabe o que quer. E, embora ele tenha errado alguns arremessos e tenha perdido a bola em algumas tentativas, isso não o impediu. Ele continuou tentando, e, a cada falha, mais forte e mais confiante.

— Boa tentativa, Edward! — Gritou um dos meninos enquanto Edward se preparava para rebater.

A bola voou para o ar, e eu quase segurei a respiração. Durante um segundo, todos ficaram em silêncio, esperando para ver o que aconteceria. E então, a bola caiu, rolando pelo campo.

— Você conseguiu! — Uma voz exclamou.

Edward, com um sorriso radiante, correu para a base. Mesmo que o jogo fosse apenas uma brincadeira, havia algo tão sincero e bonito nas suas reações. Ele estava se divertindo, estava experimentando o mundo de uma maneira nova, e isso me enchia de felicidade.

A tarde passou rápido entre risadas e tentativas, os meninos suando sob o calor do verão e se distraindo com as distrações típicas de quem é jovem e não se importa com o que o amanhã trará. Todos estavam completamente envolvidos no jogo, esquecendo-se das pequenas falhas e aproveitando a diversão simples de um dia de beisebol.

Quando o jogo terminou, o time de Edward não foi o vencedor. Mas, ao invés de desânimo, ele estava radiante.

— Foi incrível, mamãe! — Ele disse, se aproximando de mim enquanto se sentava na sombra de uma árvore. — Eu nunca pensei que fosse me divertir tanto. Mesmo que a gente tenha perdido, não importa. Todos estavam tão felizes!

Eu sorri e o abracei.

— Eu vi como você jogou. Você deu o seu melhor, e isso é o que realmente importa. Cada jogo é uma oportunidade de aprender e crescer.

Ele me olhou com um brilho nos olhos.

— Eu sei, mamãe. Foi muito mais divertido do que eu imaginei. E, sabe, acho que vou continuar jogando. Quero ficar melhor.

Eu não tinha dúvidas de que ele iria. Edward sempre se dedica de corpo e alma a tudo o que faz. Mas naquele momento, o que mais me impressionou foi o que ele aprendeu sem que ninguém precisasse lhe dizer. O verdadeiro espírito do jogo, da amizade, da diversão, estava presente no sorriso dele, no suor da sua testa, e na satisfação de um dia bem vivido.

A noite caiu lentamente sobre a casa de campo, e os meninos começaram a se despedir, cansados, mas felizes. Edward correu até mim, com o rosto iluminado e o corpo exausto, e me deu um abraço apertado.

— Obrigada, mamãe, por me deixar fazer isso. Foi o melhor dia do verão até agora.

Eu apertei meu filho contra mim, agradecendo silenciosamente a Deus por me permitir ver esses momentos.

— Eu também adorei, meu amor. Ver você se divertindo assim é tudo o que eu preciso para saber que o dia foi perfeito.

E, naquela noite, ao olhar pela janela, vendo os primeiros sinais do entardecer, eu soube que aquele dia ficaria guardado na memória de todos nós.

O primeiro jogo de beisebol de Edward na nossa casa de campo foi um marco.

Não porque foi perfeito, mas porque ele se entregou à experiência com todo o coração, e isso fez tudo valer a pena.